terça-feira, 30 de junho de 2009

A SENHORA DO RETRATO

Os retratos a óleo fascinam-me. E ao mesmo tempo assustam-me. Sempre tive medo que as pessoas saíssem das molduras e começassem a passear pela casa. Para falar verdade, estou convencido que isso aconteceu algumas vezes. Em certas noites, quando eu era pequeno, ouvia passos abafados e tinha a sensação de que a casa ficava subitamente cheia de presenças. Ainda hoje não gosto de atravessar os longos corredores das velhas casas com grandes retratos pendurados nas paredes. Há olhos que nos seguem do alto e nunca se sabe o que de repente pode acontecer.
Havia na casa da tia Hermengarda um quadro deslumbrante. Ficava ao cimo das escadas, à entrada do corredor que dava para os quartos de dormir. Mesmo assim, rodeado de sombras, irradiava uma luz que só podia vir de dentro da dama do retrato. Não sei se da blusa muito branca, se dos olhos, às vezes verdes, às vezes cinzentos. Não sei se do sorriso, às vezes alegre, às vezes triste. Eu parava muitas vezes em frente do retrato. Era talvez o único que não me assustava. Creio até que dele se desprendia uma luz benfazeja, que de certo modo me protegia.
Mas havia um mistério. Ninguém me dizia quem era a senhora do retrato. Arminda, a criada velha, benzia-se quando passava diante do quadro. Às vezes fazia figas e estranhos sinais de esconjuração. A prima Luísa passava sem olhar.
- Essa pergunta não se faz - disse-me um dia em que lhe perguntei quem era aquela senhora.
Percebi que não gostava dela e que era um assunto proibido. Até a minha mãe me ralhou e me pediu para nunca mais fazer tal pergunta. Mas eu não resistia. Por vezes descaía-me e dava comigo a perguntar quem era a senhora dos olhos verdes, quase cinzentos, que me sorria de dentro do retrato.
Com a minha tia-avó, eu tinha uma relação especial. Ela lia-me histórias e poemas inquietantes. Creio que troçava das convenções, talvez das próprias pessoas. Por vezes era difícil saber quando estava a sério ou a brincar. Apesar de já ser muito velha, tinha um sentido agudo do ridículo. Foi a primeira pessoa verdadeiramente subversiva que conheci. Era óbvio que tinha um fraco por mim. Pelo menos era o único membro da família a quem ela tratava como um igual. Dormia no andar de baixo e nunca subia as escadas. Talvez por isso eu nunca lhe tinha perguntado quem era a senhora do retrato.
Um dia, farto já de tanto mistério e ralheta e, sobretudo, das gaifonas da Arminda e do ar empertigado da prima Luísa, não me contive e perguntei-lhe. A minha tia sorriu. Depois levantou-se, pegou no molho de chaves que trazia preso à cintura, abriu uma gaveta da escrivaninha e tirou um álbum muito antigo. Voltou a sentar-se e lentamente começou a mostrar-me as fotografias. Eram quase todas da senhora do retrato e do meu primo Bernardo, que há muito tinha partido para a África do Sul.
Apareciam juntos a cavalo e de bicicleta. E também de fato de banho, na praia da Costa Nova. Havia alguns em que o meu primo estava de smoking e ela de vestido de noite. Via-se também a tia Hermengarda, mais nova, por vezes os meus pais, gente que eu não conhecia. Até que chegámos à senhora do retrato já de branco vestida.
- Natacha - murmurou a minha tia, com uma névoa nos olhos.
E depois de um silêncio:
- Ela chama-se Natália, mas eu gosto mais de Natacha, sempre a tratei assim. É preciso dizer que a tia Hermengarda tinha vivido em Moscovo no início da carreira diplomática do marido e era uma apaixonada dos autores russos, Pushkine, Dostoievski, principalmente Tolstoi, que visitou algumas vezes em Isnaia Poliana. Identificava-se com as personagens de Guerra e Paz. Creio que amava secretamente o príncipe André e gostava de ter sido Natacha. Falava muito da alma russa. Era uma propensão do seu espírito.
- Tu também tens alma russa - dizia-me. E era como se me tivesse armado cavaleiro.

Manuel Alegre

sábado, 27 de junho de 2009

NOTÍCIA DA SEMANA

O mais velho instrumento de música tem 35 mil anos

Descoberta: Arqueólogos encontraram nas grutas de Hohle Fels, no Sudoeste da Alemanha, a mais antiga prova de uma tradição musical. Flauta foi feita a partir de um osso de grifo, uma espécie de abutre
Há 35 mil anos, um rádio já dava música. Ou melhor, o osso da asa de um grifo (uma espécie de abutre) já tinha sido talhado pelos povos do Paleolítico Superior que viviam no Sudoeste da Alemanha na forma de uma flauta, a mais antiga prova de uma tradição musical alguma vez encontrada. A descoberta é revelada hoje na revista científica "Nature".
Até agora, as mais antigas referências musicais datavam de há 30 mil anos e eram oriundas da França e da Áustria. Esta flauta foi encontrada no Verão de 2008 na região de grutas de Hohle Fels -que em alemão significa rochedo oco.
O instrumento estava partido em 12 fragmentos que, depois de unidos, mediam 21,8 centímetros de comprimento e tinham um diâmetro de oito milímetros. Foi fabricada a partir do rádio de um grifo (Gyps fulvus), espécie cujas asas podem medir entre 230 e 265 centímetros de envergadura.
"A superfície e a estrutura da flauta estão em excelente estado e revelam vários detalhes sobre o seu fabrico", indicam Nicholas Conard e Susanne Muenzel, da Universidade de Tuebingen, e Maria Malina, da Academia da Ciência de Heidelberg, no seu artigo. Além de cinco orifícios para dedos (o instrumento não está completo, mas ainda assim, é um dos mais perfeitos alguma vez encontrados), apresenta dois entalhes profundos em forma de V, que se pensa albergava o bocal.
Os arqueólogos ainda não construíram uma réplica deste instrumento, mas acreditam que seria tocada soprando directamente pelo bocal. Uma outra flauta mais pequena (três orifícios), encontrada no mesmo sítio arqueológico -na região do Vale do Ach, a 20 km de Ulm -, revelou quatro notas básicas, além de outros três tons. Com a nova, deverá ser possível tocar mais.
Além da flauta de osso de grifo, a equipa encontrou ainda fragmentos de outros dois instrumentos iguais, desta vez cravados a partir de marfim. "A tecnologia para fazer flautas de marfim é muito mais complicada do que a partir do osso de uma ave", indicaram Conard, Muenzel e Malina. Isto porque é necessário arredondá-lo, antes de o partir ao meio para o tornar oco e finalmente voltar colar.
"Os investigadores aceitam universalmente a existência de complexos instrumentos musicais como uma indicação do comportamento moderno e comunicação simbólico avançada", explicam no seu artigo. "Os habitantes destes locais tocavam os instrumentos musicais em diversos contextos culturais e sociais", referem, lembrando que a flauta foi encontrada perto de uma revolucionária figura feminina.
"A presença da música na vida dos povos do Paleolítico Superior não produziu directamente uma economia subsistente mais efectiva ou uma maior capacidade de reprodução", indicam."Contudo,
vista num contexto comportamental alargado, a música pode ter contribuído para a manutenção de redes sociais mais amplas e, talvez por isso, favorecer a expansão demográfica e territorial dos humanos ,modernos, em relação à cultura mais conservadora e mais isolada dos homens de Neandertal", acrescentam.

Uma Vénus pré-histórica

A figura feminina também encontrada no mesmo local é talhada em marfim de abutre e é a mais antiga representação feminina conhecida. Tal como a flauta, tem 35 mil anos. Esta Vénus pré-histórica altera radicalmente a imagem que os arqueólogos tinham da arte do Paleolítico Superior. A figura rechonchuda descoberta em Hohle Fels está quase completa, faltando apenas o ombro e braço esquerdos.

Diário de Notícias -25.06.2009-


sexta-feira, 26 de junho de 2009

sábado, 20 de junho de 2009

NOTÍCIA DA SEMANA

32 mil euro na recolha de radiografias

Reciclar: Êxito dos primeiros 15 dias leva AMI a prolongar campanha

A Assistência Médica Internacional (AMI) já recolheu 24 toneladas de radiografias na 14º campanha para reaproveitar este material, iniciada a 3 de Junho, o que levou a organização a prolongar o prazo até 3 de Julho. As radiografias antigas já recolhidas vão proporcionar uma receita de 32 mil euro, que serão usados no apoio aos sem-abrigo. A AMI tem oito centros Porta Amiga que prestam assistência às populações mais desfavorecidas, dois abrigos nocturnos, duas equipas de rua de apoio aos sem-abrigo e uma unidade de apoio domiciliário.
Diário de Notícias -18.06.2009-
E você já entregou as suas radiografias?
Todos nos temos radiografias antigas em nossas casas. Reciclar é bom e ajuda a quem mais precisa! Participa!
Werngard

segunda-feira, 15 de junho de 2009

PROTEA

Classificação cientifica:

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Proteales
Família: Proteaceae
Género: Protea
Protea é o nome botânico bem como o nome inglês, pelo qual é designada uma espécie de planta florida, denominada também por vezes por "sugarbushes".
Foi dado o nome à espécie Protea em 1735 por Carolus Linnaeus por, tal como o deus grego "Proteus" poder mudar de forma conforme a sua vontade, esta espécie podia apresentar formas diferentes. A espécie "Linnaeus", foi formada pela fusão previamente publicada por Herman Boerhaave, embora a espécie de Boerhaave estivesse incluída na "Protea Linneaus" e variado nas publicações da Linnaeus.
As proteas atraíran a atenção dos botânicos que visitaram o Cabo da Boa Esperança em 1600. Muitas espécies foram introduzidas na Europa em 1700, tendo gozado duma popularidade única entre os botânicos.
A família "Proteaceae" à qual as proteas pertencem, é muito antiga.
Os seus antepassados cresceram no país de Gondwana, há 300 milhões de anos. A "Proteaceae" está dividida em duas famílias "Proteoideae", melhor representada na África do Sul e a "Grevilleoideae", concentrada na Austrália e América do Sul e outros pequenos segmentos de Gondwana que fazem agora parte da Ásia Oriental.
África partilha somente com Madagáscar uma espécie, ao passo que a América do Sul e a Austrália partilham muitas espécies comuns - isto indica que se separaram em África, antes de se terem separado umas às outras.
A maior parte das proteas cresce a sul do rio Limpopo. Contudo a Protea Kilimanjaro pode ser encontrada numa zona do parque do Quénia. 92% das espécies crescem somente na região florífera do Cabo, numa estreita região costeira montanhosa entre Clanwilliam e Grahaamstown, África do Sul.
Pensa-se que a extraordinária riqueza e diversidade de características das espécies da flora do Cabo é causada, em parte, pelo relevo do território onde as espécies se podem isolar umas das outras e, em tempo, desenvolver-se em espécies distintas.

Símbolo Nacional
Conjuntamente com a gazela da África do Sul, a "Protea" tinha sido por vezes debatida durante e após o "apartheid", como símbolo nocional da África do Sul. O antigo primeiro ministro e arquitecto do "apartheid", Hendrik Frensch Verwood, teve nesse tempo o sonho de modificar a bandeira da África do Sul que teria no seu centro uma gazela saltando sobre uma grinalda de seis proteas. Esta proposta levantou contudo, muita controvérsia e nunca foi implementada.


"WE ARE THE WORLD" faz 24 anos

sexta-feira, 12 de junho de 2009

LENDAS DE PORTUGAL - VIII - LAGOS

O Senhor da Verdade
Lagos fica na Costa do Ouro, pois bem douradas e belas são as suas praias. O seu nome deriva de Lacóbriga, pois tendo sido fundada pelo rei Brigo foi assente num local alagadiço. Já existia 400 anos depois do Dilúvio e 1008 anos antes de Cristo. Era rica e poderosa no tempo de Aníbal Barca, mas o seu nome desapareceu com a chegada dos árabes à Península. Quando Sancho I toma Silves aos mouros, Lagos parece recuperar-se. Vamos, então, à lenda do Senhor da Verdade.
Pois era uma vez a bonita Mariana que vivia em Lagos e namorava o pescador António. Ora ele gostava muito da sua profissão, e ela dizia-lhe que tal não era empecilho para o seu amor, que estaria sempre à espera que ele voltasse da faina. Mas, acrescentava, ai de quem se metesse com ela!
No entanto, havia o Jacinto, com quem António ia pescar e era o dono do barco. Dizia-se o seu melhor amigo, mas cobiçava-lhe a namorada. Ela sabia-o e advertiu o António. Mas ele garantiu-lhe que o outro dia seria o último em que pescava com ele, pois arranjara um dinheiro emprestado e já teria um barco seu.
Nesse encontro António mostrou a Mariana um crucifixo em madeira, que ele próprio fizera, dizendo que o destinava ao seu novo barco. E já estava benzido. Porém, acrescentou, tencionava levá-lo no dia seguinte, no costado do barco de Jacinto. Combinaram então casar na ermida da Senhora da Conceição.
--António, não digas nada ao Jacinto sobre o nosso casamento... -- pediu a rapariga, mas ele achou que até era bom que ele se habituasse à ideia. No dia seguinte, com um céu lindo, saíram os dois pescadores de Lagos. Mariana foi à praia despedir-se de António, que ficou muito tempo a olhá-la. Jacinto nem para trás voltou a cabeça.
No dia seguinte, Mariana foi para a praia ver chegar António, mas chegaram todos os barco menos o dele. Demorava e ninguém dizia tê-lo visto. Por último, tardíssimo, chaga o barco, apenas com Jacinto. Contou que uma onda alterosa levara António. Todos acreditaram menos ela. Então fez uma prece para que o Cristo de António viesse à praia dizer o que tinha acontecido, que ele decerto assistira. E todos olharam para a praia onde um objecto acabava de ser trazido pelas ondas. Era o crucifixo. Ela pediu que trouxessem o Jacinto para o confrontar com o Cristo. Trouxeram-no mas ele, sabendo do que se tratava, sempre receou olhar directamente para a imagem. Depois de uma discussão com os pescadores e as suas mulheres Jacinto, pálido, acedeu ao que se lhe pedia, mas quando o fez desatou aos gritos que uma luz o cegava. E acabou por confessar ter assassinado o companheiro.
Ele foi preso, mas a rapariga acabou por morrer de desgosto numa das praias de Lagos. O crucifixo foi levado para a ermida onde Mariana e António iriam casar e lá está, podem ir vê-lo. E o povo ainda recorre a ele chamando-lhe o Senhor da Verdade! Aquela luz de que fala a lenda ficou gravada na tradição.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

NOTÍCIA DA SEMANA

As Sete Maravilhas Portuguesas no Mundo estão em três continentes

Na nossa Notícia da Semana do dia 20 de Dezembro de 2008 publicamos as 27 Maravilhas Portuguesas no Mundo. Estava aberta a votação para escolher sete.
Hoje anunciamos os vencedores:

Fortaleza de Diu, Índia
Cidade Fortificada de Mazagão, Marrocos
Basílica do Bom Jesus, Goa, Índia
Cidade Velha de Santiago, Cabo Verde
Ruínas São Paulo, Macau, China
Igreja de S. Francisco de Assis da Penitência, Ouro Preto, Brasil
Convento de S. Francisco Ordem Terceira, Baía, Brasil







domingo, 7 de junho de 2009

O QUE É A EUROPA?

Em pleno dia de eleições para o Parlamento Europeu fazemos esta pergunta:
O que é a Europa?

>>Uma vila grega?
>>Uma figura mitológica?
>>Um Continente?

Claro, a nossa primeira resposta é: um Continente.
E está certo! E desde que existe a União Europeia somos todos Europeus, independentemente em que país nascemos, Portugal, Espanha, França, Alemanha etc. Hoje em data são 27 os países que fazem parte da União Europeia.

Mas há mais uma resposta certa: Europa é também uma figura mitológica.

Europa era filha de Agenor, rei da Fénicia, e irmã de Cadmo, rei de Tebas. Desta princesa de grande formosura dizia-se que uma das companheiras da Juno roubava uma pucarinha dos efeitos desta deusa para presentear Europa. Júpiter teve-lhe grande afeição. Para a poder raptar, assumiu a forma de touro e levou-a para Creta. Durante a permanência nesta ilha teve três filhos. Depois Júpiter atravessou com ela os mares e trouxe-a para outra parte do mundo, a Europa, a que ela deu o seu próprio nome.


Werngard

sexta-feira, 5 de junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

A MINHA OPINIÃO


A.H.S.A. comemora 10 anos de vida

No passado dia 30 de Maio assisti a festa do 10º aniversário da A.H.S.A., Associação Humanitária Solidariedade de Albufeira, no EMA.
Começando pelo um cocktail, passando pelo jantar, música, discursos, prendas e bolo de aniversário não faltaram os ingredientes para uma bonita festa.
Fiquei surpreendida que esta Associação tenha conseguido encher aquela sala enorme do EMA.
Foi apresentado também um DVD sobre tudo que a A.H.S.A. tem feito e continua fazer e, alem disso, uma apresentação virtual do novo Centro Social da A.H.S.A. no Cerro do Malpique, que é um grande projecto para o futuro.
A A.H.S.A. foi constituída a 1 de Junho de 1999. Tem um banco alimentar e de roupa e da apoio domiciliário. Desde Junho de 2006 está a fazer a gestão do Centro de Dia do Rossio. Tem neste centro 33 utentes.
Parabéns a A.H.S.A., ao seu executivo e a todos os voluntários, felicidade e muito sucesso!
Esta Associação merece o apoio de todos nos!

Werngard

sábado, 30 de maio de 2009

NOTÍCIA DA SEMANA

Carro da Google já fotografou Lisboa e Porto

Internet: Braga é a próxima cidade a receber a visita do útil mas por vezes indiscreto Google

Ao contrário do que normalmente acontece, o apanhado desta história é o carro da Google que andou pelas ruas de Lisboa e Porto a fotografar, com imagens tridimensionais, as duas principais cidades portuguesas, fotografias que serão disponibilizadas até ao final do ano, na Internet, através de uma nova ferramenta, o StreetView.
Ontem (27 de Maio) o DN "apanhou" o famoso carro da Google, em plena Rua Braancamp, junto ao Marquês de Pombal, em Lisboa. No entanto, a Google assegurou ao DN que o levantamento das ruas de Lisboa e Porto já está concluído. O curioso veículo segue agora destino para Braga, próxima cidade a ser captada pelas várias máquinas fotográficas estrategicamente colocadas no tejadilho, em forma de cruz, para apanharem diferentes ângulos.
Em relação às fotografias captadas em Lisboa e Porto, segue-se uma longa e minuciosa tarefa de tratamento das imagens para que, no final, na visão de 360º disponibilizada, não se perceba que se trata de fotografias sobrepostas. E também por questões de privacidade: só são fotografados locais públicos, mas é preciso desfocar as caras das pessoas e as matrículas dos carros.
Apesar destes cuidados e de as imagens não serem em tempo real - só ficam disponíveis cerca de oito meses depois de captadas - a nova ferramenta de Google, já disponível em vários países, tem sido muito questionada quanto ao respeito pela privacidade. Já esta semana, por exemplo, Paul McCartney, "ficou nervoso assim que percebeu que os utilizadores do Google podiam obter uma vista de 360º da sua propriedade", afirmou fonte próxima do cantor à agência Europa Press. Esta foi apenas mais uma das reacções adversas que o StreetView, lançado em Maio de 2007 nos Estados Unidos, já provocou. Por isso mesmo, o site do Google Maps inclui um link através do qual as pessoas podem exigir à Google que retire imagens.


Diário de Notícias -28.05.2009-

sexta-feira, 29 de maio de 2009

NA ÉPOCA DAS CEREJAS

Origem e Família:
A cereja, do subgénero Cerasus e incluída no género Rosacae, tem a sua origem na Ásia e pertence à família de frutas como a ameixa, o pêssego, o alperce e a nectarina.

Em Portugal a melhor região para a produção da cereja é nas encostas da Serra da Gardunha, no concelho do Fundão.

Dizeres populares:
--As palavras são como as cerejas, vêm umas atrás das outras.
--Em Maio as cerejas uma a uma leva o Gaio.
--A homem farto as cerejas lhe amargam.
--Em Maio comem-se as cerejas ao borralho.
--Isto é a cereja no topo do bolo.

...ou de um cocktail!

Aplicação e Benefícios:
A cereja pode ser usada na fabricação de conservas, compotas e bebidas licorosas. São recomendadas para o reumatismo, gota, artrite, arteriosclerose, diarreia e problemas intestinais.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

POEMA PARA OS AMIGOS

Não posso dar-te soluções
Para todos os problemas da vida,
Nem tenho resposta
Para as tuas dúvidas e temores,
Mas posso escutar-te
E compartilhar contigo.

Não posso mudar o teu passado
Nem o teu futuro
Contudo quando necessitares
Estarei junto a ti.

Não posso evitar que tropeces
Somente posso oferecer-te a minha mão
Para que te agarres e não caias.

As tuas alegrias
Os teus triunfos e os teus êxitos
Não são meus
Contudo desfruto sinceramente
Quando te vejo feliz.

Não julgo as decisões que tomas na vida
Limito-me a apoiar-te e estimular-te
E a ajudar-te sem que mo peças.

Não posso traçar-te limites
Dentro dos quais deves actuar
Contudo se te ofereço esse espaço
Necessário para crescer.

Não posso evitar o teu sofrimento
Quando alguma pena te parta o coração
Mas posso chorar contigo
E recolher os pedaços
Para os juntar de novo.

Não posso dizer-te quem és
Nem quem deverias ser
Somente posso amar-te como és
E ser teu amigo.

Nestes dias pensei nos meus amigos e amigas
Não estavas em cima, nem em baixo, nem no meio,
Não encabeçavas nem concluías a lista
Não eras o número um nem o número final.

Dormir feliz, emanar vibrações de amor,
Saber que estamos aqui de passagem
Melhorar as relações
Aproveitar as oportunidades
Escutar o coração, acreditar na vida.

E tão pouco tenho a pretensão de ser
O primeiro
O segundo
Ou o terceiro
Da tua lista.

Basta que me queiras como amigo
Obrigada pelo teu carinho.

Jorge Luís Borges

quarta-feira, 27 de maio de 2009

RIR É O MELHOR REMÉDIO

O carácter internacionalista do povo português:

Se um português tem um problema intrincado -vê-se grego-
Se um português não compreende alguma coisa -"aquilo" é chinês-
Se um português trabalha de manhã à noite -trabalha como um mouro-
Se um português vê uma invenção moderna -é uma americanice-
Se um português fala muito depressa -fala como um espanhol-
Se um português vive com luxo -vive à grande e à francesa-
Se um português quer causar boa impressão -é só para inglês ver-
Se um português tenta regatear um preço -é pior que um cigano-
Se um português é agarrado ao dinheiro -é pior que um judeu-
Se um português se diverte -está a gozar que nem um preto, ou que nem um turco-
Se um português veste um fato claro -parece um brasileiro-
Se uma portuguesa é loura, alta e boa -parece uma sueca-
Se um português quer um café curtinho -pede uma italiana-
Se um português se engana e cumpre horários -é de uma pontualidade britânica-
Se um militar português está bem fardado -parece um soldado alemão-
Se uma máquina funciona bem -é como um relógio suíço-
Mas quando alguma coisa corre mal -"É MESMO À PORTUGUESA"...

terça-feira, 26 de maio de 2009

DUAS LUAS NO CÉU

A 27 de Agosto à meia-noite e trinta minutos, olhe para o céu.
O planeta Marte será a estrela mais brilhante no céu. Será tão grande como a lua cheia.
Marte estará a 55,75 milhões de quilómetros da terra. Não o perca!
Será como se a terra tivesse duas luas.
A próxima vez que este acontecimento se produzirá, está previsto para o ano de 2287.
Compartilhe esta informação. Nada que seja vivo, poderá voltar a vê-lo.

sábado, 23 de maio de 2009

NOTÍCIA DA SEMANA


PARABÉNS ALEMANHA

A República Federal da Alemanha celebra 60 anos e é uma história de sucesso

Quatro anos após a capitulação da Alemanha nazi, trocadas 169 milhões de palavras e escritas 750 mil páginas, no Conselho Parlamentar, seria promulgada, em Bona, a 23 de Maio de 1949, por Konrad Adenauer, a Lei Fundamental Alemã. "Quem viveu de forma consciente os anos desde 1933, agradece, com o coração comovido, que hoje nasça uma nova Alemanha", foram as palavras do patriarca.
Desmontados, pela geração de 68 e pelo terrorismo da RAF, o conformismo e os mitos do "nicht-gewusst-haben" ("não sabia de nada") e do "nicht-anders-gekonnt-haben" (não podia ter agido de outra forma") e sarada a cicatriz histórica do Muro, o país encontrou o seu lugar no concerto das Nações. Ao celebrar o futebol, em 2006, o povo descobriu que pode acenar a bandeira, ter orgulho em ser alemão, sem ter que se justificar. Passado, identidade e modernidade são os volantes de um único debate sobre o futuro, regido a partir de Berlim. Aos 16 anos de reinado de Helmut Kohl - marcados pela integração europeia e pelo reconhecimento de que Auschwitz tem um carácter único - seguiram-se sete anos de uma coligação entre sociais-democratas e verdes, uma ruptura ideológica e o fim da "República de Bona". Ironicamente serão os representantes da geração de 68, Gerhard Schroeder e Joschka Fischer, que decidirão o uso, sem complexos, da força militar como elemento da política externa, uma evolução que ocorre no contexto da Guerra do Kosovo, em 1999. Mais tarde, Schroeder falará de uma democracia madura "que tem o direito a dizer não". A oposição alemã à estratégia americana no Iraque é reveladora de uma outra aspiração: que a Alemanha seja reconhecida como um parceiro soberano, capaz de se opor aos EUA. Sessenta anos decorridos sobre a sua fundação, 90% dos alemães consideram que a história da República Federal é uma história de sucesso, mais de 70% afirmam que, no país, existe justiça social e cerca de um terço têm orgulho em ser alemães.

Bundespraesident Horst Koehler und Kanzlerin Angela Merkel

Uma campanha imprevisível
Em 2009, o país encontra-se de novo numa fase de mudanças. A eleição como chanceler da líder democrata-cristã, Angela Merkel, em 2005, teve uma dupla dimensão. É histórica, porque ela foi a primeira mulher, o primeiro cidadão do Leste e a mais jovem personalidade a liderar um Governo germânico. Todavia, marca também a emergência de aliança contranatura, ente democratas-cristãos e sociais-democratas, uma grande coligação que poderia ter reformado a Alemanha e não o conseguiu fazer - só o desemprego deve afectar mais de 5 milhões até 2010.
A quatro meses das legislativas, a chanceler vive, ao contrário do seu partido, um invejável estado de graça. E já anunciou estar disposta a formar novo Governo com os liberais do FDP. Como os sociais-democratas também não querem reeditar a presente coligação, a campanha promete. Pela primeira vez, apresentam-se seis partidos e com excepção de um -Die Linke, Partido de Esquerda- todos têm hipótese de integrar o futuro Governo de Berlim.

Visão Nº 846

sábado, 16 de maio de 2009

CATARATAS DE IGUAÇU

Na nossa última Notícia da Semana, publicada em 10.5., mostramos uma fotografia das Cataratas de Iguaçu no Brasil do ano 1997.
Hoje publicamos uma fotografia tirada esta semana. Na terça-feira passada foi registado um baixo volume de água nas Cataratas de apenas 310 metros cúbicos por segundo, quando, normalmente, são registados 1.500 metros cúbicos por segundo.


Werngard

sexta-feira, 15 de maio de 2009

LENDAS DE PORTUGAL - VII - CABECEIRAS DE BASTO

Até ali, por S. Miguel, basto eu!

Embora tenha mudado de sítio, o Basto lá está na Praça da República, em Cabeceiras de Basto. Pela bizarra da composição da figura, é um dos mais curiosos monumentos de todo o país! Representa um guerreiro lusitano e, de facto, trata-se de uma dessas estátuas jacentes de figuras admiradas que se colocavam sobre túmulos. Em granito, parece vestir túnica, exibe um escudo sobre a barriga, pendendo-lhe o punhal e a espada embainhados. Ora a estátua foi alterada por duas vezes, pelo menos está datada de 1612 e de 1892. Acrescentaram-lhe, sempre de pedra, uma barretina, umas bigodaças e meteram-lhe meias e botas. No escudo tem a inscrição: Ponte de S. Miguel de Refoyos 1612. Ora a lenda... A Lenda do Basto é muito antiga. Vamos copiá-la de um folheto municipal:
O império visigodo não resistiu aos ataques dos mouros, comandados por Tarik. Espalhando o terror, estes avançaram ávidos de glória através da Galiza. Os ecos dos seus ataques chegaram ao Mosteiro de S. Miguel de Refojos, mas não merecem crédito. Bracara Augusta caiu também nas suas mãos. Então acreditaram e preparam-se para a defesa com uma centúria de servos e homens de armas comandados por D. Gelmiro, venerando abade do mosteiro. Hermígio Romarigues, parente do fundador do mosteiro, era o guerreiro-monge que mais se destacava pelo seu porte avantajado de grandes e possantes membros e com o rosto retalhado por mil golpes das escaramuças passadas. Postando junto à ponte que dava acesso ao mosteiro, ao aproximar das tropas de Tarik estendeu a mão possante assegurando:
"Até ali, por S. Miguel, até ali basto eu!"
E bastou. Três vezes arremeteram os mouros contra as débeis defesas do mosteiro. Mas por três vezes foram repelidos pela espada de Hermígio Romarigues. A ponte sobre a ribeira ficou atulhada de corpos e os chefes infiéis tiveram de tratar com D. Gelmiro de igual para igual, gorando-se, deste modo, a suposta intenção de arrasarem o mosteiro e decapitarem os monges. Posteriormente, o monge-guerreiro ter-se-á integrado no reduto cristão situado na Astúrias, de onde irradiava já a Reconquista a partir de Covadonga, sob o comando de Pelágio.
Hermígio Romarigues, O Basto, foi imortalizado através da estátua que erigiram em sua homenagem, como reconhecimento pelos serviços prestados a El-Rei Pelágio.
Mas uma vez os frades de Refojos foram vencidos. Por uma mulher, D. Comba, que levou a sua vingança a ponto de mandar pensar os cavalos dentro da própria igreja do mosteiro. Fidalga da Casa da Taipa, cruel, exigia que lhe fritassem vivas as trutas acabadas de pescar no ribeiro próximo. E, quando morreu, num estrondo, desapareceu do caixão em que levavam a enterrar em Fafe! Dizem que todas as sextas-feiras, bem de noite, o seu espírito anda à volta da capelinha de sua casa...