segunda-feira, 31 de março de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXIV - SANTANA

A ÁRVORE DO DIABO

Não temam, este carvalho condenado há muito desapareceu. Ficou-nos a sua lenda e o lugar. Vão ao centro da freguesia de Santana e peçam a alguma pessoa idosa que os informem onde se situava aquele carvalho antigo, de porte imponente, que atravessou os séculos de tempestades frias e Verões abrasadores, como se a Madeira não existisse! Quanto àquilo ser domínio do Diabo bem parece não haver dúvidas. Ora esse carvalho tinha algumas particularidades medonhas.
Os pássaros, por exemplo, não pousavam nos seus frondosos ramos. A fonte que lhe ficava contígua só tinha água para o seu sustento. E umas estranhas mãos, um dia escavaram-lhe o tronco, abrindo uma bocarra lenhosa para um subterrâneo insondável. Inclusive se dizia que aquele buraco era uma espécie de oráculo. As pessoas chegavam lá e berravam o seu nome. Se não tivessem resposta, isso significava que o nome estava escrito no céu. Porém, se o nome fosse expelido de novo para a boca, o interessado bem poderia logo iniciar as suas penitências porque estava já condenado e deveria procurar salvar-se enquanto tinha tempo!
Ora, diz-nos a lenda da árvore do Diabo, certo dia um caçador furtivo ia atrás de uma lebre e viu-a entrar pela bocarra da árvore. E, largando a espingarda, foi atrás dela. Ah, e agora o leitor quer saber o que lhe aconteceu. Ninguém sabe, desapareceu. Ele e a lebre. A propósito, a lebre não era uma lebre vulgar, mas o Diabo disfarçado para apanhar o caçador. E a verdade da lenda é que quando os companheiros do caçador e os seus cães chegaram ao carvalho, ficaram aflitos, olhando a entrada fatal que ninguém teve a coragem de franquear. Porém, um dia, aquela árvore do Diabo ruiu estrondosamente. A água da sua fonte voltou a correr e as histórias essas nunca mais saíram das cabeças das pessoas de Santana.

E saibam agora a lenda de uma bruxa alta, magra, nariz de picareta, coxeando da perna esquerda, e que não gostava de andar a pé. Preferia, naturalmente, os ombros dos que se armavam em valentões. E estes não eram  tão poucos como isso!
A bruxa já estava localizada pelas gentes de Santana. Por exemplo, não saía daquelas casas em que o dono pusesse atrás da porta uma vassoura com a palha para cima, não usava a água-benta na igreja e algumas mães de recém-nascidos já punham as tesouras debaixo da almofada do bebé.
No entanto, não se vão sem conhecerem a lenda de S. Roque do Vale do Faial. Pois há uns quantos séculos, formou-se a paróquia de Nossa Senhora da Natividade do Faial. Dedicou-se a população à pastorícia e pediu um padre ao bispo. E invocaram S. Roque como patrono, aparecendo uma imagem sua entre a penedia da Penha d'Águia. Fizeram-lhe três igrejas sucessivas e sempre ele se ausentou delas, precedendo outras tantas tempestades que derrubavam os templos.Ainda se notam hoje as ruínas de um deles. Ora a população, vendo que o S. Roque regressava sempre às suas pedras na Penha d'Águia, fez-lhe a vontade e deixou-o lá estar. E assim continua o relacionamento entre a gente de S. Roque do Faial e o santo protector dos pastores e das suas rezes.

sábado, 29 de março de 2014

FERROVIA DOS ELÉTRICOS DE SINTRA FAZ AMANHÃ (30.03.2014) 110 ANOS


A linha do elétrico de Sintra, que liga a serra ao mar, assinala amanhã o centésimo décimo aniversário. O percurso desde vila até à praia das Maçãs, ao longo de uma ferrovia de 12 quilómetros, é um dos ex-líbris desta vila Património Mundial. Remonta ao dia 30 de março de 1904 a concretização de um sonho de várias décadas e, durante muito tempo, este foi o único sistema de transporte de passeio e público de Sintra até à praia das Maçãs, passando pelas localidades de Colares, Mucifal e Galamares. Nessa altura, recorda-se, um bilhete custava 200 réis. São várias as etapas emblemáticas: em 1924, a ligação às Caves do Visconde de Salreu ocorreu a pedido deste; a 31 de janeiro de 1930, foi inaugurado o prolongamento da praia das Maçãs até às Azenhas do Mar (1915 metros), por iniciativa dos moradores daquela localidade, com destaque para o banqueiro José Henriques Totta. Este troço funcionou entre 1930 e 1954. O elétrico é, aliás, um dos símbolos da vila de Sintra que a UNESCO reconheceu como Património Cultural.

DN -29.03.2014-

segunda-feira, 24 de março de 2014

JACINTO BENAVENTE

A vida é como uma viagem por mar:
Há dias de calmaria e dias de tormenta.
O importante é ser um bom capitão do nosso navio.

sexta-feira, 7 de março de 2014

LISIANTO

Classificação científica:

Nome Científico: Eustoma grandiflorum
Nomes Populares: Lisianto, Genciana-do-prado
Família: Gentianaceae
Categoria: Flores Anuais
Luminosidade: Meia Sombra, Sol Pleno
Ciclo de Vida: Anual



O lisianto é uma planta linda, de popularização crescente, principalmente como flor-de-corte. Sua folhagem é erecta, pouco ramificada e suas folhas são oval-lanceoladas, opostas, um pouco suculentas e de coloração verde acinzentada. As flores são muito duráveis, grandes e podem ser simples, semidobradas ou dobradas, de coloração azul, rosa, violeta ou branca, além de mesclas e tonalidades intermediarias. Sua floração ocorre nos meses quentes.
É muito comercializada em vasos, mas principalmente como flor-de-corte para a confecção de arranjos florais, conferindo sofisticação e delicadeza aos buquês. Não é raro confundir suas flores com as da roseira (Rosa sp), mas a observação de sua folhagem diferente torna fácil a identificação. Pode ser cultivada no jardim, em maciços ou bordaduras informais, mas exige um clima mais ameno para um perfeito desenvolvimento.
  Devem ser cultivadas sob meia-sombra, em solo fértil e enriquecido com matéria orgânica, com regas regulares. Apesar de bienais devem ser tratadas como anuais, pois perdem a beleza com o tempo. Tolerante à geadas. Multiplica-se por sementes.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

BOMBONS "CASAM" BOLOTA COM CHOCOLATE


A bolota, que outrora "matou" a fome no Alentejo, é pouco utilizada hoje em dia na alimentação, mas está na base de uma receita de bombons de chocolate comercializados por uma empresa de Arraiolos, no Alentejo.
O Moinho de Pisões foi criado há cerca de seis meses para se dedicar à produção e venda de ervas aromáticas e de plantas alimentares, mas a abundância de bolota na propriedade fez Teresa Barrocas alterar os planos.
"Estamos num montado de sobro e azinho e temos imensa bolota, pelo que pareceu-me interessante apostar neste produto, antes de mais porque tem proteínas, previne o cancro, faz bem à saúde e é recomendado para a alimentação", afirma a empresária. Teresa Barrocas conta que ainda experimentou confecionar outros produtos, mas não obtiveram o sucesso desejado. Não desistiu e arriscou, ao "casar" a bolota com o chocolate negro e de leite.

"Este bombon é muito simples, mas, daquilo que foi descrito pelas pessoas que provaram, tem um toque refinado", realça, mostrando-se radiante com o êxito das vendas.
A empresária, e agora pasteleira, desvenda que "a bolota é partida ao meio, longitudinalmente, para se fazer a sua seleção, é cozida ao vapor e triturada", sendo depois utilizada a sua farinha para o recheio de bombom.
"O recheio leva água, açúcar, chocolate negro e farinha de bolota e a cobertura é de chocolate de leite ou de chocolate negro", acrescenta.

Em "cima da mesa", adianta, "está a possibilidade de desenvolver novos produtos com a bolota, possivelmente bolachas, em que se relaciona novamente com o chocolate".
"A bolota tem muito pouca utilização na alimentação humana", mas "tem utilidade na alimentação animal", refere Teresa Barrocas, defendendo que o produto deveria ser mais explorado porque existe em quantidade e qualidade em Portugal.
Além dos bombons, o Moinho de Pisões comercializa ervas aromáticas, certificadas biologicamente, em sacos de pano, como segurelha e lúcia-lima, entre outras.

DN - 28 .2.2014 -







quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXIII - ALCOBAÇA

A PADEIRA DE ALJUBARROTA

Dizem que era tão feia e tão grandalhona que muitas vezes se fazia passar por homem! Conta a lenda que terá nascido em Faro, onde o pai era taberneiro. Brites de Almeida, era o seu nome, apresentando seis dedos em cada mão! Desde criança que se mostrou de feitio desordeiro. Órfã aos 26 anos, vendeu o que tinha lá foi de vila em feira, adestrando-se no manejo das armas.
Apesar de tudo, um soldado alentejano pediu-a em casamento, tendo ela aceite se ele a vencesse em luta. Bem, o desgraçado ficou às portas da morte e Brites teve de desandar dali. Em Faro, embarcou para a Espanha, mas o barco em que seguia foi assaltado por piratas mouros, que a levaram para o Norte de África. E foi vendida como escrava.
Brites foi comprada por um homem que já tinha outros escravos portugueses. Pois ela combinou com eles matarem o dono e fugirem para Portugal. Assim aconteceu, mas na viagem de regresso, um temporal que acabou por atirar com o barco para a costa de Ericeira.
Julgando-se procurada por ter matado o soldado, Brites vestiu-se de homem e cortou o cabelo, tornando-se almocreve. E almocreve foi durante alguns anos. Até que um dia, farta de vagabundagem, foi parar a Aljubarrota, tendo sido admitida como ajudante de padeira. Ora por morte da patroa, ficou ela com o negócio, acabando mesmo por casar, já mostrando-se mulher, com um honrado lavrador.
Ora a 14 de Agosto de 1385, logo pela manhã, chegaram a Brites de Almeida, conhecida como Brites Pesqueira, os ruídos tremendos de uma tropa preparando-se para um combate. Sentindo ferver-lhe nas veias a vontade de lutar, agarrou na primeira arma que encontrou, decerto abandonada por algum ferido, e juntou-se, como um soldado mais, às tropas portuguesas.
Após a grande batalha da Aljubarrota, que se traduziu na rotunda vitória das tropas portuguesas e inglesas contra o invasor castelhano, Brites regressou a casa, contente, mas estafada. Porém, mal entrou na padaria, sentiu no ar algo estranho. Algum fugitivo castelhano estaria por ali escondido...


Então reparou que a porta do forno estava fechada, pelo que foi abri-la. E viu que estavam lá dentro sete castelhanos, fingindo-se os soldados adormecidos. Chamou-os, mas o pânico era tanto, que eles nem se mexiam. Ela, mesmo com a própria pá do seu ofício, deu-lhes tantas que os matou todos. Depois, galvanizada por isto, arregimentou gente e foi perseguir outros fugitivos, que estavam espalhados por toda a região.
Conta ainda a lenda que a pá de Brites de Almeida foi guardada como símbolo de Aljubarrota, e quando os Filipes foram reis de Portugal, o instrumento esteve entaipado numa parede. Seria retirado da parede quando D. João IV foi aclamado! E sempre que se comemorou a batalha, a pá de Brites foi exibida como relíquia! No entanto, com a idade, a padeira de Aljubarrota tornou-se numa calma esposa de lavrador...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

AVES, FLORES, SAUDADES


Sol a sol, desde a serra até ao mar,
Das pegas-rabilongas às gaivotas,
A orquestra alada, requintado as notas,
De nascente a poente é só tocar:

Ocarinas em fila – terras-cottas
Em beirais de telhado; à beira-mar,
Flautas de abibes; harpas de luar
Em garças ribeirinhas, nas marnotas;

Ao longo das ribeiras são as filas
Dos violinos – sílvias e fringilas –
Violetas, violas-trisonoras

E no alto do céu, flamas em jogo,
A regê-los, o Pássaro de Fogo

Aeneira as grandes asas criadoras.

Emiliano da Costa

sábado, 22 de fevereiro de 2014

GRAHAM BELL


Nunca ande pelo caminho traçado,
pois ele conduz somente até onde os outros foram.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

FABRICAÇÃO DE CERVEJA

O surgimento desta bebida parece ter acontecido de forma concomitante em diversas partes do mundo antigo. Encontraram-se vestígios da sua  preparação  na antiga Mesopotâmia e no Egito. Os romanos a chamavam de cerevisia e os celtas korma. Na Idade Média existiam variedades com um teor alcoólico bastante baixo para consumo inclusive de crianças.

Hoje, ele é uma das bebidas mais consumidas no mundo e faz parte da cultura de muitos povos, mas em pouco deles se fundiu de maneira mais intima e harmónica com a sociedade e suas tradições do que no mundo germânico, especificamente na Baviera. Bebida para todas as idades e classes sociais, era preparada para crianças. adultos e anciãos, camponeses, estadistas, nobres e clérigos.
As abadias e conventos da região costumavam fabricar cerveja para consumo próprio, variando a forma de preparo segundo os diversos tempos do ano. Assim, por exemplo, a Paulaner Salvatore era elaborada pela Ordem dos Mínimos, com vistas ao jejum feito pelos monges durante a oitava da festa do Fundador. Como essa bebida, embora muito nutritiva, não quebrava o preceito, seu consumo ajudava a sustentar os religiosos nos períodos de penitência.
Muitos mosteiros beneditinos também produziam sua própria cerveja e não apenas para consumo próprio. A abadia Weltenburg, situada nas margens bávaras do Danúbio,é a que possui a mais antiga destilaria, fundada em 1050. Desde então vem produzindo sem interrupção a mesma variedade de cerveja e transcorrido um milénio sua qualidade por certo não deixa a desejar, pois consta ter sido fornecida regularmente para a mesa de Bento XVI.

O Decreto de Pureza de 1516

Ora, para produzir uma cerveja como a de Weltenburg, os ingredientes não podiam, ser mais simples: lúpulo, malte e água. Quase cinco séculos depois, esses três elementos foram sancionados num decrete promulgado em 23 de Abril de 1516 p+elo duque Guilherme IV da Baviera: o Reinheitsgebot ou  "Lei da Pureza". Além de estipular os preços do líquido dourado entre as festas de São Jorge e de São Miguel, prescreve o decreto: "Desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes usados para a fabricação da cerveja devem ser lúpulo, malte e água. Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais barris de cerveja."
A simplicidade e candura deste dispositivo legal não podem deixar de chamar a atenção nos nossos dias, tão pródigos em conservantes, estabilizantes, corantes, espessantes, acidulantes, aromas artificiais e demais aditivos, usados às vezes em   tais proporções que tornam difícil distinguir o sabor degustado.
Transmitido e respeitado de geração em geração, o procedimento de fabricação da cerveja alemã, muitas vezes artesanal, tem se imposto ao longo dos tempos como condição indispensável para a preparação de uma cerveja arquetípica. Muitas embalagens ostentaram com orgulho a indicação: "Fabricada de acorde com a Lei da Pureza de 1516".


Património da humanidade

No fim do ano passado, a Associação de Cervejeiros Alemães pediu à UNESCO o reconhecimento da cerveja assim fabricada como património da humanidade. A decisão poderá ser tomada em 2016, quando se comemorará o V Centenário da promulgação do mencionado decreto.
Alguns produtores, inclusive alemães, têm objetado que tal lei condena à imobilidade de algo que poderia ser aperfeiçoado. Em suma: ela é retrógrada. Mas basta analisar a questão com um pouco de isenção de ânimo para constatar quão errado  é esse posicionamento. Atualmente existem, por exemplo na Bélgica, cervejas excelentes feitas segundo outros métodos que acrescentam ingredientes tão pouco "ortodoxos" como a cerveja.
Não se trata de proibir os aprimoramentos, mas sim de proteger da voragem moderna uma tradição venerável que, queiramos ou não, está na essência de uma das mais populares bebidas dos nossos dias.

Revista Arautos do Evangelho -Fevereiro 2014 -



sábado, 8 de fevereiro de 2014

VIBURNUM



Viburnum L. é um género botânico pertencente a família das Adoxaceae. Este género já pertenceu a família das Caprifoliaceae. É constituído por aproximadamente 340 espécies.
São arbustos ou pequenas árvores, nativas das regiões temperadas do hemisfério norte, com algumas espécies se estendendo pelas regiões tropicais montanhosas da América do Sul e sudeste da Ásia. Na África, o género é encontrado confinado na Cordilheira do Atlas.
Muitas espécies híbridas e cultivares do viburnum se tornaram populares como plantas ornamentais usadas em paisagismo, devido a beleza de sua flores e bagas.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

TARTARUGAS VERDES SÃO EXTERMINADAS PELA PESCA

Alerta: Carne das tartarugas é vendida a 72 cêntimos cada quilo em mercados clandestinos noturnos, violando as leis em vigor.


Várias tartarugas verdes, uma espécie marinha em vias de extinção, estão a ser exterminadas por pescadores em ilhas a norte de Moçambique. A sua carne é vendida à noite no mercado clandestino para consumo, denunciou o ambientalista moçambicano Carlos Serra. Carlos Serra disse que os casos mais alarmantes estão a ocorrer na ilha de Moçambique e num conjunto de ilhas à volta, que descreveu como "pontos ecológicos muito atrativos onde as tartarugas nidificam".
"Os pescadores usam a rede mosquiteira para as caçar. O que está a acontecer é uma autêntica chacina da tartaruga, cuja carne é muito apetecida. A carne chega durante a noite e entra no circuito de venda de forma clandestina a preço de 30 meticais/quilo" (72 cêntimos), disse Carlos Serra.
As tartarugas marinhas, que podem viver cem anos, são animais protegidos devido a sua importância no estudo da longevidade dos vertebrados, pois sendo animais de ciclo de vida longo, elas são usadas como modelo de investigação para se perceber como os animais superiores evoluíram para estarem aptos a suportar diferentes condições ambientais.
Algumas tartarugas "são exterminadas antes de pôr ovos. É assustador o que acontece. São muitas (as que foram mortas)", considerou Carlos Serra, que publicou nas redes sociais dois vídeos onde se podem ver carcaças de inúmeras tartarugas verdes abatidas nos últimos dias.

DN -2.2.2014-

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXII - REGUENGOS DE MONSARAZ

UM AUTARCA E DOIS PENEDOS

Tão importantes quanto as lendas são as figuras lendárias. E em Reguengos de Monsaraz há uma figura que está bem à altura do histórico e multissecular burgo de Monsaraz. Trata-se de Manuel Papança que quando tomou posse de presidente do município em 1851 (o município foi criado  onze anos antes), teve como primeiro cuidado pagar do seu bolso à Fazenda Nacional, dívidas de tensas, nada menos que oito conto de réis, o que era uma certa fortuna para a época. Para além dos chamados trabalhos correntes, como fazer os paços do concelho e calcetar ruas, edificar escolas, cemitérios, hospital, ele foi o principal promotor da compra, divisão e aforamento, em glebas, dos  vastíssimos territórios da Casa de Bragança, dando origem ao plantio de mais de um milhão de cepas, desenvolvendo assim a vitivinicultura da região.  E se, então, se falasse do vinho,há certas colheitas que também podiam enfileirar-se, no livro de registos das lendas! Mas prosseguindo com este autarca de meados de século XIX, verificamos que por não ter sido modelo, pelo menos não fez escola, era, isso sim,um lendário mãos largas com a própria fortuna, pois a sua Quinta Nova passou para asilo. E se em 1876 fez da sua casa o chamado celeiro dos pobres, com catorze contos mandou construir a igreja. Não foram frequentes figuras destas na planície alentejana.
Não só no concelho de Reguengos de Monsaraz, como noutros, do Norte ao Sul do País, há pedras a que as populações atribuem um papel entre o lendário e o supersticioso. Neste caso, em S. Pedro do Corval,temos a rocha dos namorados, o chamado Penedo Sombreireiro. É uma mole granítica que terá como que três a quatro metros de altura, com a estranha forma de um ovo invertido, com a parte mais larga em cima. Houve já quem o achasse razoavelmente parecido com um cogumelo.
Quando em passeios pelo campo, as raparigas costumavam passar por lá e lançar pedras para a parte superior. Porém, o lançamento deveria ser feito com a mão esquerda, decerto para dificultar o lançamento às que não fossem esquerdinhas ou canhotas! Ora se a pedra atirada ficasse no topo do penedo, a moça casaria brevemente, talvez nesse mesmo ano. Porém, algumas faziam lançamentos tão maus que não só a pedra não ficava lá em cima como até desfaziam as perspectivas de um ou dois casamentos, pois arrastavam um ou duas pedras que lá se tinham mantido no topo!


E de uma pedra passamos a outra, à Rocha dos Andorinhas. É outro pedregulho enorme, assente sobre outros dois penedos mais pequenos, ficando com algo da aparência de uma anta. Ora a parte superior tem uma grande cavidade a meio e duas mais pequenas aos lados.
Pois a lenda corrente é que um homem da Aldeia do Mato, ali perto, em tempos remotos, andara com aquele penedo enorme à cabeça, amparando-o com as duas mãos. Como era muito pesado, amolgou-se mais profundamente no sítio que assentava sobre a cabeça e mais brandamente onde tinha as mãos.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

MEGAICEBERGUES AMEAÇAM PINGUINS

As mudanças nas condições climáticas normais, combinadas com o aumento de eventos extremos, podem dificultar a sobrevivência dos pinguins e até atrapalhar a capacidade de prever como vai ser o seu futuro. Os pinguins da Antártida são dependentes do gelo no mar como um habitat de forrageio (recolha de alimento), e a sua sobrevivência depende da capacidade de resposta às mudanças de curo e longo prazo do gelo no mar, conclui uma investigação publicada na PLoS Onee coordenada por Amélie Lescroël do Centro d'Ecologie Fonctionelle et Evolutive (CNRS), em França.
Durante 13 anos, os investigadores recolheram dados sobre acapacidade de forrageamento dos pinguins-de-adélia na ilha de Ross, na Antártida. A meio do estudo, o  desprendimento de icebergues gigantes permitiu-lhes determinar  como é que eventos ambientais extremos afetam estes pinguins.


As conclusões sugerem que estes animais são capazes de responder às mudanças "normais" de concentração de gelo,mas não aos eventos extremos, como a a presença de icebergues gigantes. Os pinguins-de-adélia foram bem-sucedidos a encontrar comida em concentrações relativamente baixas de gelo e aparentam ser capazes de lidar com a redução futura de concentração de gelo no verão. Já os icebergues gigantes reduziram o acesso dos pinguins à apresas .Estes resultados sugerem que um aumento de eventos ambientais extremos pode perturbar a capacidade dos pinguins para responder a mudanças no ambiente.
Segunda Amélie Lescroël, "os pinguins-de-adélia podem lidar com menos gelo marinho nos seus locais de reprodução de verão. No entanto, os eventos extremos, como o aparecimento de icebergues gigantes, podem modificar drasticamente a relação entre os pinguins-de-adélia e gelo no mar. Se os episódios extremos aumentam, vai ser difícil prever como os pinguins vão  contornar as futuras mudanças de gelo na mar".

DN 30.01.2014

sábado, 11 de janeiro de 2014

PAPA FRANCISCO

Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens.
Não chores pelo que está morto, luta por aquilo que nasceu em ti.
Não chores por quem te abandonou, luta por quem está contigo.
Não chores por quem te odeia, luta por quem te quer.
Não chores pelo teu passado, luta pelo teu presente.
Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade.
Com as coisas que vão nos acontecendo vamos aprendendo que nada é impossível de solucionar, apenas siga adiante.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

HOYA CARNOSA


A Hoya carnosa é uma trepadeira muito resistente e fácil de crescer. Também é conhecida como Flor de cera ou de porcelana por causa das suas pequenas flores: perfumadas e brancas ou rosadas com o centro vermelho, formam compactas umbelas semi-esféricas e têm um curioso aspecto que parece a cera ou a porcelana. As suas folhas são perenes, ovaladas e de cor verde escuro.
Floresce da primavera até ao verão e as flores duram bastante sobre a planta,.

Assim que as flores amadurecem, poderá ver como frutificam uns frutos redondos, pequenos, num vermelho brilhante. Não gostam de humidade em excesso.

domingo, 5 de janeiro de 2014

EUSÉBIO 1942 - 2014

Morreu hoje um dos maiores símbolos de Portugal.
Nascido a 25 de Janeiro de 1942 na então Lourenço Marques, hoje Maputo, Eusébio tornou-se o maior símbolo do futebol português. Vindo de Moçambique, depois de ter jogado no Sporting de Lourenço Marques, chegou ao clube de Lisboa no Inverno de 1960. Foi nessa década que o “Pantera Negra” mais brilhou nos relvados, no Benfica e ao serviço da selecção de Portugal, no Mundial de 1966, onde foi o melhor marcador.

domingo, 29 de dezembro de 2013

COGUMELO GIGANTE NASCE NA CAPITAL DO MÍSCARO


Parece uma flor, até nasceu num jardim, mas não é uma flor. É um cogumelo e está na chamada capital do míscaro, Sátão (distrito de Viseu), como que a fazer jus a este epíteto. O cogumelo tem 45 cm de diâmetro e 20 cm de altura e foi encontrado num jardim da freguesia de Águas Boas e Fortes. O tamanho não é comum e, por isso, "tem chamado a atenção dos que o têm visto", refere a autarquia em comunicado. 
"O fenómeno comprova uma vez mais que os solos do concelho de Sátão são propícios ao aparecimento de cogumelos, o que comprova o estatuto de capital do míscaro", sublinha o texto. Todos os anos, em novembro, a Câmara de Sátão organiza a feira do Míscaro. Durante um dia, o míscaro é rei e tudo se organiza em torno da prova desta iguaria que encontra na zona terreno fértil para crescer. A autarquia tem ainda disponível todo o ano o percurso pedestre Rota do Míscaro. Trata.se de um roteiro de pequena rota (18 quilómetros), circular, com início e fim no Santuário de Nosso Senhor dos Caminhos, em Rãs.

DN -28.12.2013-

sábado, 28 de dezembro de 2013

LENDAS DE PORTUGAL - LXI - REDONDO

SERPENTES E MOURAS

Numa noite de S. João, um rapaz da aldeia do Mato, no Redondo, vinha de um baile e por debaixo de uma 
árvore escutou uma voz que o chamava. Olhou para cima e viu uma rapariga que lhe disse:
"Enche as mãos!"
Um tanto atrapalhado ele encheu as mãos e os bolsos com uma data de porcarias. Quando acabou, ouviu de novo a voz:
"Vem-me buscar!"
Ele bem sabia que a rapariga estava em cima da árvore, mas teve medo. E, continuando a andar, mal deu dez passos sentiu um grande peso nos bolsos: eram libras de ouro. E ficou cheio de medo, tanto que, dali a pouco morreu. E morreu sem ter ido buscar a rapariga...
Pois para os lados do castelo de Valongo, neste mesmo concelho, havia uma cobra-moura que vivia num buraco. Sabia-se que quem, numa noite de S. João, fosse ao castelo e pusesse uma bacia de água no meio do pátio, via-se a moura ir lá pentear-se.

Também diziam os moradores do castelo que junto dele ouviam cavar de noite. Pois eram, as pessoas que de noite sonhavam que lá havia tesouros e iam verificar...
Já em Foros da Fonte Seca, ainda no Redondo, conta-se como lenda bem fundamentada historicamente, que andava um pastor a guardar gado numa herdade e encontrou uma pequena cobra. Achou-lhe graça e diariamente lhe dava uma tigela de leite. Ela ia crescendo e o pastor afeiçoou-se-lhe. Pois um dia ele teve de ir trabalhar para muito longe.
Passaram-se alguns anos e o pastor voltou à sua terra. Foi ao local onde a costumava encontrar e chamou-a. Ela apareceu, enrolou-se nele a pedir-lhe alimento. Com,o ele não o tivesse ali, ela começou a apertar o seu antigo benfeitor, até que o matou!
Já em Horta da Fonte (S. Sebastião Derrubado), havia um olival, e uma da oliveiras tinha um grande buraco no tronco. Ora, manda a tradição que se diga que aí se abrigava uma serpente a guardar uma caixa de moedas. Quem conseguisse abrir a caixa desencantava a serpente, só que a façanha deveria ter lugar à meia-noite e S. Sebastião Derrubado fica mesmo ao pé do cemitério. E a verdade é que por causa disto,ninguém se aproximava do pinhal, por muita vontade que tivessem de deitar a mão à caixa das moedas e, já agora, desencantar a serpente!
 Pois ainda há espaço para lhes contar que em Campinho, também no actual concelho de Redondo, havia um tanque para os animais beberem. No muro estava sentada uma rapariga muito bonita, que tinha ao pé dela uma tesoura  e um pente, ambos de ouro. Chegou ali um homem com uma burra e viu-a. Ela perguntou-lhe então o que é que ele escolheria, incluindo-a a ela. O homem viu que a tesoura era grande, mas o pente ainda maior e escolheu este. Então a rapariga transformou-se em serpente e antes de desaparecer por um buraco, disse-lhe:
"Sou uma moura encantada. Se me tivesses escolhido a mim, desencantavas-me. Assim, serei cobra mais cem anos!"

sábado, 21 de dezembro de 2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

BOCA-DE-LEÃO

Antirrhinum majus



A boca-de-leão (Antirrhinum majus) é uma espécie de flor. Recebe este nome devido ao formato das flores.
Possui ciclo anual, e atinge entre 40 e 70 cm de altura. Apresenta floração em cores diversas como amarelo, branco, rosa, roxo, entre outras. As flores surgem entre o final do inverno e o início da primavera. Aprecia mais o frio.É uma planta de sol pleno, necessitando de pelo menos 4 horas diárias de luz directa.