quinta-feira, 19 de setembro de 2013

JOSEPH ADDISON

Os sorrisos têm o mesmo efeito sobre a humandidade
como o sol sobre as flores.

sábado, 14 de setembro de 2013

RIR É O MELHOR REMÉDIO

Dois compadres encontram-se e diz um:
"Compadre, as sardinhas também dormem?"
"Se dormem ou não, não sei! Mas que passam pelas brasas, lá isso passam!"

domingo, 8 de setembro de 2013

ROSA-DE-PORCELANA


Classificação científica:
Reino: Lantea
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Zingiberales
Família: Zingiberaceae
Género: Etlingera
Espécie: E.elatior
Nome binominal: Etlingera elatior

A Rosa-de-porcelana (Etlingera elatior) é uma espécie de planta perene herbácea originaria do Sueste asiático. Os sinónimos botânicos incluem, Nicolaia elatior, Nicolaia speciosa, Phaeomeria speciosa, Alpinia elatior, Alpinia magnifica.
Nome
A Rosa-de-porcelana (Torch Ginger, Ginger Flower, Red Ginger Lily, Torch Lily, Torch Ginger, Wild Ginger, Combrang, Bunga Siantan, Philippine Wax Flower, Xiang Bao Jiaing, Indonesian Tall Ginger, Boca de Dragón, Rose de Porcelaine, Porcelain Rose, Bastão-do-imperador, gengibre-tocha, flor-da-redenção), teve numerosas designações genéricas ao longo dos anos: Alpinia, Phaeomoria, Nicolaia, e Elettaria. A taxonomia era rebuscada e confusa. E acreditava-se que o género tinha apenas algumas espécies.
Definição
Nos anos 80 do século XX, Rosemary Margaret Smith, dos Jardins Botânicos Reais de Edimburgo, aprofundou os estudos sobre a Rosa-de-porcelana e determinou que a planta pertencia ao género Etlingera, descrito pela primeira vez em 1792 por Paul Dietrich Giseke. Desde então, Axel Dalberg Poulsen, do Herbário Nacional da Holanda, dedicou os seus estudos a estas plantas gloriosas. Descobriu que há pelo menos 70 espécies, muitas ainda não estão identificadas. Podem-se encontrar em muitas localidades tropicais, espalhando-se desde as Ilhas do pacifico até à África.
Descrição
A inflorescência espectacular sai do rizoma entre uma altura de 60 centímetros a mais de um metro. As flores individuais aparecem do meio dos nós, parecidos com uma pinha, por cima das linhas de cera. As folhas crescem em filas de talos separados ao longo do rizoma. Os talos frondosos crescem entre 4.5 a 6 metros. Normalmente, quando a inflorescência se começa a expandir, as folhas vão secando devido às mudanças de temperatura e ao vento.
Usos
As espampanantes flores cor de rosa são usadas em arranjos florais, enquanto que os botões da flor, são um ingrediente importante no prato Nonya, laksa. No Norte de Sumatra , os botões da flor são usados num prato chamado arsik ikan mas (Carpas condimentadas com pimenta em grão). Na Malásia, é conhecida por bunga kantan, os pedúnculos da inflorescência são cortados e adicionados a potes laksa (vários tipos de caril ou sopas feitas com macarrão de arroz). Na Indonésia, é conhecida como bunga kecombrang ou honje, na Tailândia como kaalaa. Em Batak Karo, é conhecida como asam cekala (asam significa azedo), e os botões da flor, mas mais importante, as vagens de sementes maduras, que são empacotadas com pequenas sementes pretas, são um ingrediente essencial da versão Karo de sayur asam, e são indicadas para cozinhar peixe fresco.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

LENDAS DE PORTUGAL - LVII - CELORICO DA BEIRA

OS TRÊS MILAGRES

Dirija-se o leitor a Celorico da Beira, aí decerto encontrará placa indicativa da Aldeia Rica, a uns oito quilómetros. Siga pela estrada até lá chegar, onde não terá dificuldade em encontrar a igreja da Nossa Senhora dos Açores. Entre e repare em três painéis assim intitulados: "O aparecimento da Virgem ao rústico da vaca", "O açor pousado na mão do caçador" e "O filho rei, já ressuscitado". Pois aí acaba a lenda que vamos começar. Ora escutem.
Andava um pastor de Aldeia Rica com as suas vacas quando uma delas se espantou e caiu ao rio. Vai o homem a querer salvá-la e também ficou em  perigo de vida. Então ele lança um grito:
"Valei-me, minha Nossa Senhora!"

E o pastor e a sua vaca tresmalhada salvaram-se, não tardando que aquilo fosse levado à conta de milagre. E a população, sempre grata a estes sinais, ergueu uma pequena capela a Nossa Senhora. Também não tardou que se multiplicassem os milagres e a fé, a ponto da fama ter chegado a um rei de um recanto da Península.
Nesse pequeno reino, os monarcas viviam com o desgosto de não terem um filho. Sabedores das maravilhas operadas em Aldeia Rica, rezaram, a Nossa Senhora, que não os fez esperar mais do que o tempo devido. Porém, um acidente qualquer fez com que a criança ficasse defeituosa, o que amargurava muito os reis seus pais. Chamaram médicos de todas as partes, mas acabaram por se voltar, uma vez mais, a Nossa Senhora de Aldeia Rica.
Discutiram se deveriam pôr-se a caminho, dada a debilidade do filho. Venceu a mãe, que entendeu valer a pena a jornada. Porém, a criança desfaleceu e morreu quando até já nem faltava muito para terminaram a viagem aos pés de Nossa Senhora. Mesmo assim, em vez de permitir que lhe enterrassem o filho, a rainha quis levar o corpo nos braços para o deixar aos pés da Virgem. E o rei fez-lhe a vontade.
Quando chegaram a Aldeia Rica, a rainha foi cumprir o prometido. O rei saiu a caçar com os da sua comitiva. Às tantas, um dos seus homens largou em liberdade o açor que levava no braço. Denunciado, o rei logo julgou e mandou que lhe cortassem a mão direita. O homem defendia-se dizendo que os pássaros tinham o direito à liberdade.
E quando o executor se preparava para cortar a mão, o açor deu uma volta e colocou-se sobre ela. Ao mesmo tempo, a rainha dava um grito porque o filho recobrava vida e ficava curado dos seu males. Emocionado, o rei mandou soltar o prisioneiro, ordenando que soltassem imediatamente os outros açores. E ali mesmo mandou erguer uma igreja a que deu o nome de Nossa Senhora dos Açores, ainda hoje motivo de admiração de toda a gente.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

KIWI

São aves mas não voam. Têm o tamanho de uma galinha e o nome de uma fruta. Os KIWIS são endémicos da Nova Zelândia e estão em vias de extinção, facto que talvez se dava aos seus próprios hábitos. É monogâmico. O par choca um ovo por ano -em conjunto- durante 80 dias, um período de incubação que é o maior do mundo das aves. O ovo é maior que o de uma galinha e pesa aproximadamente um quilo. Digamos que o kiwi fêmea põe um ovo que tem cerca de 20% do seu tamanho, num esforço tremendo que equivaleria a uma mulher dar à luz um bebé de 10 quilos.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

TROMBETA



Classificação científica:

Reino: Plantae


Divisão: Magnoliophyta

Classe: Magnoliopsida

Ordem: Solanales

Família: Solanaceae

Género: Brugmansia

Espécie: B. Suaveolens
Nome cientifico: Lilium longiflorum
Nome popular: lírio trombeta, lírio japonês, lírio, lírio branco ou lírio de finados
Origem: China




A Trombeta (Brugmansia suaveolens), também conhecida como Canudo, Lírio, Zabumba, Saia-branca e Trombeteira, é uma planta do género Brugmansia, utilizada como planta ornamental devido às suas grandes flores.
Porte: grande, chega a atingir 1,5m de altura
Flores: grandes, brancas, perfumadas e que se formam em Outubro e Novembro, com formato de trombeta
São também usadas na medicina como fitoterápicos, para combater distúrbios intestinais. É possível encontrá-la em várias regiões do Brasil.A trombeta é uma planta anticolinérgica conhecida pela sua flor, já indicada, em diversas composições inclusive de cigarros, para tratamento de asma e mal de Parkinson que também é utilizada para elaborar chás narcóticos e alucinógenos. Os efeitos mentais produzido pelo uso do chá são alívio de espasmos musculares, broncodilatação  delírios, perda de consciência e alucinações. Devido a popularização do uso da trombeta como droga, sua circulação no Brasil é controlada pelo Ministério da Saúde, conforme especificado em portaria da ANVISA, porém como a planta é encontrada facilmente, o controle se torna complexo. Sua utilização pode resultar em coma e morte. Os princípios tóxicos são os os mesmos do estramônio.




sábado, 10 de agosto de 2013

CHICO BUARQUE



Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
              Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
             Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
              Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
              Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
              Solidão é muito mais do que isto.
              Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
 Francisco  Buarque  de  Holanda 

terça-feira, 30 de julho de 2013

LENDAS DE PORTUGAL - LVI - PENEDONO

UM DOS DOZE DE INGLATERRA

Alexandre Herculano o apurou na sua ronda por terras da Beira: o belíssimo castelo de Penedono foi morada dos antecessores do Magriço, u, dos Doze de Inglaterra, imortalizado opor Camões nos "Os Lusíadas". O seu verdadeiro nome era Álvaro Gonçalves Coutinho, que alguns autores dão como nascido na vila de Penedono. E no poema a lenda é contada por um marinheiro, numa das naus do Gama, quando seguiam de Melinde para a Índia. Vale a pena evocar-se esse feito de um notável filho desta vila.
Pois a lenda, para quem não estiver para ir buscar o seu exemplar do grande poema camoniano e repassá-la em versos alexandrinos, a lenda conta que, no reinado de D. João I, na corte da nossa recém-aliada Inglaterra, nada menos que doze damas foram agravadas por outros tantos cortesãos. Pois queixando-se as ditas ao duque de Lencastre, sogro do monarca português, logo este pensou que seria interessante  que as mesmas fossem desagravadas por doze cavaleiros portugueses. E lembrava-se ele de alguns bem galantes e possantes, que conhecera quando por cá andara a apoiar o futuro genro contra os castelhanos. E o desafio ficou no ar, tendo os nomes dos Doze de Inglaterra sido sorteados pelas damas ofendidas.
Tanto quanto se sabe, cada dama escreveu ao cavaleiro português que lhe coubera por sorteio, todas ao rei de Portugal e o Duque de Lencastre a todos. Assim, chegaram as cartas ao nosso país e não tardaram a partir do Porto os que viriam a consagrar-se como os Doze de Inglaterra. Houve, no entanto, um que não quis embarcar, preferindo  a Inglaterra ir por terra. Exactamente o cavaleiro de Penedono, o Magriço.

E não é que o Magriço foi u último a chegar ao torneio de Londres, mesmo em cima da hora? E os cavaleiros portugueses venceram os cavaleiros britânicos. Porém, é curioso como ao cabo de tanto protocolo arrolado na lenda esta história não seja descrita por nenhum cronista da época, seja ele português ou inglês. Por isso se inclinam as gentes a supor tratar-se de uma lenda. E está muito bem que o seja.
Bruno, por exemplo, entende que se trata da adaptação de uma justa ao tempo de Ricardo II, realizadas em Londres, em 1390. Mas Teófilo Braga, Faria e Sousa e Jorge Ferreira da Vasconcelos, entre outros, aceitam o episódio dos Doze de Inglaterra como facto histórico. Mas a verdade é que o livro "Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda"(1561), deste último, é a única obra que a tal se refere anteriormente ao poema de Camões. Na 2ª edição dos "Diálogos de Vária História" (1599), de Pedro de Mariz, é incluída pela primeira vez em prosa a narrativa do torneio de Londres. No seu estudo sobre a "Relação ou Crónica Breve das Cavalarias dos Doze de Inglaterra", Magalhães Basto refere que lá não diz que o Magriço chegou em cima da hora do torneio, afirmando que o primeiro combate foi com maças de ferro e depois à espada, não permonorizando se combateram a cavalo ou a pé.
Assim, o interessante desta lenda é a romântica façanha portuguesa em que participa destacadamente o Magriço, que, com um bocado de paciência, acabaremos por ver passear entre as barbacãs do castelo de Penedono, enquanto lemos em voz alta sua lendária aventura!

domingo, 28 de julho de 2013

UMA LAGOA PERDIDA NO MEIO DA LEVADA


Fica de cerca de mil metros de altitude e para lá chegar é preciso ter um pouco do espírito de Indiana Jones. De pequenas dimensões mas gigantesco encanto natural, a lagoa das 25 Fontes, no Rabaçal, na ilha da Madeira, apela àquele mergulho merecido de criança que acabou de fazer uma enorme proeza: andar cerca de seis quilómetros por caminhos de terra serpenteados. Alguns locais salpicados a pedra. Outros bastante estreitos. E outros ainda escorregadios, devido ao musgo, e revestidos de arbustos.
É na levada das 25 Fontes que fica a lagoa como o mesmo nome. E se a caminhada de 12 quilómetros vale por si só, o encontro, a meio do percurso, com a lagoa torna-a inesquecível. O primeiro chamariz para o mergulho vem da ruidosa cascata que verte a pique na lagoa, ora esverdeada ora azul, conforme o tempo. O canto de uma ou outra ave de rapina, que rasga os céus do Paul da Serra, concorre com o som da imensa cascata e dos pequenos riachos que brotam da rocha vulcânica e que deram origem ao nome "25 Fontes". Mas, na realidade, os curso de água são bem mais.
A vontade é de tirar os ténis ou botas de caminhada, o impermeável e restante roupa adequada para a levada, e abandonar o farnel. Contornar pedra a pedra até chagar à água pela cintura, ou a gosto de cada um, e mergulhar é o desejo imediato. Os guias dizem que há quem o faça. Mas mais do que a temperatura de poucos graus positivos não o permitir, há horários a cumprir porque a noite pode cair depressa em forma de nevoeiro. E ainda há outros seis quilómetros do tal caminho serpenteado para percorrer de volta.

-DN 28.07.2013-

sexta-feira, 26 de julho de 2013

NAVEGANDO NA TUA MEMÓRIA

Deixei as certezas na praia
Quando a última onda te levou
E as gaivotas choraram a perda.

Em cada grão de areia
Uma estrela te acolheu
No sal que deixaste preso a mim.

Foste a maré que me trouxe aqui
A saudade de quem parte para a tempestade.
Foste a minha plenitude, a minha verdade.

As marés não pararam o seu balanço.
As gaivotas continuam à tua procura
Na espuma de cada onda que beija a costa.

E eu fico sentado, ali, chorando cada lágrima
Como se mais uma memória tua me sorrisse
E me banhasse na nossa história.

Por fim viajo em mais uma fase da lua
Regressando sempre ao memso lugar
Esta saudade minha e tua será sempre nossa.

Seremos sempre nós a navegar.

Ricardo Vercesi

quarta-feira, 24 de julho de 2013

OS SETE CORVOS

Um homem tinha sete filhos e nunca tinha uma filha, por mais que desejasse. Até que, finalmente, sua mulher lhe deu esperanças de novo e, quando a criança veio ao mundo, era uma menina. A alegria foi enorme, mas a criança era franzina e miúda e, por causa dessa fraqueza, foi preciso que lhe dessem logo os sacramentos. O pai mandou um dos filhos ir correndo até a fonte, buscar água para o batismo. Os outros seis foram atrás do irmão e, como cada um queria ser o primeiro a puxar a água para cima, acabaram deixando o balde cair no fundo do poço. Aí eles ficaram assustados, sem saber o que deviam fazer, e nenhum dos sete tinha coragem de voltar para casa. Foram ficando por lá, sem sair do lugarComo estavam demorando muito, o pai foi ficando cada vez mais impaciente e disse: - Na certa ficaram brincando e se esqueceram de voltar, aqueles moleques levados..
Começou a ficar com medo de que a menininha morresse sem ser batizada e, com raiva, gritou:
- Tomara que eles todos virem corvos!
Mal o pai acabou de dizer essas palavras, ouviu um barulho de asas batendo no ar, por cima da cabeça. Levantou os olhos e viu sete corvos negros como carvão. voando de um lado para outro.
Os pais ficaram tristíssimos, mas não conseguiram fazer nada para quebrar o encanto.
Felizmente, puderam se consolar um pouco com sua filhinha querida, que logo recuperou as forças e cada dia ia ficando mais bonita. Durante muito tempo, ela ficou sem saber que tinha tido irmãos, porque os pais tinham o maior cuidado de nunca falar nisso. Mas um dia, ela ouviu por acaso umas pessoas comentando que era uma pena que uma menina assim tão bonita como ela fosse a responsável pela infelicidade dos irmãos.
A menina ficou muito aflita e foi logo perguntar aos pais se era verdade que ela já tinha tido irmãos, e o que tinha acontecido com eles. Os pais não puderam continuar guardando segredo. Mas explicaram que o que aconteceu tinha sido um desígnio do céu, e que o nascimento dela não tinha culpa de nada. Só que a menina começou a ter remorsos todos os dias e resolveu que precisava dar um jeito de livrar os irmãos do encanto. Não sossegou enquanto não saiu escondida, tentando encontrar algum sinal deles em algum lugar, custasse o que custasse. Não levou quase nada: só um anelzinho como lembrança dos pais, uma garrafinha d'água para matar a sede e uma cadeirinha para descansar.
Andou, andou, andou, cada vez para mais longe, até o fim do mundo. Aí, ela chegou junto do sol. Mas ele era quente demais e muito terrível, porque comia os próprios filhos. Ela saiu correndo, fugindo, para bem longe, até que chegou junto da lua. Mas a lua era fria demais e muito malvada e cruel. Assim que viu a menina, disse:
- Huuummm sinto cheiro de carne humana...
A menina saiu correndo bem depressa, fugindo para bem longe, até que chegou junto das estrelas.
As estrelas foram muito amáveis e boazinhas com ela, cada uma sentada em uma cadeirinha separada. Então, a estrela da manhã se levantou, deu um ossinho de galinha à menina e disse:
- Sem este ossinho, você não vai conseguir abrir a montanha de vidro. E é na montanha de vidro que estão os seus irmãos.
A menina pegou no ossinho, embrulhou-o com todo cuidado num lenço e continuou seu caminho, até que chegou à montanha de vidro. A porta estava bem fechada, trancada com chave, e ela resolveu pegar o ossinho de galinha que estava guardado no lenço. Mas quando desembrulhou, viu que não tinha nada dentro do pano e que ela tinha perdido o presente que as boas estrelas tinham dado. Ficou sem saber o que fazer. Queria muito salvar os irmãos, mas não tinha mais a chave da montanha de vidro. Então, a boa irmãzinha pegou uma faca, cortou um dedo mindinho, enfiou na fechadura e deu um jeito de abrir a porta. Assim que entrou, um gnomo veio ao seu encontro e lhe perguntou:
- Minha filha, o que é que você está procurando?
- Procuro meus irmãos, os sete corvos - respondeu ela. O gnomo então disse:
- Os senhores Corvos não estão em casa, mas se quiser esperar até que eles cheguem, entre e fique à vontade.
Lá em cima, o gnomo pôs a mesa para o jantar dos corvos, com sete pratinhos e sete copinhos. A irmã então comeu um pouco da comida de cada prato e bebeu um gole de cada copo. Mas no último, deixou cair o anelzinho que tinha trazido.
De repente, ouviu-se nos ares um barulho de gritos e batidas de asas. Então o gnomo disse:
- São os senhores Corvos que estão chegando.
Eram eles mesmos, com fome e com sede. Foram logo em direção aos pratos e copos. E, um por um, foram gritando:
- Quem comeu no meu prato? Quem bebeu no meu copo? Foi boca de gente, foi boca de gente...
Mas quando o sétimo corvo acabou de esvaziar seu copo, o anel caiu lá de dentro. Ele olhou bem e reconheceu que era um anel do pai e da mãe deles, e disse:
- Quem dera que fosse a nossa irmãzinha, porque aí a gente ficava livre.
Quando a menina, que estava escondida atrás da porta, ouviu esse desejo, apareceu de repente e todos os corvos viraram gente outra vez. Começaram todos a se abraçar e se beijar e a se fazer mil carinhos e depois voltaram para casa muito felizes.

Irmãos Grimm



domingo, 21 de julho de 2013

BOLAS DE BERLIM

Como estamos no verão e com as praias cheias de gente aparecem também os homens vestidos de branco a vender as famosas Bolas de Berlim. Aqui vai um pouco de história destas “Bolinhas”:

A Bola de Berlim ou sonho é um bolo tradicional semelhante à Berliner alemã. Ao contrário desta, normalmente recheada com doces vermelhos (morango, framboesa, etc.), é recheada com um doce amarelo chamado creme pasteleiro. O recheio é colocado através de um golpe lateral, sendo sempre visível.
As bolas de Berlim são fritas e polvilhadas com açúcar, antes de serem recheadas com o creme pasteleiro. As suas congéneres alemãs têm um diâmetro um pouco menor e são normalmente polvilhadas com açúcar mais fino.
Em Portugal, é possível encontrar bolas de Berlim na maioria das pastelarias, que, por vezes, também as apresentam sem recheio. São muito consumidas nas praias do sul do país.
No Brasil, são conhecidas como sonho e são muito consumidas no país. Sua comercialização passou a se dar no início do século XX em padarias de São Paulo, com o aproveitamento das sobras das massas de pão. São apresentadas recheadas, geralmente com creme pasteleiro ou doce de leite.

Na Alemanha e no mundo

A versão alemã da bola de Berlim é denominada Berliner Pfannkuchen (bolo berlinense de frigideira), Berliner Ballen (bola de Berlim) ou simplesmente Berliner (berlinense), fora de Berlim. É confeccionada com uma farinha doce com fermento, frita em óleo ou outra gordura, recheada com compotas e polvilhada com açúcar em pó. Por vezes, são também recheadas com chocolate, champanhe ou licor advocaat, ou apresentadas sem qualquer recheio. O recheio é injectado com uma seringa grossa, após a fritura, não sendo visível antes de o bolo ser trincado ou partido.
Para além dos nomes referidos, existem ainda outras variações regionais de bolas de Berlim na Alemanha. Apesar de a maior parte das regiões as chamarem Berliner (Ballen), os habitantes de Berlim, Brandenburgo e da Saxónia conhecem-nas como Pfannkuchen, designação utilizada no resto do país para panquecas.
Em certas zonas do sul e do centro da Alemanha, assim como em grande parte da Áustria, são conhecidas como Krapfen. Em Hessen, são designadas como Kreppel e na Renânia-Palatinado como Fastnachtsküchelchen ("bolinhos de carnaval").

O nome Bismarck, em homenagem ao chanceler alemão Otto von Bismarck, também já foi utilizado. Em outras regiões da Áustria, são conhecidas como cruller. Na Eslovénia, chamam-lhes krof, enquanto que na Croácia, na Bósnia e Herzegovina e na Sérvia as chamam Krafne. Na Polónia, são designadas como Pączki. Todas estas variedades são essencialmente idênticas. Os polacos têm por tradição comer Pączki na quinta-feira que antecede as celebrações carnavalescas. Na República Checa, são conhecidas como Kobliha.
Nos países de língua inglesa, são conhecidas genericamente como doughnuts e são normalmente recheadas com compota. Nos Estados Unidos, são sobretudo conhecidas como Bismarcks. Na Austrália, o termo berliner também é utilizado, sendo o recheio aplicado após um corte transversal.
Na França, são conhecidas como Boules de Berlin. Mais a norte, na Finlândia, são designadas como Hillomunkki ("bolos de marmelada") ou Berliininmunkki, possuindo neste último caso uma cobertura de açúcar vitrificado. Na cidade de Turku, no sul do país, são conhecidas como Piispanmunkki ("bolos do bispo").
Na Itália, são conhecidas como krapfen, na região do Tirol Meridional, no norte do país, e como bomba ou bombolone no centro e sul do país. A tradição deste doce foi introduzida na Itália por influência austríaca, existindo duas interpretações sobre a origem do nome. A primeira indica que a palavra alemã antiga "krafo" (fritura) teria dado origem a krapfen, enquanto que a segunda aponta para que uma certa Sra. Krapfen, pasteleira vienense do fim do século XVII, tenha sido a autora de uma receita deste doce, dando assim origem ao nome. Na cidade de Turim, as bolas de Berlim são também consideradas doces de Carnaval, podendo ser recheadas com compotas de ameixa e de alperce.
Em Israel, são conhecidas como Sufganiyah , sendo consumidas na festa judaica de chanucá.
Na Hungria, as bolas de Berlim são conhecidas como farsangi fánk.
Na Argentina e no Uruguai, são conhecidas como borlas de fraile, sendo recheadas com diversos doces e cremes e consumidas à hora do desjejum ou como acompanhamento do chimarrão. No Chile, são conhecidas como berlines. Foram introduzidas na América do Sul por imigrantes alemães, tendo-se tornado parte das culinárias nacionais locais.
Na Ucrânia, as bolas de Berlim são designadas como Пампушки (pampúchqui), podendo ser recheadas com cereja e polvilhadas com açúcar. Quando não recheadas, podem também servir de acompanhamento da sopa borsht.



quarta-feira, 10 de julho de 2013

OLEANDRO

Classificação científica:
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Gentianales
Família: Apocynaceae
Género: Nerium
Espécie: N. oleander


O oleandro (Nerium oleander), também conhecido como loendro, loandro, loandro-da-índia, loureiro-rosa, adelfa, espirradeira, cevadilha ou flor-de-são-josé, é uma planta ornamental extremamente tóxica, da família Apocynaceae.
É um arbusto grande, podendo ter por volta de 3 a 5 m de altura. Suas flores podem ser brancas, róseas ou vermelhas. É uma planta pouco exigente se tratando de temperatura e humidade.

Toxicidade
Toda a planta é tóxica. Tem como princípios ativos a oleandrina e a neriantina, substâncias extraordinariamente tóxicas. Basta que seja ingerida uma folha para matar um homem de 80 kg, no entanto, muitas vezes a ocorrência de vómitos evita o desfecho fatal.
Os sintomas da intoxicação, que podem aparecer várias horas depois da ingestão, são dores abdominais, pulsação acelerada, diarreia, vertigem, sonolência, dispneia, irritação da boca, náusea, vómitos, coma e morte.
Está registado pelo menos um caso de intoxicação por ingestão de caracóis alimentados com folhas desta planta, devido à acumulação de toxinas ao longo da cadeia alimentar.

Localização
Esta planta é originária do norte da África, do leste do Mediterrâneo e do sul da Ásia. É muito comum em Portugal e no Brasil, quer espontânea quer cultivada.



domingo, 30 de junho de 2013

LENDAS DE PORTUGAL - LV - PENICHE

AFINAL, OS AMIGOS NÃO SÃO FALSOS
Pois quantas vezes proferiram a expressão "amigos de Peniche" na acepção de falsos amigos? Pois se o fizeram mais do que uma vez, outras tantas cometeram uma recortada injustiça. É bom que se preparem para uma revisão do conceito. Ora vamos lá por os ponto nos ii:
Falecendo o Cardeal D. Henrique, não deixando descendência confessada, logo três netos de D. Manuel I apresentaram-se com pretensões à coroa portuguesa. Eram eles Filipe II de Espanha, D. Catarina de Bragança e D. António o Prior do Crato. O primeiro fez prevalecer o poder da força e do dinheiro, D. Catarina pouco contou, mas o Prior de Crato obteve para a sua causa uns vinte mil homens e cento e vinte navios grandes e pequenos, num generoso gesto de Isabel Tudor, a monarca inglesa. Ora esta tropa desembarcou em Peniche a 26 de Maio de 1589. A guarnição da fortaleza não demorou a render-se, o mesmo acontecendo com Peniche. O general John Norris, que comandava a força, convenceu-se imediatamente que aquilo eram favas contadas para tomar Lisboa. Aliás, D. António julgava que a população. a um gesto seu, se poria do seu lado.
Assim, o Prior de Crato e os ingleses meteram-se a caminho de Lisboa. Na viagem, sem que o pretendente ao trono o pudesse evitar, por absoluta falta de meios, os ingleses assaltavam quanto podiam, apanhando as populações desprevenidas. E ao chegarem perto de Lisboa, foram recebidos a tiro de canhão pelos ocupantes espanhóis, o que os desconsertou. Os lisboetas estavam perplexos pois tinham ouvido falar que viriam os amigos de Peniche salvá-los do inimigo espanhol e, afinal era aquela horda indisciplinada, que logo se retirou do campo de luta, não cumprindo o acordado. E muitas esperanças se desvaneceram, estendendo-se aquela decepção aos próprios moradores de Peniche que, afinal, não tinham nada que estar envolvidos! E D. António teve de passar à clandestinidade. Conta Mariano Calado, historiador local, que um seu amigo ante a expressão "amigos de Peniche" na boca de alguém dizia sempre: "Olhe, meu caro, amigos de Peniche são uma cáfila de patifes que eu tenho encontrado por toda a parte, menos lá!"
Assim haja respeito pelos amigos de Peniche e cuidado é com as súcias que se arranjam, por muito boas que sejam as causas!

domingo, 23 de junho de 2013

AUGUSTO JORGE CURY

Os problemas nunca vão desaparecer, mesmo na mais bela existência.
Problemas existem para serem resolvidos, e não para perturbar-nos.

sábado, 22 de junho de 2013

RIR É O MELHOR REMÉDIO

O marido, ao despedir-se da esposa, pergunta:
 "Querida enquanto eu estiver em viagem queres que te mande notícias por telefone, telegrama ou fax?"
A esposa responde: "De preferência por transferência bancária!"

domingo, 9 de junho de 2013

FLOR-DE-LÓTUS

Classificação científica:
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Proteales
Família: Nelumbonaceae
Género: Nelumbo
Espécie: N.nucifera


Nelumbo nucifera é uma planta aquática da género Nelumbo, conhecida vulgarmente como lótus ou flor-de-lótus. Apesar disto, esta planta não integra a família Nymphaeaceae (Nymphaeales), onde estão classificados a maioria dos lótus, fazendo parte da família Nelumbonaceae (Proteales).
Trata-se de uma planta nativa da Ásia, habitante de cursos de água lentos ou lagoas de água doce, vivendo a pouca profundidade. É enraizada no fundo lodoso por um rizoma vigoroso, do qual partem grandes folhas arredondadas, sustentadas acima do espelho de água por longos pecíolos. Produz belas flores rosadas ou brancas, grandes e com muitas pétalas. É conhecida pela longevidade das suas sementes, que podem germinar após 13 séculos. Serviu de inspiração para a arquitetura do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo.
Este lótus é cultivado como planta ornamental em jardins aquáticos de todo o mundo.
As flores, as sementes, as folhas novas, e as "raízes" (rizomas) desta espécie de lótus são comestíveis.
Na Ásia, suas pétalas são empregadas como enfeites, enquanto suas largas folhas são utilizadas para embrulhar comida.
O rizoma desta espécie de lótus é chamado de "ǒu"  em Chinês, de "bhe" em algumas regiões da Índia e Paquistão, e de "renkon" em japonés. São ingredientes vegetais de uso comum em sopas e frituras.
Pétalas, folhas, e rizomas podem também ser comidos crus, mas assim há risco de transmissão de parasitas (e.g. Fasciolopsis buski), portanto é recomendado que sejam cozidas antes de serem consumidas.

Simbolismo religioso
Meditação em postura de lótus
Sua simbologia é uma de suas virtudes mais apreciadas: é associada à pureza espiritual e ao renascimento. Uma das flores mais belas nasce em meio à lama, inspirando um caminho de purificação e de transcendência em relação a tudo que é considerado impuro no mundo.
Segundo o Budismo, Buda é simbolizado em estátuas sobre uma flor de lótus justamente com essa ideia citada acima sobre a transcendência do mundo comum (a lama, o lodo), a iluminação perante a confusão mental (dualidade da mente).
"Flor de lótus" também é o nome de uma postura de meditação onde o praticante se senta com as pernas cruzadas e as plantas dos pés voltadas para cima.





quinta-feira, 30 de maio de 2013

LENDAS DE PORTUGAL - LIV - ALENQUER

ALÃO QUER E A MERCEANA

Eis a lenda da Merceana, tal como a contou o primeiro investigador na história local, Guilherme Henriques em 1873:
No centro de Alenquer está o templo majestoso em honra de Nossa Senhora da Piedade, objecto de um fervoroso culto durante quinhentos anos. Conta a tradição que em 1305 um pastor de Aldeia Galega, pastando seus bois nas charnecas vizinhas, notou que todas as tardes a certa hora lhe faltava um boi da manada chamado Marciano, tornando mais tarde a aparecer. Admirado do caso, espreitou o animal e, seguindo-lhe o rasto, foi achá-lo ajoelhado aos pés de um carvalheiro e entre a folhagem da árvore via-se uma imagem pequenina de Nossa Senhora.
O pastor apressou-se em  avisar o prior de Aldeia Galega e ele com os habitantes foram buscar a imagem, e a trouxeram para a igreja paroquial. Na mesma noite, a imagem desapareceu e foram achá-la novamente no carvalheiro. Entenderam que a Senhora assim queria mostrar desejos de estar para sempre naquele sítio e por isso lhe fizeram uma ermida ali mesmo, que logo se tornou muito concorrida pela fama dos milagres que por intervenção da Senhora se faziam.
O pastor que descobriu a imagem dedicou-se ao serviço da Senhora, servindo de ermitão da mesma ermida, e quando faleceu foi enterrado debaixo do altar dela. Nos anos posteriores os devotos vinham colher terra da sua sepultura para curar os padecimentos que os afligiam.
Seguindo a lição do mesmo cronista de Alenquer, eis a lenda do cão Alão Quer, donde terá nascida o topónimo:
Conta a tradição que na manhã do dia em que teve lugar o combate final, indo o rei cristão com o seu séquito banhar-se no rio e fazer as suas correrias, notaram que um cão grande e pardo, que vigiava as muralhas e que se chamava Alão, calou-se e lhes fez muitas festas. O rei, tomando isso como um bom presságio mandou começar o ataque dizendo: "O Alão quer!", palavras que serviram como futuro apelido à vila. A batalha foi sanguinolenta e renhida e os cavaleiros cristãos fizeram prodígios de valor. Especialmente no postigo próximo onde estava a igreja de Santiago, a luta foi renhidíssima, mas os portugueses inspirados pela fé que Santiago em pessoa pelejava na sua frente, venceram todos os obstáculos e tomaram a praça.

Há uma segunda tradição que diz que o cão Alão era encarregado de levar as chaves na boca todas as noites, pela muralha fora, até à casa do governador. Os cristãos, aproveitando os instintos do animal, prenderam uma cadela debaixo de uma oliveira à vista do cão que para lhe chegar galgou os muros, passando assim as chaves aos portugueses.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

MOHR KEET

Mohr Keet da África do Sul é o bungee-jumper mais velho do mundo.
Com 96 anos em 2010 conseguiu entrar no Guinnes-Livro dos Recordes.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

PLANTA PORTUGUESA MUITO RARA SALVA DE EXTINÇÃO

A Leuzea longifolia é tão rara que nem nome comum tem, por isso lhe chamam apenas leuzea. Mas esta planta endémica de Portugal - não existe em mais sítio nenhum do mundo -, que apenas se encontra em três locais muito delimitados do território continental, está hoje, quando se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade, no centro de uma história com um desfecho feliz.
Em risco de extinção, esta planta de cores delicadas, que lembra uma pequena alcachofra, passa a ter a partir de hoje um espaço de reserva que lhe foi propositadamente dedicado. Trata-se da nova microrreserva da Quercus, criada na região de Leiria, na área designada Sítio de Importância Comunitária Azabuxo-Leiria, no âmbito da Rede Natural 2000 da União Europeia.
Mas para chegar a este final feliz, como lhe chama a Quercus, houve que passar antes pela boa surpresa da descoberta da planta naquela zona, mas também por momentos de alta tensão em que a população de leuzea poderia pura e simplesmente ter desaparecido do local.
"Foi um processo longo, que chegou a envolver a ação da GNR, para travar a plantação de um eucaliptal na zona", lembra Paulo Lucas, dirigente nacional da Quercus. Mas tudo desembocou num final feliz, no ano passado, quando a organização ambientalista chegou a acordo com o proprietário do terreno que acedeuvender a parcela onde agora nasce a microrreserva.
Trata-se apenas de hectar e meio de terreno, mas a garantia de preservação da flora ali presente assegura a sobrevivência de uma população de cerca de mil espécimes desta planta rara, da qual se conhecem apenas duas populações: uma na Ota, e outra perto de Loures. Daí a importância da preservação deste sítio em Azabuxo, Leiria.
Foi na segunda metade da década de 90, durante os estudos que precederam a criação da Rede Natura 2000 - a rede territorial da União Europeia para a proteção de habitats e espécies - que a Leuzea longifolia foi descoberta na região de Leiria, num pinhal perto da cidade, pela bióloga Dalila Espírito Santo, da Alfa-Associação Lusitana de Fitosssociologia e do Instituto Superior de Agronomia. Foi essa descoberta que deu origem à classificação do Sítio de Importância Comunitária Azabuxo, Leiria, que passou a integrar na Rede Natura 2000.
Ultrapassadas também as ameaças que chegaram a pairar sobre a população da planta, a microrreserva vem garantir que ela será gerida para assegurar a sua preservação. Por isso, hoje, a Quercus, a bióloga que a identificou, as autoridades locais, o secretário de Estado das Florestas e o anterior proprietário do terreno celebram no local o final feliz para a leuzea para a biodiversidade.

DN -22.5.2013-