sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 109ª - CAMPO MAIOR

O TAMBORZINHO E A PEDRA

Os campomaiorenses contam que numa guerra, não se sabendo a guerra que fosse, estando Ouguela  cercada pelo inimigo, não havia possibilidade de mandar pedir reforços à praça de Campo Maior. Foi então que um rapazinho, que tocava tambor na guarnição daquele castelo, se ofereceu para ser o mensageiro.
Sabia que arriscava a vida, mas também estava na sua habilidade para enganar o inimigo a salvação dos seus amigos de Ouguela. Assim, da muralha saltou para os ramos da velha figueira que ainda hoje está quase encostada ao castelo arruinado. Levava consigo uma bandeira e a mensagem esc ritsa com o pedido de socorro. E assim aconteceu.
O rapazinho atravessou as tropas inimigas, que cercavam Ouguela, e foi ter a Campo Maior, onde entregou a mensagem no hospital.
Bem, isto é o que resta da lenda do tamborzinho e decerto por detrás disto deve haver um episódio real, mas esse caiu no absoluto esquecimento...

Mas há duas outras lendas respeitantes à mesma pedra que ainda hoje podemos observar no pequeno templo dedicado a Nossa Senhora da Enxara, em Campo Maior.
A primeira conta-nos que estava uma mulher a lavar roupa acompanhada de uma filha pequena. A miúda, irrequieta, de um lado para o outro, desapareceu da vista da mãe durante algum tempo. Quando regressou, vinha toda contente. Trazia um brinco de ouro. A mulher ficou surpreendida e quis saber como é que ela o tinha arranjado. E a pequena respondeu que tinha sido uma senhora muito bonita. A lavadeira achou que a história não tinha pés nem cabeça e disse à filha que lhe fosse mostrar a senhora. E lá estava ela numa clareira, sobre uma pedra redonda, como uma mó, a Nossa Senhora.
Espalhada a notícia, a população da Campo Maior, muito devota, quis logo fazer uma capela na margem direita do rio, a meio do caminho entre a vila e o lugar em que tinha aparecida. Mas os materiais anoiteciam aqui e amanheciam na tal clareira onde aparecera a imagem. Tudo isto como um sinal, ali decidiram levantar a capela.
Ora com esta Nossa Senhora da Enxara há ainda uma lenda que diz que quando não havia água nem chovia em Campo Maior, se fazia uma cerimónia em que os campomaiorenses, rezando, atiravam a pedra onde se encontrara a santa ao rio, para que a Senhora fizesse chover. Depois, como quase sempre chovia mesmo, o ritual era inverso para a recolocação da pedra na capela sob a santa.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

FRANCISCO ASSIS


Ninguém é suficientemente perfeito, que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente estruído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão.

domingo, 10 de dezembro de 2017

AS PRIMEIRAS LUZES DE NATAL

Se Thomas Edison criou, em 1880, as primeiras lâmpadas dignas desse nome, dois anos depois houve alguém, também nos EUA, que usou essa invenção para lançar as primeiras luzes festivas. Edward Johnson, amigo e colega de Edison, instalou oitenta lâmpadas vermelhas, brancas e azuis (as cores da bandeira), na sua árvore do Natal de 1882. 


A tradição só pegou em 1923, depois de o presidente Calvin Coolidge ter acendido três mil lâmpadas em torno da gigante árvore de Natal da Casa Branca.

Notícias Magazine Nº 1332

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

OS PRIMEIROS POSTAIS DE NATAL


A tradição de enviar cartas pelo correio já não é o que era. Mas os postais de Natal continuam a circular e a ser populares.
Tudo começou em 1843, em Londres. Os primeiros postais, nada religiosos, foram encomendados pelo inventor britânico Sir Henry Cole e tinham uma imagem de três gerações de uma família a brindarem com vinho, o que fez dele um postal polémico na época.
Depois disso, até a rainha Victoria passou a enviar postais oficiais de Natal e no século XX tornaram-se um negócio de milhões por todo o mundo.
Um dos postais de 1834 foi vendido num leilão em 2001 por 25 mil Euro.

Notícias Magazine No 1332

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

PRESÉPIO



Francisco de Assis é conhecido como o criador do presépio porque no século XIII celebrou a Missa de Natal com os cidadãos de Assis numa gruta, em vez de no interior de uma igreja. E nessa gruta colocou um boi e um burro reais, feno e imagens de Menino Jesus, da Virgem Maria e de São José. O objectivo era permitir aos crentes visualizar o que se passara em Belém.

sábado, 2 de dezembro de 2017

BARDANA

Classificação científica:
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Género: Arctium
Espécie: A. Lappa

Bardana (Arctium lappa) é uma planta originária da Eurásia e difundida na América. Prolifera em baldios, bermas de caminhos, e próxima de zonas habitadas.
A fama da bardana vem de muito tempo: os gregos a utilizavam como medicamento, e na Idade Média era incluída em várias formulações destinadas à cura. Algumas referências sugerem que o seu nome científico Arctium lappa deriva do grego "arctos" (urso) e "lambanô" (eu tomo), em alusão ao aspecto peludo que apresenta.
Valorizada como medicinal desde a Antiguidade, a bardana nunca teve essa fama contestada. Todas as partes da planta eram usadas de alguma forma como medicamento: as folhas, por exemplo, eram bem amassadas e aplicadas em cataplasmas para tratar inúmeras doenças de pele, em razão de sua ação bactericida. O uso atualmente tem respaldo científico: estudos comprovam as suas propriedades antisépticas. Também foram bem difundidos seus poderes contra picadas de insetos e aranhas por sua propriedade de acalmar a dor (ação anestésica) e evitar a tumefação do local (ação anti-inflamatória).
No Brasil, especialmente no Sudeste e no Sul, devido à influência dos imigrantes japoneses, a bardana é utilizada também na culinária, podendo ser encontrada em algumas feiras livres, embora ainda não tenha sido muito difundida. No Japão é mais utilizada que a própria cenoura na culinária do dia-a-dia. Podemos preparar tempurás, sopas, refogá-la apenas em óleo de soja, cozinhá-la junto com arroz, colocá-la em refogados de carne, etc. Uma preparação particularmente interessante é uma espécie de conserva: descasque a raiz crua, raspando com a faca, lave, corte em bastonetes ou em filetes e mergulhe em pasta de soja (missô) e coloque na geladeira. Fica pronto no dia seguinte e mantém-se próprio para consumo por vários dias, como qualquer conserva. Ótimo para complementar o arroz branco, e excelente tira-gosto.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 108ª - AMARES

A FIDALGA BRANCA

Depois de demorada visita ao mosteiro de Rendufe, com a surpreendente descoberta do túmulo de um seu antigo comendatário, Henrique de Sousa, viajou à freguesia de Fiscal, para uma visita à Casa da Tapada, onde viveu e morreu o poeta Sá de Miranda. Degustando o excelente espumante que hoje ali se faz, murmurava do poeta: "O sol é grande: caem coa calma as aves, / Do tempo em tal sazão, que sói ser fria." Depois, `a Casa do Castro, dos Machados onde, franqueado o aberta portal de acesso, não tardaram uns cães bravos em nos expulsar do espaço. Pois tal é território desta lenda da Fidalga Branca.
Antes do mais, esperemos noite que nos sirva para vermos a Fidalga Branca. Sobre o mais alto das muralhas da casa acastelada do Castro, uma figura de mulher envolta em manto alvíssimo. Quem é? 
D. Maria da Silva, de casa nobre da Ponte da Barca, casada com Francisco Machado, filho de Manuel Machado, este senhor do Castro e íntimo do grande Sá de Miranda. Na Casa da Tapada vivia então o filho do poeta, Jerónimo de Sá, e sua mulher. Henrique de Sousa, comendatário do mosteiro de Rendufe era, como Jerónimo, das relações de Francisco Machado. Jerónimo de Sá é que se não livra de ter tentado requestar D. Maria da Silva, que foi virtuosa senhora. Porém, por motivos obscuros - a que a cobiça da disputa comenda de Rendufe não deve ser estranha -, Jerónimo de Sá esforçou-se por intrigar Francisco Machado com D. Maria da Silva, dizendo que esta lhe era infiel. E a coisa foi  a ponto de ter comprado um criado de Machado para rondar o paço com a mula de Henrique de Sousa, dando a entender que ele se encontrava nos aposentos de D. Maria da Silva.
Francisco Machado, ante uma evidência tão bem construída, de espada em punho, entrou no quarto da esposa e viu-a adormecida, de cilício cingido. Virtuosa senhora! Mas o filho de Sá de Miranda era um pulha de primeira, pois insistiu na acusação. E a situação chegou a um ponto extremo.
Estando D. Maria da Silva a jogar às tabuínhas com o inocentíssimo Henrique de Sousa, um escravo negro de Francisco Machado esmagou a cabeça do comendatário. D. Maria da Silva gritou ante o crime e o marido, instigado por Jerónimo, tentou dar-lhe uma cutilada com a própria espada, mas esta desfez-se em três bocados. Diz a lenda que a esposa dissera ante a ameaça: "O Espírito Santo se entreponha entre mim e essa espada!" Mas logo o filho do poeta estendeu a sua espada ao amigo e o segundo golpe foi fatal. 

Lá foi o corpo da senhora a enterrar na Ponte da Barca, na capela da sua família. Porém, se foi o corpo, o espírito entendeu por bem  quedar-se na casa do Castro, deambulando pelos seus corredores e aposentos, atormentando os moradores. Já a população daquele rincão de Amares, jura e volta a jurar que a Fidalga Branca, em algumas noites, aparece...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

TODA A VERDADE



"Da Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida"
- é este o título completo do livro que mudou a forma de a humanidade olhar o mundo.
Ficou para a história como !A Origem das Espécies", foi publicado a 24 de Novembro de 1859, há 158 anos, e ao seu autor, Charles Darwin, devemos muito do que hoje sabemos sobre o tema. A obra é considerada a base do evolucionismo e apresentou à sociedade a ideia de que a população evolui em função de um processo de selecção  natural. Os exemplos apresentados por Darwin foram recolhidos depois de longos anos de investigação e de muitas viagens. Entre elas, a bordo do Beagle, o navio que o levaria às famosas ilhas Galápagos, das mil criaturas então estranhas à imensa maioria dos habitantes da Terra. 
Mais de século e meio depois, ainda hoje há quem duvide desta teoria. Algumas escolas, nomeadamente em alguns estados dos EUA, optam por ensinar a evolução com uma explicação religiosa.

Notícias Magazine Nº 1330

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ASSASÍNIO



John Fitzgerald Kennedy seguia numa limusina Lincoln Continental descapotável, pelas ruas de Dallas. Ao lado, Jaqueline, a mulher, John Conally (governador do Texas) e Nellie, mulher deste.
A 22 de Novembro de 1963, quando o cortejo presidencial atravessava a Dealey Plaza, ouviram-se tiros. Há 54 anos, o momento estava a ser transmitido pela televisão. JFK foi assassinado, sendo o quarto presidente norte-americano a terminar o mandato dessa forma, depois de Abraham Lincoln em 1865, James A. Garfield em 1881 e William McKinley em 1901.
As diversas teorias de uma ou mais balas e um ou vários atiradores continuam a ter defensores e antagonistas.
Lee Harvey Oswald foi acusado do homicídio e acabou morto dois dias depois (24 de Novembro), assassinado por Jack Ruby, um empresário da noite, na esquadra de Dallas. 
Kennedy e Oswald foram sepultados a 25 de Novembro.

Notícias Magazine Nº 1330

domingo, 19 de novembro de 2017

UM DINOSSAURO NA CASA DE BANHO

Um pouco por todo o mundo, as Comic Cons reúnem fãs de banda desenhada e cultura pop. Nestas convenções há sessões de autógrafos, fotografias com actores e todo o tipo de actividades que alimentam a diversão do público - e uma certa histeria colectiva que implica trajes a rigor e encarnar ao máximo as personagens preferidas.
Em Portugal já se realizaram três - em Dezembro haverá outra, na Exponor -, nos EUA atraem milhares de pessoas, no Japão são uma verdadeira instituição.
Em Londres, no final de Outubro, realizou-se mais uma. Foi lá que o fotógrafo captou este Tyrannosaurus rex tentar lavar as mãos. Tarefa difícil, decerto...



Notícias Magazine Nº 1330

sábado, 4 de novembro de 2017

ALTHAEA

Classificação científica:
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Malvales
Família: Malvaceae


Althaea é uma planta medicinal também chamada de malvarisco,da família das malvaceas e de grande beleza. Suas flores vão desde o branco (Althaea officinalis) passando pelo rosa suave e rosa intenso (Althaea rosea). A raiz dessa planta arbustiva é empregada na aceleração e supuração de abscessos. Há uma espécie diferente resultada de cruzamentos, chamada de malvarisco-negro ou altéia-negra (Alcea rosa var "nigra"). Suas pétalas são de um tom de vinho intenso, sendo espontâneas apenas na Índia e China. Althaea é um género botânico pertencente à família Malvaceae

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

MARTINHO LUTERO


NADA SE ESQUECE MAIS LENTAMENTE QUE UMA OFENSA E NADA MAIS RÁPIDO QUE UM FAVOR.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 107ª - CASTELO BRANCO

A SRA. DA ORADA

Uma donzela da Vila (de Castelo branco), filha de pais honrados, foi acometida de uma moléstia que lhe fez inchar muito o ventre. O pai, persuadido que ela se tinha esquecido do que devia a si e aos seus, a levou a um lugar cheio de matos e bosques incultos, onde havia muitos animais ferozes, decidido a expor a filha à voracidade deles.
Esta, que estava inocente, implorou a misericórdia da Santíssima Virgem, a qual lhe apareceu, dizendo-lhe que não temesse nada que ela lhe valeria. Disse-lhe a inchação era produzida por uma cobra que se lhe havia gerado no ventre; que fosse para casa e dissesse a seu pai que mandasse aquecer um pouco de leite, e que, ao cheiro dele, sair-lhe-ia a cobra pela boca. Assim fez e o resultado foi como se esperava.
O pai da donzela mandou logo construir na tal brenha onde havia exposto a filha uma ermida dedicada à santíssima Virgem, sob o título de Nossa Senhora da Orada, em memória da oração que ali fizera a filha e na ermida colocou a pele da cobra.




quinta-feira, 12 de outubro de 2017

MARCO GEODÉSICO OU FAROL?


Conhecido na zona como "foguetão", pelo seu formato que faz lembrar o célebre aparelho desenhado por Hegé para "Tintin Ruma à Lua", a estrutura cónica que se ergue na serra de Carnaxide, próximo de Alfragide, tem muito mais que se lhe diga. Este edifício reveste-se da dupla função de ser um marco geodésico e simultaneamente um farol. Em conjunto com o Farol da Gibalta (situado junto à linha férrea na zona de Caxias) e com o Farol do Esteiro (edificado no Alto da Boa Viagem, no Jamor), o farol da Mama, como é designado, define o enfiamento da Grande Barra do Tejo, ajudando a navegação marítima no Porto de Lisboa. Enquanto marco geodésico, um dos cerca de nove mil que existem no país, é essencial para ajudar topógrafos e cartógrafos a obterem coordenadas geográficas com elevada precisão. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

CELOSIA (CRISTA DE GALO)

Classificação científica:
Reino: Plantae
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Caryophyllales
Família: Amaranthaceae
Género: Celosia
Origem: Ásia

A crista de galo, Amaranto, Celósia, Flor de Veludo ou Suspiro é uma planta anual de verão, de inflorescências muito macias, dobradas e brilhantes, com a textura do veludo. Diz-se ainda que tem o aspecto de cérebro. Além disso, podemos adquirir variedades nas cores amarela, vermelha, rosa, creme, roxa e branca. A folhagem é erecta, verde ou bronzeada, com folhas lanceoladas. A altura é de 0,3 a 0,9 metros. Podemos encontrar esta flor num clima continental, equatorial, mediterrâneo, subtropical, temperado e tropical.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

5 DE OUTUBRO


1910: A Implantação da República em Portugal foi a 5 de Outubro de 1910. Há 107 anos.


1944: Nesta data de 1944, em França, entrou em vigor a lei que consagrou às mulheres o direito de votar.


1962: Outra revolução, mas musical, aconteceu no 5 de Outubro de 1962 quando foi lançado o single "Love Me Do" dos Beatles.

sábado, 30 de setembro de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 106ª - SEIXAL

O GUERREIRO E A VIRGEM

Paio Pires fica a uns três quilómetros e pico do Seixal, à beira da velha estrada entre Cacilhas e Setúbal. Pois esta povoação foi cenário de uns episódios que hoje contamos, os quais compõem uma interessante lenda.
Uma lenda romântica em que entra D, Paio Peres Correia, guerreiro português cujo nome ficou na História. Já agora, valerá a pena contar que o apelido Correia acrescentado ao Peres ou Pires foi da iniciativa dos seu bisavô, também Paio Peres. E fê-lo como lembrança amarga do tempo  em que comeu os arreios, ou correias, de   couro dos cavalos durante o tempo em que esteve cercado pelos mouros. Onde? Sabe-se lá. Mas terá sido em Almada ou por ali perto...
No princípio do sec. XIII, não obstante Lisboa estivesse definitivamente nas mãos dos portugueses, ainda havia grupos de mouros a vaguear pela zona. Assaltando, roubando e matando. Entre eles, o jovem Abu, que jurava recuperar aquelas terras e vingar as mortes de seus avô e pai. Porém, desde a queda de Almada, os seus companheiros estavam era com vontade de se passarem a dedicar aos novos tempos como vassalos do monarca português. Todavia, o jovem Abu considerava isso uma traição. E, desesperado, arranjou um bando de jovens mouros e arremeteu contra tudo o que era cristão nos arredores de Almada.
Um dia decidiu assaltar uma grande quinta às portas de Almada. O pessoal fugiu, mas o dono, um velho capitão e a filha deram-lhe luta tal que pareciam mesmo um regimento. Porém, Abu e os seus conseguiram vencê-los e entrar na casa. O mouro ficou espantado como aquelas frágeis gentes o haviam enfrentado com tanto vigor e feito tantas baixas. Perdeu o ódio que sempre tivera em si, rendia-se à beleza de Alda. Por fim, ouro para se inspirar em Alá. É que não se atrevia a matar aqueles dois prisioneiros.

E naquele espaço de tempo chegou o cavaleiro Paio Peres Correia e os seus homens, vinham de ter tomado Mértola, que logo ali dizimaram os mouros. Ao entrar na casa, ficou espantado com as parecenças da filha do capitão com Nossa Senhora da Anunciação.
Ele próprio enfrentou os mouros que ali estavam, conseguindo matar uns e pôr outros em fuga. Quanto a Abu venceu-o e preparava-se para lhe dar o golpe final, quando Alda lhe pede que o poupasse pois ele também havia poupado a sua vida e a de seu pai, tendo-os à sua mercê...
Sorriu-se Paio Peres porque leu amor nos olhares da jovem e de Abu. Propôs, no entanto, poupar-lhe a vida se ele se convertesse, o que foi aceite. E ofereceu-se logo para apadrinhar o casamento, que teve lugar na própria capela da casa.
No final da cerimónia, os da quinta decidiram que aquelas terras receberiam o nome de Paio Peres, e ainda hoje é Paio Pires a vila que cobriu po espaço da propriedade do velho capitão. Assim, o cavaleiro português passou a ter o mouro convertido e a valente e bela Alda como os seus maiores amigos de sempre.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

COMO SE CHAMA UMA CORRIDA DE ALGAS?

Resposta: uma algazarra.


Quando a vida te dá algas, constrói uma jangada. É este o mote de um dos pontos altos do Festival Cruinníu na mBád, que decorre em Kinvara, na costa sul de Galway, Irlanda. A primeira edição teve lugar em 1979 e, desde então, é ritual anual que centenas de barcos se juntem no porto de Kinvara para uma regata de celebração do comércio tradicional que se fazia, por mar,  até à região de Connemara, na costa ocidental da ilha. Um dos momentos que atraem mais gente é a corrida de algas.
Os participantes constroem jangadas que podem chegar às duas toneladas e as equipas têm de chegar à meta sem cair na água. Coordenação e equilíbrio num jogo de cintura improvável.

Notícias Magazine Nº 1320 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

ERVILHA DE CHEIRO

Classificação científica:
Reino: Plantae
Classe: Angiospérmicas
Ordem: Fabales
Família: Fabaceae
Género: Lathyrus
Espécie: Lathyrus Odoratus
Origem: Sicília, Itália


A ervilha-de-cheiro ou ervilha-cheirosa é uma planta trepadeira semelhante a ervilha comum, que pode atingir até 2,5 m de altura, havendo também alguns cultivares de porte baixo que atingem apenas 40 ou 50 cm de altura. Suas flores têm uma fragrância agradável e podem ser de várias cores, do branco ao vermelho e vários tons de rosa e roxo. Alguns cultivares têm flores bicolores.
Apesar do nome e da semelhança das plantas da ervilha-de-cheiro e da ervilha comum, as sementes têm substâncias tóxicas e não devem ser consumidas, pelo menos não com frequência ou em grande quantidade.
Os menores cultivares podem ser plantados em vasos e jardineiras, desde que os vasos tenham pelo menos 20 cm de diâmetro e profundidade. Os cultivares maiores devem ficar no jardim junto a treliças ou outros suportes, onde suas gavinhas possam se prender para que a planta cresça verticalmente.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 105ª - SANTA CRUZ DAS FLORES

NOSSA SENHORA DOS PIRATAS

Num dia de Janeiro de 1672, um dia bonito de mais para ser Inverno, os poucos habitantes do lugar de Santa Cruz, que andavam na azáfama de sempre, começaram a parar, de rosto voltado para a imensidão marinha. A pouco e pouco, os pequenos pontos na lonjura começaram a tornar-se mais claros. Eram barcos,  não tardaram que descortinassem serem piratas holandeses que se preparavam para o desembarque. Houve quem contasse vinte e quatro, vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete barcos!| Seria uma verdadeira razia naquela terra de tão pouca gente, que os não poderia enfrentar, e de tão parcos haveres. Pagariam com a vida o serem pobres, estas gentes das Flores. Viram como descia dos barcos as chalupas e os piratas se empurravam para serem os primeiros ao assalto, ouvia-se o ladrar dos cães, horrorosos cães, que os holandeses traziam para os lançarem contra as gentes indefesas. A enseada de S. Pedro era o objectivo daqueles piratas.
Homens e mulheres correram à igreja da Conceição e juntaram-se ao padre. A lenda diz que se tinham muito medo dos piratas, também tinham muita fé em Deus. Então, na matriz, tiraram do altar imagem da Senhora e dirigiram-se para  a praia, onde os piratas desembarcariam. Entoavam orações em voz alta e, sobretudo, escutava-se a prece:
"Senhora da Conceição, valei-nos! Tende piedade de nós!"
E quando a procissão chegava à Boca da Ribeira, as chalupas dos piratas holandeses estavam quase a atingir o areal. Porém, rapidamente se levantou uma ventania, mudou o tempo e as ondas tornaram-se alterosas. Aquilo era ver como os piratas mudariam o rumo no regresso aos barcos, remando com todas as forças, evitando serem atirados contra a penedia costeira. Os piratas que haviam ficado a bordo começaram logo a recolher as âncoras e a receber os homens que chegavam. Depois lá foi a armada da pirataria pelo mar fora, afastando-se da ilha.

Quanto ao povo, esse chorou de alegria e durante muitos e muitos anos agradeceu à Senhora da Conceição, que depois foi chamada Senhora dos Navios e Senhora dos Piratas, a sua pronta acção. Quem for a Santa Cruz das Flores poderá dar uma espreitadela à Senhora dos Piratas se dirigir à sacristia da igreja da Conceição. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

FLAMINGOS DE PATAS QUENTES

Não é só em Portugal que 2017 se tem revelado um ano com calor superior ao normal.
Em Singapura, os termómetros têm registado em Agosto uma temperatura média de 31 graus, quatro acima do que é normal nesta altura do ano. Há dias com registos muito próximos dos 40, coisa rara num país em que as variações térmicas são mínimas.
E se sufoco é grande entre habitantes, o mesmo é legítimo para os animais. No Parque de Aves de Jurong, que abriga 5000 exemplares de 400 espécies, 29 das quais ameaçadas de extinção, e é o maior jardim zoológico de género em todo o globo, foram tomadas algumas medidas especiais. Com o piso a aquecer nas horas de calor, os tratadores fizeram botas para que as crias não queimassem as patas. Como Squish, este flamingo bebé.



Notícias Magazine Nº 1318

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

SIMONE WEIL


O futuro não nos traz nem nos dá nada.
Nós é que, para construí-lo, devemos dar-lhe tudo.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

ANGÉLICA

Nome Científico: Polianthes tuberosa
Nomes Populares: Angélica, Angélica-de-bastão, Angélica-dos-jardins, Jacinto-da-índia, Tuberosa
Família: Agavaceae
Categoria: Bulbosas, Flores Perenes
Clima: Continental, Equatorial, Mediterrânio, Oceânico, Subtropical, Temperado, Tropical
Origem: América do Norte, Mexico
Altura: 0,4 a 0,6 metros
Ciclo de Vida: Perene


A angélica é uma planta bulbosa de flores brancas e perfumadas que simboliza a pureza. Suas folhas são longas, estreitas e de cor verde, formando moitas semelhantes a capim. O florescimento ocorre no final do verão e outono, com inflorescências do tipo espiga, em hastes eretas e altas, sobressaindo sobre a folhagem e com numerosas flores. As flores são cerosas, pequenas, de cor branca ou levemente rosada e liberam um delicioso e intenso perfume à noite. Elas se abrem gradativamente da base da inflorescência ao topo. Também podem ser simples ou dobradas, de acordo com a variedade.
Esta bela e singela florzinha é venerada no mundo todo, com destaque para a Índia e o México, principalmente quando o assunto é casamento. Na Índia, ela participa de diversos rituais, simbolizando a pureza e a cura. No Hawai elas também enfeitam os noivos, a cerimônia e a festa de casamento, entrando na confecção de arranjos florais, buquês e de coroas para as noivas, os hakus, além dos famosos leis, os típicos colares havaianos, para os noivos. Os antigos aztecas usavam o óleo essencial da flor para aromatizar o chocolate. Atualmente ele entra na formulação de perfumes e essências.


domingo, 30 de julho de 2017

O LADO TURCOMENO DA FERROVIA


É o sinal de um certo retorno à normalidade na Ásia Central.
Na fotografia vemos a chegada ao Turquemenistão do primeiro comboio vindo do Afganistão , depois da abertura da nova linha Lapis-Lazuli no final do ano passado. A cerimónia é marcada para posteridade com a fotografia de um grupo de cidadãos turcomenos com os trajes e bandeiras do país. A ferrovia está planeada para 400 quilómetros, mas, por enquanto, apenas 88 estão operacionais. Para o Afganistão tem sobretudo uma simbologia política - o país começa finalmente a reatar relações com os vizinhos. Para o Turquemenistão, um dos maiores exportadores de gás natural do mundo, é uma nova porta de saída na direcção da China, o lugar que realmente interessa.

Notícia Magazine Nº 1314

LENDAS DE PORTUGAL - 104ª - ARRONCHES

A NOVA AROCHE

É uma história de amor e intriga a lenda que nos conta a origem de Arronches. 
Situa-se no ano 39 da nossa era e começa quando o cruel Caio Germano Calígula obrigou um jovem nobre romano a comer à sua mesa na companhia do seu cavalo Incitatus, que tinha a categoria de primeiro cônsul! Irritado com a situação, Licínio Balbo abandonou Roma e viajou para a Andaluzia. E foi para a cidade de Aroche, governada por Flávio Valério, émulo de Calígula. Seja, em Aroche ele estava no centro de todas as intrigas, e os seus sicários maltratavam e matavam quem a sua arbitrariedade ordenava.


Quando Júlio Decêncio, oficial romano, entrou com a sua bela filha Márcia no salão de Flávio Valério, este fez comentários grosseiros em relação a ela. O pai, que ali fora convocado a comparecer com a filha enfrentou o governador, mas o poder do tiranete fazia-se senti. Depois Valério acusou Márcia de práticas cristãs, ameaçando-a. Entretanto,  os seus soldados trouxeram-lhe Licínio Balbo, que ele mandara prender nas ruas de Aroche. O rapaz, desenvolto, manifestou admiração pela jovem e o interesse em conhecer a religião cristã, desafiando abertamente o governador. Na frente deste disse em voz alta que ainda não conhecia Deus, mas não lhe repugnava acreditar que será mil vezes superior a Calígula.
E a conversa foi de novo encaminhada para o velho Júlio Decêncio e a sua filha. E no final quer estes, quer o jovem puderam sair, mas no ar pairavam as ameaças de Flávio Valério, que tinha a noção deles não poderem sair  de Aroche nem escapar ao seu controlo.
Prudentemente Márcia e Licínio estiveram alguns dias sem se deixarem ver, por fim encontraram-se. Tiveram então uma conversa, pela qual o jovem romano mostrou de novo interesse em conhecer o universo secreto dos cristãos, mesmo a sua doutrina. E a paixão instalou-se nos corações dos dois jovens, que passaram a andar juntos, frequentando Licínio Balbo a casa de Júlio Decêncio.
Porém, um dia, o namorado da Márcia soube que Flávio Valério tinha preparado uma emboscada para raptar Márcia, tencionando fazê-la ceder pela força aos seus apetites carnais. Decêncio dispôs-se a ir ao palácio do governador e matá-lo como a um cão. A prudência não lho consentiu e dispuseram-se abandonar a Andaluzia, fazendo-se acompanhar da centena de soldados da casa do oficial roman o, que estavam decididos a não abandonar o comandante. E assim fizeram.
Em pequenos grupos, Júlio, Márcia e Licínio saíram de Aroche, porém com saudades daquela terra que amavam como a sua. Porém, Márcia suspirou: "Formaremos uma nova Aroche... E lá, sob signo de Deus, poderemos ser felizes!"
E assim os persiguidos de Flávio Valério caminharam muitas léguas até chegar a Lusitânia e aí findaram a Nova Aroche, n ome que, com o andar dos tempos, se tornou Arronches.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

ALIMENTAR PEIXES A BIBERÃO



Conta uma lenda chinesa que a carpa que conseguisse alcançar o topo da montanha Jishinhan na época da desova, após nadar e saltar para atravessar o país, se transformaria num dragão.
Estas carpas koi terão pouco de dragões, alimentadas a biberão com ração num centro comercial em Hangzhou, província chinesa de Zhejiang. Mas, verdade seja dita, também pouco devem aos dragões:
as suas cores, o brilho e o que simbolizam fazem delas dos animais mais procurados em todo o mundo, com preços que podem ir dos dez aos dez  mil euro (ou mais).
As koi popularizaram-se no Japão em resultado de uma mutação genética da carpa comum, oriunda da China, e ainda hoje significam perseverança a perseguir objectivos, êxito ao alcançá-los e vida longa para gozá-los, razão por que são tão respeitadas. China e Japão veneram-nas em igual medida.
Podem viver mais de 40 anos e medir uns bons 60 centímetros.

Notícias Magazine Nº 1313


quarta-feira, 19 de julho de 2017

O SOL DENTRO DE ÁGUA

Na barragem do Alto Rabagão, em Montalegre está instalada uma ilha fotovoltaica à tona da água.
O projecto-piloto  foi inaugurado no início de Julho e custou 450 mil euro à EDP, que, no pico, espera acrescentar 220 quilowatts à produção da barragem.
São 840 painéis solares flutuantes, unidos numa espécie de jangada, e que aproveitam as infraestruturas da hidroeléctrica para escoar a produção de energia. Esta primeira ilha fotovoltaica da Europa servirá de teste de viabilidade para mais instalações. As vantagens são sobre tudo ao nível ambiental, já que reduz a utilização de terrenos para captação de energia solar.

Notícias Magazine Nº 1312

quarta-feira, 5 de julho de 2017

ALSTROEMERIA

Classificação científica:

Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Liliales
Família: Alsroemeriaceae
Género: Alstroemeria


A Astroeméria é originária da América do Sul, a astromélia é encontrada em diversas variedades. As mais comuns são a Alstroemeria aurantiaca, A. psittacina, A. caryophyllaea, A. pulchella, A. haemantha e A. Inodora.  Popularmente, a espécie também é conhecida como minilírio, mas, apesar da semelhança com o lírio, são plantas de famílias diferentes.

A flor é composta por seis pétalas idênticas ou quatro iguais mais duas diferentes, que servem para indicar o pouso aos polinizadores. Conhecida pela diversidade de cores, que variam entre tons de rosa, vermelho e amarelo, a astromélia é muito usada na elaboração de arranjos e buquês. Mas pode compor canteiros, bordaduras e maciços.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 103ª - CORVO

ALI, FAQUIR E PIRATA CORVINO

Um olhar para as Açores, exactamente à Ilha do Corvo, em pleno século XV. Havia ali uma mulher solteira que tinha um filho, o que, para a sociedade local de então era motivo para ser rejeitada. Às vezes, chegava-se ao ponto de obrigarem as mães solteiras a abandonarem a ilha. E no caso desta, atribuíam-lhe mesmo poderes maléficos, chamavam-lhe bruxa.
Com tudo isto, se ela sofria, a criança, conforme crescia e ganhava consciência, tomava-se um ser amargo e revoltado. O moço sofria dolorosamente as humilhações que via a mãe padecer e sempre também sobravam para ele.
Coisa natural naqueles tempos, numa data altura, a Ilha do Corvo foi assaltada por piratas argelinos, que ali iam abastecer-se. O rapaz não quis saber de mais nada, logo aproveitou para se oferecer a acompanhá-los. Era a maneira que encontrava para se livrar da ilha que tão mal o tratara. E, depois, como a mãe já morrera, que ficava ali a fazer?
Os piratas argelinos fizeram uma grande viagem, indo depois dar a Túnis, onde o moço corvino foi oferecido a um faquir, mudando-lhe este o nome de Alípio para Ali. Com o seu amo e mestre, aprendeu tudo o que pôde, que lá esperto era ele. Não tardou a ter poderes de faquir: via a distâncias incalculáveis, deixava-se cortar pelas finas lâminas sarracenas e num ápice ficava curado. No peito ostentava a tatuagem do pentagrama, demonstrativa da sua autoridade como faquir. 
Mas há sempre um mas nestas lendas. E o mas de Ali era que, mesmo sendo um faquir, lhe aborrecia a penitência e o voto de pobreza que lhe cabia cumprir. Por outro lado, bailava-lhe na cabeça os vexames que com a mãe suportara na Ilha do Corvo e queria vingar-se. Como ouvia a voz da mãe dizer-lhe sempre:
"Pobreza não é vileza, mas é um ramo da picardia..."
Assim, atingindo a idade adulta dotado de saberes e poderes invulgares, não hesitou em arranjar tripulação para dois barcos de piratas, que passou a comandar.
De Larache, onde amara os barcos, Ali saiu para Corvo. Aí chegados, fundeou perto da baía da praia, para não serem vistos do Corvo, mas reparou neles uma corvina que por ali andava às lapas. E a mulher deu o alarme. E quando os piratas desembarcaram numa chalupa, a entrada da ilha estava tomada pelos corvinos que lhes lançaram pedras, obrigando-os a fugir para a chalupa. Porém, como se levantasse forte ventania, a embarcação voltou-se e os piratas, entre os quais Ali, não conseguiam nadar para os barcos, que era difícil e longe, nem regressar à praia onde os matariam. Desconfiaram que o comandante os queria entregar aos corvinos e cortaram-lhe o pescoço. Depois conseguiram salvar-se.
A cabeça foi dar à praia onde a reconheceram. Enterraram-na na areia, mas todas as noites ela se desenterrava e ululava pelos rochedos. Até que um dia ficou sob a areia para sempre...




sábado, 17 de junho de 2017

JOAN BAEZ



Você não pode escolher como vai morrer ou quando.
Você só pode decidir como viver para que não tenha sido em vão.

domingo, 4 de junho de 2017

FAMÍLIA PANDA A CRESCER


Estes são os primeiros pandas-gigantes a nascer em 2017 num centro de pesquisa que se dedica à protecção do panda-gigante, em Chengdu, na província chinesa de Sichuan. A mãe, Zhi Zhi, deu à luz dois machos no final de Abril que fizeram as delícias dos tratadores.
As primeiras semanas foram um desafio para esta família uma vez que, sendo a primeira gravidez de Zhi Zhi, esta não tinha leite suficiente para as duas crias. 
Mas passado o primeiro susto, o centro garante que estão os três em perfeitas condições de saúde. Este centro para pandas-gigantes foi inaugurado em 1987 com apenas seis animais resgatados. A taxa de fertilidade dos pandas que não estão em cativeiro é extremamente baixa.
Trinta anos depois, são já mais de cem os indivíduos que vivem neste ambiente protegido.

Notícias Magazine nº 1306

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ÍRIS GERMÂNICA

Nome Científico: Iris germanica
Nomes Populares: Íris, Flor-de-lis, Íris-barbado
Família: Iridaceae
Categoria: Bulbosas, Flores Perenes
            Temperado, Tropical
Origem: Europa


A Íris germânica é uma das espécies do género Íris que mais contribuiu para a formação dos populares híbridos actuais. Suas folhas são longas e laminares, como espadas, e medem cerca de 60 cm de comprimento. Elas são verde-azuladas e ficam dispostas em leque, partindo dos espessos rizomas. Estes rizomas são conhecidos por sua fragrância, quando secos e moídos, o que os torna muito utilizados em perfumaria.
As inflorescências surgem na primavera e verão e são compostas por cerca de duas flores. As flores são típicas do género Íris, com três sépalas caídas e três pétalas erectas. Cada sépala apresenta um tufo de pêlos em sua linha média, na parte superior – a barba da íris. Esta barba é geralmente branca com amarelo. As flores são originalmente azuis ou brancas, mas actualmente há centenas de híbridos e variedades das mais diversas cores e combinações em degradeé. Ocorrem ainda variedades com folhas variegadas de branco.

Cuidado: A seiva e outras partes da planta podem ser tóxicos se ingeridos ou em contacto com a pele. 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 102ª AMADORA -

A VELHA PORCALHOTA

Ora, então como é que a Porcalhota se tornou Amadora, sobretudo como é que apareceu aquele topónimo tão bizarro? E, depois, como é que os coelhos aparecem nesta lenda? 
Se formos a Pinho Leal, ficamos a saber que Porcalhota é diminutivo de Porcalha, significando leitoa. Em meados do século XIX, esta terra pertencia a Benfica. Não eram mais de 359 casas e uma ermida a Nossa Senhora da Conceição da Lapa. E havia Porcalhota de Cima e Porcalhota de Baixo, separadas por uma calçada. Pois a origem lendária da Amadora remonta ao século XIV, à Porcalhota, que é o núcleo populacional mais antigo do espaço da actual Amadora. Esse topónimo procedia do dono destas terras, Vasco Porcalho, que também era alcaide de Vila Viçosa. Na crise 1383-1385, este fidalgo, como muitos outros da velha nobreza portuguesa, apoiou D. João de Castela como rei legítimo, o que mais tarde o obrigou a fugir do reino. Herdou-lhe as propriedades a filha, fidalga, a quem as gentes chamavam Porcalhota! Ficou assim a zona a chamar-se Terras da Porcalhota. Convenhamos, com Delfim Guimarães, que se tratava de um nome malsonante e arreliador! Mas, atenção, tudo o que aqui se conte é do foro da lenda!
O século XVIII fez da Porcalhota uma zona de lazer da aristocracia sediada em Lisboa. Aqui se multiplicaram pequenos palácios em quintas de recreio. Mas, de repente, surge a verdadeira lenda desta povoação que se ia compondo como um puzzle - chama-se Pedro dos Coelhos. O Pedro dos Coelhos é a mais lendária figura da Amadora e o seu prestigio pede meças aos grandes cozinheiros de não menos grande Lisboa. Bastará chamarmos a testemunhar Mendonça e Costa que, em 1887, nas páginas da revista Ocidente, narrava que determinado indivíduo das bandas de Sete Rios, comia em casa coelho em todas as refeições, por imposição da mulher. Ora, farto daquilo, mudou-se para a Porcalhota e calhou-lhe sentar-se à mesa do Pedro dos Coelhos. Diz o cronista, que o conheceu, que nesse dia o coelho soube-lhe a pouco!
Pedro Franco se chamava o Pedro dos Coelhos e terá nascido nos primeiros anos do reinado de D. Maria II, falecendo com sessenta e tal anos, em 1906 ou 1907. Mas desde que enviuvara já não era o mesmo. Mas se morreu o homem, ficou a sólida lenda.



domingo, 28 de maio de 2017

MARCO TÚLIO CÍCERO



Se tens um jardim e uma biblioteca, tens tudo.

terça-feira, 16 de maio de 2017

CANTAR DE GALO



Há quem tenha predilecção por cães, gatos ou peixes como animais de estimação.
Depois há pessoas com um gosto mais inesperado. É o caso de Martin Herrera, 58 anos, que durante toda a vida alimentou uma paixão por galos. Há vinte anos que Martin se dedica a domesticar e a treinar estes animais, sendo já conhecido pelas ruas de San José, na Costa Rica.
O fiel companheiro Paquito acompanha-o para todo o lado, quer seja no café a tomar o pequeno-almoço, no autocarro ou numa procissão durante a semana santa.
Tem outros galos em casa, mas Paquito ocupa um lugar especial. Os dois seguem juntos pela rua sem o animal precisar de usar trela. Com a vida privilegiada que tem, porque iria fugir?

Notícias Magazine N.1303

segunda-feira, 8 de maio de 2017

8 DE MAIO DE 1978



Foi há 39 anos - parece que foi há mais tempo - que foi feita a primeira subida ao Monte Evereste sem a ajuda de oxigénio suplementar. Reinhold Messner e Peter Habeler foram os pioneiros quando poucos acreditavam que tal façanha fosse possível. Poucos, entre os europeus e restantes ocidentais, porque não faltavam relatos de habitantes locais (nepaleses, por exemplo) que já o teriam conseguido.


Verdade ou não, o nome do italiano dos Alpes, Messner, e do seu companheiro austríaco ficaram no livro dos recordes. Messner acabou por ter uma carreira de topo como aventureiro, explorador, escritor e tornou-se o primeiro homem a escalar os 14 picos acima dos 8000 metros de altitude. Polémico quanto baste, Messner não deixa de ser uma inspiração. Sem ajuda suplementar.

Notícias Magazin Nº 1302 

domingo, 7 de maio de 2017

AZÁLEAS

Classificação científica:
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Ericales
Família: Ericaceae
Género: Rhododendron


A Azaleia é um arbusto de flores classificadas no gênero dos rododendros, existem azaleias de folhas caducas e azaleias perenes. É um dos símbolos da cidade de São Paulo, assim declarado pelo prefeito Jânio Quadros.
Uma das diferenças principais entre as azáleas e as demais espécies de rododendros é seu tamanho e crescimento da flor. Os rododendros desenvolvem inflorescências, enquanto a maioria das azaleias têm floradas terminais - uma para cada talo. Apesar disso, brotam tantos talos que durante as estações em que florescem formam uma sólida massa colorida que variam entre magenta, vermelho, laranja, cor de rosa, amarelo, lilás e branco.
As flores híbridas de azaleia se desenvolvem durante centenas de anos. Essas mudanças genéticas feitas pelo ser humano produziram mais de 10 mil espécies cultivadas. Também podem ser recolhidas e germinadas as sementes.
Estas plantas precisam de um solo bem drenado e uma exposição sombreada e fresca. O uso de fertilizantes é optativo. Algumas das espécies demandam podas regulares.

domingo, 30 de abril de 2017

LENDAS DE PORTUGAL - 101ª - OVAR

A SENHORA DE ENTRÁGUAS

Na freguesia de Válega, Ovar, há uma capela de Nossa Senhora de Entráguas. Na realidade, o pequeno templo é dedicado a Nossa Senhora da Purificação ou das Candeias, tendo no entanto absorvido o nome do lugar. Ora o lugar de Entráguas  tem essa designação porque se situa entre as águas de duas ribeiras, a Negro e a Gonde. No início do Sec. VXIII, Frei Agostinho de Santa Maria, eremita descalço da Ordem Reformada de Santo Agostinho, na sua obra "Santuário Mariano", recolheu diversas lendas, entre as quais esta, que vem no Tomo V:
Entre estas duas ribeiras, é fama, e tradição constante, aparecera a santa Imagem; e porque apareceu entre elas, lhe puseram o título de Nossa Senhora de Entre as Águas. Dizem mais que aparecera dentro de uma barca formada de pedra, da qual ainda hoje se conservam vestígios, e por esta causa os Romeiros, que vão buscar a esta milagrosa Senhora, tiram pós da mesma pedra, que bebem em suas enfermidades, em que experimentam as maravilhas daquela poderosa Senhora.
Foi achada junto a uma fonte, onde ainda hoje por memória se conserva uma Cruz de pedra, no sítio que se chama Portinho, um quarto de légua distante do lugar, aonde a igreja está fundada, que é junto ao mesmo rio de Aveiro.
Está com grande veneração esta santa imagem, recolhida em um nicho de vidraças, no meio do altar mor. Tem três palmos de altura; é de pedra, no braço esquerdo tem o amorosa Filho Jesus, Menino muito lindo, e assim o Menino, como a Mãe, têm ricas coroas de prata em suas cabeças. Também a adornam com vestidos. Festejam a esta Senhora no dia da sua Purificação, em 2 de Fevereiro; a igreja é formosa, e grande, e tem três altares. Não dão aqueles moradores notícia do tempo em que esta imagem apareceu; mas obre de muitas maravilhas e milagres; e assim é servida  de uma grande Irmandade, que a festeja com grande liberalidade, e devoção, tem muitos ornamentos, e a lâmpada de prata.

A lenda diz-nos que a imagem apareceu sobre a pedra branca de calcário, que terá meio metro de altura e é guardada na ermida, a mesma onde se retiram os pós para as curas. O local do achamento terá sido fronteiro ao da capela que se pode visitar e não o Portinho  indicado pelo frade. Tanto quanto se sabe a imagem, logo que apareceu, foi levada para a igreja paroquial de Válega, donde desapareceu, tendo regressado ao seu poiso na pedra. Isto aconteceu várias vezes, excepto a partir do momento em que se decidiu erguer a capela no sítio onde se encontra. 
Mas, atenção, nem a capela nem a imagem são as primitivas. Segundo José de Figueiredo, a imagem actual é já do Sec. XV. Porém, na realidade faltam dados para um melhor esclarecimento da situação..