As pontes flutuantes

Hoje, com responsabilidades na história Royal Haskoning, uma grande companhia holandesa de consultoria com características multidisciplinares, Jorge Moura conquistou o NET 2010 - Prémio Nacional Energia do Futuro - pelo projeto de arquitetura da Escola de Engenharia em Delf, na Holanda. Entre os seus principais trabalhos destaca-se, de momento, um projeto para as Ilhas Maldivas que prevê uma grande área de ocupação turística, um centro comercial, uma escola, vários edifícios de serviços e habitação. Uma das originalidades de todo este empreendimento é a construção de duas pontes flutuantes de legação entre ilhas. Trata-se de uma proposta, diz Jorge Moura, cujo conceito visa responder em simultâneo "aos desafios da engenharia e aos desafios do ambiente e manter-se ao mesmo tempo dentro de um orçamento razoável". Uma vez que o mar entre as ilhas é muito profundo, era fundamental encontrar uma ideia capaz de ultrapassar esse constrangimento.
Um design convencional, diz Moura, "implicaria grandes fundações no fundo do mar, o que não só é muito caro, como complexo em termos construtivos, além de que teria um impacto muito negativo em qualquer forma de vida existente" na profundeza daquelas águas. O jovem arquiteto, ao olhar para as Maldivas não podia deixar de ficar impressionado por aquele deslumbrante grupo de ilhas rodeadas por uma grande massa de água.
Essa constatação levou-o a considerar que faria todo o sentido tentar de alguma forma tirar partido da força daquelas águas. O conceito da ponte flutuante pode ser aplicado no futuro "para ligar outras ilhas de forma a preservar a qualidade" daquela zona, acrescenta.
Jorge viveu em Portugal apenas entre os 2 e os 4 anos de idade. Toda a sua vida tem sido passada na Holanda e nunca teve uma educação de raiz portuguesa. Ainda assim, aprendeu a falar e a ler português sozinho e sempre que pode visita familiares e amigos residentes nas zonas de Lisboa e de Sintra.
Com trabalhos em várias partes do mundo, Jorge Moura mantém-se fiel ao princípio de que se "pode criar boa arquitetura com qualquer tipo de orçamento. Só temos de ser mais criativos enquanto arquitetos".
RevistaÚnica - 8.1.2011-
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