segunda-feira, 30 de setembro de 2013
AI-AI
domingo, 29 de setembro de 2013
NOVAS ESPÉCIES DESCOBERTAS NA MATA DO BUÇACO
O morcego-de-ferradura-mediterrânico é uma das espécies mais ameaçadas entre estes mamíferos voadores. Estima-se que em Portugal não existem mais de 1000 animais na natureza, mas os biólogos da Universidade de Aveiro descobriram um novo habitat. "A espécie foi identificada na Mata do Buçaco, através de exames de ultrassons e algumas observações", explica a bióloga Milene Matos.
A colaboração entre a Universidade e a Fundação da Mata do Buçaco permitiu identificar outro ilustre habitante da mata. O musaranho-de-água, um pequeno mamífero que se alimenta de insetos, foi também avistado na mata. "É um animal pouco conhecido, porque raramente é avistado. Estas descobertas reforçam a importância da Mata do Buçaco, que é um oásis de biodiversidade. Já identificámos cerca de 154 espécies de vertebrados", explica Milene Matos.
Revista Domingo 29.9.2013
sábado, 28 de setembro de 2013
LENDAS DE PORTUGAL - LVIII - AGUIAR DA BEIRA
AS BAIONETAS DO PICOTO
Durante a terceira invasão francesa, uma ala do exército de Massena, dirigindo-se a Viseu, passava por Gradiz e subiu a Monções, no concelho de Aguiar da Beira. Fora uma marcha rápida e a tropa, de arma e mochila, chegou ali completamente derreada. E em Monções não estava ninguém, nem para os ajudar nem para eles descarregarem a raiva do que tinham suportado.
Revistaram todas as casas e nem uma côdea ou um copo de água. A população desaparecera da aldeia. Por fim, os soldados franceses arrombaram a porta da capela, onde havia uma imagem de Santo António. Pareceu-lhes que era a única coisa de valor que havia por ali e decidiram levá-la, abandonando de imediato a aldeia. Não sentiam nada de bom no ar.
E estava a tropa de Massena a começar nova marcha forçada quando os homens começaram a notar cintilações à distância. Na verdade eram as pedras húmidas da chuva na véspera. E conta a lenda que os franceses julgaram que se tratava da cintilação das baionetas dos exércitos aliados de Portugal e de Inglaterra e apanharam tal medo, que desataram a fugir pela Serra da Lapa fora, largando logo a imagem do santo. E Santo António voltou para o seu altar.
Bem, vamos agora voltar a nossa atenção para o lugar da Barroqueira, na freguesia de Forninhos, a pouco mais de três léguas da sede do concelho. Um pastor dali poderá guiar quem for até à entrada de uma gruta, disfarçada que está com silvedos e arbustos. Essa entrada, contam as gentes, foi feita pelos mouros. Lá dentro há um salão enorme, onde desaparecem as ovelhas que para lá entrem. Come-as uma moura. Aliás uma lindíssima moura encantada. Pois de cem em cem anos, no dia de S. Pedro, a moura sai da gruta e, com muito cuidado, para não ser vista, empoleira-se nuns penedos a olhar a lua que, estando em quarto crescente, lhe lembra a sua terra e os seus...
No entanto, também se diz que todas as noites, a moura corria currais de ovelhas e comia quantas podia, como se estivesse a saciar uma fome de cem pessoas! Ora, continua esta lenda, que é variante da outra, uma noite, um pastor, farto de prejuízos, levou o seu rebanho até ao pé da entrada da gruta. A dada altura, a moura saiu e ele apontou-lhe a escopeta que levava.
E sem querer saber da beleza dela, perguntou-lhe:
"Que andas a fazer?"
E ela respondeu-lhe, sorrindo:
"O que tu sabes..."
Zangado, gritou-lhe o pastor:
"Pois ou voltas para a tua gruta ou vai chumbada!"
"Pois ou voltas para a tua gruta ou vai chumbada!"
Cheio de medo, a moura desapareceu num ápice. Bem, e acabaram-se assim as visitas aos redis e foi a última vez que ela foi vista na Barroqueira.
domingo, 22 de setembro de 2013
OUTONO
O outono, estação associada à queda das folhas e a castanhas assadas, regressa hoje às 21h44, num dia com temperaturas próximas das médias mais altas registadas nos últimos anos, nesta época.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
sábado, 14 de setembro de 2013
RIR É O MELHOR REMÉDIO
Dois compadres encontram-se e diz um:
"Compadre, as sardinhas também dormem?"
"Se dormem ou não, não sei! Mas que passam pelas brasas, lá isso passam!"
"Compadre, as sardinhas também dormem?"
"Se dormem ou não, não sei! Mas que passam pelas brasas, lá isso passam!"
domingo, 8 de setembro de 2013
ROSA-DE-PORCELANA
Classificação científica:
Reino: Lantea
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Zingiberales
Família: Zingiberaceae
Género: Etlingera
Espécie: E.elatior
Nome binominal: Etlingera elatior
A Rosa-de-porcelana (Etlingera elatior) é uma espécie de planta perene herbácea originaria do Sueste asiático. Os sinónimos botânicos incluem, Nicolaia elatior, Nicolaia speciosa, Phaeomeria speciosa, Alpinia elatior, Alpinia magnifica.
Nome
A Rosa-de-porcelana (Torch Ginger, Ginger Flower, Red Ginger Lily, Torch Lily, Torch Ginger, Wild Ginger, Combrang, Bunga Siantan, Philippine Wax Flower, Xiang Bao Jiaing, Indonesian Tall Ginger, Boca de Dragón, Rose de Porcelaine, Porcelain Rose, Bastão-do-imperador, gengibre-tocha, flor-da-redenção), teve numerosas designações genéricas ao longo dos anos: Alpinia, Phaeomoria, Nicolaia, e Elettaria. A taxonomia era rebuscada e confusa. E acreditava-se que o género tinha apenas algumas espécies.
Definição
Nos anos 80 do século XX, Rosemary Margaret Smith, dos Jardins Botânicos Reais de Edimburgo, aprofundou os estudos sobre a Rosa-de-porcelana e determinou que a planta pertencia ao género Etlingera, descrito pela primeira vez em 1792 por Paul Dietrich Giseke. Desde então, Axel Dalberg Poulsen, do Herbário Nacional da Holanda, dedicou os seus estudos a estas plantas gloriosas. Descobriu que há pelo menos 70 espécies, muitas ainda não estão identificadas. Podem-se encontrar em muitas localidades tropicais, espalhando-se desde as Ilhas do pacifico até à África.
Descrição
A inflorescência espectacular sai do rizoma entre uma altura de 60 centímetros a mais de um metro. As flores individuais aparecem do meio dos nós, parecidos com uma pinha, por cima das linhas de cera. As folhas crescem em filas de talos separados ao longo do rizoma. Os talos frondosos crescem entre 4.5 a 6 metros. Normalmente, quando a inflorescência se começa a expandir, as folhas vão secando devido às mudanças de temperatura e ao vento.
Usos
As espampanantes flores cor de rosa são usadas em arranjos florais, enquanto que os botões da flor, são um ingrediente importante no prato Nonya, laksa. No Norte de Sumatra , os botões da flor são usados num prato chamado arsik ikan mas (Carpas condimentadas com pimenta em grão). Na Malásia, é conhecida por bunga kantan, os pedúnculos da inflorescência são cortados e adicionados a potes laksa (vários tipos de caril ou sopas feitas com macarrão de arroz). Na Indonésia, é conhecida como bunga kecombrang ou honje, na Tailândia como kaalaa. Em Batak Karo, é conhecida como asam cekala (asam significa azedo), e os botões da flor, mas mais importante, as vagens de sementes maduras, que são empacotadas com pequenas sementes pretas, são um ingrediente essencial da versão Karo de sayur asam, e são indicadas para cozinhar peixe fresco.
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
LENDAS DE PORTUGAL - LVII - CELORICO DA BEIRA
OS TRÊS MILAGRES
Dirija-se o leitor a Celorico da Beira, aí decerto encontrará placa indicativa da Aldeia Rica, a uns oito quilómetros. Siga pela estrada até lá chegar, onde não terá dificuldade em encontrar a igreja da Nossa Senhora dos Açores. Entre e repare em três painéis assim intitulados: "O aparecimento da Virgem ao rústico da vaca", "O açor pousado na mão do caçador" e "O filho rei, já ressuscitado". Pois aí acaba a lenda que vamos começar. Ora escutem.
Andava um pastor de Aldeia Rica com as suas vacas quando uma delas se espantou e caiu ao rio. Vai o homem a querer salvá-la e também ficou em perigo de vida. Então ele lança um grito:
"Valei-me, minha Nossa Senhora!"
E o pastor e a sua vaca tresmalhada salvaram-se, não tardando que aquilo fosse levado à conta de milagre. E a população, sempre grata a estes sinais, ergueu uma pequena capela a Nossa Senhora. Também não tardou que se multiplicassem os milagres e a fé, a ponto da fama ter chegado a um rei de um recanto da Península.
Nesse pequeno reino, os monarcas viviam com o desgosto de não terem um filho. Sabedores das maravilhas operadas em Aldeia Rica, rezaram, a Nossa Senhora, que não os fez esperar mais do que o tempo devido. Porém, um acidente qualquer fez com que a criança ficasse defeituosa, o que amargurava muito os reis seus pais. Chamaram médicos de todas as partes, mas acabaram por se voltar, uma vez mais, a Nossa Senhora de Aldeia Rica.
Discutiram se deveriam pôr-se a caminho, dada a debilidade do filho. Venceu a mãe, que entendeu valer a pena a jornada. Porém, a criança desfaleceu e morreu quando até já nem faltava muito para terminaram a viagem aos pés de Nossa Senhora. Mesmo assim, em vez de permitir que lhe enterrassem o filho, a rainha quis levar o corpo nos braços para o deixar aos pés da Virgem. E o rei fez-lhe a vontade.
Quando chegaram a Aldeia Rica, a rainha foi cumprir o prometido. O rei saiu a caçar com os da sua comitiva. Às tantas, um dos seus homens largou em liberdade o açor que levava no braço. Denunciado, o rei logo julgou e mandou que lhe cortassem a mão direita. O homem defendia-se dizendo que os pássaros tinham o direito à liberdade.
E quando o executor se preparava para cortar a mão, o açor deu uma volta e colocou-se sobre ela. Ao mesmo tempo, a rainha dava um grito porque o filho recobrava vida e ficava curado dos seu males. Emocionado, o rei mandou soltar o prisioneiro, ordenando que soltassem imediatamente os outros açores. E ali mesmo mandou erguer uma igreja a que deu o nome de Nossa Senhora dos Açores, ainda hoje motivo de admiração de toda a gente.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
KIWI
São aves mas não voam. Têm o tamanho de uma galinha e o nome de uma fruta. Os KIWIS são endémicos da Nova Zelândia e estão em vias de extinção, facto que talvez se dava aos seus próprios hábitos. É monogâmico. O par choca um ovo por ano -em conjunto- durante 80 dias, um período de incubação que é o maior do mundo das aves. O ovo é maior que o de uma galinha e pesa aproximadamente um quilo. Digamos que o kiwi fêmea põe um ovo que tem cerca de 20% do seu tamanho, num esforço tremendo que equivaleria a uma mulher dar à luz um bebé de 10 quilos.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
TROMBETA
Classificação científica:
Reino: Plantae
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Divisão: Magnoliophyta
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Classe: Magnoliopsida
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Ordem: Solanales
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Família: Solanaceae
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Género: Brugmansia
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Espécie: B. Suaveolens
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Nome popular: lírio trombeta, lírio
japonês, lírio, lírio branco ou lírio de finados
Origem: China
A Trombeta (Brugmansia suaveolens), também conhecida como Canudo, Lírio, Zabumba, Saia-branca e Trombeteira, é uma planta do género Brugmansia, utilizada como planta ornamental devido às suas grandes flores.
Porte: grande, chega a atingir 1,5m de altura
Flores: grandes, brancas,
perfumadas e que se formam em Outubro e Novembro, com formato de trombeta
São também usadas na medicina como fitoterápicos,
para combater distúrbios intestinais. É possível encontrá-la em várias regiões
do Brasil.A
trombeta é uma planta anticolinérgica conhecida pela sua flor, já indicada, em
diversas composições inclusive de cigarros, para tratamento de asma e mal de
Parkinson que também é utilizada para elaborar chás narcóticos e alucinógenos.
Os efeitos mentais produzido pelo uso do chá são alívio de espasmos musculares,
broncodilatação delírios, perda de
consciência e alucinações. Devido a popularização do uso da trombeta como
droga, sua circulação no Brasil é controlada pelo Ministério da Saúde, conforme
especificado em portaria da ANVISA, porém como a planta é encontrada facilmente,
o controle se torna complexo. Sua utilização pode resultar em coma e morte. Os
princípios tóxicos são os os mesmos do estramônio.
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sábado, 10 de agosto de 2013
CHICO BUARQUE
Solidão
não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é
carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
Francisco
Buarque de Holanda Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
terça-feira, 30 de julho de 2013
LENDAS DE PORTUGAL - LVI - PENEDONO
UM DOS DOZE DE INGLATERRA
Alexandre Herculano o apurou na sua ronda por terras da Beira: o belíssimo castelo de Penedono foi morada dos antecessores do Magriço, u, dos Doze de Inglaterra, imortalizado opor Camões nos "Os Lusíadas". O seu verdadeiro nome era Álvaro Gonçalves Coutinho, que alguns autores dão como nascido na vila de Penedono. E no poema a lenda é contada por um marinheiro, numa das naus do Gama, quando seguiam de Melinde para a Índia. Vale a pena evocar-se esse feito de um notável filho desta vila.
Pois a lenda, para quem não estiver para ir buscar o seu exemplar do grande poema camoniano e repassá-la em versos alexandrinos, a lenda conta que, no reinado de D. João I, na corte da nossa recém-aliada Inglaterra, nada menos que doze damas foram agravadas por outros tantos cortesãos. Pois queixando-se as ditas ao duque de Lencastre, sogro do monarca português, logo este pensou que seria interessante que as mesmas fossem desagravadas por doze cavaleiros portugueses. E lembrava-se ele de alguns bem galantes e possantes, que conhecera quando por cá andara a apoiar o futuro genro contra os castelhanos. E o desafio ficou no ar, tendo os nomes dos Doze de Inglaterra sido sorteados pelas damas ofendidas.
Tanto quanto se sabe, cada dama escreveu ao cavaleiro português que lhe coubera por sorteio, todas ao rei de Portugal e o Duque de Lencastre a todos. Assim, chegaram as cartas ao nosso país e não tardaram a partir do Porto os que viriam a consagrar-se como os Doze de Inglaterra. Houve, no entanto, um que não quis embarcar, preferindo a Inglaterra ir por terra. Exactamente o cavaleiro de Penedono, o Magriço.
E não é que o Magriço foi u último a chegar ao torneio de Londres, mesmo em cima da hora? E os cavaleiros portugueses venceram os cavaleiros britânicos. Porém, é curioso como ao cabo de tanto protocolo arrolado na lenda esta história não seja descrita por nenhum cronista da época, seja ele português ou inglês. Por isso se inclinam as gentes a supor tratar-se de uma lenda. E está muito bem que o seja.
Bruno, por exemplo, entende que se trata da adaptação de uma justa ao tempo de Ricardo II, realizadas em Londres, em 1390. Mas Teófilo Braga, Faria e Sousa e Jorge Ferreira da Vasconcelos, entre outros, aceitam o episódio dos Doze de Inglaterra como facto histórico. Mas a verdade é que o livro "Memorial das Proezas da Segunda Távola Redonda"(1561), deste último, é a única obra que a tal se refere anteriormente ao poema de Camões. Na 2ª edição dos "Diálogos de Vária História" (1599), de Pedro de Mariz, é incluída pela primeira vez em prosa a narrativa do torneio de Londres. No seu estudo sobre a "Relação ou Crónica Breve das Cavalarias dos Doze de Inglaterra", Magalhães Basto refere que lá não diz que o Magriço chegou em cima da hora do torneio, afirmando que o primeiro combate foi com maças de ferro e depois à espada, não permonorizando se combateram a cavalo ou a pé.
Assim, o interessante desta lenda é a romântica façanha portuguesa em que participa destacadamente o Magriço, que, com um bocado de paciência, acabaremos por ver passear entre as barbacãs do castelo de Penedono, enquanto lemos em voz alta sua lendária aventura!
domingo, 28 de julho de 2013
UMA LAGOA PERDIDA NO MEIO DA LEVADA
Fica de cerca de mil metros de altitude e para lá chegar é preciso ter um pouco do espírito de Indiana Jones. De pequenas dimensões mas gigantesco encanto natural, a lagoa das 25 Fontes, no Rabaçal, na ilha da Madeira, apela àquele mergulho merecido de criança que acabou de fazer uma enorme proeza: andar cerca de seis quilómetros por caminhos de terra serpenteados. Alguns locais salpicados a pedra. Outros bastante estreitos. E outros ainda escorregadios, devido ao musgo, e revestidos de arbustos.
É na levada das 25 Fontes que fica a lagoa como o mesmo nome. E se a caminhada de 12 quilómetros vale por si só, o encontro, a meio do percurso, com a lagoa torna-a inesquecível. O primeiro chamariz para o mergulho vem da ruidosa cascata que verte a pique na lagoa, ora esverdeada ora azul, conforme o tempo. O canto de uma ou outra ave de rapina, que rasga os céus do Paul da Serra, concorre com o som da imensa cascata e dos pequenos riachos que brotam da rocha vulcânica e que deram origem ao nome "25 Fontes". Mas, na realidade, os curso de água são bem mais.
A vontade é de tirar os ténis ou botas de caminhada, o impermeável e restante roupa adequada para a levada, e abandonar o farnel. Contornar pedra a pedra até chagar à água pela cintura, ou a gosto de cada um, e mergulhar é o desejo imediato. Os guias dizem que há quem o faça. Mas mais do que a temperatura de poucos graus positivos não o permitir, há horários a cumprir porque a noite pode cair depressa em forma de nevoeiro. E ainda há outros seis quilómetros do tal caminho serpenteado para percorrer de volta.
-DN 28.07.2013-
sexta-feira, 26 de julho de 2013
NAVEGANDO NA TUA MEMÓRIA
Deixei as certezas na praia
Quando a última onda te levou
E as gaivotas choraram a perda.
Em cada grão de areia
Uma estrela te acolheu
No sal que deixaste preso a mim.
Foste a maré que me trouxe aqui
A saudade de quem parte para a tempestade.
Foste a minha plenitude, a minha verdade.
As marés não pararam o seu balanço.
As gaivotas continuam à tua procura
Na espuma de cada onda que beija a costa.
E eu fico sentado, ali, chorando cada lágrima
Como se mais uma memória tua me sorrisse
E me banhasse na nossa história.
Por fim viajo em mais uma fase da lua
Regressando sempre ao memso lugar
Esta saudade minha e tua será sempre nossa.
Seremos sempre nós a navegar.
Ricardo Vercesi
Quando a última onda te levou
E as gaivotas choraram a perda.
Em cada grão de areia
Uma estrela te acolheu
No sal que deixaste preso a mim.
Foste a maré que me trouxe aqui
A saudade de quem parte para a tempestade.
Foste a minha plenitude, a minha verdade.
As marés não pararam o seu balanço.
As gaivotas continuam à tua procura
Na espuma de cada onda que beija a costa.
E eu fico sentado, ali, chorando cada lágrima
Como se mais uma memória tua me sorrisse
E me banhasse na nossa história.
Por fim viajo em mais uma fase da lua
Regressando sempre ao memso lugar
Esta saudade minha e tua será sempre nossa.
Seremos sempre nós a navegar.
Ricardo Vercesi
quarta-feira, 24 de julho de 2013
OS SETE CORVOS
Um homem tinha sete filhos e nunca tinha uma filha, por mais que desejasse. Até que, finalmente, sua mulher lhe deu esperanças de novo e, quando a criança veio ao mundo, era uma menina. A alegria foi enorme, mas a criança era franzina e miúda e, por causa dessa fraqueza, foi preciso que lhe dessem logo os sacramentos. O pai mandou um dos filhos ir correndo até a fonte, buscar água para o batismo. Os outros seis foram atrás do irmão e, como cada um queria ser o primeiro a puxar a água para cima, acabaram deixando o balde cair no fundo do poço. Aí eles ficaram assustados, sem saber o que deviam fazer, e nenhum dos sete tinha coragem de voltar para casa. Foram ficando por lá, sem sair do lugarComo estavam demorando muito, o pai foi ficando cada vez mais impaciente e disse: - Na certa ficaram brincando e se esqueceram de voltar, aqueles moleques levados..
Começou a ficar com medo de que a menininha morresse sem ser batizada e, com raiva, gritou:
Começou a ficar com medo de que a menininha morresse sem ser batizada e, com raiva, gritou:
- Tomara que eles todos virem corvos!
Mal o pai acabou de dizer essas palavras, ouviu um barulho de asas batendo no ar, por cima da cabeça. Levantou os olhos e viu sete corvos negros como carvão. voando de um lado para outro.
Os pais ficaram tristíssimos, mas não conseguiram fazer nada para quebrar o encanto.
Felizmente, puderam se consolar um pouco com sua filhinha querida, que logo recuperou as forças e cada dia ia ficando mais bonita. Durante muito tempo, ela ficou sem saber que tinha tido irmãos, porque os pais tinham o maior cuidado de nunca falar nisso. Mas um dia, ela ouviu por acaso umas pessoas comentando que era uma pena que uma menina assim tão bonita como ela fosse a responsável pela infelicidade dos irmãos.
A menina ficou muito aflita e foi logo perguntar aos pais se era verdade que ela já tinha tido irmãos, e o que tinha acontecido com eles. Os pais não puderam continuar guardando segredo. Mas explicaram que o que aconteceu tinha sido um desígnio do céu, e que o nascimento dela não tinha culpa de nada. Só que a menina começou a ter remorsos todos os dias e resolveu que precisava dar um jeito de livrar os irmãos do encanto. Não sossegou enquanto não saiu escondida, tentando encontrar algum sinal deles em algum lugar, custasse o que custasse. Não levou quase nada: só um anelzinho como lembrança dos pais, uma garrafinha d'água para matar a sede e uma cadeirinha para descansar.
Andou, andou, andou, cada vez para mais longe, até o fim do mundo. Aí, ela chegou junto do sol. Mas ele era quente demais e muito terrível, porque comia os próprios filhos. Ela saiu correndo, fugindo, para bem longe, até que chegou junto da lua. Mas a lua era fria demais e muito malvada e cruel. Assim que viu a menina, disse:
- Huuummm sinto cheiro de carne humana...
A menina saiu correndo bem depressa, fugindo para bem longe, até que chegou junto das estrelas.
As estrelas foram muito amáveis e boazinhas com ela, cada uma sentada em uma cadeirinha separada. Então, a estrela da manhã se levantou, deu um ossinho de galinha à menina e disse:
- Sem este ossinho, você não vai conseguir abrir a montanha de vidro. E é na montanha de vidro que estão os seus irmãos.
A menina pegou no ossinho, embrulhou-o com todo cuidado num lenço e continuou seu caminho, até que chegou à montanha de vidro. A porta estava bem fechada, trancada com chave, e ela resolveu pegar o ossinho de galinha que estava guardado no lenço. Mas quando desembrulhou, viu que não tinha nada dentro do pano e que ela tinha perdido o presente que as boas estrelas tinham dado. Ficou sem saber o que fazer. Queria muito salvar os irmãos, mas não tinha mais a chave da montanha de vidro. Então, a boa irmãzinha pegou uma faca, cortou um dedo mindinho, enfiou na fechadura e deu um jeito de abrir a porta. Assim que entrou, um gnomo veio ao seu encontro e lhe perguntou:
- Minha filha, o que é que você está procurando?- Procuro meus irmãos, os sete corvos - respondeu ela. O gnomo então disse:
- Os senhores Corvos não estão em casa, mas se quiser esperar até que eles cheguem, entre e fique à vontade.
Lá em cima, o gnomo pôs a mesa para o jantar dos corvos, com sete pratinhos e sete copinhos. A irmã então comeu um pouco da comida de cada prato e bebeu um gole de cada copo. Mas no último, deixou cair o anelzinho que tinha trazido.
De repente, ouviu-se nos ares um barulho de gritos e batidas de asas. Então o gnomo disse:
- São os senhores Corvos que estão chegando.
Eram eles mesmos, com fome e com sede. Foram logo em direção aos pratos e copos. E, um por um, foram gritando:
- Quem comeu no meu prato? Quem bebeu no meu copo? Foi boca de gente, foi boca de gente...
Mas quando o sétimo corvo acabou de esvaziar seu copo, o anel caiu lá de dentro. Ele olhou bem e reconheceu que era um anel do pai e da mãe deles, e disse:
- Quem dera que fosse a nossa irmãzinha, porque aí a gente ficava livre.
Quando a menina, que estava escondida atrás da porta, ouviu esse desejo, apareceu de repente e todos os corvos viraram gente outra vez. Começaram todos a se abraçar e se beijar e a se fazer mil carinhos e depois voltaram para casa muito felizes.
Irmãos Grimm
domingo, 21 de julho de 2013
BOLAS DE BERLIM
Como estamos no verão e com as praias cheias de gente aparecem também os homens vestidos de branco a vender as famosas Bolas de Berlim. Aqui vai um pouco de história destas “Bolinhas”:
A Bola de Berlim ou sonho é um bolo tradicional semelhante à Berliner alemã. Ao contrário desta, normalmente recheada com doces vermelhos (morango, framboesa, etc.), é recheada com um doce amarelo chamado creme pasteleiro. O recheio é colocado através de um golpe lateral, sendo sempre visível.
As bolas de Berlim são fritas e polvilhadas com açúcar, antes de serem recheadas com o creme pasteleiro. As suas congéneres alemãs têm um diâmetro um pouco menor e são normalmente polvilhadas com açúcar mais fino.
Em Portugal, é possível encontrar bolas de Berlim na maioria das pastelarias, que, por vezes, também as apresentam sem recheio. São muito consumidas nas praias do sul do país.
No Brasil, são conhecidas como sonho e são muito consumidas no país. Sua comercialização passou a se dar no início do século XX em padarias de São Paulo, com o aproveitamento das sobras das massas de pão. São apresentadas recheadas, geralmente com creme pasteleiro ou doce de leite.
Na Alemanha e no mundo
A versão alemã da bola de Berlim é denominada Berliner Pfannkuchen (bolo berlinense de frigideira), Berliner Ballen (bola de Berlim) ou simplesmente Berliner (berlinense), fora de Berlim. É confeccionada com uma farinha doce com fermento, frita em óleo ou outra gordura, recheada com compotas e polvilhada com açúcar em pó. Por vezes, são também recheadas com chocolate, champanhe ou licor advocaat, ou apresentadas sem qualquer recheio. O recheio é injectado com uma seringa grossa, após a fritura, não sendo visível antes de o bolo ser trincado ou partido.
Para além dos nomes referidos, existem ainda outras variações regionais de bolas de Berlim na Alemanha. Apesar de a maior parte das regiões as chamarem Berliner (Ballen), os habitantes de Berlim, Brandenburgo e da Saxónia conhecem-nas como Pfannkuchen, designação utilizada no resto do país para panquecas.
Em certas zonas do sul e do centro da Alemanha, assim como em grande parte da Áustria, são conhecidas como Krapfen. Em Hessen, são designadas como Kreppel e na Renânia-Palatinado como Fastnachtsküchelchen ("bolinhos de carnaval").
O nome Bismarck, em homenagem ao chanceler alemão Otto von Bismarck, também já foi utilizado. Em outras regiões da Áustria, são conhecidas como cruller. Na Eslovénia, chamam-lhes krof, enquanto que na Croácia, na Bósnia e Herzegovina e na Sérvia as chamam Krafne. Na Polónia, são designadas como Pączki. Todas estas variedades são essencialmente idênticas. Os polacos têm por tradição comer Pączki na quinta-feira que antecede as celebrações carnavalescas. Na República Checa, são conhecidas como Kobliha.
Nos países de língua inglesa, são conhecidas genericamente como doughnuts e são normalmente recheadas com compota. Nos Estados Unidos, são sobretudo conhecidas como Bismarcks. Na Austrália, o termo berliner também é utilizado, sendo o recheio aplicado após um corte transversal.
Na França, são conhecidas como Boules de Berlin. Mais a norte, na Finlândia, são designadas como Hillomunkki ("bolos de marmelada") ou Berliininmunkki, possuindo neste último caso uma cobertura de açúcar vitrificado. Na cidade de Turku, no sul do país, são conhecidas como Piispanmunkki ("bolos do bispo").
Na Itália, são conhecidas como krapfen, na região do Tirol Meridional, no norte do país, e como bomba ou bombolone no centro e sul do país. A tradição deste doce foi introduzida na Itália por influência austríaca, existindo duas interpretações sobre a origem do nome. A primeira indica que a palavra alemã antiga "krafo" (fritura) teria dado origem a krapfen, enquanto que a segunda aponta para que uma certa Sra. Krapfen, pasteleira vienense do fim do século XVII, tenha sido a autora de uma receita deste doce, dando assim origem ao nome. Na cidade de Turim, as bolas de Berlim são também consideradas doces de Carnaval, podendo ser recheadas com compotas de ameixa e de alperce.
Em Israel, são conhecidas como Sufganiyah , sendo consumidas na festa judaica de chanucá.
Na Hungria, as bolas de Berlim são conhecidas como farsangi fánk.
Na Argentina e no Uruguai, são conhecidas como borlas de fraile, sendo recheadas com diversos doces e cremes e consumidas à hora do desjejum ou como acompanhamento do chimarrão. No Chile, são conhecidas como berlines. Foram introduzidas na América do Sul por imigrantes alemães, tendo-se tornado parte das culinárias nacionais locais.
Na Ucrânia, as bolas de Berlim são designadas como Пампушки (pampúchqui), podendo ser recheadas com cereja e polvilhadas com açúcar. Quando não recheadas, podem também servir de acompanhamento da sopa borsht.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
OLEANDRO
Classificação científica:
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Gentianales
Família: Apocynaceae
Género: Nerium
Espécie: N. oleander
O oleandro (Nerium oleander), também conhecido como loendro, loandro, loandro-da-índia, loureiro-rosa, adelfa, espirradeira, cevadilha ou flor-de-são-josé, é uma planta ornamental extremamente tóxica, da família Apocynaceae.
É um arbusto grande, podendo ter por volta de 3 a 5 m de altura. Suas flores podem ser brancas, róseas ou vermelhas. É uma planta pouco exigente se tratando de temperatura e humidade.
Toxicidade
Toda a planta é tóxica. Tem como princípios ativos a oleandrina e a neriantina, substâncias extraordinariamente tóxicas. Basta que seja ingerida uma folha para matar um homem de 80 kg, no entanto, muitas vezes a ocorrência de vómitos evita o desfecho fatal.
Os sintomas da intoxicação, que podem aparecer várias horas depois da ingestão, são dores abdominais, pulsação acelerada, diarreia, vertigem, sonolência, dispneia, irritação da boca, náusea, vómitos, coma e morte.
Está registado pelo menos um caso de intoxicação por ingestão de caracóis alimentados com folhas desta planta, devido à acumulação de toxinas ao longo da cadeia alimentar.
Localização
Esta planta é originária do norte da África, do leste do Mediterrâneo e do sul da Ásia. É muito comum em Portugal e no Brasil, quer espontânea quer cultivada.
domingo, 30 de junho de 2013
LENDAS DE PORTUGAL - LV - PENICHE
AFINAL, OS AMIGOS NÃO SÃO FALSOS
Pois quantas vezes proferiram a expressão "amigos de Peniche" na acepção de falsos amigos? Pois se o fizeram mais do que uma vez, outras tantas cometeram uma recortada injustiça. É bom que se preparem para uma revisão do conceito. Ora vamos lá por os ponto nos ii:
Falecendo o Cardeal D. Henrique, não deixando descendência confessada, logo três netos de D. Manuel I apresentaram-se com pretensões à coroa portuguesa. Eram eles Filipe II de Espanha, D. Catarina de Bragança e D. António o Prior do Crato. O primeiro fez prevalecer o poder da força e do dinheiro, D. Catarina pouco contou, mas o Prior de Crato obteve para a sua causa uns vinte mil homens e cento e vinte navios grandes e pequenos, num generoso gesto de Isabel Tudor, a monarca inglesa. Ora esta tropa desembarcou em Peniche a 26 de Maio de 1589. A guarnição da fortaleza não demorou a render-se, o mesmo acontecendo com Peniche. O general John Norris, que comandava a força, convenceu-se imediatamente que aquilo eram favas contadas para tomar Lisboa. Aliás, D. António julgava que a população. a um gesto seu, se poria do seu lado.
Assim, o Prior de Crato e os ingleses meteram-se a caminho de Lisboa. Na viagem, sem que o pretendente ao trono o pudesse evitar, por absoluta falta de meios, os ingleses assaltavam quanto podiam, apanhando as populações desprevenidas. E ao chegarem perto de Lisboa, foram recebidos a tiro de canhão pelos ocupantes espanhóis, o que os desconsertou. Os lisboetas estavam perplexos pois tinham ouvido falar que viriam os amigos de Peniche salvá-los do inimigo espanhol e, afinal era aquela horda indisciplinada, que logo se retirou do campo de luta, não cumprindo o acordado. E muitas esperanças se desvaneceram, estendendo-se aquela decepção aos próprios moradores de Peniche que, afinal, não tinham nada que estar envolvidos! E D. António teve de passar à clandestinidade. Conta Mariano Calado, historiador local, que um seu amigo ante a expressão "amigos de Peniche" na boca de alguém dizia sempre: "Olhe, meu caro, amigos de Peniche são uma cáfila de patifes que eu tenho encontrado por toda a parte, menos lá!"
domingo, 23 de junho de 2013
AUGUSTO JORGE CURY
Os problemas nunca vão desaparecer, mesmo na mais bela existência.
Problemas existem para serem resolvidos, e não para perturbar-nos.
sábado, 22 de junho de 2013
RIR É O MELHOR REMÉDIO
O marido, ao despedir-se da esposa, pergunta:
"Querida enquanto eu estiver em viagem queres que te mande notícias por telefone, telegrama ou fax?"
A esposa responde: "De preferência por transferência bancária!"
"Querida enquanto eu estiver em viagem queres que te mande notícias por telefone, telegrama ou fax?"
A esposa responde: "De preferência por transferência bancária!"
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