sábado, 30 de setembro de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 106ª - SEIXAL

O GUERREIRO E A VIRGEM

Paio Pires fica a uns três quilómetros e pico do Seixal, à beira da velha estrada entre Cacilhas e Setúbal. Pois esta povoação foi cenário de uns episódios que hoje contamos, os quais compõem uma interessante lenda.
Uma lenda romântica em que entra D, Paio Peres Correia, guerreiro português cujo nome ficou na História. Já agora, valerá a pena contar que o apelido Correia acrescentado ao Peres ou Pires foi da iniciativa dos seu bisavô, também Paio Peres. E fê-lo como lembrança amarga do tempo  em que comeu os arreios, ou correias, de   couro dos cavalos durante o tempo em que esteve cercado pelos mouros. Onde? Sabe-se lá. Mas terá sido em Almada ou por ali perto...
No princípio do sec. XIII, não obstante Lisboa estivesse definitivamente nas mãos dos portugueses, ainda havia grupos de mouros a vaguear pela zona. Assaltando, roubando e matando. Entre eles, o jovem Abu, que jurava recuperar aquelas terras e vingar as mortes de seus avô e pai. Porém, desde a queda de Almada, os seus companheiros estavam era com vontade de se passarem a dedicar aos novos tempos como vassalos do monarca português. Todavia, o jovem Abu considerava isso uma traição. E, desesperado, arranjou um bando de jovens mouros e arremeteu contra tudo o que era cristão nos arredores de Almada.
Um dia decidiu assaltar uma grande quinta às portas de Almada. O pessoal fugiu, mas o dono, um velho capitão e a filha deram-lhe luta tal que pareciam mesmo um regimento. Porém, Abu e os seus conseguiram vencê-los e entrar na casa. O mouro ficou espantado como aquelas frágeis gentes o haviam enfrentado com tanto vigor e feito tantas baixas. Perdeu o ódio que sempre tivera em si, rendia-se à beleza de Alda. Por fim, ouro para se inspirar em Alá. É que não se atrevia a matar aqueles dois prisioneiros.

E naquele espaço de tempo chegou o cavaleiro Paio Peres Correia e os seus homens, vinham de ter tomado Mértola, que logo ali dizimaram os mouros. Ao entrar na casa, ficou espantado com as parecenças da filha do capitão com Nossa Senhora da Anunciação.
Ele próprio enfrentou os mouros que ali estavam, conseguindo matar uns e pôr outros em fuga. Quanto a Abu venceu-o e preparava-se para lhe dar o golpe final, quando Alda lhe pede que o poupasse pois ele também havia poupado a sua vida e a de seu pai, tendo-os à sua mercê...
Sorriu-se Paio Peres porque leu amor nos olhares da jovem e de Abu. Propôs, no entanto, poupar-lhe a vida se ele se convertesse, o que foi aceite. E ofereceu-se logo para apadrinhar o casamento, que teve lugar na própria capela da casa.
No final da cerimónia, os da quinta decidiram que aquelas terras receberiam o nome de Paio Peres, e ainda hoje é Paio Pires a vila que cobriu po espaço da propriedade do velho capitão. Assim, o cavaleiro português passou a ter o mouro convertido e a valente e bela Alda como os seus maiores amigos de sempre.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

COMO SE CHAMA UMA CORRIDA DE ALGAS?

Resposta: uma algazarra.


Quando a vida te dá algas, constrói uma jangada. É este o mote de um dos pontos altos do Festival Cruinníu na mBád, que decorre em Kinvara, na costa sul de Galway, Irlanda. A primeira edição teve lugar em 1979 e, desde então, é ritual anual que centenas de barcos se juntem no porto de Kinvara para uma regata de celebração do comércio tradicional que se fazia, por mar,  até à região de Connemara, na costa ocidental da ilha. Um dos momentos que atraem mais gente é a corrida de algas.
Os participantes constroem jangadas que podem chegar às duas toneladas e as equipas têm de chegar à meta sem cair na água. Coordenação e equilíbrio num jogo de cintura improvável.

Notícias Magazine Nº 1320 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

ERVILHA DE CHEIRO

Classificação científica:
Reino: Plantae
Classe: Angiospérmicas
Ordem: Fabales
Família: Fabaceae
Género: Lathyrus
Espécie: Lathyrus Odoratus
Origem: Sicília, Itália


A ervilha-de-cheiro ou ervilha-cheirosa é uma planta trepadeira semelhante a ervilha comum, que pode atingir até 2,5 m de altura, havendo também alguns cultivares de porte baixo que atingem apenas 40 ou 50 cm de altura. Suas flores têm uma fragrância agradável e podem ser de várias cores, do branco ao vermelho e vários tons de rosa e roxo. Alguns cultivares têm flores bicolores.
Apesar do nome e da semelhança das plantas da ervilha-de-cheiro e da ervilha comum, as sementes têm substâncias tóxicas e não devem ser consumidas, pelo menos não com frequência ou em grande quantidade.
Os menores cultivares podem ser plantados em vasos e jardineiras, desde que os vasos tenham pelo menos 20 cm de diâmetro e profundidade. Os cultivares maiores devem ficar no jardim junto a treliças ou outros suportes, onde suas gavinhas possam se prender para que a planta cresça verticalmente.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 105ª - SANTA CRUZ DAS FLORES

NOSSA SENHORA DOS PIRATAS

Num dia de Janeiro de 1672, um dia bonito de mais para ser Inverno, os poucos habitantes do lugar de Santa Cruz, que andavam na azáfama de sempre, começaram a parar, de rosto voltado para a imensidão marinha. A pouco e pouco, os pequenos pontos na lonjura começaram a tornar-se mais claros. Eram barcos,  não tardaram que descortinassem serem piratas holandeses que se preparavam para o desembarque. Houve quem contasse vinte e quatro, vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete barcos!| Seria uma verdadeira razia naquela terra de tão pouca gente, que os não poderia enfrentar, e de tão parcos haveres. Pagariam com a vida o serem pobres, estas gentes das Flores. Viram como descia dos barcos as chalupas e os piratas se empurravam para serem os primeiros ao assalto, ouvia-se o ladrar dos cães, horrorosos cães, que os holandeses traziam para os lançarem contra as gentes indefesas. A enseada de S. Pedro era o objectivo daqueles piratas.
Homens e mulheres correram à igreja da Conceição e juntaram-se ao padre. A lenda diz que se tinham muito medo dos piratas, também tinham muita fé em Deus. Então, na matriz, tiraram do altar imagem da Senhora e dirigiram-se para  a praia, onde os piratas desembarcariam. Entoavam orações em voz alta e, sobretudo, escutava-se a prece:
"Senhora da Conceição, valei-nos! Tende piedade de nós!"
E quando a procissão chegava à Boca da Ribeira, as chalupas dos piratas holandeses estavam quase a atingir o areal. Porém, rapidamente se levantou uma ventania, mudou o tempo e as ondas tornaram-se alterosas. Aquilo era ver como os piratas mudariam o rumo no regresso aos barcos, remando com todas as forças, evitando serem atirados contra a penedia costeira. Os piratas que haviam ficado a bordo começaram logo a recolher as âncoras e a receber os homens que chegavam. Depois lá foi a armada da pirataria pelo mar fora, afastando-se da ilha.

Quanto ao povo, esse chorou de alegria e durante muitos e muitos anos agradeceu à Senhora da Conceição, que depois foi chamada Senhora dos Navios e Senhora dos Piratas, a sua pronta acção. Quem for a Santa Cruz das Flores poderá dar uma espreitadela à Senhora dos Piratas se dirigir à sacristia da igreja da Conceição. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

FLAMINGOS DE PATAS QUENTES

Não é só em Portugal que 2017 se tem revelado um ano com calor superior ao normal.
Em Singapura, os termómetros têm registado em Agosto uma temperatura média de 31 graus, quatro acima do que é normal nesta altura do ano. Há dias com registos muito próximos dos 40, coisa rara num país em que as variações térmicas são mínimas.
E se sufoco é grande entre habitantes, o mesmo é legítimo para os animais. No Parque de Aves de Jurong, que abriga 5000 exemplares de 400 espécies, 29 das quais ameaçadas de extinção, e é o maior jardim zoológico de género em todo o globo, foram tomadas algumas medidas especiais. Com o piso a aquecer nas horas de calor, os tratadores fizeram botas para que as crias não queimassem as patas. Como Squish, este flamingo bebé.



Notícias Magazine Nº 1318

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

SIMONE WEIL


O futuro não nos traz nem nos dá nada.
Nós é que, para construí-lo, devemos dar-lhe tudo.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

ANGÉLICA

Nome Científico: Polianthes tuberosa
Nomes Populares: Angélica, Angélica-de-bastão, Angélica-dos-jardins, Jacinto-da-índia, Tuberosa
Família: Agavaceae
Categoria: Bulbosas, Flores Perenes
Clima: Continental, Equatorial, Mediterrânio, Oceânico, Subtropical, Temperado, Tropical
Origem: América do Norte, Mexico
Altura: 0,4 a 0,6 metros
Ciclo de Vida: Perene


A angélica é uma planta bulbosa de flores brancas e perfumadas que simboliza a pureza. Suas folhas são longas, estreitas e de cor verde, formando moitas semelhantes a capim. O florescimento ocorre no final do verão e outono, com inflorescências do tipo espiga, em hastes eretas e altas, sobressaindo sobre a folhagem e com numerosas flores. As flores são cerosas, pequenas, de cor branca ou levemente rosada e liberam um delicioso e intenso perfume à noite. Elas se abrem gradativamente da base da inflorescência ao topo. Também podem ser simples ou dobradas, de acordo com a variedade.
Esta bela e singela florzinha é venerada no mundo todo, com destaque para a Índia e o México, principalmente quando o assunto é casamento. Na Índia, ela participa de diversos rituais, simbolizando a pureza e a cura. No Hawai elas também enfeitam os noivos, a cerimônia e a festa de casamento, entrando na confecção de arranjos florais, buquês e de coroas para as noivas, os hakus, além dos famosos leis, os típicos colares havaianos, para os noivos. Os antigos aztecas usavam o óleo essencial da flor para aromatizar o chocolate. Atualmente ele entra na formulação de perfumes e essências.


domingo, 30 de julho de 2017

O LADO TURCOMENO DA FERROVIA


É o sinal de um certo retorno à normalidade na Ásia Central.
Na fotografia vemos a chegada ao Turquemenistão do primeiro comboio vindo do Afganistão , depois da abertura da nova linha Lapis-Lazuli no final do ano passado. A cerimónia é marcada para posteridade com a fotografia de um grupo de cidadãos turcomenos com os trajes e bandeiras do país. A ferrovia está planeada para 400 quilómetros, mas, por enquanto, apenas 88 estão operacionais. Para o Afganistão tem sobretudo uma simbologia política - o país começa finalmente a reatar relações com os vizinhos. Para o Turquemenistão, um dos maiores exportadores de gás natural do mundo, é uma nova porta de saída na direcção da China, o lugar que realmente interessa.

Notícia Magazine Nº 1314

LENDAS DE PORTUGAL - 104ª - ARRONCHES

A NOVA AROCHE

É uma história de amor e intriga a lenda que nos conta a origem de Arronches. 
Situa-se no ano 39 da nossa era e começa quando o cruel Caio Germano Calígula obrigou um jovem nobre romano a comer à sua mesa na companhia do seu cavalo Incitatus, que tinha a categoria de primeiro cônsul! Irritado com a situação, Licínio Balbo abandonou Roma e viajou para a Andaluzia. E foi para a cidade de Aroche, governada por Flávio Valério, émulo de Calígula. Seja, em Aroche ele estava no centro de todas as intrigas, e os seus sicários maltratavam e matavam quem a sua arbitrariedade ordenava.


Quando Júlio Decêncio, oficial romano, entrou com a sua bela filha Márcia no salão de Flávio Valério, este fez comentários grosseiros em relação a ela. O pai, que ali fora convocado a comparecer com a filha enfrentou o governador, mas o poder do tiranete fazia-se senti. Depois Valério acusou Márcia de práticas cristãs, ameaçando-a. Entretanto,  os seus soldados trouxeram-lhe Licínio Balbo, que ele mandara prender nas ruas de Aroche. O rapaz, desenvolto, manifestou admiração pela jovem e o interesse em conhecer a religião cristã, desafiando abertamente o governador. Na frente deste disse em voz alta que ainda não conhecia Deus, mas não lhe repugnava acreditar que será mil vezes superior a Calígula.
E a conversa foi de novo encaminhada para o velho Júlio Decêncio e a sua filha. E no final quer estes, quer o jovem puderam sair, mas no ar pairavam as ameaças de Flávio Valério, que tinha a noção deles não poderem sair  de Aroche nem escapar ao seu controlo.
Prudentemente Márcia e Licínio estiveram alguns dias sem se deixarem ver, por fim encontraram-se. Tiveram então uma conversa, pela qual o jovem romano mostrou de novo interesse em conhecer o universo secreto dos cristãos, mesmo a sua doutrina. E a paixão instalou-se nos corações dos dois jovens, que passaram a andar juntos, frequentando Licínio Balbo a casa de Júlio Decêncio.
Porém, um dia, o namorado da Márcia soube que Flávio Valério tinha preparado uma emboscada para raptar Márcia, tencionando fazê-la ceder pela força aos seus apetites carnais. Decêncio dispôs-se a ir ao palácio do governador e matá-lo como a um cão. A prudência não lho consentiu e dispuseram-se abandonar a Andaluzia, fazendo-se acompanhar da centena de soldados da casa do oficial roman o, que estavam decididos a não abandonar o comandante. E assim fizeram.
Em pequenos grupos, Júlio, Márcia e Licínio saíram de Aroche, porém com saudades daquela terra que amavam como a sua. Porém, Márcia suspirou: "Formaremos uma nova Aroche... E lá, sob signo de Deus, poderemos ser felizes!"
E assim os persiguidos de Flávio Valério caminharam muitas léguas até chegar a Lusitânia e aí findaram a Nova Aroche, n ome que, com o andar dos tempos, se tornou Arronches.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

ALIMENTAR PEIXES A BIBERÃO



Conta uma lenda chinesa que a carpa que conseguisse alcançar o topo da montanha Jishinhan na época da desova, após nadar e saltar para atravessar o país, se transformaria num dragão.
Estas carpas koi terão pouco de dragões, alimentadas a biberão com ração num centro comercial em Hangzhou, província chinesa de Zhejiang. Mas, verdade seja dita, também pouco devem aos dragões:
as suas cores, o brilho e o que simbolizam fazem delas dos animais mais procurados em todo o mundo, com preços que podem ir dos dez aos dez  mil euro (ou mais).
As koi popularizaram-se no Japão em resultado de uma mutação genética da carpa comum, oriunda da China, e ainda hoje significam perseverança a perseguir objectivos, êxito ao alcançá-los e vida longa para gozá-los, razão por que são tão respeitadas. China e Japão veneram-nas em igual medida.
Podem viver mais de 40 anos e medir uns bons 60 centímetros.

Notícias Magazine Nº 1313


quarta-feira, 19 de julho de 2017

O SOL DENTRO DE ÁGUA

Na barragem do Alto Rabagão, em Montalegre está instalada uma ilha fotovoltaica à tona da água.
O projecto-piloto  foi inaugurado no início de Julho e custou 450 mil euro à EDP, que, no pico, espera acrescentar 220 quilowatts à produção da barragem.
São 840 painéis solares flutuantes, unidos numa espécie de jangada, e que aproveitam as infraestruturas da hidroeléctrica para escoar a produção de energia. Esta primeira ilha fotovoltaica da Europa servirá de teste de viabilidade para mais instalações. As vantagens são sobre tudo ao nível ambiental, já que reduz a utilização de terrenos para captação de energia solar.

Notícias Magazine Nº 1312

quarta-feira, 5 de julho de 2017

ALSTROEMERIA

Classificação científica:

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Liliales
Família: Alsroemeriaceae
Género: Alstroemeria


A Astroeméria é originária da América do Sul, a astromélia é encontrada em diversas variedades. As mais comuns são a Alstroemeria aurantiaca, A. psittacina, A. caryophyllaea, A. pulchella, A. haemantha e A. Inodora.  Popularmente, a espécie também é conhecida como minilírio, mas, apesar da semelhança com o lírio, são plantas de famílias diferentes.

A flor é composta por seis pétalas idênticas ou quatro iguais mais duas diferentes, que servem para indicar o pouso aos polinizadores. Conhecida pela diversidade de cores, que variam entre tons de rosa, vermelho e amarelo, a astromélia é muito usada na elaboração de arranjos e buquês. Mas pode compor canteiros, bordaduras e maciços.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 103ª - CORVO

ALI, FAQUIR E PIRATA CORVINO

Um olhar para as Açores, exactamente à Ilha do Corvo, em pleno século XV. Havia ali uma mulher solteira que tinha um filho, o que, para a sociedade local de então era motivo para ser rejeitada. Às vezes, chegava-se ao ponto de obrigarem as mães solteiras a abandonarem a ilha. E no caso desta, atribuíam-lhe mesmo poderes maléficos, chamavam-lhe bruxa.
Com tudo isto, se ela sofria, a criança, conforme crescia e ganhava consciência, tomava-se um ser amargo e revoltado. O moço sofria dolorosamente as humilhações que via a mãe padecer e sempre também sobravam para ele.
Coisa natural naqueles tempos, numa data altura, a Ilha do Corvo foi assaltada por piratas argelinos, que ali iam abastecer-se. O rapaz não quis saber de mais nada, logo aproveitou para se oferecer a acompanhá-los. Era a maneira que encontrava para se livrar da ilha que tão mal o tratara. E, depois, como a mãe já morrera, que ficava ali a fazer?
Os piratas argelinos fizeram uma grande viagem, indo depois dar a Túnis, onde o moço corvino foi oferecido a um faquir, mudando-lhe este o nome de Alípio para Ali. Com o seu amo e mestre, aprendeu tudo o que pôde, que lá esperto era ele. Não tardou a ter poderes de faquir: via a distâncias incalculáveis, deixava-se cortar pelas finas lâminas sarracenas e num ápice ficava curado. No peito ostentava a tatuagem do pentagrama, demonstrativa da sua autoridade como faquir. 
Mas há sempre um mas nestas lendas. E o mas de Ali era que, mesmo sendo um faquir, lhe aborrecia a penitência e o voto de pobreza que lhe cabia cumprir. Por outro lado, bailava-lhe na cabeça os vexames que com a mãe suportara na Ilha do Corvo e queria vingar-se. Como ouvia a voz da mãe dizer-lhe sempre:
"Pobreza não é vileza, mas é um ramo da picardia..."
Assim, atingindo a idade adulta dotado de saberes e poderes invulgares, não hesitou em arranjar tripulação para dois barcos de piratas, que passou a comandar.
De Larache, onde amara os barcos, Ali saiu para Corvo. Aí chegados, fundeou perto da baía da praia, para não serem vistos do Corvo, mas reparou neles uma corvina que por ali andava às lapas. E a mulher deu o alarme. E quando os piratas desembarcaram numa chalupa, a entrada da ilha estava tomada pelos corvinos que lhes lançaram pedras, obrigando-os a fugir para a chalupa. Porém, como se levantasse forte ventania, a embarcação voltou-se e os piratas, entre os quais Ali, não conseguiam nadar para os barcos, que era difícil e longe, nem regressar à praia onde os matariam. Desconfiaram que o comandante os queria entregar aos corvinos e cortaram-lhe o pescoço. Depois conseguiram salvar-se.
A cabeça foi dar à praia onde a reconheceram. Enterraram-na na areia, mas todas as noites ela se desenterrava e ululava pelos rochedos. Até que um dia ficou sob a areia para sempre...




sábado, 17 de junho de 2017

JOAN BAEZ



Você não pode escolher como vai morrer ou quando.
Você só pode decidir como viver para que não tenha sido em vão.

domingo, 4 de junho de 2017

FAMÍLIA PANDA A CRESCER


Estes são os primeiros pandas-gigantes a nascer em 2017 num centro de pesquisa que se dedica à protecção do panda-gigante, em Chengdu, na província chinesa de Sichuan. A mãe, Zhi Zhi, deu à luz dois machos no final de Abril que fizeram as delícias dos tratadores.
As primeiras semanas foram um desafio para esta família uma vez que, sendo a primeira gravidez de Zhi Zhi, esta não tinha leite suficiente para as duas crias. 
Mas passado o primeiro susto, o centro garante que estão os três em perfeitas condições de saúde. Este centro para pandas-gigantes foi inaugurado em 1987 com apenas seis animais resgatados. A taxa de fertilidade dos pandas que não estão em cativeiro é extremamente baixa.
Trinta anos depois, são já mais de cem os indivíduos que vivem neste ambiente protegido.

Notícias Magazine nº 1306

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ÍRIS GERMÂNICA

Nome Científico: Iris germanica
Nomes Populares: Íris, Flor-de-lis, Íris-barbado
Família: Iridaceae
Categoria: Bulbosas, Flores Perenes
            Temperado, Tropical
Origem: Europa


A Íris germânica é uma das espécies do género Íris que mais contribuiu para a formação dos populares híbridos actuais. Suas folhas são longas e laminares, como espadas, e medem cerca de 60 cm de comprimento. Elas são verde-azuladas e ficam dispostas em leque, partindo dos espessos rizomas. Estes rizomas são conhecidos por sua fragrância, quando secos e moídos, o que os torna muito utilizados em perfumaria.
As inflorescências surgem na primavera e verão e são compostas por cerca de duas flores. As flores são típicas do género Íris, com três sépalas caídas e três pétalas erectas. Cada sépala apresenta um tufo de pêlos em sua linha média, na parte superior – a barba da íris. Esta barba é geralmente branca com amarelo. As flores são originalmente azuis ou brancas, mas actualmente há centenas de híbridos e variedades das mais diversas cores e combinações em degradeé. Ocorrem ainda variedades com folhas variegadas de branco.

Cuidado: A seiva e outras partes da planta podem ser tóxicos se ingeridos ou em contacto com a pele. 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 102ª AMADORA -

A VELHA PORCALHOTA

Ora, então como é que a Porcalhota se tornou Amadora, sobretudo como é que apareceu aquele topónimo tão bizarro? E, depois, como é que os coelhos aparecem nesta lenda? 
Se formos a Pinho Leal, ficamos a saber que Porcalhota é diminutivo de Porcalha, significando leitoa. Em meados do século XIX, esta terra pertencia a Benfica. Não eram mais de 359 casas e uma ermida a Nossa Senhora da Conceição da Lapa. E havia Porcalhota de Cima e Porcalhota de Baixo, separadas por uma calçada. Pois a origem lendária da Amadora remonta ao século XIV, à Porcalhota, que é o núcleo populacional mais antigo do espaço da actual Amadora. Esse topónimo procedia do dono destas terras, Vasco Porcalho, que também era alcaide de Vila Viçosa. Na crise 1383-1385, este fidalgo, como muitos outros da velha nobreza portuguesa, apoiou D. João de Castela como rei legítimo, o que mais tarde o obrigou a fugir do reino. Herdou-lhe as propriedades a filha, fidalga, a quem as gentes chamavam Porcalhota! Ficou assim a zona a chamar-se Terras da Porcalhota. Convenhamos, com Delfim Guimarães, que se tratava de um nome malsonante e arreliador! Mas, atenção, tudo o que aqui se conte é do foro da lenda!
O século XVIII fez da Porcalhota uma zona de lazer da aristocracia sediada em Lisboa. Aqui se multiplicaram pequenos palácios em quintas de recreio. Mas, de repente, surge a verdadeira lenda desta povoação que se ia compondo como um puzzle - chama-se Pedro dos Coelhos. O Pedro dos Coelhos é a mais lendária figura da Amadora e o seu prestigio pede meças aos grandes cozinheiros de não menos grande Lisboa. Bastará chamarmos a testemunhar Mendonça e Costa que, em 1887, nas páginas da revista Ocidente, narrava que determinado indivíduo das bandas de Sete Rios, comia em casa coelho em todas as refeições, por imposição da mulher. Ora, farto daquilo, mudou-se para a Porcalhota e calhou-lhe sentar-se à mesa do Pedro dos Coelhos. Diz o cronista, que o conheceu, que nesse dia o coelho soube-lhe a pouco!
Pedro Franco se chamava o Pedro dos Coelhos e terá nascido nos primeiros anos do reinado de D. Maria II, falecendo com sessenta e tal anos, em 1906 ou 1907. Mas desde que enviuvara já não era o mesmo. Mas se morreu o homem, ficou a sólida lenda.



domingo, 28 de maio de 2017

MARCO TÚLIO CÍCERO



Se tens um jardim e uma biblioteca, tens tudo.

terça-feira, 16 de maio de 2017

CANTAR DE GALO



Há quem tenha predilecção por cães, gatos ou peixes como animais de estimação.
Depois há pessoas com um gosto mais inesperado. É o caso de Martin Herrera, 58 anos, que durante toda a vida alimentou uma paixão por galos. Há vinte anos que Martin se dedica a domesticar e a treinar estes animais, sendo já conhecido pelas ruas de San José, na Costa Rica.
O fiel companheiro Paquito acompanha-o para todo o lado, quer seja no café a tomar o pequeno-almoço, no autocarro ou numa procissão durante a semana santa.
Tem outros galos em casa, mas Paquito ocupa um lugar especial. Os dois seguem juntos pela rua sem o animal precisar de usar trela. Com a vida privilegiada que tem, porque iria fugir?

Notícias Magazine N.1303

segunda-feira, 8 de maio de 2017

8 DE MAIO DE 1978



Foi há 39 anos - parece que foi há mais tempo - que foi feita a primeira subida ao Monte Evereste sem a ajuda de oxigénio suplementar. Reinhold Messner e Peter Habeler foram os pioneiros quando poucos acreditavam que tal façanha fosse possível. Poucos, entre os europeus e restantes ocidentais, porque não faltavam relatos de habitantes locais (nepaleses, por exemplo) que já o teriam conseguido.


Verdade ou não, o nome do italiano dos Alpes, Messner, e do seu companheiro austríaco ficaram no livro dos recordes. Messner acabou por ter uma carreira de topo como aventureiro, explorador, escritor e tornou-se o primeiro homem a escalar os 14 picos acima dos 8000 metros de altitude. Polémico quanto baste, Messner não deixa de ser uma inspiração. Sem ajuda suplementar.

Notícias Magazin Nº 1302