A pouco mais de uma légua distante
Da minha casa, da minha aldeia
Nesta manhã linda de sol brilhante
Sigo naquela marcha que me enleia.
Mais uma vez junto ao moinho da fonte
Tudo são moitas verdes, arvoredos
Há silêncio, olho o horizonte
Tudo me faz reviver velhos segredos.
Aqui, sou bondade, solidão, talento
Derramo da alma poema da vida
Murmúrio das aves, sussurros do vento
Lenda do moinho no tempo esquecida!
Aqui me vai nascendo imaginação
Aqui brotam ervas no cimo dos valados
Azenhas em ruínas, grutas, silvados
Ecos perdidos... amante da solidão!
Moinho da fonte, ribeira desnudada
Canaviais secos, a água correr
Rochedos dispersos, terra tostada
Castigos pesados que Deus nos deu.
António Henrique
sábado, 6 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
LÍNGUA DE OVELHA
Classificação científica:
Reino: Plantae
Super-reino: Eukaryota
Divisão: Eadicotiledônea
Classe: Asterideas
Família: Pantaginaceae
Género: Plantago
Espécie: Plantago lanceolata
Reino: Plantae
Super-reino: Eukaryota
Divisão: Eadicotiledônea
Classe: Asterideas
Família: Pantaginaceae
Género: Plantago
Espécie: Plantago lanceolata
A Língua de Ovelha (Plantago lanceolata) é uma espécie de planta herbácea perene natural de toda Europa, América do Norte e Ásia ocidental, onde cresce em lugares secos, taludes, margens de caminhos e terrenos baldios.
Características:
É uma planta herbácea vivaz sem talos ramificados e com talos florais que alcançam 30 - 50 cm de altura, tem um rizoma curto central do qual brotam raízes secundárias ténues de cor amarela.As folhas lanceoladas ou ovaladas, compridas e ligeiramente dentadas, estão dispostas em uma roseta basal na base do talo, têm de 3 - 7 nervuras longitudinais que se estreitam e continuam no pecíolo. A inflorescência terminal é uma espiga densa com flores muito pequenas de cor branca ou purpúrea. A espiga é curta durante a floração e logo se alonga. O fruto é um pixídio com 4 -16 sementes.
Propriedades medicinais:
É utilizada em xarope ou extracto fluido para tratar o catarro, a bronquite e a asma. Também se prepara um colírio para conjuntivite e inflamação das pálpebras. Também lhe são atribuídas propriedades anti-inflamatórias, pelas quais é utilizada em queimaduras e picadas de insectos.
Nomes populares:
A Língua de Ovelha também é conhecida popularmente como acatá, calracho, carrajó, corrió, erva-de-ovelha, língua-de-vaca, orelha-de-cabra, tanchagem-ordinária e tantage.
domingo, 31 de janeiro de 2016
LENDAS DE PORTUGAL - 86º ODEMIRA -
O NOME E A GRADE DE OURO
Possivelmente conhecem o Cerro do Castelo, em Odemira,. Situa-se entre as herdades do Cerro de Ouro, dos Pesos e dos Pesinhos. Há uma lenda, protagonizada por lavradeira do Cerro de Ouro, que, desde há séculos, se conta em todas as famílias. Pois vamos a ela que, como a maioria das lendas, cronologicamente se situa a noite dos tempos...
Ora, nessa manhã, uma lavradeira do Cerro de Ouro estava a dar de comer às suas vacas quando lhe apareceu uma mulher que ela não conhecia de lado nenhum. A outra cumprimentou-a com m uita simpatia e disse-lhe que estava ali para lhe dizer o seguinte:
"A senhora tem aí duas vacas que estão prenhas e cada qual vai ter seu bezerro. Olhe, gostaria que as criasse sem tirar nenhum leite às vacas, reservando-o todo para os bezerros. Daqui a um ano, mesmo no dia de S. João, ainda antes do sol nascer, vá ao Pego da Laima e ponha os dois bezerros na água, tirando de lá uma grade daquelas de gradar a terra. Aí terá a sua fortuna!"
E a mulher foi cumpridora, deixando o leite das vacas para os seus bezerros. Porém, um dia, vendo ela que eles estavam já quase uns bois, bem nutridos, apetecendo-lhe uma malga de leite, achou que não fazia mal nenhum tirá-lo a uma das vacas. Assim fez, mas quando ia a bebê-lo lá achou que não o devia fazer e atirou com o leite para cima do bezerro, que logo ficou malhado de branco no sítio atingido pelo leite.
Ora o Pego da Laima é uma espécie de lago natural que fica na Ribeira do Vale da Casca, no sopé do Cerro do Castelo. Pois, então, chegou o dia de S. João e lá foi a mulher com os bezerros para o Pego. E logo que os meteu à água atrelou-lhes uma grade igual à que ela tinha, mas vendo que aquela era de ouro. Mas aconteceu que o bezerro malhado não tinha a força do outro e a grade começou a afundar-se daquele lado. Ela bem gritava, mas o bezerro não podia, pelo que ela se viu obrigada a desatrelar ambos os bezerros para eles não morrerem afogados. Então, ouviu-se uma voz triste:
"Ah, desgraçada, que me dobraste o fado por outros tantos anos!"
E a grade desapareceu na águas.
Ah, prometida estava a lenda do nome de Odemira. Pois no castelo viviam os reis mouros, Ode e Jade, e a princesa Anabel. Era uma vida calma a que levavam. Mas a paz não dura sempre e estando a menina a pentear-se viu ao largo barcos cristãos. Aflita, chamou o pai para a varanda:
"Ode, mira! Ode, mira!"
Os seus gritos ouviram-se por toda a parte. Alarme dado, houve duro combate, que acabou com a derrota dos mouros. Ao tomar conta do castelo, o chefe dos cristãos apaixonou-se por Jade, que também gostou muito dele. Houve então uma paz negociada e o cristão pediu a rapariga em casamento, a qual muito feliz ficou. Pois o casalinho ficou a viver para sempre no belo castelo da não menos bela Odemira!
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
DESCOBERTO O MAIOR SISTEMA PLANETÁRIO
Um grupo de cientistas descobriu o maior sistema planetário conhecido até agoira, formado apenas por um planeta e uma estrela, separados por mil milhões de quilómetros de distância.
O planeta 2MASSJ2126-8140, um gigante de gás com 12 a 15 vezes a massa de Júpiter, demora um milhão de anos na sua órbita em redor da estrela.
"Surpreendeu-nos muito encontrar um objecto de massa baixa (o planeta) tão longe da sua estrela mãe", comentou Simon Murphy, da Universidade Nacional Australiana.
DN - 28.1.2016 -
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
O DRAGÃO AZUL VIVE EM ODELEITE
A Ribeira de Odeleite, Castro Marim, é conhecida pela sua beleza natural mas desde o dia 14 de Setembro de 2015, o local anda nas bocas do mundo, e é sensação na China devido a uma fotografia aérea, captada por um passageiro de um voo comercial entre Amesterdão e Marraquexe, e partilhada nas redes sociais.
A imagem aérea da ribeira é similar a um Dragão Azul, símbolo de força, poder e boa sorte na cultura chinesa.
Segundo o presidente da Junta de Freguesia da Odeleite a imagem será utilizada para promoção turística em ferias de turismo.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
domingo, 17 de janeiro de 2016
O DIA DE ENTRADA NA VIDA ADULTA
Todos os anos, na segunda segunda-feira de janeiro, feriado, milhares de japoneses juntam-se para celebrar "O Dia de Entrada na Vida Adulta".
As raparigas e os rapazes com 20 anos (este ano, os que nasceram em 1995) vestem-se a rigor e participam em cerimónias de apresentação nos jardins e edifícios públicos das grandes cidades.
Elas de quimono, eles de trajo de gala. Uma espécie de baile de debutantes nacional, onde ninguém falta.
Este ano foram 1,2 milhões de participantes. Ainda assim, menos 50 mil do que em 2015, o que se explica pelo retrocesso demográfico do país.
Normalmente, as cerimónias acontecem de manhã, as tardes e noites são de festa com família e amigos.
Magazine 17.1.2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
ALFARROBA - PETRÓLEO ALGARVIO
Tempo dos combustíveis fósseis acabou. Mesmo que não estivessem à beira da rutura, teríamos de, mais cedo que tarde, acabar com o seu uso se queremos continuar viver com um mínimo de segurança neste planeta. Disto, prova factual, são as conclusões e compromissos da mais recente Cimeira do Clima de Paris, mas mesmo estes são pouco remédio para uma grande maleita: a maioria dos cientistas atestam que as emissões de CO2 devem ser reduzidas a zero até 2050 se quisermos mesmo travar a subida da temperatura global abaixo de 1,5º, como ficou estipulado no acordo assinado na Cimeira.
Contudo, continuamos a ter máquinas e a necessitar de combustíveis que as alimentem. No final de 2015, no âmbito de um ciclo de seminários organizado pelo Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve, foram apresentadas as primeiras conclusões do projeto "Soro & Alfaetanol", coordenado por Emília Costa, investigadora do CIMA e docente na UAlg.
Este projeto investiga a possibilidade de transformar a polpa de alfarroba, subproduto da indústria local, em biocombustível de segunda geração. O processo usa o soro que escorre do queijo -também este subproduto da indústria local - como extrator dos açúcares da alfarroba. Decorrem depois várias fermentações, usando diversos tipos de leveduras que transformam esses açúcares em álcool com elevado rendimento energético.
Este é um projeto verdadeiramente eco e sustentável, transformando resíduos industriais numa mais valia económica, alternativa e desejada comparativamente às fontes tradicionais de energia.
Um pouco por todo o mundo, investiga-se este método de extração de bio-álcoois das biomassas, usando a matéria-prima mais abundante localmente; no Brasil, por exemplo, terra da cachaça, o etanol é obtido dos açúcares da cana sacarina. Não é por isso de admirar que no Algarve seja a alfarroba a nova mais limpa fonte de energia.
Dica da Semana - 7.1.2016 -
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
AGRIMONIA EUPATORIA
Classificação científica:
Reino: Plantae
Subreino: Tracheobionta
Divisão: Magnoliophyta (Angiosperma)
Classe: Magnoliopsida (Dicotiledónea)
Subclasse: Rosidae
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Género: Aghrimonia
Espécie: Agrimonia Eupatoria
A Agrimonia eupatoria é a espécie mais comum de agrimônia. É uma rosácea que habita as regiões temperadas do hemisfério norte; têm
folhas compostas penadas, flores amarelas, e frutos ásperos. Normalmente atinge
entre 30 cm e 1,20 cm.
Constituintes
A agrimônia contem um óleo particular
volátil, que pode ser obtido através de destilação, e compostos ásperos e
amargos, que dão essa propriedade à planta. Possui também 5% de tanino.
Etmologia
Seu nome vem do grego argemonia, que significa "planta que cura os olhos", passando pelo latim agrimonia.
Uso medicinal
A presença de tanino faz da agrimônia
útil para gargarejos e como astringente para úlceras e feridas. É, ainda,
famosa por curar icterícia e outros males do fígado. Segundo a medicina
tradicional, em especial na cultura anglo-saxônica, a agrimônia possui a
propriedade de ajudar no sono e evitar pesadelos. O velho manuscrito médico
inglês revela isso:
"If it be leyd under mann's heed,
He shal
sleepyn as he were deed;
He shal never
drede ne wakyn
Till fro
under his heed it be takyn."
(tradução do inglês arcaico: "Se
ela está colocada debaixo da cabeça do homem/Ele deverá dormir como se
estivesse morto/Ele nunca deverá se amedrontar nem acordar/Até que de debaixo
de sua cabeça ela seja tirada.")
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
LENDAS DE PORTUGAL - 85ª - MONCHIQUE
O MANTO DE SANTO ANTÓNIO
Santo António protagoniza muitas lendas da terra portuguesa. E como se elas não bastassem, alguns gestos ganham foros lendários. Como aquele no tempo de D. Afonso VI, em que, a 24 de Janeiro de 1668, num singular alvará, Santo António era alistado como soldado no 22º Regimento de Infantaria de Lagos. Mais tarde, a 12 de Setembro de 1683, D. Pedro II promoveu o referido soldado ao posto honorífico de capitão!
Pois à entrada de uma pequena aldeia da Serra de Monchique há um nicho com uma imagem de Santo António, envergando um manto azul, azul bem do céu, bordado a ouro e cercado por flores. O que estará por trás disto? Pois, uma lenda.
E nessa aldeiazinha vivia uma rapariga que que cumpriu a promessa. Casada com um homem mais velho, começou a notar que ele a tratava mal. Discutiam muito e ele esteve a ponta da bater-lhe, mão o fazendo porque ela se disse grávida. E teve uma menina.Mas continuaram a discutir. E tinha a criança 8 anos quando foi ao nicho rezar a Santo António para que desse um jeito lá em casa. Prometeu-lhe flores para o nicho. Surgiu-lhe então um mendigo que lhe pediu de comer. Levou-o a casa e a mãe recebeu-o bem, mas o pai resmungou. Mas foi a senhora preparar-lhe uma refeição, acompanhada da filha. O marido ficou na sala e o mendigo falou-lhe de paz, de amor na família e aconselhou-o a ir ajudar a mulher. Ele foi e entenderam-se naquele preparativo. Ao voltarem à sala, o homem desaparecera mas no lugar de cada estava uma reprodução da imagem do nicho. Correndo o milagre, a partir daí não faltaram nunca flores no nicho.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
BIOMBOS BÁRBAROS
A chegada de portugueses ao Japão no século XVI está na origem dos biombos nanban, peças de arte nipónicas que representam os "Bárbaros do Sul" e podem atingir, em leilão, quatro a cinco milhões de euro.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
A CEIA DO EUNUCO
Castram-se os galos em março, alimentam-se a grão e couves para dezembro. Nas mesas de Natal do Vale do Sousa, as famílias sentam-se em volta do capão.
Foi o manjar dos reis e é uma iguaria rara, protegida por produtores e cozinheiros e, agora, também por Certificação Europeia. O passado tornou uma ave eunuca o orgulho de Freamunde.
O capão é castrado aos 3 meses, alimentado 70% a grão e 30% a couve. E tem de andar ao ar livre. Corta-se-lhe a crista e as barbas, "para perder a vaidade". Assim já não se faz às galinhas. Vive para comer e dormir.
Um terço dos capões morre durante a castração, efetuada a sangue-frio. É também isso que o torna caro, 50 a 60 euro por seis quilos de carne. "E isto é trabalho de mulheres, que aos homens mete pena tirar os testículos ao galo".
O capão à Freamunde é tradição tão enraizada que, em 2001, Raimundo Durão decidiu criar-lhe uma confraria. São 24 confrades, empenhados em preservar a tradição.
E também se conta a lenda do eunuco:
Nos tempos romanos, um consul chamado Caio Cânio, cansado da perda do sono por causa do cantar dos galos, conseguiu fazer aprovar uma lei impeditiva da existência destas aves na região.
O povo, pobre e faminto, lembrou-se de capar os bichos, tirando-lhes o pio mas guardando a carne.
E foi aí que se percebeu que a castidade tornava o animal mais gordo, opulento e tenro do que as outras aves.
A história cabe no domínio da lenda mas, em 1719, D. João V instituiu oficialmente a Feira dos Capões por decrete régio.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
8 DE DEZEMBRO - IMACULADA CONCEIÇÃO - PADROEIRA DE PORTUGAL
Nas cortes celebradas em Lisboa no ano de
1646 declarou o rei D. João IV que tomava a Virgem Nossa Senhora da Conceição
por padroeira do Reino de Portugal, prometendo-lhe em seu nome, e dos seus
sucessores, o tributo anual de cinquenta cruzados de ouro. Ordenou o mesmo
soberano que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum
grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus.
Não foi D. João IV o primeiro monarca
português que colocou o reino sob a protecção da Virgem, apenas tornou
permanente uma devoção, a que os nossos reis se acolheram algumas vezes em
momentos críticos para a pátria. D. João I punha nas portas da capital a
inscrição louvando a Virgem, e erigia o convento da Batalha a Nossa Senhora,
como o seu esforçado companheiro D. Nuno Alvares Pereira levantava a Santa
Maria o convento do Carmo. Foi por provisão de 25 de março do referido ano de
1646 que se mandou tomar por padroeira do Reino Nossa Senhora da Conceição.
Comemorando este facto cunharam-se umas medalhas de ouro de 22 quilates, com o
peso de 12 oitavas, e outras semelhantes mas de prata, com o peso de uma onça,
as quais foram depois admitidas por lei como moedas correntes, as de ouro por
12$000 réis e as de prata por 600 réis. Segundo diz Lopes Fernandes, na sua Memória das medalhas, etc., consta do registo
da Casa da Moeda de Lisboa, liv. 1, pag. 256, v. que António Routier foi
mandado vir de França, trazendo um engenho para lavrar as ditas medalhas, as
quais se tornaram excessivamente raras, e as que aquele autor numismata viu
cunhadas foram as reproduzidas na mesma Casa da Moeda no tempo de D. Pedro II.
Acham-se também estampadas na Historia Genealógica, tomo IV, tábua EE. A descrição é a seguinte: JOANNES IIII, D. G.
PORTUGALIAE ET ALGARBIAE REX – Cruz da ordem de Cristo, e no centro as armas
portuguesas. Reverso: TUTELARIS REGNI – Imagem de Nossa Senhora da Conceição
sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648, e; nos lados o sol, o espelho,
o horto, a casa de ouro, a fonte selada e arca do santuário.
O dogma da Imaculada Conceição foi
definido pelo papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, pela bula Ineffabilis. A instituição da ordem militar de Nossa
Senhora da Conceição por D. João VI sintetiza o culto que em
Portugal sempre teve essa crença antes de ser dogma. Em 8 de dezembro de 1904
lançou-se em Lisboa solenemente a primeira pedra para um monumento comemorativo
do cinquentenário da definição do dogma. Ao acto, a que assistiram as pessoas
reais, patriarca e autoridades, estiveram também representadas muitas
irmandades de Nossa Senhora da Conceição, de Lisboa e do país, sendo a mais
antiga a da actual freguesia dos Anjos, que foi instituída em 1589.
domingo, 6 de dezembro de 2015
A LENDA DE SÃO NICOLAU
Nicolau,
filho de cristãos abastados, nasceu na segunda metade do século III, em Patara,
uma cidade portuária muito movimentada.
Conta-se
que foi desde muito cedo que Nicolau se mostrou generoso. Uma das histórias
mais conhecidas relata a de um comerciante falido que tinha três filhas e que,
perante a sua precária situação, não tendo dote para casar bem as suas filhas,
estava tentado a prostituí-las. Quando Nicolau soube disso, passou junto da
casa do comerciante e atirou um saco de ouro e prata pela janela aberta, que
caiu junto da lareira, perto de umas meias que estavam a secar. Assim, o comerciante
pôde preparar o enxoval da filha mais velha e casá-la. Nicolau fez o mesmo para
as outras duas filhas do comerciante, assim que estas atingiram a maturidade.
Quando os
pais de Nicolau morreram, o tio aconselhou-o a viajar até à Terra Santa.
Durante a viagem, deu-se uma violenta tempestade que acalmou rapidamente assim
que Nicolau começou a rezar (foi por isso que tornou também o padroeiro dos
marinheiros e dos mercadores). Ao voltar de viagem, decidiu ir morar para Myra
(sudoeste da Ásia menor), doando todos os seus bens e vivendo na pobreza.
Quando o
bispo de Myra da altura morreu, os anciões da cidade não sabiam quem nomear
para bispo, colocando a decisão na vontade de Deus. Na noite seguinte, o ancião
mais velho sonhou com Deus que lhe disse que o primeiro homem a entrar na
igreja no dia seguinte, seria o novo bispo de Myra. Nicolau costumava
levantar-se cedo para lá rezar e foi assim que, sendo o primeiro homem a entrar
na igreja naquele dia, se tornou bispo de Myra.
S.
Nicolau faleceu a 6 de Dezembro de 342 (meados do século IV) e os seus restos
mortais foram levados, em 1807, para a cidade de Bari, em Itália. É actualmente
um dos santos mais populares entre os cristãos.
S.
Nicolau tornou-se numa tradição em toda a Europa. É conhecido como figura lendária
que distribui prendas na época do Natal. Originalmente, a festa de S. Nicolau
era celebrada a 6 de Dezembro, com a entrega de presentes. Quando a tradição de
S. Nicolau prevaleceu, apesar de ser retirada pela igreja católica do
calendário oficial em 1969, ficou associado pelos cristãos ao dia de Natal (25
de Dezembro)
A imagem
que temos, hoje em dia, do Pai Natal é a de um homem velhinho e simpático, de
aspecto gorducho, barba branca e vestido de vermelho, que conduz um trenó
puxado por renas, que esta carregado de prendas e voa, através dos céus, na
véspera de Natal, para distribuir as prendas de natal. O Pai Natal passa por
cada uma das casas de todas as crianças bem comportadas, entrando pela chaminé,
e depositando os presentes nas árvores de Natal ou meias penduradas na lareira.
Esta imagem, tal como hoje a vemos, teve origem num poema de Clement Clark
More, um ministro episcopal, intitulado de “Um relato da visita de S. Nicolau”,
que este escreveu para as suas filhas. Este poema foi publicado por uma senhora
chamada Harriet Butler, que tomou conhecimento do poema através dos filhos de
More e o levou ao editor do Jornal Troy Sentinel, em Nova Iorque, publicando-o
no Natal de 1823, sem fazer referência ao seu autor. Só em 1844 é que Clement
C. More reclamou a autoria desse poema.
Hoje em
dia, na época do Natal, é costume as crianças, de vários pontos do mundo,
escreverem uma carta ao S. Nicolau, agora conhecido como Pai natal, onde
registam as suas prendas preferidas. Nesta época, também se decora a árvore de
Natal e se enfeita a casa com outras decorações natalícias. Também são enviados
postais desejando Boas Festas aos amigos e familiares.
Actualmente,
Há quem atribuía à época de Natal um significado meramente consumista. Outros,
vêem o Pai Natal como o espírito da bondade, da oferta. Os cristãos associam-no
à lenda do antigo santo, representando a generosidade para com o outro.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
ACÓNITO NAPELLUS
Classificação científica:
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Ranunculales
Família: Ranunculaceae
Género: Aconitum
Espécie: Aconitum Napellus
O acónito (Aconitum napellus) é uma planta venenosa,
pertencente à família Ranunculaceae muito utilizada em fármacos homeopáticos.
Possui raízes tuberosas e caule ereto, com flores azuis na forma de um elmo. O fruto é uma vesícula.
Os sintomas do envenenamento
por sua causa são salivação excessiva, falta de ar, tremores e
aceleração dos batimentos cardíacos. Apenas 10 gramas de raíz constituem uma dose letal para o ser
humano.
É uma planta vivaz que pode
atingir até 1,5 metros de altura, tem folhas verde-escuras, palmeadas e
recortadas, flores azuis, raramente brancas, e raiz fusiforme. Dá-se
bem nas regiões montanhosas, é medicinal e costuma cultivar-se também em
jardins, como planta ornamental.
Todas as suas variedades são
venenosas quando a semente já está madura. O Aconitum
napellus, comum em terrenos úmidos, cultiva-se muito em jardins. Todas as
partes da planta são muito venenosas em virtude de possuírem alcalóides
distintos.
Outras espécies de acônito
existentes em Espanha e Portugal são a erva toira (A. anthora), ou acônito da saúde, e
o matalobos (A. lycoctonum), de flor amarela.
Também pode ser receitado pelo
seu Médico para o tratamento da ansiedade, mas só com o conhecimento do Médico.
sábado, 28 de novembro de 2015
LENDAS DE PORTUGAL - 84ª - ALIJÓ
OS SINOS TROCADOS
Quem tiver o ouvido afinado para a música poderá entender esta lenda melhor que ninguém. Bastar-lhe-á jornadear até ao Alto Douro, ao concelho de Alijó, e visitar as aldeias de Carlão e de Ribalonga. E quando repicarem os sinos, logo perceberão que o primeiro clama por Ribalonga e o deste por Carlão. Mas, o que se passa?
É que os sinos foram trocados numa oficina do consertos em Braga e o comodismo dos homens não consentiu na reparação do erro. "O serviço é o mesmo", terá comentado uma voz. E assim ficou.
Os sinos é que estão desgostosos e lamentam a sua sorte! Verificarão que hoje estão afinados, aliás a lenda diz-nos que já antes do episódio que vamos narrar eram afinadíssimos. Ora virá-lo quando o repicavam, puxando os rapazes a corda, era sinal de força! No entanto, os sinos fartam-se, racham, envelhecem, quase como as pessoas.Pelo menos alguns. E aconteceu isso a ambos os sinos das duas aldeias. Na oficina de Braga, como se disse, puseram-nos como novos, mas trocaram-nos. Após ligeira discussão inicial, concordaram as partes que o fundamental era que repicassem. E isso fazem-no, ainda que de som trocado. E assim continuam hoje, que ninguém os repôs nas torres de origem...
E há outra lenda, a da Nossa Senhora da Boa Morte do Pópulo. Pois diz que Nossa Senhora, achando que a freguesia de Vila Verde era uma aldeiazinha agradável, em que podia viver, andou até ao cabeço conhecido como das Bilheiras, para ficar com outra perspectiva. Porém, ao ouvir como discutiam entre si as mulheres na fonte, fugiu para o Pópulo!
No entanto, podemos conhecer ainda uma outra lenda de Ribalonga, referente ao seu lugar de Santa Ana. Pois neste lugar há uma fraga enorme, rectangular, tendo na parte superior três sulcos, o da cabeça, o do tronco e o dos membros de uma pessoa. A voz do povo, essa mesma voz que escreve as lendas, linha a linha, diz que esses sinais foram ali deixados por Santa Ana, quando andava em peregrinação aos Lugares Santos.
Pois a lenda faz-nos saber que Santa Ana, cansadíssima, não vendo outro sítio
para se deitar, aproveitou aquela fraga. E a pedra tornou-se então mole para ficar mais confortável, tornando mesmo a forma do seu corpo. E no dia seguinte, logo ao amanhecer, repostas as forças, meteu-se a santa a caminho. Do texto da lenda não consta que alguém a visse, mas quer-nos cá parecer que testemunha deve ter havido, doutro modo...
Pois, saindo a santa, pela fraga começaram a passar as pessoas que iam para os seus trabalhos, reparando nos sulcos, ficaram admiradas. Alguns voltaram a Ribalonga dar a notícia. E logo ali se juntaram umas dezenas de pessoas a discutir o fenómeno. Como é que chegaram à conclusão de que fora Santa Ana, de quem eram devotos? Não se sabe. Testemunha que não quis declará-lo? De qualquer modo, aquele monte onde está a fraga ficou a ser conhecido como Monte de Santa Ana.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
CURIOSIDADES SOBRE O CAFÉ
1) Descoberta do café
Acredita-se que o café foi descoberto no
século 9, quando um pastor de cabras percebeu que os seus animais ficaram mais
excitados, após terem comido algumas bagas vermelhas de uma árvore. Este pastor
levou os frutos a um santo muçulmano que as conseguiu transformar em bebida, o
café dos dias hoje.
2) Origem da
palavra café
A palavra “café” vem
do árabe “qahwah”, que está relacionada com a palavra vinho. A
palavra turca para o café, kahve, é derivada da palavra árabe
e está relacionada com a palavra café. Outros estudiosos
acreditam que a palavra é de Kaffa, região da Etiópia onde se acredita que o café tenha sido originado.
3) Primeira
casa de café
A primeira loja a comercializar o café
como bebida foi inaugurada em 1475, em Constantinopla (na recente Istambul).
4) Consumo de
café mundial
Em todo o
mundo são consumidas mais de 500 biliões de chávenas de café por ano, sendo a
bebida mais popular de sempre. É também a mais negociada mundialmente! consumidas mais de
500 biliões de chávenas de café por ano, sendo a bebida mais popular de sempre.
5) 30% da água
é usada em café
Na América do Norte, 30% da água da
torneira é utilizada para preparar chávenas de café!
6) Café é
saudável para o cérebro e nervos
Uma pesquisa realizada demonstrou que o
café pode diminuir o declínio cognitivo e ainda doenças neurodegenerativas. Os
Turcos até chamam às suas lojas de café de “escolas para sábios”!
7) O café é
benéfico para várias doenças
Vários estudos mostraram que o consumo
moderado de café reduz substancialmente o risco de Doença de Alzheimer,
Parkinson, cirrose no fígado, gota, doenças cardíacas e ainda a diabetes tipo
2.
8) Café contra a depressão
Um estudo realizado em 2011, demonstrou que as mulheres que
consomem até 3 chávenas de café por dia, tinham 15% menos probabilidades de
sofrer de depressão, por um período de 10 anos, relativamente a outras que
apenas bebiam uma chávena de café por semana.
9) Café contra o câncro da próstata
Estudos
mostraram que os homens que bebem seis ou mais chávenas de café diárias
diminuem o risco de desenvolver câncro da próstata em 20%!
10) O café contém antioxidantes
Várias
pesquisas constataram que o café contém antioxidantes, que ajudam a prevenir os
radicais livre das células que nos são prejudiciais. Uma porção de mirtilos,
framboesas ou laranjas têm a mesma quantidade de antioxidantes que 250 ml de
café!
11) Café
mais caro do mundo
O café
mais caro do mundo é vendido na Indonésia e é feito a partir de grãos de café
que foram parcialmente mastigados, digeridos e excretados por um animal
semelhante à doninha. Esses grãos são vendidos a mais de 600 dólares cada quilo
e uma chávena pode custar até 50 dólares!
12) Cada planta produz até 2 quilos de grãos de café
A planta
do café demora cerca de 3 a 4 anos para amadurecer e produz de 1 a 2 quilos de
grãos de café por colheita.
13) Comércio do café emprega milhões de pessoas
Acredita-se
que existam cerca de 25 milhões de empregados em todo o mundo, ligados ao
negócio e comercialização do café.
14) Curiosidades sobre a Starbucks
A
conhecida loja de cafés Starbucks faturou em 2010 quase 11 biliões de dólares,
nas suas 16850 lojas espalhadas por todo o mundo. Eles oferecem aos seus
clientes mais de 87 mil combinações possíveis com esta famosa bebida.
15) Café mais forte e mais fraco
Os grãos
de café mais claros são os que têm mais cafeína. Contrariamente, são os graus
mais escuros que têm menos cafeína. Contrariamente,
são os graus mais escuros que têm menos cafeína.
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
11 DE NOVEMBRO - DIA DE SÃO MARTINHO
São Martinho, ou Martinho de Tours, nasceu em cerca de 316 na antiga cidade de Savaria na Panónia, uma antiga província na fronteira do Império Romano, na atual Hungria. Filho de um comandante romano, cresceu na região de Pavia, em Itália, no seio de uma família pagã. Criado para seguir a carreira militar, foi convocado para o exército romano quando tinha quinze anos, viajando por todo o Império Romano do Ocidente.
Apesar de ter recebido uma educação pagã, foi em adolescente que Martinho descobriu o Cristianismo. Mas foi só mais tarde, em 356, depois de ter abandonado o exército que foi batizado. Tornou-se discípulo de Santo Hilário, bispo de Poitiers (na zona oeste da atual França), que o ordenou diácono e presbítero, regressando de seguida a Panónia, onde converteu a mãe. Mudou-se depois para Milão, de onde terá sido expulso juntamente com Santo Hilário. Isolado, terá passado algum tempo na ilha da Galinária, ao largo da costa italiana.
De volta à Gália, foi perto de Poitiers que fundou o mais antigo mosteiro conhecido na Europa, na região de Ligugé. Conhecido pelos seus milagres, o santo atraía multidões. Foi ordenado bispo de Tours em 371 e fundou o mosteiro de Marmoutier, na margem do rio Loire, onde vivia na reclusão. Pregador incansável, foi também o fundador das primeiras igrejas rurais na região da Gália, onde atendia tanto ricos como pobres. Morreu a oito de novembro de 397 em Candes e foi sepultado a onze de novembro em Tours, local de intensa peregrinação desde o século V.
É na data do seu enterro, três dias depois de ter morrido em Candes, que se comemora o dia que lhe é dedicado. Acredita-se que, na véspera e no dia das comemorações, o tempo melhora e o sol aparece. O acontecimento é conhecido pelo “verão de São Martinho” e é muitas vezes associado à conhecida lenda de São Martinho.
domingo, 8 de novembro de 2015
CINCO - CHAGAS (TROPAEOLUM MAJUS L.)
Classificação científica:
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Brassicales
Família: Tropaeolaceae
Género: Tropaeolum
Espécie: Tropaeolum Majus L.
Cinco-chagas (Tropaeolum majus L., conhecido também por vários nomes, como capuchinha, capuchinho, mastruço-do-peru,flor-de-sangue, flor-de-chagas, chagas, nastúrcio, agrião-do-méxico, chaguinha, capucine, agrião-da-índia e mastruço) é uma planta da família dos Tropaeolaceae.
Com um pequeno porte, cinco-chagas é uma
herbácea com aromas, de ramos rasteiros e retorcidos. Possui flores que vão da
cor vermelha a branca e que podem ser usadas na culinária. Comem-se seus frutos em conservas . O seu fruto é mais preferido pelas maritacas.
De nome científico Tropaeolum majus, mas mais
vulgarmente conhecida como capuchinha ou chagas, esta é uma espécie que se
supõe ser originária da América do Sul, provavelmente da região andina que abrange
os territórios que vão da Bolívia à Colômbia. Contudo, encontra-se naturalizada
em muitos outros locais do globo, desde a América do Norte à Austrália,
passando pelo continente europeu e Macaronésia (ilhas atlânticas, nomeadamente
Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde).
Esta espécie
pertence à família Tropaeolaceae a qual se divide em três
géneros, um dos quais é o Tropaeolum,
com cerca de 80 espécies, que inclui a Tropaeolum majus. Aparentemente
a Tropaeolum majuscomeçou
por ser uma planta cultivada e foi em tempos bastante apreciada em jardins.
Perdida a popularidade e a preferência como planta ornamental, quis ainda
assim, continuar a ser útil, ultrapassou barreiras e naturalizou-se em espaços
não confinados. Hoje em dia pode ver-se esta espécie crescendo de forma
espontânea, na proximidade dos campos de cultivo, sendo aproveitada pelos
agricultores para proteger as suas plantações pois ela serve de hospedeira a
certas pragas e repele outras.
Na
generalidade, esta espécie floresce e frutifica durante a primavera e o verão.
Contudo adapta-se com tanta facilidade a certos tipos de climas que pode
florescer durante a maior parte do ano, frequentemente assumindo um
comportamento invasor. Nestes casos é conveniente tomar medidas que controlem a
expansão da planta.
Noutras
regiões esta espécie é muito apreciada e cultivada, não só pelas suas
flores mas também pelas folhas pois ambas são comestíveis. Podem confecionar-se
deliciosas saladas frias tanto com as folhas como com as flores as quais também
se usam na decoração da finalização dos pratos. Não só são decorativas como
também exalam um aroma agradável e muito característico. O sabor é ligeiramente
apimentado.
A Tropaeolum
majus tem também excelentes propriedades terapêuticas, podendo ser
utilizadas todas as partes da planta, excepto a raiz. A planta é muito rica em
vitamina C e tem propriedades bactericidas, digestivas, sedativas e expetorantes, sendo indicada
para problemas pulmonares e digestivos, escorbuto e afeções da pele. Porém
nunca é demais lembrar que o consumo deve ser regrado pois todas as plantas têm
o seu grau de toxicidade, sendo nocivas em caso de exagero.
A Tropaeolum majus é uma planta anual, herbácea, de
hábito rastejante ou trepador, com guias que podem atingir 1 metro ou mais, providas
de pecíolos foliares que funcionam como gavinhas. Os caules, de cor verde claro
são carnudos, ocos e cilíndricos, sem pelos, de aspeto quase polido. A planta é
pouco ramificada, sendo que geralmente só ramifica na base e não nos caules.
As folhas, de
cor verde azulado, são numerosas, alternas, simples, de margens ligeiramente
lobadas e onduladas; têm forma circular e ligam-se perpendicularmente ao caule
através de um longo pecíolo, mais ou menos no centro do limbo; as veias são bem
visíveis e irradiam do centro para o exterior da folha.
As flores,
muito vistosas, são solitárias e crescem na axila das folhas, no topo de longos
pedúnculos. Corola e cálice exibem tons de amarelo, laranja e vermelho e são
lisas ou com manchas acastanhadas ou de cor púrpura.
No seu
conjunto, as flores são compostas por 5 pétalas (corola), 5 sépalas (cálice) e
órgãos reprodutivos masculinos e femininos funcionais.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
LENDAS DE PORTUGAL - 83ª - ALVAIÁZERE
UMA SINA DE SOFRIMENTO
Esta lenda conta-se em Maçãs de Dona Maria, cabeça de freguesia que fica a uma dúzia de quilómetros de Alvaiázere. Pois trata de uma linda rapariga que vivia com os seus pais, que eram lavradores remediados. E cada vez que a rapariga ia à talha buscar azeite, vivendo com intensidade aquilo que ela julgava ser castigo, o estar na aldeia, via-se espelhada na superfície do azeite e dizia:
"Ai como eu sou tão bonita!"
E escutava uma voz a responder-lhe:
"É a tua sina!"
Tantas vezes aquilo lhe aconteceu, que não resistiu a contá-lo à mãe. E esta, intrigada, recomendou-lhe que interrogasse a voz sobre o que queria dizer, que sina, afinal, seria a sua.
E assim fez a rapariga, escutando:
"Vais ter duas filhas mas, depois, passarás sete anos de vida mundana..."
A rapariga ficou transita. De quem seria a voz?
Na verdade, passados uns tempos, apareceu na aldeia um rapaz que era vizinho de outra terra, apaixonou-se pela jovem e pediu-lhe na,moro, tendo ela aceite. Muito honestamente, a mãe preveniu o rapaz do que se passava, mas ele, tão apanhado estava, que insistiu em casar e casaram mesmo.
E tudo estava a correr muito bem quando a rapariga, após ter tido duas filhas, abandonou o lar e foi para a cidade, caindo numa vida mundana. E assim passou sete anos, até que largou tudo e regressou à terra.
Ora foi precisamente a mãe a primeira pessoa conhecida que viu, estavam ambas ao pé da ponte. A mãe reconheceu-a e, zangada, dando-lhe um empurrão, exclamou:
"Andas por aqui, vagabunda?"
Caindo ao rio, a rapariga agarrou-se a uns salgueiros e salvou-se. Depois correu por uns campos fora, não se sabendo do seu destino.
Um dia, à porta do marido, que vivia com as filhas, bateu uma velhinha. As raparigas não sabiam quem era, mas tiveram muita pena dela e deixaram-na entrar. Deram-lhe de comer e passaram a tarde juntas, tendo a velha catado os piolhos às raparigas, lavando-lhes também as cabeças. Depois, quis ir-se embora, mas elas arranjaram-lhe lugar para ficar num barracão anexo. Ela lá acabou por aceitar.
O pai chegou à noite, jantou e deitou-se. Mas à tantas da madrugada acordou com uma estranha de nocturna! Foi ver o que era e entrou no barracão onde estava a velha. Mas a velha estava morta, deitado num caixão iluminado por centenas de velas acesas.
Conforme a lenda, a pobre mulher expiara os pecados marcados pela sua sina. E com os sofrimentos do corpo, acabara por ganhar o céu.
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