segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

LENDAS DE PORTUGAL - 87º - PENELA

O EXPEDIENTE DO FUNDADOR

Pois é, alguns dizem que não sabem onde fica Penela, mas se se lhes fala no Queijo do Rabaçal, têm uma clara ideia onde o podem ir buscar... no supermercado! Pois um queijo "de crosta lisa e coloração amarelo-palha, pasta ligeiramente untuosa, com alguns olhos, e por vezes deformável O seu sabor é suave, limpo e muito característico". Mas quem se lembrou de trazer para aqui a lenda deste queijo? E já tem foros disso este magnífico produto da Serra de Ansião!
Ah, mas o fantástico em Penela pode ser julgado por aqueles dois altos montes que se confrontam. Sabiam que eram de Penela aqueles dois manos gigantes, um chamado Melo e outro Gerumelo? Ambos ferreiros, montaram oficina cada um em seu monte. Porém, como só tinham um martelo, atiravam.no entre si, conforme precisavam. Ora um dia o Gerumelo estava de péssimo humor e, quando o irmão lhe gritou a pedir a ferramenta, mandou-a com tal força que o martelo se desencaixou no ar. E a maça de ferro caiu no sopé do monte irrompendo logo uma fonte de água férrea, hoje ao pé da antiga povoação da Ferretosa - hoje Fartosa, que as pessoas só estão bem a dar cabo das palavras! - , enquanto o cabo, que era de zambujo, caiu mais longe, enraizou-se e deu origem a um zambujal, que ao lado tem a sede da freguesia da Zambujal!

Jarnaut, autor de uma monografia do município (1915), conta assim a lenda do castelo:
D. Afonso Henriques querendo reaver os castelos de Sobral e Penela, de que os árabes se haviam apoderado em 1127, arranjou uma manada de bois que enfeitou com ramos de árvores, e entre eles os seus guerreiros do mesmo modo e seguiram o caminho de Penela.
Junto das ameias do castelo, a filha do governador da praça catava-o, quando viu aproximar-se a emaranhada ramagem, e perguntou:
"Meu pai, as moitas andam?"
Ao que ele respondeu:
"Tu és doida, filha! Cata! Cata!"
À terceira vez que a filha lhe fez esta pergunta, de que obtinha invariavelmente a mesma resposta, replicou-lhe:
"Mas eu vejo-as andar!"
Então, o pai reparando, conheceu o ardil e o grito de Alah-Huachbar ressoou por todos os cantos, mas em vão, porque as esforçadas hostes portuguesas forçando a praça a retomaram depois de porfiada luta.
Os mouros retirando-se, deixaram a sua passagem assinalada por grande número dos seus combatentes que ficavam estropiados, e de enraivecidos destruíam tudo quanto encontravam na sua passagem: pães, vinhas, olivais, etc.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

TRADIÇÕES BÁLTICAS



É de longe que vem a tradição de pintar ovos para decorar a casa na época da Páscoa. A tradição é muito antiga, anterior ao cristianismo, que só chegou no século XIV a Lituânia, até aí pagã. 
Egle Bazaraite, que aprendeu com a sua mãe, é considerada uma das grandes responsáveis por manter viva esta arte na Lituânia - alguns dos seus ovos decorados estão em exposição no Museu Nacional em Vilnius, pela sua originalidade e pelo desenvolvimento de novos desenhos mantendo uma matriz tradicional.
Egle Bazaraite, 31 anos, é arquitecta de formação (está a terminar o doutoramento) e passou por Portugal, pela primeira vez, quando fez o Erasmus. Voltou para trabalhar e estudar e é hoje uma das responsáveis do projecto Salva a Lã Portuguesa.
Encontrou uma forma de manter a ligação à arte da terra natal ensinando aos portugueses (e não só) decorar ovos.
Há duas técnicas usadas, a pintura e raspagem e a cera de abelha quente. O objectivo é decorar os ovos ao gosto de cada, usando como base desenhos tradicionais, muitos deles carregados de simbolismos - como a serpente que representa felicidade para a família.

evações nº 48

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A PRIMEIRA SANITA



Diz a lenda que a primeira sanita foi usada por Isabel I no final do século XVI. A ideia é mais antiga, e em sítios arqueológicos como Pompeia existem bancos corridos com buracos onde as pessoas se sentavam em grupo, defecando. Mas Isabel usou uma só para si, sem companhia.
John Harrington era seu afilhado e foi banido da corte por ter posto a circular um boato. Durante o seu exílio, entre 1584 e 1591, construiu a sua casa em Kelston, perto de Bath, e para seu conforte aí instalou a primeira sanita com autoclismo. Chamou-lhe Ajax (em inglês, a jakes, palavra antiga para sítio ponde se aliviar de dejectos). Por fim, a rainha madrinha perdoou-lhe a coscuvilhice e foi visitá-lo a Kelston. Fosse chá a mais ou uma empada fora do prazo, Isabel I usou a sanita, gostou e encomendou uma para ela.
John escreveu um livro sobre a sua invenção, chamando-lhe water closet, água em circuito fechado, descrevendo-a como "um recipiente com uma abertura no fundo, fechada por uma válvula revestida de couro". O sistema envolvia uma manivela, alavancas e contrapesos, que faziam a água correr de uma cisterna, abrindo a válvula.
O resto da nação não se entusiasmou como a rainha e continuou a preferir os bacios, que despejava alegremente para a rua. Demorou até aos meados do século XIX para que o parlamento inglês pusesse cobro a tal.
O nome John é ainda hoje usado nos países anglófonos como sinónimo de sanita.


UM MUSEU SUBAQUÁTICO



A Ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias, tornou-se o primeiro local da Europa a ter um museu subaquático.
Cerca de 300 estátuas foram mergulhadas nas águas desta ilha espanhola e colocadas a 14 metros de profundidade. As figuras, criadas pelo artista britânico Jason De Caires Taylor, representam moradores da ilha nas suas actividades do dia-a-dia. Construídas em betão, +para não prejudicar o meio em que se inserem, estima-se que possam resistir durante 300 anos.
O mesmo artista já tinha criado museus semelhantes em Granada e no México e está agora a instalar estátuas no Tamisa, em Londres.
Aberto para visitas a partir da quinta-feira, 25 de Fevereiro, o Museu Atlântico não requer pagamento de entrada, basta ter fato de mergulho.

Dica da Semana Nº 731

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

2016 - ANO DO MACACO



No dia 8 de Fevereiro começa na China o Ano do Macaco.
Por altura do ano novo chinês, doces e petiscos são reis da festa. As pequenas bolas de farinha de arroz, com recheios diversificados, têm bastante procura. A fruta da época é a tangerina, cujo nome em chinês se assemelha a "boa sorte".
O pato à Pequim não é originário da cidade que lhe dá o nome. Terá sido criado em Nanjing (ou Nenquim), província de Jiangsu, mil quilómetros a sul da capital.
O "ovo dos mil anos" é um prato misterioso, preparado a partir de ovos de pata que levam três semana até à perfeição, envoltos em casca de arroz. São servidos com fatias finas de gengibre.
Quando um peixe inteiro vier para a mesa, não se deve virá-lo, antes ir retirando pedaços com os pauzinhos. Há a superstição de que virar o peixe traz má sorte ao pescador.
O chá é a bebida mais popular da China e é considerado um dos sete elementos essenciais no dia-a-dia de uma família, a par de arroz, óleo, sal, lenha, molho e vinagre. Durante séculos, foi moeda de troca e hoje a maioria dos chineses continua a não gostar bebê-lo frio.
A aguardente de arroz é bastante popular e pode ir dos 40 aos 50 graus de volume de álcool.

-evações nº 45-



sábado, 6 de fevereiro de 2016

LENDA DO MOINHO

A pouco mais de uma légua distante
Da minha casa, da minha aldeia
Nesta manhã linda de sol brilhante
Sigo naquela marcha que me enleia.

Mais uma vez junto ao moinho da fonte
Tudo são moitas verdes, arvoredos
Há silêncio, olho o horizonte
Tudo me faz reviver velhos segredos.

Aqui, sou bondade, solidão, talento
Derramo da alma poema da vida
Murmúrio das aves, sussurros do vento
Lenda do moinho no tempo esquecida!

Aqui me vai nascendo imaginação
Aqui brotam ervas no cimo dos valados
Azenhas em ruínas, grutas, silvados
Ecos perdidos... amante da solidão!

Moinho da fonte, ribeira desnudada
Canaviais secos, a água correr
Rochedos dispersos, terra tostada
Castigos pesados que Deus nos deu.

António Henrique

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

LÍNGUA DE OVELHA

Classificação científica:

Reino: Plantae
Super-reino: Eukaryota
Divisão: Eadicotiledônea
Classe: Asterideas
Família: Pantaginaceae
Género: Plantago
Espécie: Plantago lanceolata



A Língua de Ovelha (Plantago lanceolata) é uma espécie de planta herbácea perene natural de toda Europa, América do Norte e Ásia ocidental, onde cresce em lugares secos, taludes, margens de caminhos e terrenos baldios.
Características:
É uma planta herbácea vivaz sem talos ramificados e com talos florais que alcançam 30 - 50 cm de altura, tem um rizoma curto central do qual brotam raízes secundárias ténues de cor amarela.As folhas lanceoladas ou ovaladas, compridas e ligeiramente dentadas, estão dispostas em uma roseta basal na base do talo, têm de 3 - 7 nervuras longitudinais que se estreitam e continuam no pecíolo. A inflorescência terminal é uma espiga densa com flores muito pequenas de cor branca ou purpúrea. A espiga é curta durante a floração e logo se alonga. O fruto é um pixídio com 4 -16 sementes.
Propriedades medicinais:
É utilizada em  xarope ou extracto fluido para tratar o catarro, a bronquite e a asma. Também se prepara um colírio para conjuntivite e inflamação das pálpebras. Também lhe são atribuídas propriedades anti-inflamatórias, pelas quais é utilizada em queimaduras e picadas de insectos. 
Nomes populares:
A Língua de Ovelha também é conhecida popularmente como acatá, calracho, carrajó, corrió, erva-de-ovelha, língua-de-vaca, orelha-de-cabra, tanchagem-ordinária e tantage.

domingo, 31 de janeiro de 2016

LENDAS DE PORTUGAL - 86º ODEMIRA -

O NOME E A GRADE DE OURO

Possivelmente conhecem o Cerro do Castelo, em Odemira,. Situa-se entre as herdades do Cerro de Ouro, dos Pesos e dos Pesinhos. Há uma lenda, protagonizada por lavradeira do Cerro de Ouro, que, desde há séculos, se conta em todas as famílias. Pois vamos a ela que, como a maioria das lendas, cronologicamente se situa a noite dos tempos...
Ora, nessa manhã, uma lavradeira do Cerro de Ouro estava a dar de comer às suas vacas quando lhe apareceu uma mulher que ela não conhecia de lado nenhum. A outra cumprimentou-a com m uita simpatia e disse-lhe que estava ali para lhe dizer o seguinte:
"A senhora tem aí duas vacas que estão prenhas e cada qual vai ter seu bezerro. Olhe, gostaria que as criasse sem tirar nenhum leite às vacas, reservando-o todo para os bezerros. Daqui a um ano, mesmo no dia de S. João, ainda antes do sol nascer, vá ao Pego da Laima e ponha os dois bezerros na água, tirando de lá uma grade daquelas de gradar a terra. Aí terá a sua fortuna!"
E a mulher foi cumpridora, deixando o leite das vacas para os seus bezerros. Porém, um dia, vendo ela que eles estavam já quase uns bois, bem nutridos, apetecendo-lhe uma malga de leite, achou que não fazia mal nenhum tirá-lo a uma das vacas. Assim fez, mas quando ia a bebê-lo lá achou que não o devia fazer e atirou com o leite para cima do bezerro, que logo ficou malhado de branco no sítio atingido pelo leite.
Ora o Pego da Laima é uma espécie de lago natural que fica na Ribeira do Vale da Casca, no sopé do Cerro do Castelo. Pois, então, chegou o dia de S. João e lá foi a mulher com os bezerros para o Pego. E logo que os meteu à água atrelou-lhes uma grade igual à que ela tinha, mas vendo que aquela era de ouro. Mas aconteceu que o bezerro malhado não tinha a força do outro e a grade começou a afundar-se daquele lado. Ela bem gritava, mas o bezerro não podia, pelo que ela se viu obrigada a desatrelar ambos os bezerros para eles não morrerem afogados. Então, ouviu-se uma voz triste:
"Ah, desgraçada, que me dobraste o fado por outros tantos anos!"
E a grade desapareceu na águas.

Ah, prometida estava a lenda do nome de Odemira. Pois no castelo viviam os reis mouros, Ode e Jade, e a princesa Anabel. Era uma vida calma a que levavam. Mas a paz não dura sempre e estando a menina a pentear-se viu ao largo barcos cristãos. Aflita, chamou o pai para a varanda:
"Ode, mira! Ode, mira!"
Os seus gritos ouviram-se por toda a parte. Alarme dado, houve duro combate, que acabou com a derrota dos mouros. Ao tomar conta do castelo, o chefe dos cristãos apaixonou-se por Jade, que também gostou muito dele. Houve então uma paz negociada e o cristão pediu a rapariga em casamento, a qual muito feliz ficou. Pois o casalinho ficou a viver para sempre no belo castelo da não menos bela Odemira!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

DESCOBERTO O MAIOR SISTEMA PLANETÁRIO



Um grupo de cientistas descobriu o maior sistema planetário conhecido até agoira, formado apenas por um planeta e uma estrela, separados por mil  milhões de quilómetros de distância.
O planeta 2MASSJ2126-8140, um gigante de gás com 12 a 15 vezes a massa de Júpiter, demora um milhão de anos na sua órbita em redor da estrela. 
"Surpreendeu-nos muito encontrar um objecto de massa baixa (o planeta) tão longe da sua estrela mãe", comentou Simon Murphy, da Universidade Nacional Australiana.

DN - 28.1.2016 -

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O DRAGÃO AZUL VIVE EM ODELEITE



A Ribeira de Odeleite, Castro Marim, é conhecida pela sua beleza natural mas desde o dia 14 de Setembro de 2015, o local anda nas bocas do mundo, e é sensação na China devido a uma fotografia aérea, captada por um passageiro de um voo comercial entre Amesterdão e Marraquexe, e partilhada nas redes sociais.
A imagem aérea da ribeira é similar a um Dragão Azul, símbolo de força, poder e boa sorte na cultura chinesa.
Segundo o presidente da Junta de Freguesia da Odeleite a imagem será utilizada para promoção turística em ferias de turismo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

THOMAS OVERBURY


A cada minuto que ficamos zangados,
perdemos sessenta segundos de felicidade.

domingo, 17 de janeiro de 2016

O DIA DE ENTRADA NA VIDA ADULTA



Todos os anos, na segunda segunda-feira de janeiro, feriado, milhares de japoneses juntam-se para celebrar "O Dia de Entrada na Vida Adulta". 
As raparigas e os rapazes com 20 anos (este ano, os que nasceram em 1995) vestem-se a rigor e participam em cerimónias de apresentação nos jardins e edifícios públicos das grandes cidades.
Elas de quimono, eles de trajo de gala. Uma espécie de baile de debutantes nacional, onde ninguém falta.
Este ano foram 1,2 milhões de participantes. Ainda assim, menos 50 mil do que em 2015, o que se explica pelo retrocesso demográfico do país.
Normalmente, as cerimónias acontecem de manhã, as tardes e noites são de festa com família e amigos.

Magazine 17.1.2016

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

ALFARROBA - PETRÓLEO ALGARVIO

Tempo dos combustíveis fósseis acabou. Mesmo que não estivessem à beira da rutura, teríamos de, mais cedo que tarde, acabar com o seu uso se queremos continuar viver com um mínimo de segurança neste planeta. Disto, prova factual, são as conclusões e compromissos da mais recente Cimeira do Clima de Paris, mas mesmo estes são pouco remédio para uma grande maleita: a maioria dos cientistas atestam que as emissões de CO2 devem ser reduzidas a zero até 2050 se quisermos mesmo travar a subida da temperatura global abaixo de 1,5º, como ficou estipulado no acordo assinado na Cimeira.
Contudo, continuamos a ter máquinas e a necessitar de combustíveis que as alimentem. No final de 2015, no âmbito de um ciclo de seminários organizado pelo Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve, foram apresentadas as primeiras conclusões do projeto "Soro & Alfaetanol", coordenado por Emília Costa, investigadora do CIMA e docente na UAlg.

Este projeto investiga a possibilidade de transformar a polpa de alfarroba, subproduto da indústria local, em biocombustível de segunda geração. O processo usa o soro que escorre do queijo -também este subproduto da indústria local - como extrator dos açúcares da alfarroba. Decorrem depois várias fermentações, usando diversos tipos de leveduras que transformam esses açúcares em álcool com elevado rendimento energético.
Este é um projeto verdadeiramente eco e sustentável, transformando resíduos industriais numa mais valia económica, alternativa e desejada comparativamente às fontes tradicionais de energia.
Um pouco por todo o mundo, investiga-se este método de extração de bio-álcoois das biomassas, usando a matéria-prima mais abundante localmente; no Brasil, por exemplo, terra da cachaça, o etanol é obtido dos açúcares da cana sacarina. Não é por isso de admirar que no Algarve seja a alfarroba a nova mais limpa fonte de energia.



Dica da Semana - 7.1.2016 -

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

AGRIMONIA EUPATORIA

Classificação científica:
Reino: Plantae
Subreino: Tracheobionta
Divisão: Magnoliophyta (Angiosperma)
Classe: Magnoliopsida (Dicotiledónea)
Subclasse: Rosidae
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Género: Aghrimonia
Espécie: Agrimonia Eupatoria


A Agrimonia eupatoria é a espécie mais comum de agrimônia. É uma rosácea que habita as regiões temperadas do hemisfério norte; têm folhas compostas penadas, flores amarelas, e frutos ásperos. Normalmente atinge entre 30 cm e 1,20 cm.
Constituintes
A agrimônia contem um óleo particular volátil, que pode ser obtido através de destilação, e compostos ásperos e amargos, que dão essa propriedade à planta. Possui também 5% de tanino.
Etmologia
Seu nome vem do grego argemonia, que significa "planta que cura os olhos", passando pelo latim agrimonia.
Uso medicinal

A presença de tanino faz da agrimônia útil para gargarejos e como astringente para úlceras e feridas. É, ainda, famosa por curar icterícia e outros males do fígado. Segundo a medicina tradicional, em especial na cultura anglo-saxônica, a agrimônia possui a propriedade de ajudar no sono e evitar pesadelos. O velho manuscrito médico inglês revela isso:
"If it be leyd under mann's heed,
   He shal sleepyn as he were deed;
   He shal never drede ne wakyn
   Till fro under his heed it be takyn."
(tradução do inglês arcaico: "Se ela está colocada debaixo da cabeça do homem/Ele deverá dormir como se estivesse morto/Ele nunca deverá se amedrontar nem acordar/Até que de debaixo de sua cabeça ela seja tirada.")

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

LENDAS DE PORTUGAL - 85ª - MONCHIQUE

O MANTO DE SANTO ANTÓNIO

Santo António protagoniza muitas lendas da terra portuguesa. E como se elas não bastassem, alguns gestos ganham foros lendários. Como aquele no tempo de D. Afonso VI, em que, a 24 de Janeiro de 1668, num singular alvará, Santo António era alistado como soldado no 22º Regimento de Infantaria de Lagos. Mais tarde, a 12 de Setembro de 1683, D. Pedro II promoveu o referido soldado ao posto honorífico de capitão!


Pois à entrada de uma pequena aldeia da Serra de Monchique há um nicho com uma imagem de Santo António, envergando um manto azul, azul bem do céu, bordado a ouro e cercado por flores. O que estará por trás disto? Pois, uma lenda.
E nessa aldeiazinha vivia uma rapariga que que cumpriu a promessa. Casada com um homem mais velho, começou a notar que ele a tratava mal. Discutiam muito e ele esteve a ponta da bater-lhe, mão o fazendo porque ela se disse grávida. E teve uma menina.Mas continuaram a discutir. E tinha a criança 8 anos quando foi ao nicho rezar a Santo António para que desse um jeito lá em casa. Prometeu-lhe flores para o nicho. Surgiu-lhe então um mendigo que lhe pediu de comer. Levou-o a casa e a mãe recebeu-o bem, mas o pai resmungou. Mas foi a senhora preparar-lhe uma refeição, acompanhada da filha. O marido ficou na sala e o mendigo falou-lhe de paz, de amor na família e aconselhou-o a ir ajudar a  mulher. Ele foi e entenderam-se naquele preparativo. Ao voltarem à sala, o homem desaparecera mas no lugar de cada estava uma reprodução da imagem do nicho. Correndo o milagre, a partir daí não faltaram nunca flores no nicho.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

BIOMBOS BÁRBAROS



A chegada de portugueses ao Japão no século XVI está na origem dos biombos nanban, peças de arte nipónicas que representam os "Bárbaros do Sul" e podem atingir, em leilão, quatro a cinco milhões de euro.


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A CEIA DO EUNUCO



Castram-se os galos em março, alimentam-se a grão e couves para dezembro. Nas mesas de Natal do Vale do Sousa, as famílias sentam-se em volta do capão.
Foi o manjar dos reis e é uma iguaria rara, protegida por produtores e cozinheiros e, agora, também por Certificação Europeia. O passado tornou uma ave eunuca o orgulho de Freamunde.
O capão é castrado aos 3 meses, alimentado 70% a grão e 30% a couve. E tem de andar ao ar livre. Corta-se-lhe a crista e as barbas, "para perder a vaidade". Assim já não se faz às galinhas. Vive para comer e dormir.
Um terço dos capões morre durante a castração, efetuada a sangue-frio. É também isso que o torna caro, 50 a 60 euro por seis quilos de carne. "E isto é trabalho de mulheres, que aos homens mete pena tirar os testículos ao galo".
O capão à Freamunde é tradição tão enraizada que, em 2001, Raimundo Durão decidiu criar-lhe uma confraria. São 24 confrades, empenhados em preservar a tradição.
E também se conta a lenda do eunuco:
Nos tempos romanos, um consul chamado Caio Cânio, cansado da perda do sono por causa do cantar dos galos, conseguiu fazer aprovar uma lei impeditiva da existência destas aves na região.
O povo, pobre e faminto, lembrou-se de capar os bichos, tirando-lhes o pio mas guardando a carne.
E foi aí que se percebeu que a castidade tornava o animal mais gordo, opulento e tenro do que as outras aves.
A história cabe no domínio da lenda mas, em 1719, D. João V instituiu oficialmente a Feira dos Capões por decrete régio.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

8 DE DEZEMBRO - IMACULADA CONCEIÇÃO - PADROEIRA DE PORTUGAL




Nas cortes celebradas em Lisboa no ano de 1646 declarou o rei D. João IV que tomava a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, prometendo-lhe em seu nome, e dos seus sucessores, o tributo anual de cinquenta cruzados de ouro. Ordenou o mesmo soberano que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. 
Não foi D. João IV o primeiro monarca português que colocou o reino sob a protecção da Virgem, apenas tornou permanente uma devoção, a que os nossos reis se acolheram algumas vezes em momentos críticos para a pátria. D. João I punha nas portas da capital a inscrição louvando a Virgem, e erigia o convento da Batalha a Nossa Senhora, como o seu esforçado companheiro D. Nuno Alvares Pereira levantava a Santa Maria o convento do Carmo. Foi por provisão de 25 de março do referido ano de 1646 que se mandou tomar por padroeira do Reino Nossa Senhora da Conceição. Comemorando este facto cunharam-se umas medalhas de ouro de 22 quilates, com o peso de 12 oitavas, e outras semelhantes mas de prata, com o peso de uma onça, as quais foram depois admitidas por lei como moedas correntes, as de ouro por 12$000 réis e as de prata por 600 réis. Segundo diz Lopes Fernandes, na sua Memória das medalhas, etc., consta do registo da Casa da Moeda de Lisboa, liv. 1, pag. 256, v. que António Routier foi mandado vir de França, trazendo um engenho para lavrar as ditas medalhas, as quais se tornaram excessivamente raras, e as que aquele autor numismata viu cunhadas foram as reproduzidas na mesma Casa da Moeda no tempo de D. Pedro II. Acham-se também estampadas na Historia Genealógica, tomo IV, tábua EE. A descrição é a seguinte: JOANNES IIII, D. G. PORTUGALIAE ET ALGARBIAE REX – Cruz da ordem de Cristo, e no centro as armas portuguesas. Reverso: TUTELARIS RE­GNI – Imagem de Nossa Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648, e; nos lados o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e arca do santuário. 

O dogma da Imaculada Conceição foi definido pelo papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, pela bula Ineffabilis. A instituição da ordem militar de Nossa Senhora da Conceição por D. João VI  sintetiza o culto que em Portugal sempre teve essa crença antes de ser dogma. Em 8 de dezembro de 1904 lançou-se em Lisboa solenemente a primeira pedra para um monumento comemorativo do cinquentenário da definição do dogma. Ao acto, a que assistiram as pessoas reais, patriarca e autoridades, estiveram também representadas muitas irmandades de Nossa Senhora da Conceição, de Lisboa e do país, sendo a mais antiga a da actual freguesia dos Anjos, que foi instituída em 1589.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A LENDA DE SÃO NICOLAU

Nicolau, filho de cristãos abastados, nasceu na segunda metade do século III, em Patara, uma cidade portuária muito movimentada.
Conta-se que foi desde muito cedo que Nicolau se mostrou generoso. Uma das histórias mais conhecidas relata a de um comerciante falido que tinha três filhas e que, perante a sua precária situação, não tendo dote para casar bem as suas filhas, estava tentado a prostituí-las. Quando Nicolau soube disso, passou junto da casa do comerciante e atirou um saco de ouro e prata pela janela aberta, que caiu junto da lareira, perto de umas meias que estavam a secar. Assim, o comerciante pôde preparar o enxoval da filha mais velha e casá-la. Nicolau fez o mesmo para as outras duas filhas do comerciante, assim que estas atingiram a maturidade.
Quando os pais de Nicolau morreram, o tio aconselhou-o a viajar até à Terra Santa. Durante a viagem, deu-se uma violenta tempestade que acalmou rapidamente assim que Nicolau começou a rezar (foi por isso que tornou também o padroeiro dos marinheiros e dos mercadores). Ao voltar de viagem, decidiu ir morar para Myra (sudoeste da Ásia menor), doando todos os seus bens e vivendo na pobreza.
Quando o bispo de Myra da altura morreu, os anciões da cidade não sabiam quem nomear para bispo, colocando a decisão na vontade de Deus. Na noite seguinte, o ancião mais velho sonhou com Deus que lhe disse que o primeiro homem a entrar na igreja no dia seguinte, seria o novo bispo de Myra. Nicolau costumava levantar-se cedo para lá rezar e foi assim que, sendo o primeiro homem a entrar na igreja naquele dia, se tornou bispo de Myra.

S. Nicolau faleceu a 6 de Dezembro de 342 (meados do século IV) e os seus restos mortais foram levados, em 1807, para a cidade de Bari, em Itália. É actualmente um dos santos mais populares entre os cristãos.
S. Nicolau tornou-se numa tradição em toda a Europa. É conhecido como figura lendária que distribui prendas na época do Natal. Originalmente, a festa de S. Nicolau era celebrada a 6 de Dezembro, com a entrega de presentes. Quando a tradição de S. Nicolau prevaleceu, apesar de ser retirada pela igreja católica do calendário oficial em 1969, ficou associado pelos cristãos ao dia de Natal (25 de Dezembro)
A imagem que temos, hoje em dia, do Pai Natal é a de um homem velhinho e simpático, de aspecto gorducho, barba branca e vestido de vermelho, que conduz um trenó puxado por renas, que esta carregado de prendas e voa, através dos céus, na véspera de Natal, para distribuir as prendas de natal. O Pai Natal passa por cada uma das casas de todas as crianças bem comportadas, entrando pela chaminé, e depositando os presentes nas árvores de Natal ou meias penduradas na lareira. Esta imagem, tal como hoje a vemos, teve origem num poema de Clement Clark More, um ministro episcopal, intitulado de “Um relato da visita de S. Nicolau”, que este escreveu para as suas filhas. Este poema foi publicado por uma senhora chamada Harriet Butler, que tomou conhecimento do poema através dos filhos de More e o levou ao editor do Jornal Troy Sentinel, em Nova Iorque, publicando-o no Natal de 1823, sem fazer referência ao seu autor. Só em 1844 é que Clement C. More reclamou a autoria desse poema.
Hoje em dia, na época do Natal, é costume as crianças, de vários pontos do mundo, escreverem uma carta ao S. Nicolau, agora conhecido como Pai natal, onde registam as suas prendas preferidas. Nesta época, também se decora a árvore de Natal e se enfeita a casa com outras decorações natalícias. Também são enviados postais desejando Boas Festas aos amigos e familiares.

Actualmente, Há quem atribuía à época de Natal um significado meramente consumista. Outros, vêem o Pai Natal como o espírito da bondade, da oferta. Os cristãos associam-no à lenda do antigo santo, representando a generosidade para com o outro.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ACÓNITO NAPELLUS

Classificação científica:

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Ranunculales
Família: Ranunculaceae
Género: Aconitum
Espécie: Aconitum Napellus



O acónito  (Aconitum napellus) é uma planta venenosa, pertencente à família Ranunculaceae muito utilizada em fármacos homeopáticos.
Possui raízes tuberosas e caule ereto, com flores azuis na forma de um elmo. O fruto é uma vesícula.
Os sintomas do envenenamento por sua causa são salivação excessiva, falta de ar, tremores e aceleração dos batimentos cardíacos. Apenas 10 gramas de raíz constituem uma dose letal para o ser humano.
É uma planta vivaz que pode atingir até 1,5 metros de altura, tem folhas verde-escuras, palmeadas e recortadas, flores azuis, raramente brancas, e raiz fusiforme. Dá-se bem nas regiões montanhosas, é medicinal e costuma cultivar-se também em jardins, como planta ornamental.
Todas as suas variedades são venenosas quando a semente já está madura. O Aconitum napellus, comum em terrenos úmidos, cultiva-se muito em jardins. Todas as partes da planta são muito venenosas em virtude de possuírem alcalóides distintos.
Outras espécies de acônito existentes em Espanha e Portugal são a erva toira (A. anthora), ou acônito da saúde, e o matalobos (A. lycoctonum), de flor amarela.
Também pode ser receitado pelo seu Médico para o tratamento da ansiedade, mas só com o conhecimento do Médico.