quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

UM GRANDE PASSO PARA A DANÇA



Pode ser um pequeno passo na carreira internacional de um jovem bailarino, mas um grande salto para a dança portuguesa. Aos 17 anos, Miguel Pinheiro foi distinguido com o prémio de interpretação de dança contemporânea na final da 43ª edição do Prix de Lausanne, na Suíça, garantindo ainda uma das bolsas atribuídas pela competição. O bailarino português não foi o único aluno da Escola de Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa, a receber uma distinção. O japonês Ito Misturu, que frequenta a mesma escola no nosso país, obteve o terceiro lugar na final do concurso. O triunfo recompensou "todo um ano de esforço", que Miguel Pinheiro dedicou aos professores e colegas no final da cerimónia. Considerado um dos mais exigentes eventos de dança mundiais, o Prix de Lausanne é visto como uma  rampa de lançamento internacional para jovens entre os 15 e os 18 anos, na fase final de formação.

Dica da Semana -. 19.2.2015-

sábado, 14 de fevereiro de 2015

RESGATE DE IMIGRANTES ILEGAIS



Milhares de imigrantes ilegais que tentam chegar à Europa de barco são resgatados todos os anos pelas autoridades quando o pior acontece às embarcações em que viajam.
E foi isso que aconteceu a 7 de junho de 2014, quando centenas de náufragos foram resgatados no mar Mediterrâneo, 20 milhas a norte da Líbia, por uma embarcação da marinha italiana. O momento foi captado pelo fotógrafo Massimo Sestini, também ele italiano e publicado em revistas como a Time ou a L'Espresso.
Ontem soube-se que ganhou o segundo prémio na categoria de Notícias Gerais do World Press Photo. Depois de centenas de imigrantes ilegais terem perdido a vida em 2013 nas costas de Itália e Malta, o governo de Roma pôs a sua Marinha a patrulhar os mares e a resgatar náufragos.
No ano seguinte, mais de 170 mil pessoas foram salvas e levadas para Itália, a maior parte delas originárias da Síria.

DN - 13.02.2015 -

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CARNAVAL

O Carnaval é uma festa que é marcada pelo "adeus à carne" que a partir dela se fazia um grande período de abstinência e jejum, como o seu próprio nome em latim "carnis levale" o indica . Para a sua preparação havia uma grande concentração de festejos populares. Cada lugar e região brincava a seu modo, geralmente de uma forma propositadamente extravagante, de acordo com seus costumes.
Pensa-se que terá tido a sua origem na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C, através da qual os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C. antes da Quaresma.
É um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Santa Cruz de Tenerife, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspiraram no Carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas. Já o Rio de Janeiro criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles deescolas de samba para outras cidades do mundo, como São Paulo, Tóquio e Helsinque. O Carnaval do Rio de Janeiro está atualmente no Guinness Book como o maior Carnaval do mundo, com um número estimado de 2 milhões de pessoas, por dia, nos blocos de rua da cidade.5 Em 1995, o Guinness Book declarou o Galo da Madrugada, da cidade doRecife, como o maior bloco de carnaval do mundo.

História e origem
A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-Feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra "Carnaval" está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "Carnaval", sendo que "carnis" em latim significa carne e "valles" significa prazeres.
Em geral, o Carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados "gordos", em especial a terça-feira (Terça-Feira Gorda, também conhecida pelo nome francês Mardi Gras). O termo mardi gras é sinônimo de Carnaval.

O Carnaval da Antiguidade era marcado por grandes festas, onde se comia, bebia e participava de alegres celebrações e busca incessante dos prazeres. O Carnaval prolongava-se por sete dias nas ruas, praças e casas da Antiga Roma, de 17 a 23 de dezembro. Todas as actividades e negócios eram suspensos neste período, os escravos ganhavam liberdade temporária para fazer o que quisessem e as restrições morais eram relaxadas. As pessoas trocavam presentes, um rei era eleito por brincadeira e comandava o cortejo pelas ruas (Saturnalicius princeps) e as tradicionais fitas de lã que amarravam aos pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia.

No período do Renascimento as festas que aconteciam nos dias de carnaval incorporaram os baile de máscaras, com suas ricas fantasias e os carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual.
Sobre a origem da palavra, não há unanimidade entre os estudiosos. Há quem defenda que a palavra Carnaval deriva de carne vale (adeus carne!) ou de carne levamen (supressão da carne). Esta interpretação da origem etimológica da palavra leva-nos, indubitavelmente, para o início do período da Quaresma, uma pausa de 40 dias nos excessos cometidos durante o ano, excessos esses que incluem, segundo a religião católica, a alimentação. Assim, a Quaresma era, na sua origem, não apenas um período de reflexão espiritual como também uma época de privação de certos alimentos como a carne.
Cálculo do dia do Carnaval
Todas as datas eclesiásticas são calculadas em função da data da Páscoa , com exceção do Natal. Como o Domingo de Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir do equinócio da primavera (no hemisfério norte) ou do equinócio do outono (no hemisfério sul), e a Sexta-Feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa, então a Terça-Feira de Carnavalocorre 47 dias antes da Páscoa.
Datas do Carnaval
O Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa, em fevereiro, geralmente, ou em março, conforme o Cálculo da Páscoa, ocorre próximo do dia de Lua Nova . Assim, poderá calhar próximo do ano novo chinês, se calhar antes ou próximo de 19 de fevereiro. No século XXI, a data em que ocorreu mais cedo foi a 5 de fevereiro de 2008 e a que ocorrerá mais tarde será a 9 de março de 2038. Embora seja possível em outros séculos o dia do Carnaval não ocorrerá 3 ou 4 de fevereiro durante todo o século XXI.



domingo, 8 de fevereiro de 2015

HEINRICH HEINE


ONDE SE QUEIMAM LIVROS, MAIS CEDO OU MAIS TARDE, SE QUEIMAM HOMENS.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

FLOR-BEIJO (Psychotria Elata)

Classificação Cientifica:

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Gentianales
Família: Rubiaceae
Género: Psychotria



A natureza surpreende-nos mais uma vez e ainda com o espírito do Dia dos Namorados, hoje queremos mostrar uma espécie de planta com uma flor muito adequada para o São Valentim: parece querer beijar, mostrando uns sensuais lábios vermelhos.
Da família das Rubiaceae, a Psychotria Elata é comummente conhecida como a flor do beijo, ou  Hot Lips Plant em inglês, devido ao seu curioso aspecto que apresentam as brácteas quando estão em desenvolvimento e que, mais tarde, formarão uma coroa para proteger as suas flores: parecem um par de lábios pintados com cores muito atraentes e vistosas imediatamente antes de darem um beijo.
É uma planta que surge em estado selvagem, nas áreas selváticas da Colômbia, Equador, Costa Rica e Panamá de bastante pluviosidade, desde o nível do mar até quase dois mil metros de altitude. Só se encontra ao pé de árvores das florestas tropicais e nas margens de riachos e pequenos sulcos de água. No entanto, na Colômbia, de onde é originária, está ameaçada pelo desatamento do seu habitat.
Planta bianual e de folha larga e longa, trata-se de um arbusto ou árvore de pequeno porte que pode medir até 8 metros. A forma atraente dos lábios, que muitos pensam ser a flor, são, na realidade, o seu par de brácteas grandes de um vermelho intenso que protegerão as suas pequenas flores brancas.

A Psychotria Elata raramente é comercializada, já que se trata de uma planta nativa da Colômbia e, como mencionado acima, está actualmente ameaçada pelo desatamento do seu habitat natural. Ainda assim, é muito curioso que a natureza nos delicie com estas incríveis formas e nos permita, ainda que à distância, desfrutarmos a sua peculiar beleza.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

LENDAS DE PORTUGAL - LXXIX - VILA NOVA DE CERVEIRA

O REI DOS CERVOS

Quem chegar a Vila Nova de Cerveira e lançar o olhar para ao mais alto dois montes, apercebe-se do vulto de um cervo. Trata-se de uma escultura de José Rodrigues, um grande artista que vive no antigo cenóbio de S. Paio. Mas  decerto também quererá saber o porquê daquela homenagem. Aqui terá a lenda do rei dos cervos, do Cervo Rei, que é o que representa aquela obra de arte.
Pois contam os mais velhos que há muitos, muitos anos, sendo a caça uma questão de sobrevivência, já havia um certo prazer da mesa que indicava ser a carne de cervo das mais saborosas. E os cervos sentiam na pele as lanças e as setas dos seus perseguidores, pelo que se foram metendo para umas matas montanhosas junto de um rio. Naturalmente, buscavam a salvação. E pensaram que se estivessem organizados melhor se salvavam das perseguições. Importava conseguirem um chefe que os dirigisse. E esse chefe teria de ter a sabedoria e a capacidade de ser tão importante como um deus!
E surgiu entre eles  um cervo enorme e poderoso a quem logo prestaram homenagem e obediência. E o Cervo Rei decidiu que deveriam constituir um reino onde ninguém   mais entrasse, que essa seria a salvação de todos. E bem lutaram todos contra homens e outros animais que ousavam aproximar-se dos limites da Terra da Cervaria, tentando entrar. E isso fez com que o Cervo Rei se julgasse invencível. Celtas, romanos, mouros ciaram tantos deles como cervos em lutas ferozes. Assim, quando se formou o Reino de Portugal, naquela montanha que vemos, só o Cervo Rei existia de uma manada enorme que havia povoado a Terra de Cervaria!
Calhou então que um cavaleiro português entendesse não ser aceitável que encostado ao novo reino de Portugal houvesse um reino de cervos. Assim, desafiou o Cervo Rei para um combate sem tréguas. Já viam que venceria. Aceite o duelo,  preparou-se o cavaleiro, levando o seu mais belo escudo adornado com as cinco quinas.

Porém, o Cervo Rei venceu e matou o cavaleiro. O combate foi num local a que hoje chamam Valinhas. E então, o majestoso animal, na posse do escudo e da bandeira, retirou para as suas paragens. E lá no alto fez desfraldar a bandeira do adversário para anunciar que fora ele o senhor da vitória. Porém, a partir daí, cada vez se viu menos o cervo até que nunca mais ninguém o viu.
As gentes, que não cessavam de vigiar a Terra de Cervaria entenderam que poderiam meter à confiança o pé naquele lugar proibido. E logo lá entrou um grupo que, impunemente andoiu por onde quis. Até que deu com o cadáver do Cervo Rei, esquelético, chagado, tendo entre as patas o escudo com as quinas portuguesas, como se o velho chefe daquelas terras quisesse indicar quem lhe sucederia. 
Os homens fixaram-se então num povoado que construíram à beira do rio. E na sua bandeira colocaram um cervo num fundo verde que representa aquela bela terra no Alto Minho.

sábado, 24 de janeiro de 2015

VITÓRIA-RÉGIA

Vitória-Régia, flor bela,
como os lábios de maçã
mais parece com as rosas
das roupagens da manhã.

Traz nos seus brancos cabelos
sedosos e perfumados
todos mistérios e encantos
das noites dos meus pecados...

No bojo de um rio sem fim
os seus olhos refulgentes
parecem dois sóis nascentes
mandando luz para mim.

As suas mãos pequeninas
sob as águas cristalinas,
sempre guardam meus desejos.

Flor Vitória é assim:
um sacrário de marfim
cheio de essências de beijos!

Sarah Rodrigues

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

CORTIÇA PREMIADA EM ITÁLIA


António Luz é artesão da cortiça e mestre em desafios. A parceria com designers e arquitetos já mereceu a atenção da feira de design em Milão.
Na promoção da arte de trabalhar a cortiça, as feiras e exposições da região algarvia, e em especial a "Feira da Serra", realizada anualmente na vila de São Brás durante o verão, são meios de divulgação privilegiados. É em boa parte através destes certames que o artesão António Luz tem tido o merecido reconhecimento, vendo o seu nome cruzar fronteiras através da apreciação do seu trabalho, com cunho nacional.
Com oficina na pacata localidade de São Romão, no concelho de São Brás de Alportel, mestre António Luz, 62 anos, diz que o seu percurso profissional sempre passou pela marcenaria, mas com o aparecimento das grandes superfícies de venda de mobiliário viu o trabalho diminuir, pelo que teve de tomar uma decisão sobre a sua carreira.
"Já lá vão quase 4 anos e não me arrependo. Decidi dedicar-me 100% à cortiça", confidencia. As suas peças são únicas e nascem a partir do que vê, sente e crê resultar num objeto útil, mas sabendo de antemão que se não houver mercado não poderá executá-las, acabando por ficar apenas no papel. De utensílios a objetos decorativos, o mestre Luz diz ser capaz de fazer tudo e gostar de desafios.
Através da parceria desenvolvida com o projeto algarvio TASA (Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais), António Luz  viu o seu trabalho crescer e ser divulgado além-fronteiras, destacando-se em 2014, no segundo lugar, no âmbito do concurso internacional da Feira de Design de Milão, o berço "Sleep Tight".


Por ele trabalhado em cortiça, este berço tem design das arquitetas Karin Pereira e Sofia Chinita. "Foi um enorme desafio que me colocaram e deu-me um enorme prazer trabalhar no berço; a distinção é um reconhecimento que me enche de orgulho. Além disso, incentiva-me a inovar nesta minha arte e fazer cada vez mais e melhor".
Os trabalhos do mestre António Luz podem ser vistos online em www.facebook.com/artesanatocortica.antonioluz e no site www.projectotasa.com.

Dica da Semana -15.1.2015-

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

TREPADEIRA CARACOL-VIGNA

Nome Científico: Vigna caracalla
Nomes Populares: Caracala, Flor-concha, Trepadeira-caracala, Trepadeira-caracalla
Família: Fabaceae
Categoria: Trepadeiras
Clima: Equatorial, Subtropical, Tropical
Origem: América Central, América do Norte, América do Sul
Luminosidade: Sol Pleno
Ciclo de Vida: Perene


A caracala é uma trepadeira perene, leguminosa, volúvel e tropical, com belíssimas flores exóticas e suavemente perfumadas, porém ainda pouco conhecida e difundida. O nome caracala significa que vem de Caracas, na Venezuela. Da mesma família da ervilha, essa trepadeira de textura herbácea é capaz de crescer de 6 a 8 metros em condições ideais de cultivo. Suas folhas são trifoliadas, alternas, longo pecíoladas, com folíolos ovalados, acuminados, glabros, de cor verde e com margens inteiras. A floração ocorre no primavera, verão e outono. As flores são papilionáceas, sustentadas em cachos pendentes. Eles variam do branco, verde ao amarelo com pétalas arroxeadas a róseas, em surpreendentes degradées. A pétala superior é ovalada e a inferior é fortemente curvada, como uma concha de caracol. As flores produzem néctar abundante e são atrativas para abelhas. Os frutos são vagens cilíndricas, alongadas e esverdeadas.
Curiosidade: A caracala era uma das plantas preferidas de Thomas Jefferson, ex-presidente dos Estados Unidos, que a cultivava no Palácio Monticello.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXXIII - SESIMBRA

O DIREITO DE PERNADA
Um pouco acima onde hoje se vê o castelo de Sesimbra, existia uma povoação celtibera cujo nome se perdeu. Por ali perto ficaria mais tarde a quinta do Calhariz, onde viveu o nosso discreto Alexandre Herculano, sabedor de lendas. Pois era senhor dessa povoação um velho tirano, despótico, que impunha o direito de pernada. Este consistia no direito que se outorgava o senhor em dormir a primeira noite com qualquer mulher que se casasse dentro dos seus domínios. E os domínios daquele indivíduo era a tal povoação. Cinicamente dizia que não era da sua autoria a lei que a tantos repugnava. E como lhe convinha, dela não abdicava. Mas os leitores já viram algo semelhante em lendas anteriores, mas nenhuma que se encaminhasse como esta...

Nessa povoação vivia um rapaz chamado Zimbra que é um nome celtibero, como existe o celta Sesimbrig e o romano Zambra. Tinha uma namorada chamada Maris. E amavam-se. Portanto, queriam casar. E a situação era negra e bem negra. Porém, Zimbra foi falar com a rapariga:
"Tenho uma ideia clara sobre a maneira de evitar que o velho te ponha as mãos!"
"Se fugimos, persegue-nos e apanha-nos. Mata-nos!"
"Não fugiremos. Vamos é sair do seu poder."
E Zimbra mostrou a Maris que no sopé do monte em que estava a povoação ficava a praia, que não fazia parte do território do tirano. A questão é que eles vivessem ali. Eles e os outros. A lei dizia que todas as donzelas que viviam no povoado estavam sob a lei do tirano. A questão é que nem Maris nem ele vivessem no povoado! Parecia muito simples.
E no dia da boda, como de costume, toda a gente se reuniu sob o mesmo tecto comendo e bebendo. O tirano também, sentado em lugar de honra e antegozando os prazeres que iria tirar da bela Maris. Mas estava admirado com a tranquilidade com que Zimbra parecia encarar tudo aquilo. A velha raposa calculava que alguma coisa se passava, mas não sabia o quê. Tinham-lhe pedido autorização para o casamento, haviam feito a boda e nessa noite a rapariga deveria apresentar-se em sua casa. E estavam todos contentes, porquê?
Ficou a sabe-lo nessa mesma noite quando reparou que a rapariga nunca mais lhe aparecia. Mandou os seus guardas a apanhar o casalinho e eles regressaram dizendo que não havia ninguém nas casa do povoado. Nem pessoas nem haveres, estava tudo deserto.
O tirano rugiu e quis saber o que se passava. Uns guardas vieram dizer que tinham descoberto tudo. Bem, toda a população se tinha mudado para umas casas que haviam, construído na praia, fora dos territórios do tirano. E ali eles legalmente nada podiam fazer.
Mesmo considerando isso, raivoso como estava o tirano juntou os seus guardas e foi a nova povoação, na praia. Mas Zimbra e o resto do povo estava prevenido e a luta foi dura. Mas quando caiu o tirano com uma punhalada, os guardas fugiram todos. E nunca mais ninguém quis voltar para a antiga povoação, ficando na que seria a raiz da bela Sesimbra dos nossos dias.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

UMA VISITA INESPERADA


Foi na noite de Natal. Um anjo apareceu a uma família muito rica e falou para a dona da casa: “Trago-te uma boa notícia: esta noite o Senhor Jesus virá visitar a tua casa!”
Aquela senhora ficou entusiasmada. Jamais acreditara ser possível que esse milagre acontecesse em sua casa. Tratou de preparar um excelente jantar para receber Jesus. Encomendou frangos, assados, conservas, saladas e vinhos importados.
De repente, tocaram a campainha. Era uma mulher com roupas miseráveis, com aspecto de quem já sofrera muito.
“Senhora”  disse a pobre mulher “Será que não teria algum serviço para mim? Tenho fome e tenho necessidade de trabalhar.”
“ Ora bolas! “ retorquiu a dona da casa. “ Isso são horas de me vir incomodar? Volte outro dia. Agora estou muito atarefada com um jantar para uma visita muito importante.”
A pobre mulher retirou-se.  Um pouco mais tarde, um homem, sujo de óleo, veio bater-lhe à porta.        “ Senhora” disse ele,  “ O meu camião avariou aqui mesmo em frente à sua casa. Não teria a senhora, por acaso, um telefone para que eu pudesse comunicar com um mecânico?”
 A senhora, como estava ocupadíssima em limpar as pratas, lavar os cristais e os pratos de porcelana, ficou muito irritada.
“Você pensa que minha casa é o quê? Vá procurar um telefone público... Onde já se viu incomodar as pessoas dessa maneira? Por favor, cuide para não sujar a entrada da minha casa com esses pés imundos!”
E a anfitriã continuou a preparar o jantar: abriu latas de caviar, colocou o champanhe no frigorífico, escolheu, na adega, os melhores vinhos e preparou os cocktails.
Nesse momento, alguém lá fora bate palmas. “Será que agora é que é Jesus?” pensou ela, emocionada. E com o coração a bater acelerado, foi abrir a porta. Mas decepcionou-se: era um menino de rua, todo sujo e mal vestido... 
“Senhora, estou com fome. Dê-me um pouco de comida! “
“Como é que eu te vou dar comida, se nós ainda não jantámos?! Volta amanhã, porque esta noite estou muito atarefada... não te posso dar atenção.”
Finalmente o jantar ficou pronto. Toda a família esperava, emocionada, o ilustre visitante. Entretanto, as horas iam passando e Jesus não aparecia. Cansados de tanto esperar, começaram a tomar aqueles cocktails especiais que, pouco a pouco, já começavam a fazer efeito naqueles estômagos vazios, até que o sono fez com que se esquecessem dos frangos, assados e de todos os pratos saborosos.

De madrugada, a senhora acordou sobressaltada e, com grande espanto, viu que estava junto dela  um anjo. 
“Será que um anjo é capaz de mentir?” gritou ela. “Eu preparei tudo esmeradamente, aguardei a noite inteira e Jesus não apareceu. Por que é que você fez  essa brincadeira comigo?”
“Não fui eu que menti... Foi você que não teve olhos para enxergar.”  explicou o anjo. “Jesus esteve aqui em sua casa  três vezes: na pessoa da mulher pobre, na pessoa do motorista e na pessoa do menino faminto, mas a senhora não foi capaz de reconhecê-lo e acolhê-lo em sua casa”.



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

UMAS OLIMPÍADAS PARA ACABAR COM A MATANÇA DE LEÕES NO QUÉNIA

Tradição de caça desta tribo africana ajudou ao risco de extinção dos reis da selva. Prémios dos jogos incluem touro reprodutor.
Com a cara pintada em tons de ocre e uma lança na mão direita, Tipape Lekatoo, um maasai de 18 anos, parece pronto para caçar os leões que se escondem nas encostas do Monte Kilimanjaro. Mas ao lançar o seu dardo tem como objetivo ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Maasai, um evento bienal focado em acabar com a tradição da caça aos leões desta tribo do Quénia.
"Se ganhar vou usar o dinheiro do prémio para pagar a universidade", contou à Reuters Lekatoo, que gostava de estudar Turismo em Nairobi, a capital do Quénia.
Estabelecidos entre os parques nacionais de Tsavo e Amboseli, os maasai têm uma tradição secular de caçar leões que esteve perto do fim há cerca de uma década, quanto os reis da selva quase entraram em extinção  - em África,o número de leões desceu de quase cem mil há algumas décadas para 25 a 30 mil atualmente, segundo números de grupos de conservação citados pela Reuters.
Caçados por jovens guerreiros maasai e envenenados por pastores que não queriam estes felinos a comer o seu gado, o número de leões na zona Aboseli-Tsavo era menos de dez em 2003. Parte do problema foi resolvido com um fundo de compensação para os pastores, criado pela Big Life Foundation. No entanto, os jovens maasai continuaram a caçar para se tornarem  guerreiros e conquistarem a admiração das mulheres da tribo.



Tradições servem de inspiração
Tudo mudou em 2008, quando um grupo de anciãos maasai procurou  Tom Hill,o fundador da Big Life, e lhe disse que queriam acabar com a tradição tribal de matar leões.
“Eles perguntaram: ‘Os rapazes não lutam por raparigas mundo fora atracés do desporto?’ Eu disse que sim e foi o início da Olimpíadas Maasai”, contou Hill.
E assim, este sábado, realizou-se mais uma edição destas olimpíadas, com quatro equipas de jovens entre os 16 e os 25 anos, a competirem por prestígio, medalhas, prémios em dinheiro e um touro reprodutor. Os dois primeiros classificados da corrida de 5 km ganham um lugar na Maratona de Nova Iorque do próximo ano.

Além do lançamento do dardo, as provas – uma mistura da cultura maasai e tradição olímpica – incluem arremesso do rungu (um bordão de madeira usado para assustar animais), salto em altura (adaptação de uma dança tradicional) e várias corridas.

DN - 15.12.2014

domingo, 14 de dezembro de 2014

YAO MING - O GIGANTE DA CHINA QUE TENTA SALVAR OS GIGANTES DE ÁFRICA



Yao Ming está a usar a imagem e a fama que o basquetebol e a NBA lhe deram para lutar contra o comércio de marfim.
Yao Ming não é grande. É enorme. Tal como as suas atitudes. O gigante chinês de 2,29 metros (e 120 kg), um dos jogadores mais altos de sempre da história da NBA, dedica-se agora à luta contra o comércio do marfim, que nos últimos 60 anos sacrificou 4,5 milhões de "criaturas magníficas", como apelida os elefantes e os rinoceronte. Em 2012 tinha abraçado a causa dos pandas.
"Quando vi os corpos dos animais mortos foi uma imagem muito triste e muito forte para mim. Uma experiência muito dolorosa. Cada vez que vejo alguém com um corno de marfim fico muito triste, porque sei que há um corpo, um esqueleto por detrás disso. Há vidas que se perdem em África para que alguém o possa comprar."

É esta dura e triste realidade que quer denunciar no programa Animal Planet o Projeto Yao Ming, um documentário filmado no Quénia, na reserva de Kariaga, um habitat natural de elefantes, onde também participou num anúncio com o príncipe William de Inglaterra e o ex-futebolista David Beckham, onde apelam ao mundo que seja mais firme na defesa destes animais.

DN - 14.12.2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

HARLAN MILLER



Se pudéssemos guardar o espírito de Natal em jarros e abrir um jarro em cada mês do ano.

domingo, 7 de dezembro de 2014

GLADÍOLO

Classificação científica:


Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Asparagales
Família: Iridaceae
Género: Gladiolus



O género Gladiolus contém cerca de 260 espécies, das quais 250 são nativas da África subsariana, principalmente da África do Sul. Cerca de 10 espécies são nativas da Eurásia. Existem 160 espécies de gladíolos endémicos do sul da África e 76 da África tropical. As espécies variam desde muito pequenas até às espectaculares espigas de flores gigantes disponíveis no comércio.
São largamente cultivadas no mundo inteiro, por causa dos seus cachos altamente decorativos e que têm grande valor comercial.

sábado, 29 de novembro de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXXII - ESPOSENDE

O CAÇADOR DO BELINHO

Quem a contou a quem a escreveu pela primeira vez não teve rebuço em dizer que o cenário cronológico desta lenda esposendense se situa "no tempo dos afonsinhos". Ora quê, nada mais preciso para a pendurar na Idade Média! Mesmo o Caçador do Belinho, cujo nome já na altura estava apagado pelo da sua fama cinegética, andava de arco e flechas. Eis, pois, a lenda contada, em 1903 ou 1904, pelo padre João da Paia ao escritor Manuel de Boaventura, que a estampou num dos jornais da sua terra, em Janeiro de 1971, pouco antes de falecer.
A lenda fala-nos de um homem, com fama de grande caçador por hábil no lançamento das setas, a viver no Belinho, o que fora noviço no convento de S. Romão, em Riba-Neiva. Ora começa a história quando, em dada altura, as populações das imediações da sua casa lhe batem à porta. Pedem-lhe que os livre de uma espécie de praga que daquela acontecia. Lobos e raposas invadiam os montes, desciam aos povoados e às quintas, desfazendo galinheiros e demais gado, atacando mesmo quem encontrasse isolado. Sem se fazer rogado, o Caçador do Belinho deitou a mão à sua arma e meteu-se ao monte, disposto a satisfazer os seus vizinhos.
Subiu montes e fraguedos até que deu com a primeira raposa, desferindo-lhe tão rápida flecha que a abateu num instante. Depois, esperou que outra lhe saísse adiante, de uma madrigueira, sob um penedo com feitio de um pião com o ferro para o céu. Porém, por qualquer razão, tropeçou e enfiou-se por uma ribanceira, partindo ambas as pernas  na queda. Não se podia mexer naquele fundão. nem os seus berros alcançavam vivalma.  Nem consigo tinha o arco e as flechas para se poder defender.
Exausto de dor e de pedir socorro, o caçador do Belinho pensou que Deus o poderia ajudar e como intermediário escolheu cuidadosamente o Santo Abade Amaro, cuja imagem estava na igreja do convento onde fora noviço, e cujo altar tantas vezes arranjara. Pois a ele se dirigiu pedindo pernas novas com que dali pudesse sair para se salvar das dores e dos perigos da noite que chegava. E orando caiu numa estranha sonolência, que parecia dominar todos os seus sentidos.
Sem saber se dormia, se sonhava, o Caçador do Belinho abriu vagarosamente os olhos. Junto de si viu a imagem de um frade franciscano, de rosto que ele decerto já vira mas não conseguia reconhecer, as suas mãos muito brancas. Escutou então uma voz suavíssima:
"Levanta-te e caminha..."


As dores tinham-lhe desaparecido, pôs-se de pé e deu alguns passos. Tinha pernas novas, o que pedira fora-lhe concedido. O caçador continuou a andar, percorrendo três léguas até ao mosteiro de S. Romão, onde um raio de sol iluminou o rosto do Santo Abade  Amaro. Era o da sombra que o ajudara.
O Caçador do Belinho agradeceu-lhe orando e viu que a ajuda tinha sido a 15 de Janeiro, dia de Santo Amaro. Depois ergueu-lhe uma capela, que recebeu a própria imagem da igreja de convento. Podem lá ir...