domingo, 30 de dezembro de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 121ª - ARRAIOLOS

A NOIVA, OS TAPETES E OS SANTOS

"És como a noiva de Arraiolos!" diz-se no Alentejo quando alguém demora a arranjar-se mais do que o devido. Porquê? Pois há muitos anos, vivia em Arraiolos uma rapariga cristã que ficou noiva de um jovem fidalgo. Ora no dia do casamento, a vila calhou ser atacada pelos mouros. Assim, como eram precisos todos os homens a combater, a cerimónia foi adiada. Vencidos os mouros, estes foram perseguidos pelos guerreiros de todas as terras alentejanas. Era a Reconquista, que durou alguns anos. Depois, quando o fidalgo noivo voltou da guerra, esse tempo passado, quis avançar com o casamento e mandou recado à noiva. Marcada nova cerimónia, o noivo aguardava com os seus convidados, mas ela não aparecia. Desesperavam já quando ela surgiu coberta com uma albarda! Querendo recuperar a sua beleza da juventude, não encontrou outra maneira para o fazer. E, ao que parece ninguém soube entendê-la, nem os do seu tempo nem os vindouros!  
Ora que os vindouros nunca perderam de vista foi a tapeçaria de Arraiolos. E perguntando-se a sua origem, logo surge a lenda a explicar. É que, em tempos há muito passados, um casal de árabes deslocou-se a Portugal e demorou-se na vila. E apresentaram-se embrulhados em belas mantas muito trabalhadas e feitas com um ponto muito invulgar. Logo os ricos da terra arranjaram com que eles ensinassem os seus empregados o referido ponto e os respectivos desenhos. E assim se iniciou este belo artesanato  alentejano!
A pouco mais de uma légua de Arraiolos fica a freguesia do Vimieiro, onde se conta a lenda dos Santos. E esta diz que S. José tinha quatro filhos - Santo António, S. Pedro, S. João e S. Gens. Porém, acontecia que os manos andavam sempre à briga entre si. E tão mal se portavam que o pai colocou cada qual em seu cabeço, de modo que eles entre si se pudessem ver, assim que ele os pudesse também ver. E a verdade é que os santinhos nunca mais andaram à briga. E a vila de Vimieiro ficou entre os quatro cabeços e protegida pelos santos!


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

ACHADOS ARQUEOLÓGICOS EM OBRAS NUM RESTAURANTE EM LISBOA

A equipa de arqueólogos da Neoépica mal queria acreditar: no logradouro das traseiras do restaurante Solar dos Presuntos, Lisboa, encontravam-se 28 corpos enterrados e várias urnas com corpos incinerados, bem como objetos de uso pessoal, incluindo moedas e um estojo de medicina "extremamente raro". Um achado com quase dois mil anos de história, datado do tempo da antiga cidade romana de Olisipo. As obras de expansão previstas para o restaurante lisboeta tiveram de esperar. Manda a lei que este tipo de obra não avance "sem que se faça um trabalho de diagnóstico que avalie a existência de possíveis vestígios históricos relevantes", explica ao CM Nuno Neto, da Neoépica. "Estivemos um mês e meio a fazer as sondagens, e logo nos primeiros metros fomos percebendo que tínhamos em mãos uma descoberta importante", acrescenta o arqueólogo, que não esconde a sua satisfação. "Estamos a desenterrar elementos escondidos durante centenas de anos – somos uns privilegiados por poder dar voz a estes vestígios." Cerca de oito meses depois – e com tudo devidamente registado – os achados foram retirados do seu lugar e estão agora à guarda dos arqueólogos para uma análise mais aprofundada. Para que se perceba o que são e para definir uma datação específica: existem vestígios de várias ocupações, desde o período contemporâneo (século XIX) até ao período romano. Entre eles, ruínas de uma olaria da era dos Descobrimentos. "Em média, dispomos de dois anos para estudar os materiais e para chegarmos às nossas conclusões", diz Nuno Neto. "Depois, tudo será entregue à câmara, e ficará no Centro de Arqueologia de Lisboa."



CM 27.12.2018

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

CORNUS MAS

Classificação científica:
Reino: Plantae
Classe: Asterideas
Ordem: Cortnales
Família: Cornaceae
Género: Cornus
Espécie: Cornus Mas



Cornus mas (também conhecida como corniso), é uma espécie de planta pertencente ao género Cornus, conhecida pelos seus frutos semelhantes a cerejas. É nativa do sul da EuropaMediterrâneo e sudoeste asiático.
Trata-se de um arbusto de porte médio a grande, podendo atingir porte arbóreo, crescendo entre 5 a 12 m de altura. Possui um hábito caducifólio, sendo os seus galhos castanho escuros com os ramos menores esverdeados. As folhas são opostas, com 4–10 cm de comprimento e 2–4 cm de largura e possuem forma ovalada a oblonga, com uma margem inteira. As flores são pequenas (entre 5 a 10 mm de diâmetro) e formadas por quatro pétalas amarelas, dispostas em inflorescências de entre 10 a 25 flores, surgindo estas no final do Inverno, antes do aparecimento das primeiras folhas. O fruto é uma drupa oblonga e vermelha quando madura, contendo uma única semente e tendo cerca de 2 cm de comprimento e 1.5 cm de diâmetro.
O fruto é comestível, possuindo um sabor ácido. Além do mais, é rico em vitaminas A, complexo B e K1. É utilizada essencialmente na produção de compotas, sendo também consumida quando seca. Na Arménia, o fruto é utilizado na destilação da vodca. Na Turquia é consumido com sal como aperitivo no Verão. As cultivares seleccionadas para a produção de fruto na Ucrânia têm frutos que atingem os 4 cm de comprimento. Esta espécie é também cultivada como planta ornamental devido à sua floração no final do Inverno.
A sua madeira é mais densa que a água. A sua casca pode ser utilizada para fazer uma tintura, enquanto as suas folhas são utilizadas na produção de taninos.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 120ª - ALVITO

ALVÍSSARAS, ALVÍSSARAS!

A uns trinta quilómetros de Beja, Alvito tem nos seus pergaminhos o facto de ter sido, aliás durante muitos anos, pousada real. De acordo com a Monarquia Lusitana, esta bela vila alentejana aparece, no reinado de D. Afonso III, a partir da herdade de S. Roque, que o Rei doou ao seu chanceler e colaço D. Estêvão Anes, em 1225. No entanto, como é natural, perante os numerosos vestígios arqueológicos aparecidos aqui - desde moedas romanas a silo, lápides votivas e ruínas de edifícios - é de crer que a zona foi habitada em épocas muito mais remotas. E entre os seus filhos mais ilustres está o grande poeta que foi Raul de Carvalho,  que num dos seus primeiros poemas publicadas, fez um fabuloso retrato da sua terra natal:
A vila de Alvito
tem ruas e praças,
homens e mulheres
e muitas desgraças.
Tem muita riqueza
e raros amores.
A vila de Alvito
tem uma cruz ao lado -
Quem manda na vila
não lhe dá cuidado.
Malteses, ganhões,
sangue misturado.
Na vila de Alvito
é que eu fui criado.
Um dos edifícios mais importantes de Alvito é o seu castelo, de toque amouriscado, que foi mandado edificar por D. João II, já destinado a paço realengo, mas apenas terminado no reinado de D. Manuel. Pois narra-nos a lenda que o nome da vila vem de um sucesso acontecido durante uma festa. É que havia nesse dia uma corrida de touros e quando os homens os estavam a introduzir nos curros, uma das bestas escapou. Desatou o touro a correr pela povoação fora e atrás dele foram algumas pessoas. O animal, intuindo a proximidade da morte, corria furiosamente pelas ruas, arrastando tudo e todos. 
Como estava um dia deveras quente, pouco a pouco os perseguidores do animal foram perdendo as forças e desistindo. Por fim, só ficaram dois homens, decerto mais resistentes e corajosos, que acabaram por capturar o touro, quando este já se ocultara numa negra gruta. Levaram-no de volta à povoação, depois de terem descansado os três debaixo de um chaparro. Quando entraram na vila com o touro preso por uma corda, levaram-no até ao meio da praça, gritando:
"Alvitre, alvitre!" que quer dizer alvíssaras.
Pois desta espécie de proclamação, explica o povo, nasceu o nome de Alvito!




domingo, 11 de novembro de 2018

MIA COUTO


Rir junto é melhor que falar a mesma língua. Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso.

domingo, 4 de novembro de 2018

JAMBÚ

Classificação científica:
Reino: Plantae
Clade: Angiospérmicas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Género: Acmella
Espécie: Acmella Oleracea



Jambu (Acmella oleracea) é uma erva típica da região norte do Brasil, mais precisamente no Pará, sendo originária da América do Sul. É comum também em Madagáscar e todo o sudoeste asiático, em particular nas ilhas Mascarenhas . Também é conhecida como agrião-do-Pará

USO:
Planta cultivada na região norte do país, onde é utilizada como condimento culinário amazónico, principalmente para ao preparar o famoso “molho-de-tucupi”. As folhas e inflorescência são empregadas na medicina caseira na região norte do país, para tratamento de males da boca e garganta, além de tuberculose e litíase pulmonar. As folhas e flores quando mastigadas dão uma sensação de formigamento nos lábios e na língua devido sua ação anestésica local, sendo por isso usada para dor-de-dente como anestésico e como estimulante do apetite. O chá das folhas e inflorescência é empregada também, contra anemia, escorbuto, dispepsia e como estimulante da atividade estomáquica. A substancia responsável pela ação anestésica na mucosa bucal é uma isobutilamida denominada espilantol. Na sua composição química, além de espilantol, são citados a espilantina,afinina, colina e fitosterina.

USO EM CULINÁRIA:
O jambu é muito utilizado nas culinárias amazonense, rondoniense, acriana e paraense, podendo ser encontrado em iguarias como o tacacá, o pato no tucupi e até mesmo em pizza combinado com mozarela. Pode-se preparar o jambu da mesma maneira que se prepara a couve refogada, cortando-a fininha e refogando-a no azeite com alho e sal a gosto e bacon cortado em cubinhos.
Uma de suas principais características é a capacidade de tremelicar os lábios de seus comensais. É usada como especiaria pelos chineses. As folhas podem ser usadas frescas ou secas. As folhas tenras cortadas finamente são usadas como condimento no prato nacional malgaxe romazava. É encontrado abundantemente no interior do Rio de Janeiro, no município de Trajano de Moraes.
Na Bahia, especialmente, é usado como erva de alto valor religioso com os nomes oripepé, pimenta-d'água e pingo-de-ouro.

PROPRIEDADES:
A planta é reconhecida como anestésica, diurética, digestiva, sialagogo, antiasmática e antiescorbútica.
Os seus capítulos possuem propriedades odontálgicas e antiescorbúticas.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

LUIGI PIRANDELLO


Ao longo do teu caminho, conhecerás, todos os dias, milhões de máscaras e pouquíssimos rostos.

sábado, 20 de outubro de 2018

FOTO DO SÉCULO



Foi considerada a melhor foto deste século.  
 Uma leoa e seu filhote estavam atravessando a savana mas o calor era excessivo e o filhote estava em enorme dificuldade de andar . Um elefante percebeu que seu filhote morreria e o levou na sua tromba até uma poça de água caminhando ao lado da mãe. 
E dizemos nós que são animais selvagens....

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

ACÓNITO

Classificação científica:
Reino: Plantae
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Ranunculaceae
Género: Aconitum
Espécie: Aconitum Napellus



O  acónito (Aconitum napellus) é uma planta venenosa, pertencente à família Ranunculaceae muito utilizada em fármacos homeopáticos.
Acônito é também conhecido como mata-lobos pois em lendas de lobisomens o acônito enfraquece-os. O veneno de acônito foi o mais utilizado em flechas por arqueiros na Antiguidade e Idade Média européias.
Possui raízes tuberosas e caule ereto, com flores azuis na forma de um elmo. O fruto é uma vesícula.
Os sintomas do envenenamento por sua causa são salivação excessiva, falta de ar, tremores e aceleração dos batimentos cardíacos. Apenas 10 gramas de raíz constituem uma dose letal para o ser humano.
É uma planta vivaz que pode atingir até 1,5 metros de altura, tem folhas verde-escuras, palmeadas e recortadas, flores azuis, raramente brancas, e raiz fusiforme. Dá-se bem nas regiões montanhosas, é medicinal e costuma cultivar-se também em jardins, como planta ornamental.
Todas as suas variedades são venenosas quando a semente já está madura. O Aconitum napellus, comum em terrenos úmidos, cultiva-se muito em jardins. Todas as partes da planta são muito venenosas em virtude de possuírem alcalóides distintos.
Outras espécies de acônito existentes em Espanha e Portugal são a erva toira (A. anthora), erva lobo, ou acônito da saúde, e o matalobos (A. lycoctonum), de flor amarela.
Também pode ser receitado pelo seu Médico para o tratamento da ansiedade, mas só com o conhecimento do Médico.
Introduzido na terapia, o acônito era utilizado como sedativo, diurético e analgésico.




domingo, 30 de setembro de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 118ª - MORA

DE RIBEIRA DE PAIVA AOS ENCANTOS

Na margem esquerda do Raia, Mora vale bem a quadra:

Ó Vila de Mora
Tu tens a nobreza
És a sentinela
Da maior firmeza!

Sabiam que a ponte de Paiva foi feita apenas numa noite? Bem, faltam-lhe umas pedras, mas já vão saber porquê. E também sabiam que a construiu o próprio demónio, auxiliado por um bando de pequenos diabos e de pequenas bruxas? 
Ah, nessa noite cantou o galo louro bem cedo pela primeira vez. E o demónio disse: "Como esse mão tenho agouro!" E lá foi fazendo o obra, e passado algum tempo cantou o galo pedrês. Observou o demónio: "Galo pedrês, venham pedras, às duas e às três!" E não tardou que cantasse o galo amarelo, dizendo de novo o demónio: "Com esta ainda me meto."
Cantou então o galo branco e logo disse o demónio: "Galo branco, desse ainda não me espanto." Finalmente, ouviu-se o canto do galo preto, fazendo com que ao diabo se ouvissem estas palavras: "Galo preto, com este já me meto!"
Não só o demónio fugiu ao dizer isto, como deixou o obra incompleta, pois toda a gente diz que as pedras que hoje lá faltam, na verdade, não chegaram a ser postas.
Ah, mas sabiam que no caminho da fonte há um tesouro? E que esse tesouro se encontra de baixo de uma oliveira? Pois foi uma moura que ali o deixou. o problema é que pouco depois da moura ali o enterrar, desapareceu sem assinalar o oliveira! E também deixou um touro azul tomar conta dele.


sábado, 29 de setembro de 2018

HOMEM COBERTO DE ABELHAS


Há gostos para tudo, mais normais ou mais bizarros. O corajoso senhor que se "veste" de abelhas vive em Taruk, uma cidade no noroeste da Arábia Saudita.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

7 MARAVILHAS À MESA





Mesa de Albufeira e de Olhos de Água foi uma das vencedoras das 7 Maravilhas à Mesa. A proposta albufeirense, cujo elemento central era a cataplana, foi uma das sete escolhidas na gala final do concurso promovido pela RTP, que decorreu este domingo, dia 16 de Setembro, em Albufeira.
Além de Albufeira, tornaram-se Maravilhas de Portugal as mesas de Lages do Pico, Vila Real, Terras de Chanfana, Cordeiro de Monção, Bairrada ao Mondego e Mirandela.
A mesa que valeu a Albufeira um lugar entre as 7 Maravilhas à Mesa sugeria dois pratos com muito sabor a mar: os ouriços, como petisco, e a Cataplana de Peixe, como prato principal. A laranja, enquanto produto endógeno, os vinhos Rosé Vida Nova 2017 e Onda Nova Branco 2014, bem como os olheiros de água doce (na praia) e o agroturismo Quinta do Mel, na categoria roteiros, eram as restantes propostas.

sábado, 15 de setembro de 2018

ALBUFEIRA - A MAIOR CATAPLANA DO MUNDO


A maior cataplana do mundo vai ser apresentada hoje, 15 de Setembro, no Classic Weekend, que acontece na Marina de Albufeira. E o prato típico algarvio - provavelmente também o maior do mundo - começa a ser servido ao público a partir das 20h00. 

A confeção do prato será supervisionada por um cozinheiro de Albufeira e realizada por uma equipa de pessoas, implicando a utilização de qualquer coisa como 355 quilos de carne de porco, 267 quilos de amêijoas, 76 quilos de camarão, 88 litros de vinho, 89 quilos de cebola e 45 quilos de pimentos verdes e vermelhos, além de tomate, alho e restantes ingredientes.

A peça foi construída à medida por uma equipa de vários homens e integralmente à mão, com força de braços, durante várias semanas, para que estivesse pronta a tempo. Tem cerca de quatro metros de diâmetro, um metro e oitenta de altura e cerca de 540 quilos de peso e com capacidade para uma tonelada e 300 quilos de comida.

MÁRIO QUINTANA


Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz, você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

COREOPSIS

Classificação científica:
Reino: Plantae
Clado: Angiospérmicos
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Género: Coreopsis



A coreópsis apresenta ramagem densa e ramificada, com folhas espessas e lanceoladas com uma coloração verde vibrante. As flores são diminutas, como em outras plantas da família Asteraceae, e reunidas em capítulos solitários, simples ou semi-dobrados, sobre longos pedúnculos. As pétalas da colora expandida são amarelas ou alaranjadas, largas e com bordas denteadas. O contraste da folhagem com as flores tem grande efeito decorativo.
A floração se estende por todo o ano, em climas quentes, mas é mais abundante no verão. Rústica, tolera solos pobres, secas moderadas, além de ventos fortes e salinidade no solo, tornando-se uma boa escolha em jardins de praia.
Devem ser cultivadas sempre a pleno sol em solo fértil, leve e enriquecido com matéria orgânica para uma boa produção. Apesar de perene, requer reformas bianuais, através do replantio. As regas devem ser regulares. Têm potencial invasivo, podendo tornar-se daninha. Multiplica-se por divisão das touceiras e por sementes.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 117ª - POMBAL

O MOURO SEDUTOR E O FORNO

Pois deste município de Pombal, quantas lendas vamos contar? Pois duas. E vamos começar com um mouro de olhos . verdes e um notável poder de sedução. Chama-se ele Al-Pal-Omar, que em linguagem corrente e portuguesa dá, nem mais nem menos, Pombal! Porém, o mouro tinha um raio de acção, consentido pela velocidade do seu magnífico cavalo e pelo seu real poder, que  vinha das margens do Mondego ao curso do Tejo. Era por ali que se abastecia o seu notável harém. As mulheres amavam-no e os homens tinham-lhe um respeito alinhavado pelo medo.
Porém, certo dia, os cavaleiros templários, guiados pelo arcanjo S. Miguel, conseguiram cercar o mouro Al-Pal-Omar e dar-lhe um combate de morte, não sobrando nenhum dos seus acompanhantes. Ele sim, conseguiu fugir,  ninguém sabe se nas asas de algum pombo. Meteu-se no seu palácio encantado e, dizem, que na companhia das últimas conquistas. E foram-se os templários e taparam todas as possíveis saídas do palácio encantado e construíram-lhe em cima um bom castelo. Possivelmente conhecem-no, o castelo de Pombal!
Mas cuidado, ainda  hoje, qualquer menina que vá ao castelo depois do sol posto escutará uma cantiga que diz assim: 
Menina, vem ter comigo,
Vem o meu encanto quebrar
Sou um mouro teu amigo
Que te quer namorar...


Quem se tenta, entre as leitoras? Mas os leitores estarão pelos ajustes de se deixarem tentar pelo exemplo daqueles homens que ... Vá, comecemos pelo princípio.
Nos anos 1561-1562 houve uma epidemia de peste em todo o país, uma mortandade. A população  do concelho de Pombal sofreu como as outras. Ás tantas, fidalgos e povo juntaram-se e foram em procissão à igreja implorar a Nossa Senhora que acabasse com a desgraça no concelho. E logo se ofereceram com a obrigação de celebrar o primeiro domingo de Agosto de cada ano, com uma missa solene, sermão e, curiosamente, uma corrida de touros. Nossa Senhora não viu inconveniente no negócio e o povo, porque os nobres já acabaram, tem cumprido bem.
Mas aquele exemplo de que se falava atrás entre agora. Nossa Senhora fazia anualmente um milagre. Num forno de grande proporções, onde se entregavam às chamas umas sete ou oito carradas de lenha, aí era metido um bolo de trigo que rondava entre os cento e dez e os cento e vinte quilos. E o milagre não estava ainda aí...
O milagre consistia em entrar em seguida um homem no forno, claro que depois de ter confessado e comungado, dava uma volta ao bolo em  pleno cozimento e saía. Sem se queimar! E isto acontecia diante de uma imagem de Nossa Senhora, colocada diante da porta do forno. Até 1913 aconteceu isso.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

BRUXAS NÃO EXISTEM



Quando eu era garoto, acreditava em bruxas, mulheres malvadas que passavam o tempo todo maquinando coisas perversas. Os meus amigos também acreditavam nisso. A prova para nós era uma mulher muito velha, uma solteirona que morava numa casinha caindo aos pedaços no fim de nossa rua. Seu nome era Ana Custódio, mas nós só a chamávamos de "bruxa".
Era muito feia, ela; gorda, enorme, os cabelos pareciam palha, o nariz era comprido, ela tinha uma enorme verruga no queixo. E estava sempre falando sozinha. Nunca tínhamos entrado na casa, mas tínhamos a certeza de que, se fizéssemos isso, nós a encontraríamos preparando venenos num grande caldeirão.
Nossa diversão predileta era incomodá-la. Volta e meia invadíamos o pequeno pátio para dali roubar frutas e quando, por acaso, a velha saía à rua para fazer compras no pequeno armazém ali perto, corríamos atrás dela gritando "bruxa, bruxa!".

Um dia encontramos, no meio da rua, um bode morto. A quem pertencera esse animal nós não sabíamos, mas logo descobrimos o que fazer com ele: jogá-lo na casa da bruxa. O que seria fácil. Ao contrário do que sempre acontecia, naquela manhã, e talvez por esquecimento, ela deixara aberta a janela da frente. Sob comando do João Pedro, que era o nosso líder, levantamos o bicho, que era grande e pesava bastante, e com muito esforço nós o levamos até a janela. Tentamos empurrá-lo para dentro, mas aí os chifres ficaram presos na cortina.

- Vamos logo - gritava o João Pedro -, antes que a bruxa apareça. E ela apareceu. No momento exato em que, finalmente, conseguíamos introduzir o bode pela janela, a porta se abriu e ali estava ela, a bruxa, empunhando um cabo de vassoura. Rindo, saímos correndo. Eu, gordinho, era o último.
E então aconteceu. De repente, enfiei o pé num buraco e caí. De imediato senti uma dor terrível na perna e não tive dúvida: estava quebrada. Gemendo, tentei me levantar, mas não consegui. E a bruxa, caminhando com dificuldade, mas com o cabo de vassoura na mão, aproximava-se. Àquela altura a turma estava longe, ninguém poderia me ajudar. E a mulher sem dúvida descarregaria em mim sua fúria.
Em um momento, ela estava junto a mim, transtornada de raiva. Mas aí viu a minha perna, e instantaneamente mudou. Agachou-se junto a mim e começou a examiná-la com uma habilidade surpreendente.
- Está quebrada - disse por fim. - Mas podemos dar um jeito. Não se preocupe, sei fazer isso. Fui enfermeira muitos anos, trabalhei em hospital. Confie em mim.
Dividiu o cabo de vassoura em três pedaços e com eles, e com seu cinto de pano, improvisou uma tala, imobilizando-me a perna. A dor diminuiu muito e, amparado nela, fui até minha casa. "Chame uma ambulância", disse a mulher à minha mãe. Sorriu.
Tudo ficou bem. Levaram-me para o hospital, o médico engessou minha perna e em poucas semanas eu estava recuperado. Desde então, deixei de acreditar em bruxas. E tornei-me grande amigo de uma senhora que morava em minha rua, uma senhora muito boa que se chamava Ana Custódio.

(Moacyr Scliar)

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

HELOTROPIO


Classificação cintífica:
Reino: Plantae
Classe: Eudicotiledóneas
Ordem: Polemoniales
Família: Boraginaceae
Género: Heliotropium
Espécie: Helotropium europaeum



Heliotrópio, de nome científico heliotropium europaeum, é uma planta da família das boragiaceas que pode alcançar entre um e cinco metros de altura. Também conhecida como erva das verrugas, tornassol, tornassol com pelos, verrucária ou verrucária peluda, a planta possui um cheiro agradável e coloração acinzentada ou esverdeada. Possui a corola branca ou lilacínea, afunilada ou assalveada. Sua inflorescência não é bracteada e as folhas são elípticas e, assim como os caules, cobertas de pelos suaves. A planta é considerada em algumas localidades como uma erva daninha que cresce na estrada, mas também pode ser usada como planta ornamental.
Suas sementes germinam principalmente durante a primavera e tornam-se bastante resistentes à seca devido a um sistema radicular profundo. Suas flores surgem dentro de algumas semanas e continuam durante o verão, normalmente morrendo no período do inverno.
Seu nome deriva da característica comum das plantas do gênero: helio que Seu nome deriva da característica comum das plantas do gênero: helio que significa sol, e tropium, que significa virar-se para, remetendo ao fato de que as flores seguem o movimento do sol durante o dia.A planta anual é nativa da região mediterrânea, podendo ser encontrada de forma dispersa ao sul e à oeste da Europa, norte da África, sudoeste asiático, além das ilhas da Macaronésia, com exceção a Cabo verde.

Sua introdução em outros continentes foi, provavelmente, acidental, e em algumas regiões da Austrália, inclusive, encontrou excelentes condições para o desenvolvimento, de forma que, inclusive, interferiu

Benefícios e propriedades

Originária da Europa, a planta possui propriedades anticéptica, cicatrizante, febrífuga e emenagoga, ajudando a desinfectar e acelerar a cicatrização de feridas, além de activar a menstruação e estimular o funcionamento da vesícula biliar.
Seu uso para fins medicinais foi relatado em uma ordem emitida por Carlos Magno, o Capitulare de vilis, em que consta que suas terras eram usadas para cultivar uma grande quantidade de ervas, que inclui o heliotropium europaeum. no equilíbrio ecológico da região.

Contra indicações e toxicidade

É bastante comum encontrarmos animais que foram mortos por intoxicação causada por essa planta, fato comum entre gado e cavalos, que são mais susceptíveis do que os ovinos. A planta é venenosa e contém alcaloides pirrolizidinicos.



terça-feira, 31 de julho de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 116ª - FERREIRA DO ZÊZERE

A MOEDA DE OURO

Para sustento da casa, onde muitos eram filhos, ele trabalhava em terras alheias e ela corria montes recolhendo o que pudesse para ajudar. E o que ela suportava nos seus magros ombros! Pois passando ela junto do Penedo da Bica, às pinhas, ouviu gemidos. Olhou em volta, aquilo só poderia vir de dentro do penedo! Mas nem teve tempo para pensar, pois apareceu-lhe uma jovem moura, que lhe disse: "Se pudesse dar uma ajudinha à minha irmã que está lá dentro a ter um filho... Por favor, estou cheia de medo..."
A boa mulher olhou as suas mãos cheias de terra, lembrou-se também dos filhos que tivera, ajudada pela velha da aldeia, que era a parteira e murmurou: "Vamos lá..."
Nesse momento, avançando por onde a moura lhe indicava, viu no penedo uma lindíssima porta. Depois havia um corredor ricamente decorado. Ouro e pedrarias por toda a parte. Então, a moura fê-la entrar no quarto da irmã. E eram tantas as riquezas que até teve dificuldade em ver a irmã da moura que a chamara! Pedia para lavar as mãos e trouxeram-lhe uma bacia de ouro. Aquilo era tudo tão rico que ela ficou intimidada e custava-lhe discorrer. Por fim, lá nasceu a criança, uma menina.
Entraram então no quarto muitas fadas que levaram a criança. E a irmã da moura, que parira nas mãos da aldeã, entregou a esta uma cafeteira cheia de brasas queimadas e levou-a para o lado de fora do Penedo.

Entretanto, enquanto reparava que a porta desaparecera e colocava o seu pesado fardo às costas, a aldeã não pôde deixar de pensar que se a cafeteira ainda lhe fazia jeito, que era bem bonita, as brasas queimadas não tinham préstimo. E deitou-as fora. Mas cada brasa era uma moeda de ouro. Quis recolhê-las do chão, mas elas desapareceram. Encolheu os ombros e lá foi andando para casa. Chegada, fechou-se com o marido no quarto e contou-lhe o que se passara. Ele desatou a rir, dizendo que ela sonhara aquilo. Então ela, inclinou  a cafeteira, a mostrar como fora e, eis senão quando, uma moeda de ouro saltou para o chão, rolando por todo o quarto até se imobilizar aos pés do casal!
                    

domingo, 8 de julho de 2018

MARK TWAIN


Não há tempo... tão curta é a vida,
para discussões banais, desculpas, amarguras, tirar satisfações.
Só há tempo para amar.
E mesmo para isso, é só um instante.
Uma vida boa se constrói com boas relações.

terça-feira, 3 de julho de 2018

CALENDULA

Classificação científica:
Reino: Plantae
Classe: Eudicotiledóneas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Género: Calaendula



Calendula é um género de plantas pertencentes à família Asteraceae, vulgarmente chamadas calêndulas ou maravilhas. Calêndula é nativa da África central e foi trazida e disseminada ao Brasil nos meados do século XVIII.

Características básicas
Pertencente à mesma família das margaridas - Asteraceae - a calêndula (Calendula officinalis) é originária da Europa meridional e se relaciona intimamente com o sol. Curiosamente, essa flor abre suas pétalas assim que o sol nasce e as fecha na hora em que ele se vai. Aliás, seu nome é derivado de uma palavra latina - calendae - que significa "primeiro dia de cada mês", de onde se derivou também a palavra calendário (que, sabe-se, é baseado no ciclo solar).
No Brasil, a calêndula adaptou-se facilmente, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Hoje, ela é cultivada tanto para fins ornamentais como para a fabricação de medicamentos e cosméticos. A flor, de coloração amarelo-alaranjada, caracteriza-se pelo inegável perfume e as folhas são macias e aveludadas. Planta anual, a calêndula pode atingir até 50 cm de altura e apresenta caules ramificados em duas hastes. As folhas inferiores são espatuladas e as caulinares são lanceoladas e alternadas.
Atualmente, as flores cultivadas sem agrotóxicos ou aditivos químicos são comercializadas para consumo em saladas ou acompanhando outros pratos.
Uso medicinal
Muito utilizada na industria farmacêutica.
Conta-se que na guerra civil americana, os médicos que atuavam nos campos de batalha utilizavam as flores e as folhas da calêndula para tratar os ferimentos dos soldados. Anos mais tarde, a ciência comprovou os efeitos que aqueles médicos conheceram na prática. No Brasil o seu uso fitoterápico é aprovado pelo Ministério da Saúde.
A partir da calêndula, a medicina homeopática produz remédios que são usados oralmente, inclusive em períodos pós-operatórios, justamente pelos poderes já citados. Na medicina popular, a planta é muito utilizada para tratar problemas uterinos e cólicas menstruais, estimular a atividade hepática e atenuar espasmos gástricos. É claro que devem ser evitados exageros ou abusos na aplicação de plantas em tratamentos. No caso da calêndula, é importante esclarecer que, em excesso, a planta pode provocar depressão, nervosismo, falta de apetite, náuseas e até vômitos.
Uso cosmético
É na fabricação de cosméticos que a calêndula faz o seu reinado: os diversos princípios ativos da planta são responsáveis pelos eficientes efeitos no tratamento de pele e cabelos. A calendulina, por exemplo, um pigmento que dá a cor alaranjada às pétalas, presente em boas doses nas flores, juntamente com a resina e a mucilagem, são responsáveis pelos poderes regeneradores e cicatrizantes. Outros princípios engordam a lista de propriedades da calêndula, amplamente usada na fabricação de shampoos, loções, sabonetes e cremes. Aliás, ela é uma das bases mais utilizadas na fabricação de produtos indicados para cabelos oleosos e peles com cravos e espinhas.

sábado, 30 de junho de 2018

LENDAS DE PORTUGAL - 115ª - ANADIA

A VINHATEIRA E O CERTOMA

Que mais poderia querer a capital da Região dos Vinhos da Bairrada do que ter o nome da sua capital intimamente relacionado com uma famosa vinhateira do passado? Porém, um passado tão remoto que não conseguimos descortinar o tempo em que viveu a famosa Ana Dias. Mas temos lenda, e lenda tão interessante como a que dá o nome a boa parte do Rio Cértima. O pior, nestas coisas, é que aparece alguém a querer dar cabo da lenda com etimologias e outros dados. Mas vamos lá às lendas.
Ana Dias, naqueles recuados tempos, era nome tão respeitado como o de Baco. Possivelmente, até mais. Porque Ana Dias se apresentava à estrada de  Coimbra com os seus maravilhosos vinhos obrigando a parar ali quem fosse ou viesse à cidade dos doutores. Quantos ali não sentiram o estímulo dos bairradinos para abrir um livro de leis ou um copo na mesa da autópsia? Também, valha a verdade, também acreditarmos que a Ana Dias ou qualquer dos seus vizinhos decerto também fari ou fariam  rodar letões no espeto porque não se deve beber sem lastro nem se deve comer sem o apoio de um pichel dos de Ana Dias. Ah, o que nunca conseguimos descobrir é como se chamava o povoado antes dele se identificar com sua personalidade, inapelavelmente, mais importante! E que importa? 
Aqui há uns tempos, numa revista bairradina, o escritor Idalécio Cação levantava a questão de nunca se falar no marido nem nos possíveis filhos de Ana Dias. Era só ela e a sua produção de vinhos.  Nem nos sobrou retrato seu que, a avaliar pela fama, até deveria ter circulado em moeda! Mas não, só a sua fama de fazer parar os viajantes, consolar-lhes os sentidos com as suas produções e ficá-los a ver dobrar a curva da estrada, mal equilibrados nas suas cavalgaduras. E Manuel Rodrigues Lapa, o ilustre filólogo, que nos teria podido dizer de Ana Dias? Não que a tivesse conhecido, mas por via do topónimo da sua terra...


Quando ao rio, o leitor deve ter estranhado o nome - Certoma. Toda a gente conhece o Rio Cértima, agora Certoma. Já lá vamos. Pois o Cértima é um subafluente do Rio Vouga, nasce na Serra do Buçaco, um pouco abaixo da Cruz Alta, a 380 metros de altura. Galga 43 quilómetros na direcção Sul-Norte, atravessando quatro concelhos, atravessando a Pateira de Fermentelos. Ora o nome do rio é Cértima, mas até Avelãs do Caminho é designada com o Certoma. E porquê?
Um belo dia, nas imediações de Anadia, a rainha santa, que ia peregrinar a Santiago de Compostela, sentiu sede. Logo alguns dos seus acompanhantes dirigiram-se ao rio e encheram uma vasilha. Houve até um que provou a água e achou-a imprópria. Mesmo assim levou-a à soberana, tendo o cuidado de a prevenir. Ao primeiro golo Isabel de Aragão sentiu-se incomodada e comentou: "Que sabor esquisito, esta água é do certo  má..."
E de decerto má a certomá e certoma foi um salto de passarinho. Ficou o Rio Certoma, mas, a partir de determinada altura toda a gente passou a dizer Cértima como alternativa a Certoma. Mas há quem  arranje as tais etimologias...