sexta-feira, 29 de março de 2013

LENDAS DE PORTUGAL - LII - NELAS -

A SENHORA DA TOSSE

A veneração da Senhora da Tosse bem pode gabar-se de ser razão principal de uma aparatosa procissão e boa romaria com ares de feira. Na segunda-eira de Páscoa. O seu cenário é o lugar do Folhadal, no concelho de Nelas. Ora na Póvoa de Luzianes, em Senhorim, ainda neste município, há uma outra lenda que tem de comum com aquela o facto das protagonistas também serem três. Veja-mos então a da Senhora da Tosse, tal como a conta José Pinto Loureiro (Concelho de Nelas, 1957, 2ª ed.):

Apareceram, não se sabe quando, três irmãs no olival de Santa Maria, ainda hoje conhecido por esse nome, junto de Rio Mondego. Tinham todas o mesmo nome e combinaram separar-se no mesmo dia: uma ficou na capela existente naquele olival, outra foi para a capela das Pedras Ruivas e a terceira para a da Felgueira Velha. Os moradores do Folhadal foram buscar várias vezes a primeira, que traziam para a povoação, mas no dia seguinte aparecia novamente na capela do olival de Santa Maria. Por fim, trouxeram-na em procissão para a capela do Folhadal, donde nunca mais saiu.
As três Senhoras teriam combinado ficar perto umas das outras para se verem mais frequentes vezes.


Ora gente com problemas de garganta, sobretudo tosse e rouquidão, começaram a afluir à capela do Folhadal, obtendo as graças da cura. E os pagadores de promessas podem ver-se no dia da festa ou, mais discretamente, noutras alturas menos concorridas, andando de joelhos em torno do pequeno templo.
Quanto à lenda respeitante à Póvoa de Luzianes, Pinto Loureiro diz que:

...houve em Nelas três irmãs de nomes Maria, Luzia e Ana. Seus pais deixaram-lhes duas quintas, uma na margem do Mondego e outra que dava passagem para esta, muito menor que a primeira.
Combinaram ficar a Maria na menor, construindo aí uma casa onde viveu até morrer, e ao local ainda hoje se chama Póvoa da Maria. As outras foram para a quinta do Mondego, aí construíram casas e deram origem a uma povoação muito fértil, que se tem desenvolvido progressivamente, de nome Luzia Ana, denominada Póvoa de Luzianes.

Há ainda uma lenda de contornos trágicos, que envolve o infante D. João, filho de Inês de Castro e de Pedro o Cruel. Este casou com uma irmã de Leonor Teles, a viúva Maria Teles, impondo-lhe segredo sobre o laço. Ela terá contado e ele, considerando a infidelidade - esta e não outra - enfureceu-se apunhalando-a. Mas esta lenda está enredada de tal modo em factos e figuras históricos em que há muitos dados que não conferem.
Fiquemos-nos, pois, com o cadáver da viúva e pronto.


Sem comentários: