quarta-feira, 1 de abril de 2015

FELIZ PÁSCOA

Sentado na beira da calçada, com um ovo de chocolate pequenino nas mãos, olhar sério, aquele menino pôs-se a imaginar. Havia muitas coisas que ele não entendia, por mais que tentasse.
Durante a semana toda, na escola, na rua, em casa, em todos os lugares só se ouvia falar de Páscoa, coelhinho e ovos de chocolate.
A professora até colocou Jesus no meio da história, mas só aumentou a sua confusão; ele não conseguia organizar o pensamento.
Jesus não é aquele que nasceu no Natal?
Faz tão pouco tempo, e ele já morreu??!!
Não, decididamente ele não entendia nada. Não sabia exatamente o que uma coisa tinha a ver com a outra.
Afinal de contas, porquê comemorar, se Jesus morreu? Porquê os ovos de chocolate?
E o coelho, o que ele faz nesta história?
Complicado!
Separava somente as coisas que entendia, e sabia o que era.
Entendia que estava à espera de ganhar um ovo bem grande, daqueles que tinha visto na televisão, embrulhado num papel brilhante e com um laço de fita vermelha, que não veio, e ele sabia porquê:
O dinheiro não deu.
Ele sabia. Nem o seu pai e nem a sua mãe tinham prometido dar-lhe um ovo de páscoa; e ele sabia, também, que o coelhinho não o trazia para ninguém.
Então, como é que ele poderia satisfazer a sua vontade de comer chocolate?
Como ia passar o domingo de páscoa sem comer um ovo?
E a idéia veio assim, de repente! Porque não?
Foi até ao primeiro semáforo daquela movimentada avenida e, quando o sinal ficava vermelho ele lançava-se entre os carros e ia pedindo:
'Moço, dá-me um ovo de páscoa?'
'Senhor, poderia me dar um ovo de páscoa?'
'Moça, dá-me um ovo de chocolate?'
Assim, ia pedindo e ouvindo as mais esfarrapadas respostas, quando alguém respondia.
Até que, enfim, parou um carro velho, todo manchado de ferrugem.
Dentro, um homem com cara de bravo... Ele tomou coragem, foi até lá e arriscou o mesmo pedido:
'Moço, eu quero um ovo de páscoa'.
E qual não foi sua surpresa quando aquele homem pegou, no banco do passageiro, um embrulhinho e lho estendeu pelo vidro.

'Obrigado
'E saiu em disparada.
De volta à sua calçada, ele olhou o ovinho e sorriu feliz.
Afinal, agora ele comemoraria a Páscoa.



sábado, 28 de março de 2015

LENDAS DE PORTUGAL - LXXVI - PONTA DELGADA

AS ROSAS E O PESCADOR

Quem visita Ponta Delgada não deixa de ir visitar o Senhor Santo Cristo dos Milagres. Mesmo que vá fora do tempo das festas, a curiosidade ou a devoção impelem. E o visitante, se for bom observador,. decerto há-de notar que há uma belíssima rosa a adornar-lhe o altar. Mas saberá que essa rosa tem genealogia e vem de uma vara do século XVI? Pois vamos à lenda da roseira sempre florida, como já lhe chamaram.
No século XVI, vivia naquele convento a Madre Teresa da Anunciada. Esta religiosa passava o tempo em oração e a recolher fundos para a reconstrução da capela nova. E um dos  meios de rendimento  era um pequeno roseiral na cerca do convento, que ela própria tratava. Na altura em que chegamos está o verão em toda a sua força. E ops jardins andam pelas ruas da amargura devido à seca.
A madre Teresa da Anunciada vivia angustiada com a carência de meios. Ora num dia, que dizem ter sido quarta-feira, levantou-se cedo, como sempre, foi ouvir uma missa e rezar. Depois dirigiu-se para os seus canteiros. E logo foi a uma vara de roseira, aliás enterrada no domingo anterior. E ficou maravilhada, havia uma belíssima rosa, que ela imediatamente colheu e foi levar ao Senhor Santo Cristo dos Milagres. Depois orou diante da sua imagem.
Passados dias, a vara que normalmente deveria estar seca, encheu-se de botões de rosa bem bonitos. E durante muitos anos, sempre o Senhor Santo Cristo foi adornado daquele mesmo pé. Ora, passados alguns tempos, a madre Teresa da Anunciada entregou a alma ao Criador. A sua roseira mais querida também secou. As raízes desta foram guardadas como relíquias. Mas fixou um rebento cuja descendência chegou aos nossos dias. É lá que continua a ser colhida a rosa de adorno do Senhor Santo Cristo, e também dali saem botões de rosa para as doentes do hospital de S. José que se sentem reconfortadas ao acariciarem as suas aveludadas pétalas.
A antiga freguesia do Rosário situava-se, há uns bons séculos atrás, na zona norte da ilha de S. Miguel, entre as Capelas e Santa Bárbara. Os seus habitantes viviam da terra e do mar. Ora uma vez, um pescador dali, andando na faina, viu que, ao longe, havia um objecto que brilhava ao sol. Fez deslizar o barquinho até lá e, deu com uma bela imagem de Santo António. Apanhou-a e, muito feliz, regressou a terra.


Dirigindo-se imediatamente à igreja do Rosário, contou ao padre o que tinha acontecido, mostrando-lhe a imagem. Não tardou que todo o povo da freguesia se juntasse ao pescador, admirando aquele Santo António. E tornou-se voz comum que se tratava de um sinal de Deus para que a freguesia tomasse o seu nome. E assim a freguesia do Rosário mudou de nome, tendo a imagem do taumaturgo ocupado o melhor dos seus altares. (Mas a lenda não tem final feliz porque, não há muito, a imagem foi roubada...)

sábado, 21 de março de 2015

DIA MUNDIAL DA ÁRVORE E DA FLORESTA



O Dia Mundial da Árvore ou da Floresta celebra-se anualmente a 21 de março .Neste dia decorrem várias ações de arborização e reflorestação, em diversos locais do mundo.
O objetivo da comemoração do Dia Mundial da Árvore é sensibilizar a população para a importância da preservação das árvores, quer ao nível do equilíbrio ambiental e ecológico, como da própria qualidade de vida dos cidadãos. Estima-se que 1000 árvores adultas absorvem cerca de 6000 kg de CO2 (dióxido de carbono).
30% da superfície terrestre está coberta por florestas, sendo nestas que se realiza a fotossíntese - produção de oxigénio a partir de dióxido de carbono. As florestas são apelidadas dos pulmões do mundo, não apenas pela sua função de manutenção e renovação dos ecossistemas, como também pela sua importância em áreas estratégicas como a economia e a produção de bens e alimentos.

Origem do Dia

A celebração do Dia Mundial da Árvore ou da Floresta começou a 10 de abril de 1872, no estado norte-americano do Nebraska (EUA). O seu mentor foi o jornalista e político Julius Sterling Morton, que incentivou a plantação ordenada de árvores no Nebraska, promovendo o "Arbor Day".
Em Portugal, a 1.ª Festa da Árvore comemorou-se a 9 de março de 1913 e o 1.º Dia Mundial da Floresta a 21 de março de 1972.

A 21 de março comemora-se também o Dia Mundial da Poesia.


sexta-feira, 20 de março de 2015

PRIMAVERA



O início da primavera em 2015 ocorre a 20 de março, às 22h45. Esta é hora do equinócio da primavera, ou seja, o instante exato em que começa a primavera.

Equinócio da Primavera

Entende-se por equinócio da primavera o momento em que o sol cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre que é projetada na esfera celeste). Quando este acontecimento decorre em março, ele recebe o nome de equinócio da primavera no hemisfério norte. Já no hemisfério sul o equinócio da primavera tem lugar em setembro.

quinta-feira, 19 de março de 2015

ALGARVE

Peço-te, Algarve, que digas
Por que és terra feiticeira?
A graça das raparigas...
As flores d'amendoeira...
Os gracejos, as cantigas...
O trajar da montanheira...
Os bailaricos mandados
Com poesia brejeira...
Os doces aprimorados...
A suave medronheira...
Lendas... Mouras encantadas...
O encanto da cor trigueira
E as chaminés rendilhadas
Quem seria a bordadeira?..
Diz, Algarve, como tu és
Um amor p'ra a vida inteira!
Comer figos da figueira...
Os saborosos mariscos...
Cataplanas, que petiscos!
Tentação à bebedeira...
Nadar no mar ternura
O oceano é banheira...
Praias sem fim de lonjura
A areia é longa esteira...
O sol! O sol está despido
É um Deus à soalheira...
O luar dá-lhe um vestido
E sonhos por travesseira...
Simplesmente enfeitiçados
Os corações, os sentidos,
Há lindos olhos fechados
A ti, ALGARVE, rendidos!

Manuel Ponce 

domingo, 8 de março de 2015

FLOR-PAPAGAIO

Classificação científica:

Reino: Plantae
Ordem: Ericales
Família: Balsaminacaea
Género: Impatiens
Espécie: I. Psittacina



“Impatiens psittacina” diversamente conhecida como “flor do papagaio” ou “bálsamo do papagaio” é  uma espécie  de balsamo   do sudeste  asiático  que foi   descrito pelo  botânico    Joseph    Dalton   Hooker   e   notado   pela   sua  semelhança   com   uma
“catatua voando”. É conhecida na Tailândia, Burma e partes de India.

História
O  bálsamo   “Impatiens psittacina”   ou flor  do  papagaio,  é uma  das espécies  raras   nos estados elevados de Burma, descoberta por AH. Hildebrand, um oficial britânico. 
As  suas  sementes   foram   apresentadas   nos “Royal  Gardens”   (Kew) em 1899 e
floresceu em 1900. A sua descrição foi publicada em 1901 por Joseph Dalton Hooker. A espécie em  Kew não apresentou  sementes,  mas verificou-se que   as cápsulas não
rebentaram e espalharam sementes como em muitas “impatiens “.
A espécie cresce na pequena região bravia do norte da Tailândia (perto de Chiang Mai)
Burma e no estado nordeste indiano de Manipur. É chamada a flor  do papagaio porque
a sua flor assemelha-se a um papagaio em voo quando visto de lado.

Descrição
A  planta  é erecta,  muito  ramalhuda  e cresce compacta  atingindo  uma  altura
de cerca  de meio  metro.   Como outras espécies  “impatiens”  tem hastes espessas, as folhas  são serrilhadas. A flor é dum purpura claro e vermelho carmim. As sépalas  são
orbiculares e verde claro.  A  sépala inferior é bulbosa  afunilando   num esporão    em gancho com ponta carmim. A pétala dorsal  é orbicular sendo as pétalas laterais longas. 
Esta espécie de “impatiens” é conhecida como “Dork Nok Khaew” a qual se traduz por “Flor do Papagaio”.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

LENDAS DE PORTUGAL - LXXV - SANTA CRUZ

O SANTO DA SERRA

A lenda remonta aos primórdios da colonização da Ilha da Madeira. O fidalgo sesmeiro Diogo Saldanha foi para a serrania do actual espaço do concelho de Santa Cruz e ali fez erguer o seu solar. Dividiu terras, construiu casas, preparou todo o espaço colonizável, de modo a conseguir bons rendimentos. Com ele trabalham homens livres, criados seus, e escravos mouros e negros. Tinha gado, juntas de bois, cavalos. 
Uma vez, Diogo Saldanha, atento ao trabalho de todos, chamou um escravo mouro que lhe levava uma manada de bois a pastar longe dali, ralhando-lhe porque todos os dias ele chegava depois da hora prevista. Gritava-lhe, batia-lhe e ele nada dizia, fora os queixumes. Porém, acabou por responder, dizendo-lhe o que se passava:
"Senhor, um dos bezerros desertou da manada e tive de procurá-lo durante muito tempo entre o matagal. E não consegui encontrá-lo. Valeu-me frei António, com uma voz que parecia vir do céu, que me guiou até onde estava o bezerro. Era um frade franciscano, disse-se enviado do céu e quer ser protector da nossa gente. No entanto, deseja que seja construída um,a capela para guardar a sua imagem. Quer-a lá em cima, na serra."


O fidalgo ficou furiosa. Como é que se atrevia o frade a entrar nas suas terras sem estar autorizado? E no dia seguinte mandou um grupo armado para lhe dar uma tareia e trazê-lo à sua presença. Não bateram no frade nem o trouxeram ao amo.  Trouxeram foi a estranha história de um sítio onde os bois ajoelhavam e depois bailavam, contentes com o sítio. Seria ali a capela?
Saldanha adoeceu de certa gravidade. Em sonho aparecera-lhe Santo António que lhe oferecera a salvação da vida em troco da ermida. Aceitara a troca e imediatamente se pôs bom, dando ordens para que a capela fosse construída. Houve dificuldade em conseguir um lugar onde o santo não desse sinais de desagrado. É que começavam num lado e as obras feitas eram desfeitas numa noite, aparecendo a ferramentas noutro lado, mas também não era a~i. O pobre do escravo mouro é que parecia ser o interlocutor privilegiado de frei António.
Por fim, o sítio apareceu mas era impossível levar para lá materiais de construção. Pois esses materiais aparecera à superfície do terreno. Nem mais nem menos do que o necessário. E deu para erguer a capela do santo da Serra que ainda lá está hoje. Pelo menos a lenda garante-o!
E Santo António,  recolhido na sua primeira capela madeirense, estava encantado. De toda a parte faziam romarias até ali. Fez bonitas as raparigas feias, favoreceu casamentos, nasceram ranchos de crianças. O pessoal da sesmaria de Diogo Saldanha encontrou-se com jovens procedentes ou a viverem noutros locais da ilha, namoravam, casaram, os escravos ganhavam alforria. O Santo da Serra parecia polarizar aquele universo de uma terra a despontar.
O grande taumaturgo português apoiava o desenvolvimento daquela gente e não tardou que o  que seria o futuro município Santa Cruz se transformasse na parte mais populosa da ilha.





quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O SNACK ENERGÉTICO DE QUERENÇA


A barra energética de Querença, feita à base de produtos típicos do barrocal algarvio, começa a ser comercializada no próximo mês. A garantia foi dada por João Ministro, coordenador do Projeto Querença. Numa primeira fase, estará apenas disponível localmente, seja por venda direta na pastelaria que a produz, a Amendoal, em Loulé,  seja no Mercado de Querença, que se realiza nas manhãs do último domingo de cada mês no largo da aldeia, seja em eventos d Trail Running (corrida em trilhos montanhosos e percursos pouco acessíveis), como o da Rocha da Penea. 
A  recetividade à tablete, feita com alfarroba, mel, amêndoa, figo e um pouco de sal marinho, já foi testada em eventos desportivos anteriores tendo gerado, segundo João Ministro, "reações muito positivas". Porém, ficou também claro que era necessário "melhorar a textura e consistência". Recentemente, a barra recebeu o prémio "Valores do Território", atribuído pela Associação In Loco, no âmbito do projeto "Cordão Verde", que visa premiar produtos agroalimentares que valorizem os frutos do pomar tradicional de sequeiro algarvio. 
João Ministro assegura que a barra não tem quaisquer aditivos, pelo que será completamente natural.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

UM GRANDE PASSO PARA A DANÇA



Pode ser um pequeno passo na carreira internacional de um jovem bailarino, mas um grande salto para a dança portuguesa. Aos 17 anos, Miguel Pinheiro foi distinguido com o prémio de interpretação de dança contemporânea na final da 43ª edição do Prix de Lausanne, na Suíça, garantindo ainda uma das bolsas atribuídas pela competição. O bailarino português não foi o único aluno da Escola de Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa, a receber uma distinção. O japonês Ito Misturu, que frequenta a mesma escola no nosso país, obteve o terceiro lugar na final do concurso. O triunfo recompensou "todo um ano de esforço", que Miguel Pinheiro dedicou aos professores e colegas no final da cerimónia. Considerado um dos mais exigentes eventos de dança mundiais, o Prix de Lausanne é visto como uma  rampa de lançamento internacional para jovens entre os 15 e os 18 anos, na fase final de formação.

Dica da Semana -. 19.2.2015-

sábado, 14 de fevereiro de 2015

RESGATE DE IMIGRANTES ILEGAIS



Milhares de imigrantes ilegais que tentam chegar à Europa de barco são resgatados todos os anos pelas autoridades quando o pior acontece às embarcações em que viajam.
E foi isso que aconteceu a 7 de junho de 2014, quando centenas de náufragos foram resgatados no mar Mediterrâneo, 20 milhas a norte da Líbia, por uma embarcação da marinha italiana. O momento foi captado pelo fotógrafo Massimo Sestini, também ele italiano e publicado em revistas como a Time ou a L'Espresso.
Ontem soube-se que ganhou o segundo prémio na categoria de Notícias Gerais do World Press Photo. Depois de centenas de imigrantes ilegais terem perdido a vida em 2013 nas costas de Itália e Malta, o governo de Roma pôs a sua Marinha a patrulhar os mares e a resgatar náufragos.
No ano seguinte, mais de 170 mil pessoas foram salvas e levadas para Itália, a maior parte delas originárias da Síria.

DN - 13.02.2015 -

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CARNAVAL

O Carnaval é uma festa que é marcada pelo "adeus à carne" que a partir dela se fazia um grande período de abstinência e jejum, como o seu próprio nome em latim "carnis levale" o indica . Para a sua preparação havia uma grande concentração de festejos populares. Cada lugar e região brincava a seu modo, geralmente de uma forma propositadamente extravagante, de acordo com seus costumes.
Pensa-se que terá tido a sua origem na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C, através da qual os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C. antes da Quaresma.
É um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Santa Cruz de Tenerife, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspiraram no Carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas. Já o Rio de Janeiro criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles deescolas de samba para outras cidades do mundo, como São Paulo, Tóquio e Helsinque. O Carnaval do Rio de Janeiro está atualmente no Guinness Book como o maior Carnaval do mundo, com um número estimado de 2 milhões de pessoas, por dia, nos blocos de rua da cidade.5 Em 1995, o Guinness Book declarou o Galo da Madrugada, da cidade doRecife, como o maior bloco de carnaval do mundo.

História e origem
A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-Feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra "Carnaval" está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "Carnaval", sendo que "carnis" em latim significa carne e "valles" significa prazeres.
Em geral, o Carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados "gordos", em especial a terça-feira (Terça-Feira Gorda, também conhecida pelo nome francês Mardi Gras). O termo mardi gras é sinônimo de Carnaval.

O Carnaval da Antiguidade era marcado por grandes festas, onde se comia, bebia e participava de alegres celebrações e busca incessante dos prazeres. O Carnaval prolongava-se por sete dias nas ruas, praças e casas da Antiga Roma, de 17 a 23 de dezembro. Todas as actividades e negócios eram suspensos neste período, os escravos ganhavam liberdade temporária para fazer o que quisessem e as restrições morais eram relaxadas. As pessoas trocavam presentes, um rei era eleito por brincadeira e comandava o cortejo pelas ruas (Saturnalicius princeps) e as tradicionais fitas de lã que amarravam aos pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia.

No período do Renascimento as festas que aconteciam nos dias de carnaval incorporaram os baile de máscaras, com suas ricas fantasias e os carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual.
Sobre a origem da palavra, não há unanimidade entre os estudiosos. Há quem defenda que a palavra Carnaval deriva de carne vale (adeus carne!) ou de carne levamen (supressão da carne). Esta interpretação da origem etimológica da palavra leva-nos, indubitavelmente, para o início do período da Quaresma, uma pausa de 40 dias nos excessos cometidos durante o ano, excessos esses que incluem, segundo a religião católica, a alimentação. Assim, a Quaresma era, na sua origem, não apenas um período de reflexão espiritual como também uma época de privação de certos alimentos como a carne.
Cálculo do dia do Carnaval
Todas as datas eclesiásticas são calculadas em função da data da Páscoa , com exceção do Natal. Como o Domingo de Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir do equinócio da primavera (no hemisfério norte) ou do equinócio do outono (no hemisfério sul), e a Sexta-Feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa, então a Terça-Feira de Carnavalocorre 47 dias antes da Páscoa.
Datas do Carnaval
O Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa, em fevereiro, geralmente, ou em março, conforme o Cálculo da Páscoa, ocorre próximo do dia de Lua Nova . Assim, poderá calhar próximo do ano novo chinês, se calhar antes ou próximo de 19 de fevereiro. No século XXI, a data em que ocorreu mais cedo foi a 5 de fevereiro de 2008 e a que ocorrerá mais tarde será a 9 de março de 2038. Embora seja possível em outros séculos o dia do Carnaval não ocorrerá 3 ou 4 de fevereiro durante todo o século XXI.



domingo, 8 de fevereiro de 2015

HEINRICH HEINE


ONDE SE QUEIMAM LIVROS, MAIS CEDO OU MAIS TARDE, SE QUEIMAM HOMENS.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

FLOR-BEIJO (Psychotria Elata)

Classificação Cientifica:

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Gentianales
Família: Rubiaceae
Género: Psychotria



A natureza surpreende-nos mais uma vez e ainda com o espírito do Dia dos Namorados, hoje queremos mostrar uma espécie de planta com uma flor muito adequada para o São Valentim: parece querer beijar, mostrando uns sensuais lábios vermelhos.
Da família das Rubiaceae, a Psychotria Elata é comummente conhecida como a flor do beijo, ou  Hot Lips Plant em inglês, devido ao seu curioso aspecto que apresentam as brácteas quando estão em desenvolvimento e que, mais tarde, formarão uma coroa para proteger as suas flores: parecem um par de lábios pintados com cores muito atraentes e vistosas imediatamente antes de darem um beijo.
É uma planta que surge em estado selvagem, nas áreas selváticas da Colômbia, Equador, Costa Rica e Panamá de bastante pluviosidade, desde o nível do mar até quase dois mil metros de altitude. Só se encontra ao pé de árvores das florestas tropicais e nas margens de riachos e pequenos sulcos de água. No entanto, na Colômbia, de onde é originária, está ameaçada pelo desatamento do seu habitat.
Planta bianual e de folha larga e longa, trata-se de um arbusto ou árvore de pequeno porte que pode medir até 8 metros. A forma atraente dos lábios, que muitos pensam ser a flor, são, na realidade, o seu par de brácteas grandes de um vermelho intenso que protegerão as suas pequenas flores brancas.

A Psychotria Elata raramente é comercializada, já que se trata de uma planta nativa da Colômbia e, como mencionado acima, está actualmente ameaçada pelo desatamento do seu habitat natural. Ainda assim, é muito curioso que a natureza nos delicie com estas incríveis formas e nos permita, ainda que à distância, desfrutarmos a sua peculiar beleza.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

LENDAS DE PORTUGAL - LXXIX - VILA NOVA DE CERVEIRA

O REI DOS CERVOS

Quem chegar a Vila Nova de Cerveira e lançar o olhar para ao mais alto dois montes, apercebe-se do vulto de um cervo. Trata-se de uma escultura de José Rodrigues, um grande artista que vive no antigo cenóbio de S. Paio. Mas  decerto também quererá saber o porquê daquela homenagem. Aqui terá a lenda do rei dos cervos, do Cervo Rei, que é o que representa aquela obra de arte.
Pois contam os mais velhos que há muitos, muitos anos, sendo a caça uma questão de sobrevivência, já havia um certo prazer da mesa que indicava ser a carne de cervo das mais saborosas. E os cervos sentiam na pele as lanças e as setas dos seus perseguidores, pelo que se foram metendo para umas matas montanhosas junto de um rio. Naturalmente, buscavam a salvação. E pensaram que se estivessem organizados melhor se salvavam das perseguições. Importava conseguirem um chefe que os dirigisse. E esse chefe teria de ter a sabedoria e a capacidade de ser tão importante como um deus!
E surgiu entre eles  um cervo enorme e poderoso a quem logo prestaram homenagem e obediência. E o Cervo Rei decidiu que deveriam constituir um reino onde ninguém   mais entrasse, que essa seria a salvação de todos. E bem lutaram todos contra homens e outros animais que ousavam aproximar-se dos limites da Terra da Cervaria, tentando entrar. E isso fez com que o Cervo Rei se julgasse invencível. Celtas, romanos, mouros ciaram tantos deles como cervos em lutas ferozes. Assim, quando se formou o Reino de Portugal, naquela montanha que vemos, só o Cervo Rei existia de uma manada enorme que havia povoado a Terra de Cervaria!
Calhou então que um cavaleiro português entendesse não ser aceitável que encostado ao novo reino de Portugal houvesse um reino de cervos. Assim, desafiou o Cervo Rei para um combate sem tréguas. Já viam que venceria. Aceite o duelo,  preparou-se o cavaleiro, levando o seu mais belo escudo adornado com as cinco quinas.

Porém, o Cervo Rei venceu e matou o cavaleiro. O combate foi num local a que hoje chamam Valinhas. E então, o majestoso animal, na posse do escudo e da bandeira, retirou para as suas paragens. E lá no alto fez desfraldar a bandeira do adversário para anunciar que fora ele o senhor da vitória. Porém, a partir daí, cada vez se viu menos o cervo até que nunca mais ninguém o viu.
As gentes, que não cessavam de vigiar a Terra de Cervaria entenderam que poderiam meter à confiança o pé naquele lugar proibido. E logo lá entrou um grupo que, impunemente andoiu por onde quis. Até que deu com o cadáver do Cervo Rei, esquelético, chagado, tendo entre as patas o escudo com as quinas portuguesas, como se o velho chefe daquelas terras quisesse indicar quem lhe sucederia. 
Os homens fixaram-se então num povoado que construíram à beira do rio. E na sua bandeira colocaram um cervo num fundo verde que representa aquela bela terra no Alto Minho.

sábado, 24 de janeiro de 2015

VITÓRIA-RÉGIA

Vitória-Régia, flor bela,
como os lábios de maçã
mais parece com as rosas
das roupagens da manhã.

Traz nos seus brancos cabelos
sedosos e perfumados
todos mistérios e encantos
das noites dos meus pecados...

No bojo de um rio sem fim
os seus olhos refulgentes
parecem dois sóis nascentes
mandando luz para mim.

As suas mãos pequeninas
sob as águas cristalinas,
sempre guardam meus desejos.

Flor Vitória é assim:
um sacrário de marfim
cheio de essências de beijos!

Sarah Rodrigues

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

CORTIÇA PREMIADA EM ITÁLIA


António Luz é artesão da cortiça e mestre em desafios. A parceria com designers e arquitetos já mereceu a atenção da feira de design em Milão.
Na promoção da arte de trabalhar a cortiça, as feiras e exposições da região algarvia, e em especial a "Feira da Serra", realizada anualmente na vila de São Brás durante o verão, são meios de divulgação privilegiados. É em boa parte através destes certames que o artesão António Luz tem tido o merecido reconhecimento, vendo o seu nome cruzar fronteiras através da apreciação do seu trabalho, com cunho nacional.
Com oficina na pacata localidade de São Romão, no concelho de São Brás de Alportel, mestre António Luz, 62 anos, diz que o seu percurso profissional sempre passou pela marcenaria, mas com o aparecimento das grandes superfícies de venda de mobiliário viu o trabalho diminuir, pelo que teve de tomar uma decisão sobre a sua carreira.
"Já lá vão quase 4 anos e não me arrependo. Decidi dedicar-me 100% à cortiça", confidencia. As suas peças são únicas e nascem a partir do que vê, sente e crê resultar num objeto útil, mas sabendo de antemão que se não houver mercado não poderá executá-las, acabando por ficar apenas no papel. De utensílios a objetos decorativos, o mestre Luz diz ser capaz de fazer tudo e gostar de desafios.
Através da parceria desenvolvida com o projeto algarvio TASA (Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais), António Luz  viu o seu trabalho crescer e ser divulgado além-fronteiras, destacando-se em 2014, no segundo lugar, no âmbito do concurso internacional da Feira de Design de Milão, o berço "Sleep Tight".


Por ele trabalhado em cortiça, este berço tem design das arquitetas Karin Pereira e Sofia Chinita. "Foi um enorme desafio que me colocaram e deu-me um enorme prazer trabalhar no berço; a distinção é um reconhecimento que me enche de orgulho. Além disso, incentiva-me a inovar nesta minha arte e fazer cada vez mais e melhor".
Os trabalhos do mestre António Luz podem ser vistos online em www.facebook.com/artesanatocortica.antonioluz e no site www.projectotasa.com.

Dica da Semana -15.1.2015-