sábado, 15 de setembro de 2018

ALBUFEIRA - A MAIOR CATAPLANA DO MUNDO


A maior cataplana do mundo vai ser apresentada hoje, 15 de Setembro, no Classic Weekend, que acontece na Marina de Albufeira. E o prato típico algarvio - provavelmente também o maior do mundo - começa a ser servido ao público a partir das 20h00. 

A confeção do prato será supervisionada por um cozinheiro de Albufeira e realizada por uma equipa de pessoas, implicando a utilização de qualquer coisa como 355 quilos de carne de porco, 267 quilos de amêijoas, 76 quilos de camarão, 88 litros de vinho, 89 quilos de cebola e 45 quilos de pimentos verdes e vermelhos, além de tomate, alho e restantes ingredientes.

A peça foi construída à medida por uma equipa de vários homens e integralmente à mão, com força de braços, durante várias semanas, para que estivesse pronta a tempo. Tem cerca de quatro metros de diâmetro, um metro e oitenta de altura e cerca de 540 quilos de peso e com capacidade para uma tonelada e 300 quilos de comida.

MÁRIO QUINTANA


Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz, você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

COREOPSIS

Classificação científica:
Reino: Plantae
Clado: Angiospérmicos
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Género: Coreopsis



A coreópsis apresenta ramagem densa e ramificada, com folhas espessas e lanceoladas com uma coloração verde vibrante. As flores são diminutas, como em outras plantas da família Asteraceae, e reunidas em capítulos solitários, simples ou semi-dobrados, sobre longos pedúnculos. As pétalas da colora expandida são amarelas ou alaranjadas, largas e com bordas denteadas. O contraste da folhagem com as flores tem grande efeito decorativo.
A floração se estende por todo o ano, em climas quentes, mas é mais abundante no verão. Rústica, tolera solos pobres, secas moderadas, além de ventos fortes e salinidade no solo, tornando-se uma boa escolha em jardins de praia.
Devem ser cultivadas sempre a pleno sol em solo fértil, leve e enriquecido com matéria orgânica para uma boa produção. Apesar de perene, requer reformas bianuais, através do replantio. As regas devem ser regulares. Têm potencial invasivo, podendo tornar-se daninha. Multiplica-se por divisão das touceiras e por sementes.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 117ª - POMBAL

O MOURO SEDUTOR E O FORNO

Pois deste município de Pombal, quantas lendas vamos contar? Pois duas. E vamos começar com um mouro de olhos . verdes e um notável poder de sedução. Chama-se ele Al-Pal-Omar, que em linguagem corrente e portuguesa dá, nem mais nem menos, Pombal! Porém, o mouro tinha um raio de acção, consentido pela velocidade do seu magnífico cavalo e pelo seu real poder, que  vinha das margens do Mondego ao curso do Tejo. Era por ali que se abastecia o seu notável harém. As mulheres amavam-no e os homens tinham-lhe um respeito alinhavado pelo medo.
Porém, certo dia, os cavaleiros templários, guiados pelo arcanjo S. Miguel, conseguiram cercar o mouro Al-Pal-Omar e dar-lhe um combate de morte, não sobrando nenhum dos seus acompanhantes. Ele sim, conseguiu fugir,  ninguém sabe se nas asas de algum pombo. Meteu-se no seu palácio encantado e, dizem, que na companhia das últimas conquistas. E foram-se os templários e taparam todas as possíveis saídas do palácio encantado e construíram-lhe em cima um bom castelo. Possivelmente conhecem-no, o castelo de Pombal!
Mas cuidado, ainda  hoje, qualquer menina que vá ao castelo depois do sol posto escutará uma cantiga que diz assim: 
Menina, vem ter comigo,
Vem o meu encanto quebrar
Sou um mouro teu amigo
Que te quer namorar...


Quem se tenta, entre as leitoras? Mas os leitores estarão pelos ajustes de se deixarem tentar pelo exemplo daqueles homens que ... Vá, comecemos pelo princípio.
Nos anos 1561-1562 houve uma epidemia de peste em todo o país, uma mortandade. A população  do concelho de Pombal sofreu como as outras. Ás tantas, fidalgos e povo juntaram-se e foram em procissão à igreja implorar a Nossa Senhora que acabasse com a desgraça no concelho. E logo se ofereceram com a obrigação de celebrar o primeiro domingo de Agosto de cada ano, com uma missa solene, sermão e, curiosamente, uma corrida de touros. Nossa Senhora não viu inconveniente no negócio e o povo, porque os nobres já acabaram, tem cumprido bem.
Mas aquele exemplo de que se falava atrás entre agora. Nossa Senhora fazia anualmente um milagre. Num forno de grande proporções, onde se entregavam às chamas umas sete ou oito carradas de lenha, aí era metido um bolo de trigo que rondava entre os cento e dez e os cento e vinte quilos. E o milagre não estava ainda aí...
O milagre consistia em entrar em seguida um homem no forno, claro que depois de ter confessado e comungado, dava uma volta ao bolo em  pleno cozimento e saía. Sem se queimar! E isto acontecia diante de uma imagem de Nossa Senhora, colocada diante da porta do forno. Até 1913 aconteceu isso.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

BRUXAS NÃO EXISTEM



Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres malvadas que passavam o tempo todo maquinando coisas perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A prova para nós era uma mulher muito velha, uma solteirona que morava numa casinha caindo aos pedaços no fim de nossa rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós só a chamávamos de "bruxa".
Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam palha, o nariz era comprido, ela tinha uma enorme verruga no queixo. E estava sempre falando sozinha. Nunca tínhamos entrado na casa, mas tínhamos a certeza de que, se fizéssemos isso, nós a encontraríamos preparando venenos num grande caldeirão.
Nossa diversão predileta era incomodá-la. Volta e meia invadíamos o pequeno pátio para dali roubar frutas e quando, por acaso, a velha saía à rua para fazer compras no pequeno armazém ali perto, corríamos atrás dela gritando "bruxa, bruxa!".

Um dia encontramos, no meio da rua, um bode morto. A quem pertencera esse animal nós não sabíamos, mas logo descobrimos o que fazer com ele: jogá-lo na casa da bruxa. O que seria fácil. Ao contrário do que sempre acontecia, naquela manhã, e talvez por esquecimento, ela deixara aberta a janela da frente. Sob comando do João Pedro, que era o nosso líder, levantamos o bicho, que era grande e pesava bastante, e com muito esforço nós o levamos até a janela. Tentamos empurrá-lo para dentro, mas aí os chifres ficaram presos na cortina.

- Vamos logo - gritava o João Pedro -, antes que a bruxa apareça. E ela apareceu. No momento exato em que, finalmente, conseguíamos introduzir o bode pela janela, a porta se abriu e ali estava ela, a bruxa, empunhando um cabo de vassoura. Rindo, saímos correndo. Eu, gordinho, era o último.
E então aconteceu. De repente, enfiei o pé num buraco e caí. De imediato senti uma dor terrível na perna e não tive dúvida: estava quebrada. Gemendo, tentei me levantar, mas não consegui. E a bruxa, caminhando com dificuldade, mas com o cabo de vassoura na mão, aproximava-se. Àquela altura a turma estava longe, ninguém poderia me ajudar. E a mulher sem dúvida descarregaria em mim sua fúria.
Em um momento, ela estava junto a mim, transtornada de raiva. Mas aí viu a minha perna, e instantaneamente mudou. Agachou-se junto a mim e começou a examiná-la com uma habilidade surpreendente.
- Está quebrada - disse por fim. - Mas podemos dar um jeito. Não se preocupe, sei fazer isso. Fui enfermeira muitos anos, trabalhei em hospital. Confie em mim.
Dividiu o cabo de vassoura em três pedaços e com eles, e com seu cinto de pano, improvisou uma tala, imobilizando-me a perna. A dor diminuiu muito e, amparado nela, fui até minha casa. "Chame uma ambulância", disse a mulher à minha mãe. Sorriu.
Tudo ficou bem. Levaram-me para o hospital, o médico engessou minha perna e em poucas semanas eu estava recuperado. Desde então, deixei de acreditar em bruxas. E tornei-me grande amigo de uma senhora que morava em minha rua, uma senhora muito boa que se chamava Ana Custódio.

(Moacyr Scliar)

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

HELOTROPIO


Classificação cintífica:
Reino: Plantae
Classe: Eudicotiledóneas
Ordem: Polemoniales
Família: Boraginaceae
Género: Heliotropium
Espécie: Helotropium europaeum



Heliotrópio, de nome científico heliotropium europaeum, é uma planta da família das boragiaceas que pode alcançar entre um e cinco metros de altura. Também conhecida como erva das verrugas, tornassol, tornassol com pelos, verrucária ou verrucária peluda, a planta possui um cheiro agradável e coloração acinzentada ou esverdeada. Possui a corola branca ou lilacínea, afunilada ou assalveada. Sua inflorescência não é bracteada e as folhas são elípticas e, assim como os caules, cobertas de pelos suaves. A planta é considerada em algumas localidades como uma erva daninha que cresce na estrada, mas também pode ser usada como planta ornamental.
Suas sementes germinam principalmente durante a primavera e tornam-se bastante resistentes à seca devido a um sistema radicular profundo. Suas flores surgem dentro de algumas semanas e continuam durante o verão, normalmente morrendo no período do inverno.
Seu nome deriva da característica comum das plantas do gênero: helio que Seu nome deriva da característica comum das plantas do gênero: helio que significa sol, e tropium, que significa virar-se para, remetendo ao fato de que as flores seguem o movimento do sol durante o dia.A planta anual é nativa da região mediterrânea, podendo ser encontrada de forma dispersa ao sul e à oeste da Europa, norte da África, sudoeste asiático, além das ilhas da Macaronésia, com exceção a Cabo verde.

Sua introdução em outros continentes foi, provavelmente, acidental, e em algumas regiões da Austrália, inclusive, encontrou excelentes condições para o desenvolvimento, de forma que, inclusive, interferiu

Benefícios e propriedades

Originária da Europa, a planta possui propriedades anticéptica, cicatrizante, febrífuga e emenagoga, ajudando a desinfectar e acelerar a cicatrização de feridas, além de activar a menstruação e estimular o funcionamento da vesícula biliar.
Seu uso para fins medicinais foi relatado em uma ordem emitida por Carlos Magno, o Capitulare de vilis, em que consta que suas terras eram usadas para cultivar uma grande quantidade de ervas, que inclui o heliotropium europaeum. no equilíbrio ecológico da região.

Contra indicações e toxicidade

É bastante comum encontrarmos animais que foram mortos por intoxicação causada por essa planta, fato comum entre gado e cavalos, que são mais susceptíveis do que os ovinos. A planta é venenosa e contém alcaloides pirrolizidinicos.



terça-feira, 31 de julho de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 116ª - FERREIRA DO ZÊZERE

A MOEDA DE OURO

Para sustento da casa, onde muitos eram filhos, ele trabalhava em terras alheias e ela corria montes recolhendo o que pudesse para ajudar. E o que ela suportava nos seus magros ombros! Pois passando ela junto do Penedo da Bica, às pinhas, ouviu gemidos. Olhou em volta, aquilo só poderia vir de dentro do penedo! Mas nem teve tempo para pensar, pois apareceu-lhe uma jovem moura, que lhe disse: "Se pudesse dar uma ajudinha à minha irmã que está lá dentro a ter um filho... Por favor, estou cheia de medo..."
A boa mulher olhou as suas mãos cheias de terra, lembrou-se também dos filhos que tivera, ajudada pela velha da aldeia, que era a parteira e murmurou: "Vamos lá..."
Nesse momento, avançando por onde a moura lhe indicava, viu no penedo uma lindíssima porta. Depois havia um corredor ricamente decorado. Ouro e pedrarias por toda a parte. Então, a moura fê-la entrar no quarto da irmã. E eram tantas as riquezas que até teve dificuldade em ver a irmã da moura que a chamara! Pedia para lavar as mãos e trouxeram-lhe uma bacia de ouro. Aquilo era tudo tão rico que ela ficou intimidada e custava-lhe discorrer. Por fim, lá nasceu a criança, uma menina.
Entraram então no quarto muitas fadas que levaram a criança. E a irmã da moura, que parira nas mãos da aldeã, entregou a esta uma cafeteira cheia de brasas queimadas e levou-a para o lado de fora do Penedo.

Entretanto, enquanto reparava que a porta desaparecera e colocava o seu pesado fardo às costas, a aldeã não pôde deixar de pensar que se a cafeteira ainda lhe fazia jeito, que era bem bonita, as brasas queimadas não tinham préstimo. E deitou-as fora. Mas cada brasa era uma moeda de ouro. Quis recolhê-las do chão, mas elas desapareceram. Encolheu os ombros e lá foi andando para casa. Chegada, fechou-se com o marido no quarto e contou-lhe o que se passara. Ele desatou a rir, dizendo que ela sonhara aquilo. Então ela, inclinou  a cafeteira, a mostrar como fora e, eis senão quando, uma moeda de ouro saltou para o chão, rolando por todo o quarto até se imobilizar aos pés do casal!
                    

domingo, 8 de julho de 2018

MARK TWAIN


Não há tempo... tão curta é a vida,
para discussões banais, desculpas, amarguras, tirar satisfações.
Só há tempo para amar.
E mesmo para isso, é só um instante.
Uma vida boa se constrói com boas relações.

terça-feira, 3 de julho de 2018

CALENDULA

Classificação científica:
Reino: Plantae
Classe: Eudicotiledóneas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Género: Calaendula



Calendula é um género de plantas pertencentes à família Asteraceae, vulgarmente chamadas calêndulas ou maravilhas. Calêndula é nativa da África central e foi trazida e disseminada ao Brasil nos meados do século XVIII.

Características básicas
Pertencente à mesma família das margaridas - Asteraceae - a calêndula (Calendula officinalis) é originária da Europa meridional e se relaciona intimamente com o sol. Curiosamente, essa flor abre suas pétalas assim que o sol nasce e as fecha na hora em que ele se vai. Aliás, seu nome é derivado de uma palavra latina - calendae - que significa "primeiro dia de cada mês", de onde se derivou também a palavra calendário (que, sabe-se, é baseado no ciclo solar).
No Brasil, a calêndula adaptou-se facilmente, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Hoje, ela é cultivada tanto para fins ornamentais como para a fabricação de medicamentos e cosméticos. A flor, de coloração amarelo-alaranjada, caracteriza-se pelo inegável perfume e as folhas são macias e aveludadas. Planta anual, a calêndula pode atingir até 50 cm de altura e apresenta caules ramificados em duas hastes. As folhas inferiores são espatuladas e as caulinares são lanceoladas e alternadas.
Atualmente, as flores cultivadas sem agrotóxicos ou aditivos químicos são comercializadas para consumo em saladas ou acompanhando outros pratos.
Uso medicinal
Muito utilizada na industria farmacêutica.
Conta-se que na guerra civil americana, os médicos que atuavam nos campos de batalha utilizavam as flores e as folhas da calêndula para tratar os ferimentos dos soldados. Anos mais tarde, a ciência comprovou os efeitos que aqueles médicos conheceram na prática. No Brasil o seu uso fitoterápico é aprovado pelo Ministério da Saúde.
A partir da calêndula, a medicina homeopática produz remédios que são usados oralmente, inclusive em períodos pós-operatórios, justamente pelos poderes já citados. Na medicina popular, a planta é muito utilizada para tratar problemas uterinos e cólicas menstruais, estimular a atividade hepática e atenuar espasmos gástricos. É claro que devem ser evitados exageros ou abusos na aplicação de plantas em tratamentos. No caso da calêndula, é importante esclarecer que, em excesso, a planta pode provocar depressão, nervosismo, falta de apetite, náuseas e até vômitos.
Uso cosmético
É na fabricação de cosméticos que a calêndula faz o seu reinado: os diversos princípios ativos da planta são responsáveis pelos eficientes efeitos no tratamento de pele e cabelos. A calendulina, por exemplo, um pigmento que dá a cor alaranjada às pétalas, presente em boas doses nas flores, juntamente com a resina e a mucilagem, são responsáveis pelos poderes regeneradores e cicatrizantes. Outros princípios engordam a lista de propriedades da calêndula, amplamente usada na fabricação de shampoos, loções, sabonetes e cremes. Aliás, ela é uma das bases mais utilizadas na fabricação de produtos indicados para cabelos oleosos e peles com cravos e espinhas.

sábado, 30 de junho de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 115ª - ANADIA

A VINHATEIRA E O CERTOMA

Que mais poderia querer a capital da Região dos Vinhos da Bairrada do que ter o nome da sua capital intimamente relacionado com uma famosa vinhateira do passado? Porém, um passado tão remoto que não conseguimos descortinar o tempo em que viveu a famosa Ana Dias. Mas temos lenda, e lenda tão interessante como a que dá o nome a boa parte do Rio Cértima. O pior, nestas coisas, é que aparece alguém a querer dar cabo da lenda com etimologias e outros dados. Mas vamos lá às lendas.
Ana Dias, naqueles recuados tempos, era nome tão respeitado como o de Baco. Possivelmente, até mais. Porque Ana Dias se apresentava à estrada de  Coimbra com os seus maravilhosos vinhos obrigando a parar ali quem fosse ou viesse à cidade dos doutores. Quantos ali não sentiram o estímulo dos bairradinos para abrir um livro de leis ou um copo na mesa da autópsia? Também, valha a verdade, também acreditarmos que a Ana Dias ou qualquer dos seus vizinhos decerto também fari ou fariam  rodar letões no espeto porque não se deve beber sem lastro nem se deve comer sem o apoio de um pichel dos de Ana Dias. Ah, o que nunca conseguimos descobrir é como se chamava o povoado antes dele se identificar com sua personalidade, inapelavelmente, mais importante! E que importa? 
Aqui há uns tempos, numa revista bairradina, o escritor Idalécio Cação levantava a questão de nunca se falar no marido nem nos possíveis filhos de Ana Dias. Era só ela e a sua produção de vinhos.  Nem nos sobrou retrato seu que, a avaliar pela fama, até deveria ter circulado em moeda! Mas não, só a sua fama de fazer parar os viajantes, consolar-lhes os sentidos com as suas produções e ficá-los a ver dobrar a curva da estrada, mal equilibrados nas suas cavalgaduras. E Manuel Rodrigues Lapa, o ilustre filólogo, que nos teria podido dizer de Ana Dias? Não que a tivesse conhecido, mas por via do topónimo da sua terra...


Quando ao rio, o leitor deve ter estranhado o nome - Certoma. Toda a gente conhece o Rio Cértima, agora Certoma. Já lá vamos. Pois o Cértima é um subafluente do Rio Vouga, nasce na Serra do Buçaco, um pouco abaixo da Cruz Alta, a 380 metros de altura. Galga 43 quilómetros na direcção Sul-Norte, atravessando quatro concelhos, atravessando a Pateira de Fermentelos. Ora o nome do rio é Cértima, mas até Avelãs do Caminho é designada com o Certoma. E porquê?
Um belo dia, nas imediações de Anadia, a rainha santa, que ia peregrinar a Santiago de Compostela, sentiu sede. Logo alguns dos seus acompanhantes dirigiram-se ao rio e encheram uma vasilha. Houve até um que provou a água e achou-a imprópria. Mesmo assim levou-a à soberana, tendo o cuidado de a prevenir. Ao primeiro golo Isabel de Aragão sentiu-se incomodada e comentou: "Que sabor esquisito, esta água é do certo  má..."
E de decerto má a certomá e certoma foi um salto de passarinho. Ficou o Rio Certoma, mas, a partir de determinada altura toda a gente passou a dizer Cértima como alternativa a Certoma. Mas há quem  arranje as tais etimologias...

domingo, 3 de junho de 2018

SCABIOSA

Classificação científica:
Reino: Plantae
Clado: Angiospérmicas
Ordem: Dipsacales
Género: Scabiosa




Scabiosa é um género botânico pertencente a família das Dipsacaceae .
São plantas herbáceas, floríferas e perenes. Os membros deste género são nativos da Europa ,Ásia e África. Devido a beleza de suas flores, muitos cultivares foram desenvolvidos como plantas ornamentais para jardins. Crescem de 70 cm a 1 metro de altura.
Apresentam muitas flores pequenas de coloração suave azul-lavanda, lilás ou creme pálido. As flores crescem isoladamente no alto do talo. Por serem ricas em néctar atraem muitos insetos, incluindo as lepidopteras.


quinta-feira, 31 de maio de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 114ª - BENAVENTE

MEMORIAL DE S. BACO

Será que S. Baco consta do vosso hagiológio? Estão mais habituados a tratar com o velho Baco, ou S. Máculo, foi um mártir efectivamente cristão, disputadíssimo pelos povos de Benavente e de Salvaterra de Magos. Houve até um príncipe que ofertou ao Convento de Jenicó, em Benavente, a relíquia de um ossinho da cabeça de S. Baco. E lá está também uma boa imagem dele, vestindo o hábito dos frades arrábidos. É o advogado das sezões e o resultado é que a imagem tem as costas raspadas, pois há quem queira curar as suas maleitas fazendo uma mistela com pó do santo dissolvido em água. Até se dizia que curava o paludismo. E o problema é que se dizia que quem se risse das propriedades curativas de S. Baco sofreria terríveis febres!
Mas vejamos agora a lenda de S. Baco. Pois um camponês prometera-lhe, como paga da sua ajuda a arranjar emprego numa quinta, levar-lhe um cacho das melhores uvas da sua colheita. E levou-lo, colocando-lo no altarzinho. E o cacho esteve meses ali, sempre em bom estado de conservação. Como se não tivesse saído da parreira, diziam alguns. O pior foi quando o homem, por qualquer razão, foi despedido. Zangado, foi ao Convento de Jenicó, entrou na igreja, directo ao altar de 
S. Baco, deito a mão ao cacho e ali mesmo comeu as uvas!


Houve quem visse este acto e o seguisse. Assim, soube-se que quando ele entrou em sua casa, sentiu-se mal e acabou por morrer nessa mesma noite. Por isso as pessoas dizem que aquilo foi castigo do mártir.
Em 1834, quando foram extintas as ordens religiosas e  confiscados os mosteiros e conventos, ao ser destruído o de Jenicó, a população de Benavente foi lá buscar a imagem para a igreja matriz. Porque a imagem sempre tem mais de um metro de altura, levaram um carro puxado por uma junta de bois. Porém, a coisa complicou-se. Carregados com a imagem, os bois não conseguiam avançar. Mas quanto a recuar, isso pareciam fazê-lo até de bom grado. 
Furioso com o que lhe pareceu ser birra de S. Baco, o campino que dirigia a manobra picou os olhos da imagem como o aguilhão e, como castigo, logo ai ficou cego.
Os de Salvaterra de Magos, vendo que os de Benavente não conseguiam fazer deslocar o santo, aí por meados do século XVIII, foram eles a Jenicó buscar a imagem de S. Baco. Carregarem-na, é verdade, e avançaram com ela o seu bocado, sem que os bois se mostrassem cansados. Mas quilo foi ilusão de  momento, pois num repente os bois pararam e o carro atascou.
Passou então, por eles um velho de longas barbas, que disse: "Voltem os bois para trás, que eles andarão até ligeiros. Doutro modo, o carro nunca mais sairá daí!"
E assim foi, ficando no ar a dúvida se o velho teria sido o próprio S. Baco...

domingo, 13 de maio de 2018

MARQUÊS DE POMBAL - O HOMEM DA BAIXA



"Um dia estas ruas serão estreitas", terá dito Sebastião José de Carvalho e Melo, quando questionado sobre a largura das ruas da renovada Baixa de Lisboa, no pós-terramoto de 1755.
Aquele que ocupou um cargo similar ao de primeiro-ministro no reinado de D. José I é um dos grandes líderes da história de Portugal. Mas não escapa a críticas e a momentos mais delicados no seu passado,  como o alegado mau feitio e a perseguição aos opositores.
Nasceu em Lisboa a 13 de Maio de 1699, estudou em Coimbra, fez o serviço militar e aos 39 anos chegou a embaixador de Portugal na Grã-Bretanha. Seguiu-se o mesmo cargo na Áustria.
Morreu aos 83, em Pombal. Faria hoje 319 anos.

Notícias Magazine Nº 1355

domingo, 6 de maio de 2018

O DIA DA EUROPA



A 9 de Maio de 1950 começou a germinar a semente do que é hoje a União Europeia. E se há responsável  por  isso é ROBERT SCHUMAN, já que foi este luxemburguês quem apresentou a proposta para a criação de uma Europa organizada, passo fundamental -defendia ele- para  manter a paz no continente. A Declaração Schuman, como ficou conhecida, apresentava os princípios gerais da democracia supranacional. Um ano depois foi assinado o Tratado de Paris e nasceu a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, a base da actual UE,
Schuman teve também um papel fundamental (como primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros francês) na criação da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Este democrata-cristão nasceu na disputada região da Lorena, estudou entre Alemanha e França. escapou por questões de saúde à Primeira Guerra Mundial, fez parte do governo do colaboracionista marechal Pétain, votou a favor de ser dado poder total a esta aliado de Adolf Hitler, tendo-se posteriormente recusado a continuar no executivo. Foi preso e interrogado pela Gestapo e escapou por pouco ao envio para o campo de concentração alemão de Dachau, tendo-se tornado membro da Resistência.
Para a construção da Europa foi uma das vozes mais eloquentes a pedir a reconciliação dos países inimigos. E tudo começou há 68 anos.

Notícias Magazine Nº 1354

quinta-feira, 3 de maio de 2018

BROMÉLIA

Classificação científica:
Domínio: Eukaryota
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Subclasse: Commelinidae
Ordem: Poales



A Bromélia é um género botânico pertencente à família Broemliaceae, subfamília Bromelioideae, embora seja comum denominar com o mesmo nome as espécies de outros géneros da mesma família.
As espécies deste género estão distribuídos pelas regiões dos continentes americanos e sua principal característica é a de suas flores apresentarem um cálice muito profundo.
O nome foi dado em homenagem ao botânico sueco Olof Bromelius (1639-1705).
A fibra que se obtém da Bromélia serra e Bromélia hieronym, é uma das bases da economia dos índios da tribo Wichi na zona de clima semiárdio do Chaco argentino. Um texto de 1841 descreveu a fibra de grama de seda (Bromélia karata) como “igual em durabilidade as nossas melhoras cordas de arco”.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 113ª -ARGANIL

O CASTANHEIRO E O MENINO

Assim como em Miranda do Douro há um Menino Jesus da Cartolinha com uma colecção de roupas profanas, numa capela do Monte Alto, em Arganil, vemos uma imagem do Menino Jesus da Ladeira vestido... à Napoleão! À volta da capela, uma densa floresta, abundante em castanheiros. Pois bem, ao entardecer de um dia de festa, uma velha muito velha entrou na capela do Menino Jesus da Ladeira. Achou-o tão bonito - e bonito ele é! - e lá entendeu que o queria levar para casa. Rouba, não rouba, ajoelhou-se e rezou. Mas, num repente, não vendo ninguém na capela, deitou a mão à imagem e escondeu-a debaixo do xaile. E logo saiu porta fora! Mas, apesar de estar a acabar a festa e não fosse provável que dessem pelo roubo, muito menos que dela desconfiassem, a velha, cautelosa, foi esconder a imagem na toca de um castanheiro, mesmo ao lado do caminho, onde decerto também ninguém, daria por ela.
Assim, passados dias sem que nada tivesse acontecido, a velha decidiu ir buscar a imagem aonde a escondera. Lá estaria, à sua espera, na toca do castanheiro. Só que ela lhe tinha perdido o sítio! Passou então o Verão, as castanhas caíram, depois caíram as folhas  a todos os castanheiros. Chegava o Inverno. Mas a todos os castanheiros não, que aquele, o do Menino, manteve as folhas, folhas amarelas, da cor do ouro! Entretanto, já se dera pelo desaparecimento da imagem e andavam as gentes alvoroçadas.


Porém, um dia, um pastor que andava a guardar o seu rebanho pela floresta, parou junto do castanheiro das folhas do ouro. E viu. Viu o quê? Claro, o Menino Jesus, ainda vestido à Napoleão, sentadinho dentre de uma toca no tronco! E deu vivas e mais vivas, alertando toda a gente! Fez-se logo uma grande procissão para conduzir de novo o Menino para o seu altarzinho na capela. Como se não bastasse, as pessoas até agradeceram ao castanheiro ter protegido o Menino de más mãos. E acontece que aquele castanheiro nunca perdeu as suas folhas tão lindas.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

25 DE ABRIL


A Revolução dos Cravos faz 44 anos e continua a ser matéria da discussão sensível na sociedade portuguesa. Mas o 25 de Abril não tem conotações políticas apenas em Portugal.


Em Itália, por exemplo, é festejado como o Dia da Libertação. Foi nesse dia, em 1945, que terminou a Guerra Civil italiana e a ocupação nazi e também decretada a pena de morte para o ditador Benito Mussolini e todos os líderes fascistas do país.


Em França, o 25 de Abril não é feriado, mas tem uma conotação de liberdade e luta associada. É que nesse dia, mas em 1792, Claude Joseph Rouget de Liste escreveu "A Marselhesa", o hino nacional do país. O contexto era o da declaração de guerra de França para com a Áustria e surgiu com o título de "Canto de Guerra para o Exército do Rhin". Tornou-se popular, juntando liberdade e patriotismo, apelando à luta contra os invasores estrangeiros. Foi adotada como hino nacional e, 1795 e ficou conhecida por "A Marselhesa" graças aos voluntários dessa cidade que a cantaram enquanto marchavam a caminho de Paris.

domingo, 22 de abril de 2018

HÁ COINCIDÊNCIAS

Qual a probabilidade de dois dos mais proeminentes escritores da história morrerem no mesmo dia, no mesmo ano? Pouca, mas aconteceu. Foi em 1616, a 23 de Abril, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

William Shakespeare foi poeta, dramaturgo, actor, esteve na base de cerca de 40 peças e está traduzido nas principais línguas do mundo. com obras como Othello, Hamlet ou Rei Lear. Ainda hoje as suas peças continuam a ser representadas por actores de encenadores de todas as idades e proveniências. 

Miguel de Cervantes, espanhol, também morreu no mesmo dia e deixou aquela que é considerada a obra-prima da literatura castelhana. Dom Quixote é o livro mais traduzido do planeta, depois da Bíblia. Cervantes foi assistente de cardeal em Roma, soldado na Armada Espanhola, foi capturado por piratas, passou cinco anos em cativeiro e só saiu mediante o pagamento de um resgate. Esteve preso por evasão fiscal e morreu na sequência de diabetes do tipo II.
Já Shakespeare morreu um mês depois de assinar o seu testamento, e de causas incertas. Especula-se sobre uma febre causada por abuso de álcool.

Notícias Magazine Nº 1352

LIFELINE EXPRESS - INDIA


É pela rede de caminhos-de-ferro da Índia que passa este Lifeline Express, o primeiro comboio-hospital do mundo.
Perante um cenário de degradação, o caminho desta senhora é em direcção ao comboio que, com o brilho das suas cores, dá vida à estação de Jalore desde 28 de Março.
Administrado pela Impact India Foundation , este  hospital ferroviário oferece tratamentos e cirurgias gratuitas aos mais desfavorecidos. O Lifeline Express foi desenvolvido com a parceria da Indian Railways e visita, essencialmente, as áreas rurais do país que apresentam escassez de recursos e instalações de saúde. 
No interior do comboio há sete carruagens com instalações médicas e equipamentos tecnológicos de última geração. para responder às necessidades de todos os pacientes.
O comboio solidário que percorre a Índia conta com 191 projectos e já se tornou uma referência internacional para outros países que pretendem criar projectos semelhantes, como a China e a África Central.

Notícias Magazine Nº 1352

domingo, 1 de abril de 2018

LÍRIO-DO-VALE

Classificação científica:
Reino: Plantae
Subreino: Tracheobionta
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Subclasse: Liliidae
Ordem: Asparagales
Família: Ruscaceae
Género: Convallaria
Espécie: Convallaria Majalis




Convallaria majalis , conhecida pelo nome comum de lírio-do-vale, é uma espécie de erva nativa da Europa da família das convalariáceas. Tais lírios chegam a medir até 30 cm. Também são conhecidos pelos nomes populaes de campainhas, lírio-de-nossa-senhora, convalária, flor-de-maio, lírio-convale, mugué, muguet, muguete e muguete-do-vale. Embora venenosa, é cultivada como ornamental por suas flores que surgem no mês de maio.