segunda-feira, 7 de julho de 2014

BOTÕES-DE-OURO




Unxia kubitzkii, com nome popular botão-de-ouro é uma planta florífera perene, herbácea e erecta, nativa do Brasil.

Características

Possui de 30 cm a meio metro de altura, suas flores têm uso decorativo. As folhas são simples, de cantos serrilhados, pecíolos curtos e de cor amarelados. As flores são pequenas, agrupadas em capítulos também pequenos, na cor amarelo-ouro que saem em hastes axilares solitárias. Sua floração dá-se durante todo o ano.

domingo, 29 de junho de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXVII - VIANA DO CASTELO

O PÁTIO DA MORTE

Possivelmente terão a paciência de procurar na Rua da Bandeira, em Viana do Castelo, a casa onde se situava o Pátio da Morte. Perguntem aos velhos da rua, que conseguirão o necessário guia. Depois vão ao Museu Municipal ver um dos protagonistas desta lenda...
No Pátio da Morte esteve, durante anos, uma estátua que diziam encantada. Era de pedra, um cavaleiro antigo, numa atitude de quem, com as mãos, está a evitar que lhe saiam os intestinos. Esta estátua encontrava-se sobre a tampa da sepultura de um jovem fidalgo que havia sido assassinado por outro. Por causa de uma jovem que namorava com ambos. Todos os dias, à meia-noite, a estátua movia-se. Por exemplo, dos olhos de pedra soltavam-se lágrimas e dentre os lábios saíam uns suspiros tão lancinantes que comoviam quem os escutasse. E junto da estátua, abraçando-a, às vezes aparecia o fantasma da rapariga que causara a desgraça. Mas havia algo que impressionava sobremaneira. Se um estranho entrasse naquela altura no Pátio da Morte, levava uma forte pancada que o derrubava. Ah, mas um dia o pátio da Rua da Bandeira foi benzido e nunca mais ali aconteceu nada de estranho. E se estátua até então parecia enraizada no chão, depois da libertação do encanto, já pôde ir dali para o Museu Municipal de Viana do Castelo.

Agora, vá o leitor à igreja de S. Domingos, dirigindo-se de imediato à esquerda do altar-mor. Está aí um túmulo, sabe de quem é? De Frei Bartolomeu dos Mártires. Depois de ler esta lenda, leia-lhe a biografia por Frei Luís de Sousa, que é um monumento do nosso idioma! Foi Frei Bartolomeu que mandou edificar o mosteiro e a igreja de S. domingos da que então se chamava Viana da Foz-do-Lima. Pois quando Filipe II assumiu o trono de Portugal, ele que era arcebispo de Braga, renunciou ao cargo e retirou-se para uma cela do mosteiro que fundara. De quando em quando saía a visitar o bairro piscatório, onde humildemente exercia a caridade. Um dia entrou num lar onde morrera a mulher do dono da casa. Este e a filha do casal tanto tinham rezado pela salvação da senhora mas ela tinha morrido. Estavam desencantados com Deus e receberam mal o visitante, em quem viam apenas um pobre frade. Este ouviu-os, compreendeu-os e ofereceu-se para quando fosse preciso. E, passados tempos, um dia de medonha tempestade, a rapariga foi procurá-lo a solicitar a sua intervenção junto do Senhor. O barco aonde navegava o pai e quatro companheiros estava ali à barra mas sacudido de uma maneira que os mais experimentados que se chegavam à praia diziam perdido. O mar iria destruir aquela casca de noz. Porém, Frei Bartolomeu dos Mártires disse à menina que ao dar a quinta badalada na torre de S. Domingos, o pai e os companheiros estariam a salvo e haveria uma surpresa. Foi a rapariga para a praia e começaram a dar as badaladas na torre. O barco foi-se chegando ao areal e à quinta estava a salvo. A surpresa? O fundo a abarrotar de peixe! Correram a agradecer ao frade, que nem lhes quis aparecer...


sábado, 21 de junho de 2014

NÃO SOU A CRIANÇA D'OUTRORA

Fui para escola aprender
Com sessenta e nove anos de idade
Em nova não pude ter
O que gostaria de ser
Quando eu podia aprender
Não havia possibilidade.

Houve esta oportunidade
Estou muito satisfeita
Com outro conhecimento
O que me fazia falta agora
Era guardar na memória
Como guardava noutro tempo.

Com pouco conhecimento
Eu falo aquilo que sinto
Digo a verdade e não minto
Muitas vezes vai-se embora
Eu não pareço o que sou
Já não guardo na memória.

Mesmo assim estou contente
Com o que tenho aprendido
Com a minha a professora
Muito não posso esperar
Eu tenho de ir devagar
Não sou a criança d'outrora.

Silvina Viegas dos Santos




domingo, 15 de junho de 2014

O FRANCELHO E A ABETARDA SÃO PÁSSAROS EM VIA DE EXTINÇÃO


Ele chama-se francelho e é um pequeno falcão migratório que outrora nidificava nos centros de vilas e cidades em habitações abandonadas, paredes e muros de taipa ou até mesmo na torre das igrejas. Ela, a abetarda, é uma ave de grande porte da qual não restam mais de mil exemplares em Portugal.
Francelhos e abetardas são espécies globalmente ameaçadas, estando incluídas no conjunto de aves cuja conservação é considerada prioritária na União Europeia. O mesmo sucede com o sisão, o tartaranhão-caçador e o cortiçol-de-barriga-preta, espécies emblemáticas que correm o risco de um dia desaparecerem para sempre.


Por enquanto, com jeitinho, ainda se deixam ver nos campos do Alentejo.
As Zonas de Proteção Especial (ZPE) de aves existentes no Alentejo são Castro Verde, Vale do Guadiana, Torre da Bolsa (Elvas) ou Mourão/Moura/Barrancos. Criadas pela Diretiva Aves, da União Europeia, as ZPE são áreas onde a atividade humana é limitada para garantir a sobrevivência e reprodução de espécies ameaçadas.
A situação é mais dramática no caso das abetardas, não só porque o número de exemplares é já muito reduzido mas também porque são aves que dificilmente toleram a aproximação de pessoas. No caso do francelho, há muito que o pequeno falcão foi "expulso" do centro das cidades. Apenas em locais como Mértola ou Olivença continua a nidificar.

DN - 15.06.2014-

terça-feira, 10 de junho de 2014

PARQUE DE LAZER DA CONCEIÇÃO DE TAVIRA / ALGARVE

Circulando ao longo da EN 125, entre Tavira e Cacela Velha, encontra-se sinalização indicativa do Parque de Lazer da Conceição de Tavira, sendo que o caminho mais curto é aquele que se faz antes do cruzamento de Cacela Velha, em direção ao povoamento de Santa Rita.
O Parque de Lazer pertence ao perímetro florestal da freguesia de Conceição de Tavira, situando-se no sopé da serra, ao longo de uma área de 456 hectares, ricos em fauna e flora diversificada, completamente vedada e protegida.
Dotado de um parque de merendas, infraestruturas sanitárias, parque infantil, quatro percursos pedonais, observatórios de aves e entrada gratuita, o local oferece todas as condições para observação da natureza, num horário entre as 10 e as 17 horas, aos fins de semana e feriados de 21 de setembro a 20 de junho, e das 11 às 19 horas de terça-feira a domingo, de 21 de junho a 20 de setembro.
Exploração de lenha
A zona onde está instalado o parque começou a ser utilizada em 1920 como exploração de lenha para alimentar os fornos de cal, tendo sido as acácias e os eucaliptos a principal fonte de matéria-prima.
No entanto, hoje, para além destas espécies podem ser observados pinheiros-mansos, sobreiros, alfarrobeiras, azinheiras e ciprestes alimentados pela ribeira de Gafa.

Variedade de animais
Esta ribeira constitui uma fonte de vida, não só para a flora, como para a fauna permitindo observar aves como o pato-real, a rola, a perdiz vermelha, a poupa e a pega azul, bem como répteis e anfíbios, dos quais se destacam a cobra rasteira e rãs.
Porém, os mamíferos são a maior atração do parque, sendo que ao longo dos caminhos se pode observar o rasto de javalis, coelhos,lebres e gamos em liberdade.
Os gamos, espécie semelhante aos veados, são a imagem de marca do parque e a sua observação é enriquecedora, transportando a imaginação do indivíduo para locais mágicos quando se olha nos olhos destes animais.
No entanto, aconselha-se paciência na sua busca ao longo do parque, uma vez que são animais assustadiços e dóceis.


Dica da Semana - 12.6.2014 -

sábado, 7 de junho de 2014

ALLIUM



Allium L. é o género das cebolas, alhos e alhos-porros. O aroma é característico de todo o género, porém nem todos os membros possuem seu sabor característico forte. Existem aproximadamente 1.250 espécies neste género, a maioria classificada na família Alliaceae, mesmo que alguns botânicos os coloquem na família Liliaceae.
São plantas bulbosas anuais ou bianuais que crescem em climas temperados do hemisfério norte, exceto algumas espécies que crescem no Chile, como (Allium juncifolium), no Brasil (Allium sellovianum) ou na África tropical (Allium spathaceum). Sua altura pode variar entre 10 cm e 1,5 m e as flores formam uma umbela ao final de um talo carente de folhas. O tamanho dos bolbos varia consideravelmente e formam bolbilhos em torno do principal.

sábado, 31 de maio de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXVI PORTIMÃO -

No livro de Margarida Tengarrinha da memória do povo, que são interessantíssimos materiais etnográficos portimonenses, vejamos a lenda do Sítio da Mulher Morta, contada por D. Rosa Furtado, de Poio, Mexilhoeira Grande. Seleccionamos este texto pela beleza da sua oralidade transposta ao papel:
O qu'eu sempre tenho ouvido, já da minha avó, dos meus bisavós, todos daqui destes sítios, tenho ouvido sempre assim: Na Quinta-Feira da ascensão a gente antigamente ia sempre pela religião católica e a minha família sempre dizia - não se lava na Quinta-Freira da Ascensão, que é um dia santo, até porque se os passarinhos bem soubessem num ao ninho iam. E há outro ditado que diz que é um dia tão santo, que na Quinta-Feira da ascensão coalha a amêndoa e nasce o pinhão.
Mas havia duas senhoras, duas comadres, e então uma era católica e a outra não era. E uma foi lavar à ribeira nesse dia. Aquela que não foi lavar disse assim: ó comadre, mas então vocemecê vai lavar hoje, Quinta-Feira da Ascensão, um dia tão santo?
Eh, entaõa, pois a roupa está suja e eu vou lavar.


E a mulher fpo lavar. Mas em certa altura, quando estava a lavar, a mulher desapareceu. Ninguém mais soube fim nem mandado dessa mulher. Pronto.
Aconteceu que daí ficou sempre a Mulher Morta. Essa mulher desapareceu, ninguém soube contar mais fim nem mandado dessa senhora e daí, ficou esse dia, se até aí era santo, mais santo ficou.
Depois daí a gente (eu não, que já era mais nova), mas os meus familiares mais velhos como a minha mãe e a minha avó, diziam que ouviam à hora da missa, ao meio-dia de Quinta-feira da Ascensão a mulher bater na ribeira, além. Diziam elas que era a bater na roupa.
Isto passou-se na Ribeira da Mulher Morta, que é a ribeira que vem da pereira e que vai desaguar ao rio Mexilhoeira. Esse sítio passou a chamar-se A Mulher Morta depois que isso aconteceu.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

MARK TWAIN




ALGUMAS PESSOAS NUNCA COMETEM OS MESMOS ERROS DUAS VEZES.
DESCOBREM SEMPRE NOVOS ERROS PARA COMETER.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

12 MILHÕES DE EUROS PARA QUEM RESOLVER OS DESAFIOS DA CIÊNCIA

Foi há exatamente 300 anos que o Parlamento britânico lançou um prémio de 20 mil libras, uma fortuna na altura, para quem resolvesse uma das mais importantes questões da época: o cálculo da longitude no mar. Com o concurso, a discussão saiu para a rua, e foi um relojoeiro, e não um cientista, a encontrar a resposta. Três séculos depois, os problemas que afetam a humanidade são outros, mas o Governo inglês decidiu apostar no mesmo método e oferecer dez milhões de libras (12,2 milhões de Euro) por uma solução capaz de mudar o mundo.
O desafio é lançado a todos: dos cientistas amadores à comunidade científica. O que se procura é alguém capaz de pensar fora da caixa, tal como o relojoeiro John Harrison há 300 anos.
Mas, à moda do século XXI, será o público a decidir o problema a resolver, entre os seis lançados pela organização. Os desafios foram anunciados ontem e concentraram-se nas áreas do ambiente e saúde
"Como garantir que toda a gente tem acesso a água potável" ou "como devolver o movimento a pessoas com paralisia" são duas das seis perguntas, que vão ser apresentadas ao longo das próximas semanas num programa da BBC e na página da iniciativa: www.longitudeprize.org
O desafio vencedor será anunciado a 25 de junho e as regras ficam disponíveis no outono. Qualquer pessoa ou organização pode participar, desde que mostre que se ganhar o prémio vai beneficiar também o Reino Unido.
A ideia foi anunciada pelo primeiro-ministro inglês, David Cameron, no ano passado e lançada ontem, 300 anos depois do desafio original. Geoff Mulgan, diretor executivo da instituição de solidariedade que gere o concurso, explicou o objetivo à BBC: em vez de pedir respostas aos melhores cientistas e às melhores universidades, vão abrir o palco a toda a gente que queira propor uma solução, tal como se fez há 300 anos.
Ou seja, o espírito é o mesmo do Prémio da Longitude de 1714, quando o problema de como determinar a longitude no mar ocupava alguns dos mais brilhantes pensadores do século XVIII. Numa altura em que o comércio e as guerras passavam pelo mar, a incapacidade de descobrir a posição dos navios resultava em perdas incalculáveis, de vidas, mercadorias e dinheiro. Até que em 1714 foi lançado um prémio de 20 mil libras para descobrir a resposta.
A solução veio de uma fonte improvável: John Harrison, que aplicou toda a sua energia a desenvolver um relógio capaz de dar as horas corretas mesmo no mar - onde o balanço trocava as voltas aos relógios de pêndulo. É que sabendo as horas certas no porto de partida e cruzando com a posição do Sol, os marinheiros podiam calcular a posição do barco, a longitude. Este ano começa a procura pelo John Harrison do século XXI.

Alem das duas perguntas acima mencionadas, há mais quatro:
Como prevenir o aumento da resistência a antibióticos?
Como voar sem impacto ambiental?
Como assegurar que toda a gente tem acesso a comida nutritiva e sustentável?
Como ajudar as pessoas com demência a viver de forma independente mais tempo?



DN 20.5.2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

ANTIGO PESCADOR MANTÉM TRADIÇÃO ARTESANAL

Paciente e rigoroso, Carlos Capinha constrói barcos em miniatura em Sines

"Isto é tudo estudado!", afirma Carlos Capinha, no seu jeito brioso, enquanto mostra os pormenores de soldadura numa fateixa (pequena âncora) com comprimento inferior a um dedo polegar.
Atualmente é o único antigo pescador que se dedica à construção de barcos em miniatura, trabalho considerado como a mais típica manifestação de artesanato em Sines.
Aos 69 anos de idade, já perdeu a conta ao número de embarcações de pesca esculpidas e pintadas com as próprias mãos. Começou por fazer nassas (redes de pesca), depois gaiolas de grilos e só mais tarde se aventurou na construção dos primeiros barcos, em folha de palmeira. Podia ter seguido as pisadas de outro ex-pescador artesão, Chico Carola, entretanto falecido, que usava como matéria-prima a cortiça, mas teve um chamamento diferente. Optou pela madeira, além do latão ou do arame de cobre, admitindo contudo que é "mais complicado" de moldar: "sobretudo quando se fazem as cavernas (estrutura interna das embarcações) ou se talha a proa". Estes "pormenores mais miúdos", em vez de o desmotivarem, aumentam a sua perseverança.

A própria mulher, Maria do Rosário, que melhor que ninguém conhece o empenho de Carlos Capinha, refere que ele passa horas, na exígua marquise do apartamento de ambos, a afinar detalhes.  "Devias era ter sido serralheiro civil!", comenta, de sorriso posto no marido.
Alguns dos seus trabalhos estão expostos na Arte Velha - Associação de Artesãos de Sines e apesar de várias vezes o terem encorajado a fixar preços, nunca o fez. Explica que lhe falta a "alma de vendedor".
Deixou a faina no mês passado e adianta que agora, finalmente reformado, tem "todo o tempo do mundo para o seu passatempo. E em particular para aprimorar os detalhes que verdadeiramente o desafiam, ao sabor das recordações de tantos anos no porto de pesca junto à praia.

Dica da Seman  - 15.5.2014 - Lina Manso

terça-feira, 6 de maio de 2014

KADUPUL

Sub-reino:
Divisão:
Subclasse:
E. oxypetalum
(DC.) HAW.





















Epiphyllum oxypetalum (DC.) Haw., é uma espécie fanerogâmica pertencente a  família das Cactaceae.
A Flor Kadupul figura como a flor mais cara do mundo, apesar de nunca ter sido vendida por valores superiores às outras aqui apresentadas. Isto acontece porque o seu preço é simplesmente incalculável. Esta flor é tão rara e tão frágil que vive apenas algumas horas e depois morre. Ela é oriunda do Sri Lanka, floresce por volta da meia-noite e morre durante a madrugada. Devido à sua extensão de vida incrivelmente curta, a flor Kadupul adquiriu um estatuto mítico e especial, sendo por isso uma das flores mais desejáveis e valiosas em todo o mundo. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXV - ALCOUTIM

A MOURA E O CASTELO

Sabe-se lá quando e por quem Alcoutim foi fundada! Mas sabemos que D. Manuel I lhe atribui foral. Assim como sabemos que num dos mais altos pontos do concelho, à ilharga do Rio Guadiana, há vestígios de um castelo tão antigo que até se diz que foram os mouros que o construíram. Mas, segundo os entendidos, até poderá ser ainda mais antigo.
Ah, e é de supor que não lhes será desconhecido que nesse local está encantada uma moura. É por isso que, pela noite, mesmo com a ideia de que ela dispõe de um imenso tesouro, não há quem se meta a galgar os dois quilómetros entre Alcoutim e o que resta do seu castelo só para a desencantar! E desencantar a moura seria obra. Porquê? Ora, quem o quiser fazer terá de lutar com um monstro, vencendo-o. E aonde é que estão os valentes?
Para melhor precisão, esclarecemos que, bem próximo das ruínas do castelo, há duas velhíssimas azinheiras. Pois a moura encantada, segunda a lenda, anda por ali, pairando. E o candidato a desencantador terá de se apresentar a um 17 de Março, precisamente à meia-noite, apenas armado de armas brancas - punhal, espada, assim. Então aparecer-lhe-á um monstro enroscado, um dragão ou uma serpente, mas de grandes dimensões. E a soprar  furiosamente. Ora isto tem sido uma perspectiva dissuasória em relação ao desencantamento. E a pobre moura lá vai sofrendo a cobardia das gentes, que nem sequer se lembram do tesouro como recompensa a acrescentar!

Pois, temos mais material lendário sobre o castelo. Conquistado este aos mouros em 1240, o rei Sancho II ordenou a alguns cavaleiros que o ocupassem. Entre estes, Rui Gomes que, tomando a chefia, ordenou que fossem poupadas as vidas dos mouros achados ali dentro. Percorreu então todas as instalações, indo dar a uma sala onde se encontrava o ex-alcaide e a sua belíssima sobrinha. Cumprimentaram-se. O mouro disse que a jovem era noiva do filho Hassan, que abandonara o castelo para não conhecer o peso da derrota. Bem, a lenda conta que Rui Gomes e Zuleima, assim ela se chamava, se apaixonaram ao primeiro olhar e viveram felizes uns meses. Até que, uma vez, devido a um pressentimento de que poderia haver um mensageiro do rei para si no castelo,  Rui Gomes a deixou e cavalgou até lá. Ao chegar, foi apunhalado por um mouro embuçado que não era senão Hassan a vingar-se. Mas caindo Rui Gomes aos pés do antigo noivo, assim caiu, desmaiada, Zuleima. O mouro puxou-a para o seu cavalo e partiu a galope. Porém, o assassino foi visto por quatro soldados que o perseguiram e, junto daquelas duas azinheiras referidas a pouca distância da fortaleza, lançaram-lhes as suas lanças e ali mataram ambos. E é por isso que o  espírito da moura anda ali pelas azinheiras. E que há quem ouça um soluçar convulsivo, como se ela ainda chorasse o seu amado Rui, a quem não chegou a tempo de salvar.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

BRAGA - CIDADE COM MAIS ÓRGÃOS DE TUBOS

Sé de Braga

Braga é a cidade europeia com mais órgãos de tubos, tendo ao todo 46, na zona urbana, pelo que vai organizar o primeiro festival do género, entre os dias 30 de maio e 7 de junho. A Arquidiocese, a Misericórdia e a Câmara de Braga pretendem que o festival seja referência internacional, pelo que aquelas entidades estão envolvidas na recuperação de alguns dos órgãos de tubos existentes nas igrejas desta cidade. A iniciativa também visa reforçar as potencialidades do turismo religioso e contribuir para o desenvolvimento do concelho.

Dica 24.4.2014

domingo, 13 de abril de 2014

ALEMANHA - 500 FIGURAS DO IMPERADOR CARLOS MAGNO INVADEM AACHEN


Para assinalar os 1200 anos da morte de Carlos Magno, o artista Ottmar Hoerl instalou em Katschhof, na cidade alemã de Aachen, 500 esculturas de plástico com a figura do rei dos francos e imperador do Ocidente. A 25 de dezembro de 800 foi coroado imperador romano pelo Papa Leão III. Uma vez coroado, não se satisfaz com o domínio sobre seu povo e incluiu os povos conquistados, como bávaros e saxões. Queria dominar toda a Terra, desafiando assim o Império Bizantino, que se considerava legítimo sucessor do Império Romano. Por isso, Bizâncio só o reconheceu como imperador 12 anos depois. Ao morrer em 814, aos 71 anos, Carlos Magno reinava sobre um território que se estendia do mar do Norte à região dos Abruzos (Itália), do Rio Elba até ao Ebro, do Lago Balaton (Hungria) até à Bretanha. Alguns políticos modernos chegaram a considerá-lo fundador da Europa.


sábado, 12 de abril de 2014

CAPELA DE D. MARIA PIA NO PALÁCIO NACIONAL DA AJUDA


A capela real abre ao público no dia 17 de abril. É a última grande encomenda da rainha Maria Pia para o Palácio Nacional da Ajuda e foi fechada em 1910, com a implantação da República. Nunca foi vista pelo público em geral até agora.
É uma obra neomedieval da autoria de Miguel Ventura Terra, a pintura do altar é de Veloso Salgado.
Está em exposição o único El Greco em Portugal a "Santa Face". É uma obra do primeiro cartel do século XVII.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

FONTE BENÉMOLA / QUERENÇA / ALGARVE



Fonte Benémola ocupa uma área de 392 hectares, entre as freguesias de Querença e Tôr do concelho de Loulé, pertencendo ao Barrocal algarvio. A riqueza do local provém da água que corre todo o ano na ribeira de Menalva. Estudos biológicos, atestam que a ribeira é a fonte de vida do ecossistema local, o qual alberga 300 espécies de flora e 100 espécies de aves identificadas.
Entre as espécies arbóreas e arbustivas identificam-se espécies pouco comuns em outros locais do Barrocal algarvio, sendo exemplo os choupos, freixos, loendros, salgueiros, silvados e canaviais. Juntando a tudo isto, como se de uma receita de culinária se tratasse, o local  é temperado pelos cheiros típicos do Algarve, provenientes do alecrim e do rosmaninho.
Sendo albergue de várias espécies de aves, a Fonte Benémola é um local importante na anilhagem de aves, para estudo da interação entre as aves residentes e as migratórias. De todas as espécies, as mais observadas são os guarda-rios, os papa-figos, as garças e os rouxinóis No entanto, o animal de destaque é a lontra, da qual existem vestígios ao longo da ribeira, mas sendo a sua atividade noctívaga a observação é difícil
Em 24 de julho de 2008, foi publicado em Decreto-Lei a atribuição do título Paisagem Protegida ao local de Fonte Benémola. Esta atribuição visa a preservação do ecossistema e assegura a sua gestão sustentável pela Câmara Municipal de Loulé, em parceria com outras entidades, contrariando futuras pressões urbanísticas e controlando a poluição do curso de água.

Uma visita à Fonte Benémola faz-se por um caminho pedestre de 4,5 quilómetros, a partir da Estrada Municipal 524 nas direção de Querença, demarcado e ladeado por Azinheiras e Medronheiros, onde se pode sentir os aromas dos campos, visualizar a típica paisagem rochosa do barrocal e saborear um ou outro medronho, que se vá colhendo. Junto à ribeira existe uma zona de merendas, onde o visitante pode descansar à sombra da árvores, escutar o chilrear dos pássaros e do curso da água, libertando a mente de problemas.

Dica - 10.4.2014 - Marco Pedro

domingo, 6 de abril de 2014

GARDÉNIA

Gardenia jasminoides



A gardénia (Gardenia jasminoides) é uma planta ornamental da família das rubiáceas, também chamada de jasmim-do-cabo. De origem chinesa, é um arbusto que pode atingir até dois metros de altura.
No início da primavera, a gardénia começa a cobrir-se de flores brancas e perfumadas. O seu perfume já inspirou até boleros e rendeu-lhe o nome popular de jasmim-do-cabo, mesmo não sendo uma espécie da família dos jasmins.
O nome Gardénia foi atribuído a este género em homenagem ao botânico americano Alexander Garden. Existem cerca de 250 espécies conhecidas como gardénia, porém a mais cultivada e famosa é a Gardenia jasminoides, por vezes chamada Gardenia augusta.

A gardénia produz uma folhagem verde escuro e brilhante, com o detalhe de que as folhas não caem durante o inverno

quinta-feira, 3 de abril de 2014

ZEBRAS TEM RISCAS PARA BARALHAR INSETOS

As riscas das zebras tornaram-nas inconfundíveis, como o seu toque de alegria nas paisagens secas das savanas de África. Mas, para os cientistas, a função das riscas das zebras tem sido, sobretudo, fonte de perguntas e de especulações. Vários estudos e repetivos autores já tinham avançado a hipótese sensata de que elas teriam algum papel de camuflagem e de proteção contra predadores, mas mais recentemente experiências no terreno mostraram que as riscas eram importantes para afastar insetos. Agora uma equipa de investigadores voltou à questão e diz que a tese do repelente dos mosquitos é aquela que se confirma.
Para chegar a esta conclusão, que publicou agora na   revista "Nature Communications", uma equipa de biólogos coordenada por Tim Caro, da Universidade da Califórnia, analisou a distribuição regional dos equídeos já extintos e existentes e comparou os resultados dessas distribuições com as hipóteses explicativas para a existência de riscas na pelagem, de espécies como as zebras.

O resultado é este: a distribuição das espécies com riscas abarca as mesmas regiões onde os insetos que atacam os equídeos se encontram ativos.
"Fiquei surpreendido com os resultados", admitiu Tim Caro, citado num comunicado da sua universidade, sublinhando que "foi possível comprovar de forma sistemática a existência de mais espécies com riscas nas zonas do mundo onde os mosquitos são mais agressivos".
No estudo, os biólogos mapearam a distribuição de vários parâmetros relacionados com as diferentes teorias explicativas para as riscas, incluindo a da camuflagem, a da necessidade de confundir visualmente os predadores, a que propõe um papel de controlo da temperatura do corpo e ainda a que atribui uma função social às riscas.
Foram por isso avaliadas as distribuições geográficas dos grandes predadores dos equídeos, das temperaturas e de várias espécies de insetos que atacam estes herbívoros, incluindo as da família Tabanidae e as moscas tsé-tsé. Depois foi só fazer comparações e sobrepor os diferentes mapas.
Enquanto a distribuição das moscas tsé-tsé já era conhecida, a dos Tabanidae não, e por isso os investigadores tiveram de fazer essa análise, na qual identificaram também as zonas ideais para a sua reprodução, comprovando assim a coincidência geográfica.
Confirmada a ligação aos insetos, que um grupo de investigadores húngaros e suecos já havia testado com êxito, em fevereiro de 2012, em experiências com modelos de cavalos de diferentes pelagens , restava, no entanto, uma questão intrigante: por que não evoluíram então todos os equídeos para uma pelagem às riscas, para se protegerem contra os insetos?
O grupo de Tim Caro foi à procura da resposta e encontrou-a num facto muito simples. É que, ao contrário de todas as outras espécies de equídeos com as quais partilham o habitat, as zebras têm a particularidade de possuir um pelo muito curto, o que a
Para Tim Caro, solucionar o mistério foi uma satisfação, mas há algo mais. "Resolver um enigma evolutivo aumenta o nosso conhecimento da natureza, mas além disso potencia o nosso empenho para o conservar", conclui o biólogo.

DN - 3.4.2014-

segunda-feira, 31 de março de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXIV - SANTANA

A ÁRVORE DO DIABO

Não temam, este carvalho condenado há muito desapareceu. Ficou-nos a sua lenda e o lugar. Vão ao centro da freguesia de Santana e peçam a alguma pessoa idosa que os informem onde se situava aquele carvalho antigo, de porte imponente, que atravessou os séculos de tempestades frias e Verões abrasadores, como se a Madeira não existisse! Quanto àquilo ser domínio do Diabo bem parece não haver dúvidas. Ora esse carvalho tinha algumas particularidades medonhas.
Os pássaros, por exemplo, não pousavam nos seus frondosos ramos. A fonte que lhe ficava contígua só tinha água para o seu sustento. E umas estranhas mãos, um dia escavaram-lhe o tronco, abrindo uma bocarra lenhosa para um subterrâneo insondável. Inclusive se dizia que aquele buraco era uma espécie de oráculo. As pessoas chegavam lá e berravam o seu nome. Se não tivessem resposta, isso significava que o nome estava escrito no céu. Porém, se o nome fosse expelido de novo para a boca, o interessado bem poderia logo iniciar as suas penitências porque estava já condenado e deveria procurar salvar-se enquanto tinha tempo!
Ora, diz-nos a lenda da árvore do Diabo, certo dia um caçador furtivo ia atrás de uma lebre e viu-a entrar pela bocarra da árvore. E, largando a espingarda, foi atrás dela. Ah, e agora o leitor quer saber o que lhe aconteceu. Ninguém sabe, desapareceu. Ele e a lebre. A propósito, a lebre não era uma lebre vulgar, mas o Diabo disfarçado para apanhar o caçador. E a verdade da lenda é que quando os companheiros do caçador e os seus cães chegaram ao carvalho, ficaram aflitos, olhando a entrada fatal que ninguém teve a coragem de franquear. Porém, um dia, aquela árvore do Diabo ruiu estrondosamente. A água da sua fonte voltou a correr e as histórias essas nunca mais saíram das cabeças das pessoas de Santana.

E saibam agora a lenda de uma bruxa alta, magra, nariz de picareta, coxeando da perna esquerda, e que não gostava de andar a pé. Preferia, naturalmente, os ombros dos que se armavam em valentões. E estes não eram  tão poucos como isso!
A bruxa já estava localizada pelas gentes de Santana. Por exemplo, não saía daquelas casas em que o dono pusesse atrás da porta uma vassoura com a palha para cima, não usava a água-benta na igreja e algumas mães de recém-nascidos já punham as tesouras debaixo da almofada do bebé.
No entanto, não se vão sem conhecerem a lenda de S. Roque do Vale do Faial. Pois há uns quantos séculos, formou-se a paróquia de Nossa Senhora da Natividade do Faial. Dedicou-se a população à pastorícia e pediu um padre ao bispo. E invocaram S. Roque como patrono, aparecendo uma imagem sua entre a penedia da Penha d'Águia. Fizeram-lhe três igrejas sucessivas e sempre ele se ausentou delas, precedendo outras tantas tempestades que derrubavam os templos.Ainda se notam hoje as ruínas de um deles. Ora a população, vendo que o S. Roque regressava sempre às suas pedras na Penha d'Águia, fez-lhe a vontade e deixou-o lá estar. E assim continua o relacionamento entre a gente de S. Roque do Faial e o santo protector dos pastores e das suas rezes.

sábado, 29 de março de 2014

FERROVIA DOS ELÉTRICOS DE SINTRA FAZ AMANHÃ (30.03.2014) 110 ANOS


A linha do elétrico de Sintra, que liga a serra ao mar, assinala amanhã o centésimo décimo aniversário. O percurso desde vila até à praia das Maçãs, ao longo de uma ferrovia de 12 quilómetros, é um dos ex-líbris desta vila Património Mundial. Remonta ao dia 30 de março de 1904 a concretização de um sonho de várias décadas e, durante muito tempo, este foi o único sistema de transporte de passeio e público de Sintra até à praia das Maçãs, passando pelas localidades de Colares, Mucifal e Galamares. Nessa altura, recorda-se, um bilhete custava 200 réis. São várias as etapas emblemáticas: em 1924, a ligação às Caves do Visconde de Salreu ocorreu a pedido deste; a 31 de janeiro de 1930, foi inaugurado o prolongamento da praia das Maçãs até às Azenhas do Mar (1915 metros), por iniciativa dos moradores daquela localidade, com destaque para o banqueiro José Henriques Totta. Este troço funcionou entre 1930 e 1954. O elétrico é, aliás, um dos símbolos da vila de Sintra que a UNESCO reconheceu como Património Cultural.

DN -29.03.2014-