sexta-feira, 23 de maio de 2014

MARK TWAIN




ALGUMAS PESSOAS NUNCA COMETEM OS MESMOS ERROS DUAS VEZES.
DESCOBREM SEMPRE NOVOS ERROS PARA COMETER.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

12 MILHÕES DE EUROS PARA QUEM RESOLVER OS DESAFIOS DA CIÊNCIA

Foi há exatamente 300 anos que o Parlamento britânico lançou um prémio de 20 mil libras, uma fortuna na altura, para quem resolvesse uma das mais importantes questões da época: o cálculo da longitude no mar. Com o concurso, a discussão saiu para a rua, e foi um relojoeiro, e não um cientista, a encontrar a resposta. Três séculos depois, os problemas que afetam a humanidade são outros, mas o Governo inglês decidiu apostar no mesmo método e oferecer dez milhões de libras (12,2 milhões de Euro) por uma solução capaz de mudar o mundo.
O desafio é lançado a todos: dos cientistas amadores à comunidade científica. O que se procura é alguém capaz de pensar fora da caixa, tal como o relojoeiro John Harrison há 300 anos.
Mas, à moda do século XXI, será o público a decidir o problema a resolver, entre os seis lançados pela organização. Os desafios foram anunciados ontem e concentraram-se nas áreas do ambiente e saúde
"Como garantir que toda a gente tem acesso a água potável" ou "como devolver o movimento a pessoas com paralisia" são duas das seis perguntas, que vão ser apresentadas ao longo das próximas semanas num programa da BBC e na página da iniciativa: www.longitudeprize.org
O desafio vencedor será anunciado a 25 de junho e as regras ficam disponíveis no outono. Qualquer pessoa ou organização pode participar, desde que mostre que se ganhar o prémio vai beneficiar também o Reino Unido.
A ideia foi anunciada pelo primeiro-ministro inglês, David Cameron, no ano passado e lançada ontem, 300 anos depois do desafio original. Geoff Mulgan, diretor executivo da instituição de solidariedade que gere o concurso, explicou o objetivo à BBC: em vez de pedir respostas aos melhores cientistas e às melhores universidades, vão abrir o palco a toda a gente que queira propor uma solução, tal como se fez há 300 anos.
Ou seja, o espírito é o mesmo do Prémio da Longitude de 1714, quando o problema de como determinar a longitude no mar ocupava alguns dos mais brilhantes pensadores do século XVIII. Numa altura em que o comércio e as guerras passavam pelo mar, a incapacidade de descobrir a posição dos navios resultava em perdas incalculáveis, de vidas, mercadorias e dinheiro. Até que em 1714 foi lançado um prémio de 20 mil libras para descobrir a resposta.
A solução veio de uma fonte improvável: John Harrison, que aplicou toda a sua energia a desenvolver um relógio capaz de dar as horas corretas mesmo no mar - onde o balanço trocava as voltas aos relógios de pêndulo. É que sabendo as horas certas no porto de partida e cruzando com a posição do Sol, os marinheiros podiam calcular a posição do barco, a longitude. Este ano começa a procura pelo John Harrison do século XXI.

Alem das duas perguntas acima mencionadas, há mais quatro:
Como prevenir o aumento da resistência a antibióticos?
Como voar sem impacto ambiental?
Como assegurar que toda a gente tem acesso a comida nutritiva e sustentável?
Como ajudar as pessoas com demência a viver de forma independente mais tempo?



DN 20.5.2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

ANTIGO PESCADOR MANTÉM TRADIÇÃO ARTESANAL

Paciente e rigoroso, Carlos Capinha constrói barcos em miniatura em Sines

"Isto é tudo estudado!", afirma Carlos Capinha, no seu jeito brioso, enquanto mostra os pormenores de soldadura numa fateixa (pequena âncora) com comprimento inferior a um dedo polegar.
Atualmente é o único antigo pescador que se dedica à construção de barcos em miniatura, trabalho considerado como a mais típica manifestação de artesanato em Sines.
Aos 69 anos de idade, já perdeu a conta ao número de embarcações de pesca esculpidas e pintadas com as próprias mãos. Começou por fazer nassas (redes de pesca), depois gaiolas de grilos e só mais tarde se aventurou na construção dos primeiros barcos, em folha de palmeira. Podia ter seguido as pisadas de outro ex-pescador artesão, Chico Carola, entretanto falecido, que usava como matéria-prima a cortiça, mas teve um chamamento diferente. Optou pela madeira, além do latão ou do arame de cobre, admitindo contudo que é "mais complicado" de moldar: "sobretudo quando se fazem as cavernas (estrutura interna das embarcações) ou se talha a proa". Estes "pormenores mais miúdos", em vez de o desmotivarem, aumentam a sua perseverança.

A própria mulher, Maria do Rosário, que melhor que ninguém conhece o empenho de Carlos Capinha, refere que ele passa horas, na exígua marquise do apartamento de ambos, a afinar detalhes.  "Devias era ter sido serralheiro civil!", comenta, de sorriso posto no marido.
Alguns dos seus trabalhos estão expostos na Arte Velha - Associação de Artesãos de Sines e apesar de várias vezes o terem encorajado a fixar preços, nunca o fez. Explica que lhe falta a "alma de vendedor".
Deixou a faina no mês passado e adianta que agora, finalmente reformado, tem "todo o tempo do mundo para o seu passatempo. E em particular para aprimorar os detalhes que verdadeiramente o desafiam, ao sabor das recordações de tantos anos no porto de pesca junto à praia.

Dica da Seman  - 15.5.2014 - Lina Manso

terça-feira, 6 de maio de 2014

KADUPUL

Sub-reino:
Divisão:
Subclasse:
E. oxypetalum
(DC.) HAW.





















Epiphyllum oxypetalum (DC.) Haw., é uma espécie fanerogâmica pertencente a  família das Cactaceae.
A Flor Kadupul figura como a flor mais cara do mundo, apesar de nunca ter sido vendida por valores superiores às outras aqui apresentadas. Isto acontece porque o seu preço é simplesmente incalculável. Esta flor é tão rara e tão frágil que vive apenas algumas horas e depois morre. Ela é oriunda do Sri Lanka, floresce por volta da meia-noite e morre durante a madrugada. Devido à sua extensão de vida incrivelmente curta, a flor Kadupul adquiriu um estatuto mítico e especial, sendo por isso uma das flores mais desejáveis e valiosas em todo o mundo. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXV - ALCOUTIM

A MOURA E O CASTELO

Sabe-se lá quando e por quem Alcoutim foi fundada! Mas sabemos que D. Manuel I lhe atribui foral. Assim como sabemos que num dos mais altos pontos do concelho, à ilharga do Rio Guadiana, há vestígios de um castelo tão antigo que até se diz que foram os mouros que o construíram. Mas, segundo os entendidos, até poderá ser ainda mais antigo.
Ah, e é de supor que não lhes será desconhecido que nesse local está encantada uma moura. É por isso que, pela noite, mesmo com a ideia de que ela dispõe de um imenso tesouro, não há quem se meta a galgar os dois quilómetros entre Alcoutim e o que resta do seu castelo só para a desencantar! E desencantar a moura seria obra. Porquê? Ora, quem o quiser fazer terá de lutar com um monstro, vencendo-o. E aonde é que estão os valentes?
Para melhor precisão, esclarecemos que, bem próximo das ruínas do castelo, há duas velhíssimas azinheiras. Pois a moura encantada, segunda a lenda, anda por ali, pairando. E o candidato a desencantador terá de se apresentar a um 17 de Março, precisamente à meia-noite, apenas armado de armas brancas - punhal, espada, assim. Então aparecer-lhe-á um monstro enroscado, um dragão ou uma serpente, mas de grandes dimensões. E a soprar  furiosamente. Ora isto tem sido uma perspectiva dissuasória em relação ao desencantamento. E a pobre moura lá vai sofrendo a cobardia das gentes, que nem sequer se lembram do tesouro como recompensa a acrescentar!

Pois, temos mais material lendário sobre o castelo. Conquistado este aos mouros em 1240, o rei Sancho II ordenou a alguns cavaleiros que o ocupassem. Entre estes, Rui Gomes que, tomando a chefia, ordenou que fossem poupadas as vidas dos mouros achados ali dentro. Percorreu então todas as instalações, indo dar a uma sala onde se encontrava o ex-alcaide e a sua belíssima sobrinha. Cumprimentaram-se. O mouro disse que a jovem era noiva do filho Hassan, que abandonara o castelo para não conhecer o peso da derrota. Bem, a lenda conta que Rui Gomes e Zuleima, assim ela se chamava, se apaixonaram ao primeiro olhar e viveram felizes uns meses. Até que, uma vez, devido a um pressentimento de que poderia haver um mensageiro do rei para si no castelo,  Rui Gomes a deixou e cavalgou até lá. Ao chegar, foi apunhalado por um mouro embuçado que não era senão Hassan a vingar-se. Mas caindo Rui Gomes aos pés do antigo noivo, assim caiu, desmaiada, Zuleima. O mouro puxou-a para o seu cavalo e partiu a galope. Porém, o assassino foi visto por quatro soldados que o perseguiram e, junto daquelas duas azinheiras referidas a pouca distância da fortaleza, lançaram-lhes as suas lanças e ali mataram ambos. E é por isso que o  espírito da moura anda ali pelas azinheiras. E que há quem ouça um soluçar convulsivo, como se ela ainda chorasse o seu amado Rui, a quem não chegou a tempo de salvar.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

BRAGA - CIDADE COM MAIS ÓRGÃOS DE TUBOS

Sé de Braga

Braga é a cidade europeia com mais órgãos de tubos, tendo ao todo 46, na zona urbana, pelo que vai organizar o primeiro festival do género, entre os dias 30 de maio e 7 de junho. A Arquidiocese, a Misericórdia e a Câmara de Braga pretendem que o festival seja referência internacional, pelo que aquelas entidades estão envolvidas na recuperação de alguns dos órgãos de tubos existentes nas igrejas desta cidade. A iniciativa também visa reforçar as potencialidades do turismo religioso e contribuir para o desenvolvimento do concelho.

Dica 24.4.2014

domingo, 13 de abril de 2014

ALEMANHA - 500 FIGURAS DO IMPERADOR CARLOS MAGNO INVADEM AACHEN


Para assinalar os 1200 anos da morte de Carlos Magno, o artista Ottmar Hoerl instalou em Katschhof, na cidade alemã de Aachen, 500 esculturas de plástico com a figura do rei dos francos e imperador do Ocidente. A 25 de dezembro de 800 foi coroado imperador romano pelo Papa Leão III. Uma vez coroado, não se satisfaz com o domínio sobre seu povo e incluiu os povos conquistados, como bávaros e saxões. Queria dominar toda a Terra, desafiando assim o Império Bizantino, que se considerava legítimo sucessor do Império Romano. Por isso, Bizâncio só o reconheceu como imperador 12 anos depois. Ao morrer em 814, aos 71 anos, Carlos Magno reinava sobre um território que se estendia do mar do Norte à região dos Abruzos (Itália), do Rio Elba até ao Ebro, do Lago Balaton (Hungria) até à Bretanha. Alguns políticos modernos chegaram a considerá-lo fundador da Europa.


sábado, 12 de abril de 2014

CAPELA DE D. MARIA PIA NO PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA


A capela real abre ao público no dia 17 de abril. É a última grande encomenda da rainha Maria Pia para o Palácio Nacional da Ajuda e foi fechada em 1910, com a implantação da República. Nunca foi vista pelo público em geral até agora.
É uma obra neomedieval da autoria de Miguel Ventura Terra, a pintura do altar é de Veloso Salgado.
Está em exposição o único El Greco em Portugal a "Santa Face". É uma obra do primeiro cartel do século XVII.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

FONTE BENÉMOLA / QUERENÇA / ALGARVE



Fonte Benémola ocupa uma área de 392 hectares, entre as freguesias de Querença e Tôr do concelho de Loulé, pertencendo ao Barrocal algarvio. A riqueza do local provém da água que corre todo o ano na ribeira de Menalva. Estudos biológicos, atestam que a ribeira é a fonte de vida do ecossistema local, o qual alberga 300 espécies de flora e 100 espécies de aves identificadas.
Entre as espécies arbóreas e arbustivas identificam-se espécies pouco comuns em outros locais do Barrocal algarvio, sendo exemplo os choupos, freixos, loendros, salgueiros, silvados e canaviais. Juntando a tudo isto, como se de uma receita de culinária se tratasse, o local  é temperado pelos cheiros típicos do Algarve, provenientes do alecrim e do rosmaninho.
Sendo albergue de várias espécies de aves, a Fonte Benémola é um local importante na anilhagem de aves, para estudo da interação entre as aves residentes e as migratórias. De todas as espécies, as mais observadas são os guarda-rios, os papa-figos, as garças e os rouxinóis No entanto, o animal de destaque é a lontra, da qual existem vestígios ao longo da ribeira, mas sendo a sua atividade noctívaga a observação é difícil
Em 24 de julho de 2008, foi publicado em Decreto-Lei a atribuição do título Paisagem Protegida ao local de Fonte Benémola. Esta atribuição visa a preservação do ecossistema e assegura a sua gestão sustentável pela Câmara Municipal de Loulé, em parceria com outras entidades, contrariando futuras pressões urbanísticas e controlando a poluição do curso de água.

Uma visita à Fonte Benémola faz-se por um caminho pedestre de 4,5 quilómetros, a partir da Estrada Municipal 524 nas direção de Querença, demarcado e ladeado por Azinheiras e Medronheiros, onde se pode sentir os aromas dos campos, visualizar a típica paisagem rochosa do barrocal e saborear um ou outro medronho, que se vá colhendo. Junto à ribeira existe uma zona de merendas, onde o visitante pode descansar à sombra da árvores, escutar o chilrear dos pássaros e do curso da água, libertando a mente de problemas.

Dica - 10.4.2014 - Marco Pedro

domingo, 6 de abril de 2014

GARDÉNIA

Gardenia jasminoides



A gardénia (Gardenia jasminoides) é uma planta ornamental da família das rubiáceas, também chamada de jasmim-do-cabo. De origem chinesa, é um arbusto que pode atingir até dois metros de altura.
No início da primavera, a gardénia começa a cobrir-se de flores brancas e perfumadas. O seu perfume já inspirou até boleros e rendeu-lhe o nome popular de jasmim-do-cabo, mesmo não sendo uma espécie da família dos jasmins.
O nome Gardénia foi atribuído a este género em homenagem ao botânico americano Alexander Garden. Existem cerca de 250 espécies conhecidas como gardénia, porém a mais cultivada e famosa é a Gardenia jasminoides, por vezes chamada Gardenia augusta.

A gardénia produz uma folhagem verde escuro e brilhante, com o detalhe de que as folhas não caem durante o inverno

quinta-feira, 3 de abril de 2014

ZEBRAS TEM RISCAS PARA BARALHAR INSETOS

As riscas das zebras tornaram-nas inconfundíveis, como o seu toque de alegria nas paisagens secas das savanas de África. Mas, para os cientistas, a função das riscas das zebras tem sido, sobretudo, fonte de perguntas e de especulações. Vários estudos e repetivos autores já tinham avançado a hipótese sensata de que elas teriam algum papel de camuflagem e de proteção contra predadores, mas mais recentemente experiências no terreno mostraram que as riscas eram importantes para afastar insetos. Agora uma equipa de investigadores voltou à questão e diz que a tese do repelente dos mosquitos é aquela que se confirma.
Para chegar a esta conclusão, que publicou agora na   revista "Nature Communications", uma equipa de biólogos coordenada por Tim Caro, da Universidade da Califórnia, analisou a distribuição regional dos equídeos já extintos e existentes e comparou os resultados dessas distribuições com as hipóteses explicativas para a existência de riscas na pelagem, de espécies como as zebras.

O resultado é este: a distribuição das espécies com riscas abarca as mesmas regiões onde os insetos que atacam os equídeos se encontram ativos.
"Fiquei surpreendido com os resultados", admitiu Tim Caro, citado num comunicado da sua universidade, sublinhando que "foi possível comprovar de forma sistemática a existência de mais espécies com riscas nas zonas do mundo onde os mosquitos são mais agressivos".
No estudo, os biólogos mapearam a distribuição de vários parâmetros relacionados com as diferentes teorias explicativas para as riscas, incluindo a da camuflagem, a da necessidade de confundir visualmente os predadores, a que propõe um papel de controlo da temperatura do corpo e ainda a que atribui uma função social às riscas.
Foram por isso avaliadas as distribuições geográficas dos grandes predadores dos equídeos, das temperaturas e de várias espécies de insetos que atacam estes herbívoros, incluindo as da família Tabanidae e as moscas tsé-tsé. Depois foi só fazer comparações e sobrepor os diferentes mapas.
Enquanto a distribuição das moscas tsé-tsé já era conhecida, a dos Tabanidae não, e por isso os investigadores tiveram de fazer essa análise, na qual identificaram também as zonas ideais para a sua reprodução, comprovando assim a coincidência geográfica.
Confirmada a ligação aos insetos, que um grupo de investigadores húngaros e suecos já havia testado com êxito, em fevereiro de 2012, em experiências com modelos de cavalos de diferentes pelagens , restava, no entanto, uma questão intrigante: por que não evoluíram então todos os equídeos para uma pelagem às riscas, para se protegerem contra os insetos?
O grupo de Tim Caro foi à procura da resposta e encontrou-a num facto muito simples. É que, ao contrário de todas as outras espécies de equídeos com as quais partilham o habitat, as zebras têm a particularidade de possuir um pelo muito curto, o que a
Para Tim Caro, solucionar o mistério foi uma satisfação, mas há algo mais. "Resolver um enigma evolutivo aumenta o nosso conhecimento da natureza, mas além disso potencia o nosso empenho para o conservar", conclui o biólogo.

DN - 3.4.2014-

segunda-feira, 31 de março de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXIV - SANTANA

A ÁRVORE DO DIABO

Não temam, este carvalho condenado há muito desapareceu. Ficou-nos a sua lenda e o lugar. Vão ao centro da freguesia de Santana e peçam a alguma pessoa idosa que os informem onde se situava aquele carvalho antigo, de porte imponente, que atravessou os séculos de tempestades frias e Verões abrasadores, como se a Madeira não existisse! Quanto àquilo ser domínio do Diabo bem parece não haver dúvidas. Ora esse carvalho tinha algumas particularidades medonhas.
Os pássaros, por exemplo, não pousavam nos seus frondosos ramos. A fonte que lhe ficava contígua só tinha água para o seu sustento. E umas estranhas mãos, um dia escavaram-lhe o tronco, abrindo uma bocarra lenhosa para um subterrâneo insondável. Inclusive se dizia que aquele buraco era uma espécie de oráculo. As pessoas chegavam lá e berravam o seu nome. Se não tivessem resposta, isso significava que o nome estava escrito no céu. Porém, se o nome fosse expelido de novo para a boca, o interessado bem poderia logo iniciar as suas penitências porque estava já condenado e deveria procurar salvar-se enquanto tinha tempo!
Ora, diz-nos a lenda da árvore do Diabo, certo dia um caçador furtivo ia atrás de uma lebre e viu-a entrar pela bocarra da árvore. E, largando a espingarda, foi atrás dela. Ah, e agora o leitor quer saber o que lhe aconteceu. Ninguém sabe, desapareceu. Ele e a lebre. A propósito, a lebre não era uma lebre vulgar, mas o Diabo disfarçado para apanhar o caçador. E a verdade da lenda é que quando os companheiros do caçador e os seus cães chegaram ao carvalho, ficaram aflitos, olhando a entrada fatal que ninguém teve a coragem de franquear. Porém, um dia, aquela árvore do Diabo ruiu estrondosamente. A água da sua fonte voltou a correr e as histórias essas nunca mais saíram das cabeças das pessoas de Santana.

E saibam agora a lenda de uma bruxa alta, magra, nariz de picareta, coxeando da perna esquerda, e que não gostava de andar a pé. Preferia, naturalmente, os ombros dos que se armavam em valentões. E estes não eram  tão poucos como isso!
A bruxa já estava localizada pelas gentes de Santana. Por exemplo, não saía daquelas casas em que o dono pusesse atrás da porta uma vassoura com a palha para cima, não usava a água-benta na igreja e algumas mães de recém-nascidos já punham as tesouras debaixo da almofada do bebé.
No entanto, não se vão sem conhecerem a lenda de S. Roque do Vale do Faial. Pois há uns quantos séculos, formou-se a paróquia de Nossa Senhora da Natividade do Faial. Dedicou-se a população à pastorícia e pediu um padre ao bispo. E invocaram S. Roque como patrono, aparecendo uma imagem sua entre a penedia da Penha d'Águia. Fizeram-lhe três igrejas sucessivas e sempre ele se ausentou delas, precedendo outras tantas tempestades que derrubavam os templos.Ainda se notam hoje as ruínas de um deles. Ora a população, vendo que o S. Roque regressava sempre às suas pedras na Penha d'Águia, fez-lhe a vontade e deixou-o lá estar. E assim continua o relacionamento entre a gente de S. Roque do Faial e o santo protector dos pastores e das suas rezes.

sábado, 29 de março de 2014

FERROVIA DOS ELÉTRICOS DE SINTRA FAZ AMANHÃ (30.03.2014) 110 ANOS


A linha do elétrico de Sintra, que liga a serra ao mar, assinala amanhã o centésimo décimo aniversário. O percurso desde vila até à praia das Maçãs, ao longo de uma ferrovia de 12 quilómetros, é um dos ex-líbris desta vila Património Mundial. Remonta ao dia 30 de março de 1904 a concretização de um sonho de várias décadas e, durante muito tempo, este foi o único sistema de transporte de passeio e público de Sintra até à praia das Maçãs, passando pelas localidades de Colares, Mucifal e Galamares. Nessa altura, recorda-se, um bilhete custava 200 réis. São várias as etapas emblemáticas: em 1924, a ligação às Caves do Visconde de Salreu ocorreu a pedido deste; a 31 de janeiro de 1930, foi inaugurado o prolongamento da praia das Maçãs até às Azenhas do Mar (1915 metros), por iniciativa dos moradores daquela localidade, com destaque para o banqueiro José Henriques Totta. Este troço funcionou entre 1930 e 1954. O elétrico é, aliás, um dos símbolos da vila de Sintra que a UNESCO reconheceu como Património Cultural.

DN -29.03.2014-

segunda-feira, 24 de março de 2014

JACINTO BENAVENTE

A vida é como uma viagem por mar:
Há dias de calmaria e dias de tormenta.
O importante é ser um bom capitão do nosso navio.

sexta-feira, 7 de março de 2014

LISIANTO

Classificação científica:

Nome Científico: Eustoma grandiflorum
Nomes Populares: Lisianto, Genciana-do-prado
Família: Gentianaceae
Categoria: Flores Anuais
Luminosidade: Meia Sombra, Sol Pleno
Ciclo de Vida: Anual



O lisianto é uma planta linda, de popularização crescente, principalmente como flor-de-corte. Sua folhagem é erecta, pouco ramificada e suas folhas são oval-lanceoladas, opostas, um pouco suculentas e de coloração verde acinzentada. As flores são muito duráveis, grandes e podem ser simples, semidobradas ou dobradas, de coloração azul, rosa, violeta ou branca, além de mesclas e tonalidades intermediarias. Sua floração ocorre nos meses quentes.
É muito comercializada em vasos, mas principalmente como flor-de-corte para a confecção de arranjos florais, conferindo sofisticação e delicadeza aos buquês. Não é raro confundir suas flores com as da roseira (Rosa sp), mas a observação de sua folhagem diferente torna fácil a identificação. Pode ser cultivada no jardim, em maciços ou bordaduras informais, mas exige um clima mais ameno para um perfeito desenvolvimento.
  Devem ser cultivadas sob meia-sombra, em solo fértil e enriquecido com matéria orgânica, com regas regulares. Apesar de bienais devem ser tratadas como anuais, pois perdem a beleza com o tempo. Tolerante à geadas. Multiplica-se por sementes.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

BOMBONS "CASAM" BOLOTA COM CHOCOLATE


A bolota, que outrora "matou" a fome no Alentejo, é pouco utilizada hoje em dia na alimentação, mas está na base de uma receita de bombons de chocolate comercializados por uma empresa de Arraiolos, no Alentejo.
O Moinho de Pisões foi criado há cerca de seis meses para se dedicar à produção e venda de ervas aromáticas e de plantas alimentares, mas a abundância de bolota na propriedade fez Teresa Barrocas alterar os planos.
"Estamos num montado de sobro e azinho e temos imensa bolota, pelo que pareceu-me interessante apostar neste produto, antes de mais porque tem proteínas, previne o cancro, faz bem à saúde e é recomendado para a alimentação", afirma a empresária. Teresa Barrocas conta que ainda experimentou confecionar outros produtos, mas não obtiveram o sucesso desejado. Não desistiu e arriscou, ao "casar" a bolota com o chocolate negro e de leite.

"Este bombon é muito simples, mas, daquilo que foi descrito pelas pessoas que provaram, tem um toque refinado", realça, mostrando-se radiante com o êxito das vendas.
A empresária, e agora pasteleira, desvenda que "a bolota é partida ao meio, longitudinalmente, para se fazer a sua seleção, é cozida ao vapor e triturada", sendo depois utilizada a sua farinha para o recheio de bombom.
"O recheio leva água, açúcar, chocolate negro e farinha de bolota e a cobertura é de chocolate de leite ou de chocolate negro", acrescenta.

Em "cima da mesa", adianta, "está a possibilidade de desenvolver novos produtos com a bolota, possivelmente bolachas, em que se relaciona novamente com o chocolate".
"A bolota tem muito pouca utilização na alimentação humana", mas "tem utilidade na alimentação animal", refere Teresa Barrocas, defendendo que o produto deveria ser mais explorado porque existe em quantidade e qualidade em Portugal.
Além dos bombons, o Moinho de Pisões comercializa ervas aromáticas, certificadas biologicamente, em sacos de pano, como segurelha e lúcia-lima, entre outras.

DN - 28 .2.2014 -







quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXIII - ALCOBAÇA

A PADEIRA DE ALJUBARROTA

Dizem que era tão feia e tão grandalhona que muitas vezes se fazia passar por homem! Conta a lenda que terá nascido em Faro, onde o pai era taberneiro. Brites de Almeida, era o seu nome, apresentando seis dedos em cada mão! Desde criança que se mostrou de feitio desordeiro. Órfã aos 26 anos, vendeu o que tinha lá foi de vila em feira, adestrando-se no manejo das armas.
Apesar de tudo, um soldado alentejano pediu-a em casamento, tendo ela aceite se ele a vencesse em luta. Bem, o desgraçado ficou às portas da morte e Brites teve de desandar dali. Em Faro, embarcou para a Espanha, mas o barco em que seguia foi assaltado por piratas mouros, que a levaram para o Norte de África. E foi vendida como escrava.
Brites foi comprada por um homem que já tinha outros escravos portugueses. Pois ela combinou com eles matarem o dono e fugirem para Portugal. Assim aconteceu, mas na viagem de regresso, um temporal que acabou por atirar com o barco para a costa de Ericeira.
Julgando-se procurada por ter matado o soldado, Brites vestiu-se de homem e cortou o cabelo, tornando-se almocreve. E almocreve foi durante alguns anos. Até que um dia, farta de vagabundagem, foi parar a Aljubarrota, tendo sido admitida como ajudante de padeira. Ora por morte da patroa, ficou ela com o negócio, acabando mesmo por casar, já mostrando-se mulher, com um honrado lavrador.
Ora a 14 de Agosto de 1385, logo pela manhã, chegaram a Brites de Almeida, conhecida como Brites Pesqueira, os ruídos tremendos de uma tropa preparando-se para um combate. Sentindo ferver-lhe nas veias a vontade de lutar, agarrou na primeira arma que encontrou, decerto abandonada por algum ferido, e juntou-se, como um soldado mais, às tropas portuguesas.
Após a grande batalha da Aljubarrota, que se traduziu na rotunda vitória das tropas portuguesas e inglesas contra o invasor castelhano, Brites regressou a casa, contente, mas estafada. Porém, mal entrou na padaria, sentiu no ar algo estranho. Algum fugitivo castelhano estaria por ali escondido...


Então reparou que a porta do forno estava fechada, pelo que foi abri-la. E viu que estavam lá dentro sete castelhanos, fingindo-se os soldados adormecidos. Chamou-os, mas o pânico era tanto, que eles nem se mexiam. Ela, mesmo com a própria pá do seu ofício, deu-lhes tantas que os matou todos. Depois, galvanizada por isto, arregimentou gente e foi perseguir outros fugitivos, que estavam espalhados por toda a região.
Conta ainda a lenda que a pá de Brites de Almeida foi guardada como símbolo de Aljubarrota, e quando os Filipes foram reis de Portugal, o instrumento esteve entaipado numa parede. Seria retirado da parede quando D. João IV foi aclamado! E sempre que se comemorou a batalha, a pá de Brites foi exibida como relíquia! No entanto, com a idade, a padeira de Aljubarrota tornou-se numa calma esposa de lavrador...

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

AVES, FLORES, SAUDADES


Sol a sol, desde a serra até ao mar,
Das pegas-rabilongas às gaivotas,
A orquestra alada, requintado as notas,
De nascente a poente é só tocar:

Ocarinas em fila – terras-cottas
Em beirais de telhado; à beira-mar,
Flautas de abibes; harpas de luar
Em garças ribeirinhas, nas marnotas;

Ao longo das ribeiras são as filas
Dos violinos – sílvias e fringilas –
Violetas, violas-trisonoras

E no alto do céu, flamas em jogo,
A regê-los, o Pássaro de Fogo

Aeneira as grandes asas criadoras.

Emiliano da Costa

sábado, 22 de fevereiro de 2014

GRAHAM BELL


Nunca ande pelo caminho traçado,
pois ele conduz somente até onde os outros foram.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

FABRICAÇÃO DE CERVEJA

O surgimento desta bebida parece ter acontecido de forma concomitante em diversas partes do mundo antigo. Encontraram-se vestígios da sua  preparação  na antiga Mesopotâmia e no Egito. Os romanos a chamavam de cerevisia e os celtas korma. Na Idade Média existiam variedades com um teor alcoólico bastante baixo para consumo inclusive de crianças.

Hoje, ele é uma das bebidas mais consumidas no mundo e faz parte da cultura de muitos povos, mas em pouco deles se fundiu de maneira mais intima e harmónica com a sociedade e suas tradições do que no mundo germânico, especificamente na Baviera. Bebida para todas as idades e classes sociais, era preparada para crianças. adultos e anciãos, camponeses, estadistas, nobres e clérigos.
As abadias e conventos da região costumavam fabricar cerveja para consumo próprio, variando a forma de preparo segundo os diversos tempos do ano. Assim, por exemplo, a Paulaner Salvatore era elaborada pela Ordem dos Mínimos, com vistas ao jejum feito pelos monges durante a oitava da festa do Fundador. Como essa bebida, embora muito nutritiva, não quebrava o preceito, seu consumo ajudava a sustentar os religiosos nos períodos de penitência.
Muitos mosteiros beneditinos também produziam sua própria cerveja e não apenas para consumo próprio. A abadia Weltenburg, situada nas margens bávaras do Danúbio,é a que possui a mais antiga destilaria, fundada em 1050. Desde então vem produzindo sem interrupção a mesma variedade de cerveja e transcorrido um milénio sua qualidade por certo não deixa a desejar, pois consta ter sido fornecida regularmente para a mesa de Bento XVI.

O Decreto de Pureza de 1516

Ora, para produzir uma cerveja como a de Weltenburg, os ingredientes não podiam, ser mais simples: lúpulo, malte e água. Quase cinco séculos depois, esses três elementos foram sancionados num decrete promulgado em 23 de Abril de 1516 p+elo duque Guilherme IV da Baviera: o Reinheitsgebot ou  "Lei da Pureza". Além de estipular os preços do líquido dourado entre as festas de São Jorge e de São Miguel, prescreve o decreto: "Desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes usados para a fabricação da cerveja devem ser lúpulo, malte e água. Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais barris de cerveja."
A simplicidade e candura deste dispositivo legal não podem deixar de chamar a atenção nos nossos dias, tão pródigos em conservantes, estabilizantes, corantes, espessantes, acidulantes, aromas artificiais e demais aditivos, usados às vezes em   tais proporções que tornam difícil distinguir o sabor degustado.
Transmitido e respeitado de geração em geração, o procedimento de fabricação da cerveja alemã, muitas vezes artesanal, tem se imposto ao longo dos tempos como condição indispensável para a preparação de uma cerveja arquetípica. Muitas embalagens ostentaram com orgulho a indicação: "Fabricada de acorde com a Lei da Pureza de 1516".


Património da humanidade

No fim do ano passado, a Associação de Cervejeiros Alemães pediu à UNESCO o reconhecimento da cerveja assim fabricada como património da humanidade. A decisão poderá ser tomada em 2016, quando se comemorará o V Centenário da promulgação do mencionado decreto.
Alguns produtores, inclusive alemães, têm objetado que tal lei condena à imobilidade de algo que poderia ser aperfeiçoado. Em suma: ela é retrógrada. Mas basta analisar a questão com um pouco de isenção de ânimo para constatar quão errado  é esse posicionamento. Atualmente existem, por exemplo na Bélgica, cervejas excelentes feitas segundo outros métodos que acrescentam ingredientes tão pouco "ortodoxos" como a cerveja.
Não se trata de proibir os aprimoramentos, mas sim de proteger da voragem moderna uma tradição venerável que, queiramos ou não, está na essência de uma das mais populares bebidas dos nossos dias.

Revista Arautos do Evangelho -Fevereiro 2014 -