segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXXIII - SESIMBRA

O DIREITO DE PERNADA
Um pouco acima onde hoje se vê o castelo de Sesimbra, existia uma povoação celtibera cujo nome se perdeu. Por ali perto ficaria mais tarde a quinta do Calhariz, onde viveu o nosso discreto Alexandre Herculano, sabedor de lendas. Pois era senhor dessa povoação um velho tirano, despótico, que impunha o direito de pernada. Este consistia no direito que se outorgava o senhor em dormir a primeira noite com qualquer mulher que se casasse dentro dos seus domínios. E os domínios daquele indivíduo era a tal povoação. Cinicamente dizia que não era da sua autoria a lei que a tantos repugnava. E como lhe convinha, dela não abdicava. Mas os leitores já viram algo semelhante em lendas anteriores, mas nenhuma que se encaminhasse como esta...

Nessa povoação vivia um rapaz chamado Zimbra que é um nome celtibero, como existe o celta Sesimbrig e o romano Zambra. Tinha uma namorada chamada Maris. E amavam-se. Portanto, queriam casar. E a situação era negra e bem negra. Porém, Zimbra foi falar com a rapariga:
"Tenho uma ideia clara sobre a maneira de evitar que o velho te ponha as mãos!"
"Se fugimos, persegue-nos e apanha-nos. Mata-nos!"
"Não fugiremos. Vamos é sair do seu poder."
E Zimbra mostrou a Maris que no sopé do monte em que estava a povoação ficava a praia, que não fazia parte do território do tirano. A questão é que eles vivessem ali. Eles e os outros. A lei dizia que todas as donzelas que viviam no povoado estavam sob a lei do tirano. A questão é que nem Maris nem ele vivessem no povoado! Parecia muito simples.
E no dia da boda, como de costume, toda a gente se reuniu sob o mesmo tecto comendo e bebendo. O tirano também, sentado em lugar de honra e antegozando os prazeres que iria tirar da bela Maris. Mas estava admirado com a tranquilidade com que Zimbra parecia encarar tudo aquilo. A velha raposa calculava que alguma coisa se passava, mas não sabia o quê. Tinham-lhe pedido autorização para o casamento, haviam feito a boda e nessa noite a rapariga deveria apresentar-se em sua casa. E estavam todos contentes, porquê?
Ficou a sabe-lo nessa mesma noite quando reparou que a rapariga nunca mais lhe aparecia. Mandou os seus guardas a apanhar o casalinho e eles regressaram dizendo que não havia ninguém nas casa do povoado. Nem pessoas nem haveres, estava tudo deserto.
O tirano rugiu e quis saber o que se passava. Uns guardas vieram dizer que tinham descoberto tudo. Bem, toda a população se tinha mudado para umas casas que haviam, construído na praia, fora dos territórios do tirano. E ali eles legalmente nada podiam fazer.
Mesmo considerando isso, raivoso como estava o tirano juntou os seus guardas e foi a nova povoação, na praia. Mas Zimbra e o resto do povo estava prevenido e a luta foi dura. Mas quando caiu o tirano com uma punhalada, os guardas fugiram todos. E nunca mais ninguém quis voltar para a antiga povoação, ficando na que seria a raiz da bela Sesimbra dos nossos dias.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

UMA VISITA INESPERADA


Foi na noite de Natal. Um anjo apareceu a uma família muito rica e falou para a dona da casa: “Trago-te uma boa notícia: esta noite o Senhor Jesus virá visitar a tua casa!”
Aquela senhora ficou entusiasmada. Jamais acreditara ser possível que esse milagre acontecesse em sua casa. Tratou de preparar um excelente jantar para receber Jesus. Encomendou frangos, assados, conservas, saladas e vinhos importados.
De repente, tocaram a campainha. Era uma mulher com roupas miseráveis, com aspecto de quem já sofrera muito.
“Senhora”  disse a pobre mulher “Será que não teria algum serviço para mim? Tenho fome e tenho necessidade de trabalhar.”
“ Ora bolas! “ retorquiu a dona da casa. “ Isso são horas de me vir incomodar? Volte outro dia. Agora estou muito atarefada com um jantar para uma visita muito importante.”
A pobre mulher retirou-se.  Um pouco mais tarde, um homem, sujo de óleo, veio bater-lhe à porta.        “ Senhora” disse ele,  “ O meu camião avariou aqui mesmo em frente à sua casa. Não teria a senhora, por acaso, um telefone para que eu pudesse comunicar com um mecânico?”
 A senhora, como estava ocupadíssima em limpar as pratas, lavar os cristais e os pratos de porcelana, ficou muito irritada.
“Você pensa que minha casa é o quê? Vá procurar um telefone público... Onde já se viu incomodar as pessoas dessa maneira? Por favor, cuide para não sujar a entrada da minha casa com esses pés imundos!”
E a anfitriã continuou a preparar o jantar: abriu latas de caviar, colocou o champanhe no frigorífico, escolheu, na adega, os melhores vinhos e preparou os cocktails.
Nesse momento, alguém lá fora bate palmas. “Será que agora é que é Jesus?” pensou ela, emocionada. E com o coração a bater acelerado, foi abrir a porta. Mas decepcionou-se: era um menino de rua, todo sujo e mal vestido... 
“Senhora, estou com fome. Dê-me um pouco de comida! “
“Como é que eu te vou dar comida, se nós ainda não jantámos?! Volta amanhã, porque esta noite estou muito atarefada... não te posso dar atenção.”
Finalmente o jantar ficou pronto. Toda a família esperava, emocionada, o ilustre visitante. Entretanto, as horas iam passando e Jesus não aparecia. Cansados de tanto esperar, começaram a tomar aqueles cocktails especiais que, pouco a pouco, já começavam a fazer efeito naqueles estômagos vazios, até que o sono fez com que se esquecessem dos frangos, assados e de todos os pratos saborosos.

De madrugada, a senhora acordou sobressaltada e, com grande espanto, viu que estava junto dela  um anjo. 
“Será que um anjo é capaz de mentir?” gritou ela. “Eu preparei tudo esmeradamente, aguardei a noite inteira e Jesus não apareceu. Por que é que você fez  essa brincadeira comigo?”
“Não fui eu que menti... Foi você que não teve olhos para enxergar.”  explicou o anjo. “Jesus esteve aqui em sua casa  três vezes: na pessoa da mulher pobre, na pessoa do motorista e na pessoa do menino faminto, mas a senhora não foi capaz de reconhecê-lo e acolhê-lo em sua casa”.



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

UMAS OLIMPÍADAS PARA ACABAR COM A MATANÇA DE LEÕES NO QUÉNIA

Tradição de caça desta tribo africana ajudou ao risco de extinção dos reis da selva. Prémios dos jogos incluem touro reprodutor.
Com a cara pintada em tons de ocre e uma lança na mão direita, Tipape Lekatoo, um maasai de 18 anos, parece pronto para caçar os leões que se escondem nas encostas do Monte Kilimanjaro. Mas ao lançar o seu dardo tem como objetivo ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos Maasai, um evento bienal focado em acabar com a tradição da caça aos leões desta tribo do Quénia.
"Se ganhar vou usar o dinheiro do prémio para pagar a universidade", contou à Reuters Lekatoo, que gostava de estudar Turismo em Nairobi, a capital do Quénia.
Estabelecidos entre os parques nacionais de Tsavo e Amboseli, os maasai têm uma tradição secular de caçar leões que esteve perto do fim há cerca de uma década, quanto os reis da selva quase entraram em extinção  - em África,o número de leões desceu de quase cem mil há algumas décadas para 25 a 30 mil atualmente, segundo números de grupos de conservação citados pela Reuters.
Caçados por jovens guerreiros maasai e envenenados por pastores que não queriam estes felinos a comer o seu gado, o número de leões na zona Aboseli-Tsavo era menos de dez em 2003. Parte do problema foi resolvido com um fundo de compensação para os pastores, criado pela Big Life Foundation. No entanto, os jovens maasai continuaram a caçar para se tornarem  guerreiros e conquistarem a admiração das mulheres da tribo.



Tradições servem de inspiração
Tudo mudou em 2008, quando um grupo de anciãos maasai procurou  Tom Hill,o fundador da Big Life, e lhe disse que queriam acabar com a tradição tribal de matar leões.
“Eles perguntaram: ‘Os rapazes não lutam por raparigas mundo fora atracés do desporto?’ Eu disse que sim e foi o início da Olimpíadas Maasai”, contou Hill.
E assim, este sábado, realizou-se mais uma edição destas olimpíadas, com quatro equipas de jovens entre os 16 e os 25 anos, a competirem por prestígio, medalhas, prémios em dinheiro e um touro reprodutor. Os dois primeiros classificados da corrida de 5 km ganham um lugar na Maratona de Nova Iorque do próximo ano.

Além do lançamento do dardo, as provas – uma mistura da cultura maasai e tradição olímpica – incluem arremesso do rungu (um bordão de madeira usado para assustar animais), salto em altura (adaptação de uma dança tradicional) e várias corridas.

DN - 15.12.2014

domingo, 14 de dezembro de 2014

YAO MING - O GIGANTE DA CHINA QUE TENTA SALVAR OS GIGANTES DE ÁFRICA



Yao Ming está a usar a imagem e a fama que o basquetebol e a NBA lhe deram para lutar contra o comércio de marfim.
Yao Ming não é grande. É enorme. Tal como as suas atitudes. O gigante chinês de 2,29 metros (e 120 kg), um dos jogadores mais altos de sempre da história da NBA, dedica-se agora à luta contra o comércio do marfim, que nos últimos 60 anos sacrificou 4,5 milhões de "criaturas magníficas", como apelida os elefantes e os rinoceronte. Em 2012 tinha abraçado a causa dos pandas.
"Quando vi os corpos dos animais mortos foi uma imagem muito triste e muito forte para mim. Uma experiência muito dolorosa. Cada vez que vejo alguém com um corno de marfim fico muito triste, porque sei que há um corpo, um esqueleto por detrás disso. Há vidas que se perdem em África para que alguém o possa comprar."

É esta dura e triste realidade que quer denunciar no programa Animal Planet o Projeto Yao Ming, um documentário filmado no Quénia, na reserva de Kariaga, um habitat natural de elefantes, onde também participou num anúncio com o príncipe William de Inglaterra e o ex-futebolista David Beckham, onde apelam ao mundo que seja mais firme na defesa destes animais.

DN - 14.12.2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

HARLAN MILLER



Se pudéssemos guardar o espírito de Natal em jarros e abrir um jarro em cada mês do ano.

domingo, 7 de dezembro de 2014

GLADÍOLO

Classificação científica:


Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Asparagales
Família: Iridaceae
Género: Gladiolus



O género Gladiolus contém cerca de 260 espécies, das quais 250 são nativas da África subsariana, principalmente da África do Sul. Cerca de 10 espécies são nativas da Eurásia. Existem 160 espécies de gladíolos endémicos do sul da África e 76 da África tropical. As espécies variam desde muito pequenas até às espectaculares espigas de flores gigantes disponíveis no comércio.
São largamente cultivadas no mundo inteiro, por causa dos seus cachos altamente decorativos e que têm grande valor comercial.

sábado, 29 de novembro de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXXII - ESPOSENDE

O CAÇADOR DO BELINHO

Quem a contou a quem a escreveu pela primeira vez não teve rebuço em dizer que o cenário cronológico desta lenda esposendense se situa "no tempo dos afonsinhos". Ora quê, nada mais preciso para a pendurar na Idade Média! Mesmo o Caçador do Belinho, cujo nome já na altura estava apagado pelo da sua fama cinegética, andava de arco e flechas. Eis, pois, a lenda contada, em 1903 ou 1904, pelo padre João da Paia ao escritor Manuel de Boaventura, que a estampou num dos jornais da sua terra, em Janeiro de 1971, pouco antes de falecer.
A lenda fala-nos de um homem, com fama de grande caçador por hábil no lançamento das setas, a viver no Belinho, o que fora noviço no convento de S. Romão, em Riba-Neiva. Ora começa a história quando, em dada altura, as populações das imediações da sua casa lhe batem à porta. Pedem-lhe que os livre de uma espécie de praga que daquela acontecia. Lobos e raposas invadiam os montes, desciam aos povoados e às quintas, desfazendo galinheiros e demais gado, atacando mesmo quem encontrasse isolado. Sem se fazer rogado, o Caçador do Belinho deitou a mão à sua arma e meteu-se ao monte, disposto a satisfazer os seus vizinhos.
Subiu montes e fraguedos até que deu com a primeira raposa, desferindo-lhe tão rápida flecha que a abateu num instante. Depois, esperou que outra lhe saísse adiante, de uma madrigueira, sob um penedo com feitio de um pião com o ferro para o céu. Porém, por qualquer razão, tropeçou e enfiou-se por uma ribanceira, partindo ambas as pernas  na queda. Não se podia mexer naquele fundão. nem os seus berros alcançavam vivalma.  Nem consigo tinha o arco e as flechas para se poder defender.
Exausto de dor e de pedir socorro, o caçador do Belinho pensou que Deus o poderia ajudar e como intermediário escolheu cuidadosamente o Santo Abade Amaro, cuja imagem estava na igreja do convento onde fora noviço, e cujo altar tantas vezes arranjara. Pois a ele se dirigiu pedindo pernas novas com que dali pudesse sair para se salvar das dores e dos perigos da noite que chegava. E orando caiu numa estranha sonolência, que parecia dominar todos os seus sentidos.
Sem saber se dormia, se sonhava, o Caçador do Belinho abriu vagarosamente os olhos. Junto de si viu a imagem de um frade franciscano, de rosto que ele decerto já vira mas não conseguia reconhecer, as suas mãos muito brancas. Escutou então uma voz suavíssima:
"Levanta-te e caminha..."


As dores tinham-lhe desaparecido, pôs-se de pé e deu alguns passos. Tinha pernas novas, o que pedira fora-lhe concedido. O caçador continuou a andar, percorrendo três léguas até ao mosteiro de S. Romão, onde um raio de sol iluminou o rosto do Santo Abade  Amaro. Era o da sombra que o ajudara.
O Caçador do Belinho agradeceu-lhe orando e viu que a ajuda tinha sido a 15 de Janeiro, dia de Santo Amaro. Depois ergueu-lhe uma capela, que recebeu a própria imagem da igreja de convento. Podem lá ir...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

CANTE ALENTEJANO - PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE


O cante alentejano, um canto coletivo, sem recurso a instrumentos e que incorpora música e poesia, foi hoje classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

A distinção foi aprovada, hoje de manhã, pelo Comité Intergovernamental da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Humanidade, que está reunido esta semana em Paris (França).


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

UM GRAMMY PARA CARLOS DO CARMO



O fadista Carlos do Carmo foi distinguido pela Latin Recording Academy com o Grammy que distingue a carreira do artista. É o primeiro português a receber este prémio.

 A estatueta foi lhe entregue no dia 19 de Novembro, no Hollywood Theatre da MGM, em Las Vegas (EUA).
PARABÉNS!

domingo, 9 de novembro de 2014

25 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM - 9.11.1989 -

Porta de Brandenburgo antes e depois do muro.

Quando se pensa na Alemanha, esta é uma das imagens que mais frequentemente nos vem à cabeça. Antigo ponto de entrada na cidade, a Porta de Brandenburgo está localizada na parte ocidental do centro da cidade de Berlim, sendo a entrada para a monumental Unter den Linden, a famosa avenida das tílias. De estilo neoclássico, a porta foi construída por Carl Gotthard Langhans, entre 1788 e 1791, sob encomenda de Frederico Guilherme II da Prússia. Sofreu danos na II Guerra Mundial, tendo a passagem de peões ou de veículos estado interrompida quase 30 anos por causa do muro. Quando a porta reabriu, a 22 de decembro de 1989, após a queda do muro, milhares de pessoas celebraram nas ruas. O chanceler da RFA Helmut Kohl passou por ela e cumprimentou o primeiro-ministro da RDA Hans Modrow
.
ANTES

DEPOIS


sábado, 8 de novembro de 2014

MUSEU DE CERA DOS DESCOBRIMENTOS

Foi inaugurado no dia 26 de Outubro o Museu de Cera dos Descobrimentos em Lagos.
Vale a pena fazer uma visita.



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

GLORIOSA

Classificação científica:

Nome científico: Gloriosa rothschildiana
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Liliales
Família: Colchicaceae
Género: Gloriosa
Origem: África
Nomes populares: Gloriosa, Lírio trepadeira, Garras-de-Tigre 
Etimologia: Gloriosa, deriva do latim gloriosus, fazendo referência à beleza da planta.



Características gerais: trepadeira herbácea com raízes tuberosas, medindo de 1,5 a 2,0 metros de altura. As folhas são verdes, lanceoladas, que se alongam transformando-se em gavíneas, permitindo sua fixação e ascensão sobre os suportes. Apresenta flores solitárias, recurvadas, com pétalas amarelas na base e vermelhas nas extremidades, formadas principalmente na primavera-verão. Ocorrem ainda variedades de flores amarelas e de porte anão. Durante o inverno, a planta perde a folhagem, entrando em dormência.
 Desenvolve bem em regiões com clima ameno, apesar de possuir adaptação a uma ampla faixa climática. Não tolera períodos de seca.
 
Curiosidades: todas as partes da planta contêm colchicina e alcalóides, sendo bastante tóxicos se ingeridos, especialmente os tubérculos. O contato com o caule e as folhas pode causar irritação na pele. Várias preparações da planta também são utilizadas em medicamentos tradicionais na África e Índia.
Gloriosa superba é a flor nacional do Zimbábue e também já foi considerada a flor nacional da Rodésia. É também a flor de Tamil Nadu (Índia) e em 2004 foi adotada como a flor oficial da flor do Eelam Tamil (Sri Lanka).

Significados: suas flores significam ‘glória’. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXXI - CASTRO MARIM

O SAPO E O MOURO DO CASTELO

Em 1320, a vila de Castro Marim foi doada por D. Dinis à Ordem de Cristo, que ali se manteve até ser transferida para Tomar. Conquistada aos mouros por D. Afonso III, a vila recebera foral em 1277. Campo de numerosas batalhas, Castro Marim viu o seu castelo mudar de bandeira um par de vezes. Ora hoje moura, ora amanhã cristã, ali há também um alfobre de lendas de mouros encantados. Infelizmente, a memória de muitas delas perdeu-se, sobretudo no que se refere a pormenores. E ainda bem que Ataíde Oliveira (1843 - 1915) entendeu coleccionar quanto pôde - e muito foi! - da tradição algarvia. Não fora ele e nada saberíamos de um certo sapo.


Que sapo? Pois um que havia no sítio da Espargosa, numa horta próxima de Castro Marim. Não era um sapo qualquer, era um mouro encantado. Muita gente da vila o viu, mas a partir de determinada altura, desapareceu. Tanto quanto se diz, desapareceu porque se quebrou, por fim, o seu encantamento. Porém, nessa mesma hora foram vistas, pela meia-noite, algumas mouras, pertencentes a outros encantamentos! E também, foram vistas ao meio-dia, que é a hora em que costumam pentear os seus cabelos com pentes de ébano, decorados com embutidos naquele precioso metal. Houve quem as visse.
Por outro lado, os noctívagos de Castro Marim, quando lançam o olhar pelas arruinadas muralhas da sua vila, às vezes topam com um mouro a passear por lá.A lenda diz que o mouro era um homem riquíssimo e que em tempos protegeu uma família, ainda que as pessoas se tenham esquecido porquê! É o mouro do castelo  e pronto.
Igualmente, registou Ataíde Oliveira, que no Arco da Herveira, ainda nas imediações de Castro Marim, ao meio-dia e à meia-noite, mouros e mouras encantadas apareciam a quem por lá passava. Uma proprietária daqueles sítios, certa noite, enfrentou-se com uma figura, a quem por diversas vezes atirou o seu punhal, sem lhe poder acertar. Por outro lado, a tal figura também não a conseguiu agarrar. Acabou por esta desaparecer e a senhora, ao chegar a casa, viu que tinha o corpo como se lhe tivessem batido! As pessoas até diziam que fora uma luta da senhoras, que se chamava Ana Faísca, com um bicho monstruoso, por causa do desencanto de um mouro. A senhora não negava a luta, mas não  aceitavas a motivação...
Também para aos lados das Vargens de Belixe, reza outra lenda que, ao meio-dia, se escutava, "ais" lamentosos que vinham do meio da terra. Muita gente lá terá ido ouvi-los, mas ninguém se deu ao trabalho de averiguá-lo! Contava se também nos serões desta vila a história dos nove mouros encantados. O próprio Ataíde Oliveira diz que pediu a um amigo que lhe arranjasse os termos da história, mas ele não conseguiu descobrir nada, estava tudo esquecido! E o grande investigador algarvio atribui à accção dos frades a culpa da destruição da memória destas lendas. Todavia, ele sempre contava com o efeito contrário quando surgem tentativas de desmantelamento deste tipo. Bem, mas o esquecimento é muito...

terça-feira, 21 de outubro de 2014

OS SAPATOS MAIS CAROS DO MUNDO



Os sapatos mais caros do mundo são uma recriação dos famosos sapatos vermelhos de Dorothy, do filme "O Feiticeiro de Oz". O joalheiro Ronald Winston utilizou rubis e diamantes neste par de sapatos desenhados para celebrar os 50 anos da longa-metragem. Avaliados em três milhões de dólares (cerca de 2,4 milhões de euro), foram apresentados na Casa Harry Winston, em Nova Iorque, em 1989.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

RECORDAR ALBUFEIRA

O teu Verão sem tempo
até parecia mais quente
não havia tanta gente
sobrava diversão.
Recordo com saudade
os dias de folguedo no Carnaval
bailados no nosso Imortal,
naquele tempo
ao meia noite
apagava a luz,
trazia um candeeiro a petróleo
continuando a alegria
até ao romper do dia.
Depois íamos a correr
sentarmo-nos no banco do jardim
para ver o Sol nascer.
As passeatas à noite no túnel,
os bons petiscos na gruta
que o Lúcio e o Mesquita arranjavam
para quem de petiscos gostava.
Na esplanada do Bailote
com a orquestra Pax Júlia
ou com os discos a tocar,
era romântico lá dançar
nas noites de luar
ver o mar brilhar,
às vezes fazia vento
agarrava-se mais o par
não sei se era do vento
ou efeitos do luar...

Graciete Monteiro


domingo, 12 de outubro de 2014

COMO É QUE O DIABO-ESPINHOSO ENGANA OS PREDADORES?



Especialista em camuflagem, Diabo-Espinhoso (Moloch horridus) é um lagarto da Austrália que tem o corpo coberto de escamas e espinhas que assustam os predadores. Mas este réptil usa ainda outro estratagema - uma falsa cabeça no dorso engana os animais que o atacam enquanto esconde a verdadeira entre as pernas.

sábado, 11 de outubro de 2014

MALALA YOUSAFZAI - PRÉMIO NOBEL DA PAZ 2014



A paquistanesa Malala Yousafzai, de 17 anos venceu o Prémio Nobel da Paz de 2014,  pela luta para o  direito de todas as crianças à educação". Malala torna-se a pessoa mais jovem a receber o Nobel nos 114 anos de história da premiação.
- As crianças devem ir à escola e não serem exploradas financeiramente - disse o presidente do Comité Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland.
A adolescente Malala protestou contra a campanha do Talibã que rejeita a educação feminina em seu país e foi baleada na cabeça pelos extremistas. Aos 17 anos, ela continua a defender os direitos das mulheres. Desde que foi baleada, ela esteve sob os holofotes do mundo, publicou uma biografia e discursou na Assembleia Geral da ONU.
Malala, que era uma das favoritas para ganhar o prêmio no ano passado, foi “à escola, como de costume” nesta sexta-feira em Birmingham, no Reino Unido, onde mora e estuda. A jovem já ganhou o Prêmio Internacional da Anistia, Prêmio da Paz Internacional da Criança e o Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu.
Ela comemorou seu aniversário de 17 anos visitando a Nigéria para fazer campanha pela libertação de mais de 200 estudantes sequestrados pelo grupo Boko Haram. No país, Malala se encontrou com o presidente Goodluck Jonathan e com as famílias das crianças capturadas.

O primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, parabenizou Malala e afirmou que ela é “orgulho do país”.

Miosotis: É impressionante como uma menina de 17 anos defende a sua ideia! PARABÉNS!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

LÍRIO TIGRE - Lilium tigrinum



Lilium lancifolium

Sinónimos
Lilium tigrinum



Lilium lancifolium  é uma espécie de planta com flor, pertencente à família Liliaceae.


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXX - GRÂNDOLA

O JAVALI E O FORAL

Pois querem saber o que é que fez com que Grândola adquirisse, no século XVI, um tipo de importância que lhe provocou, quase subitamente, um extraordinário crescimento? Pois foi um javali que, no seu passeio matinal, passou pelas cercanias de um palácio mandado construir por um filho legitimado do rei D. João II! Pelo menos é o que nos conta uma lenda de Grândola - a vila morena, a terra da fraternidade, belamente cantada por Zeca Afonso.
Pois a lenda de Grândola é muito interessante, mostrando-nos quanto semelhantes são, através dos tempos, as motivações particulares de alguns gestos administrativos! Ora vejamos o ano de 1527, quando Grândola era só uma aldeiazinha de 45 habitantes e em cujos arrabaldes não haveria mais de duzentos casais. Porém, não tardou em obter foral de vila com as respectivas justiças. E sabem porquê? Contamos. Entre os bastardos do chamado Príncipe Perfeito, seja o rei D. João II, contava-se o legitimado Jorge Lencastre. Ora este tinha um grande gosto pelas caçadas. Fosse caça grossa ou caça miúda, a actividade cinegética estimulava-o muito. E quanto a espaços de prática, os matorrais cerrados das cercanias de Grândola tinham a sua preferência. Ali nunca se acabavam os javalis, as raposas, os coelhos e as perdizes, as lebres e as galinholas, os pombos, tudo. Andava ele e a sua comitiva de caçadores e cães, numa verdadeira roda-viva, em caçadas e mais caçadas. E gostava tanto Grândola que ali mesmo mandou construir um palácio. Assim poderia ter as comodidades a que estava habituado na cidade e abrigar os seus acompanhantes. E se a princípio viajava da capital para aquele belo recanto alentejano, não tardou que acabasse por se fixar ali.
Assim, uma certa manhã, Jorge Lencastre encontrava-se à janela do seu palácio, pensando no que iria fazer nesse dia. A seu lado tinha o cão favorito. De repente, este começou a agitar-se, enquanto se escutava um remexer de arbustos. E, para espanto do filho de D, João II, irrompeu a espaço aberto um corpulento javali.
Imediatamente o príncipe pôs a sua máquina de caça em movimento. Os amigos e os criados correram a armar-se, a soltar os cães, os cavalos aparelhados num segundo. À frente de todos se pôs Jorge Lencastre, de lança em riste. O seu olhar andava de um lado para o outro, procurava alguém.


De facto, em vão buscava o seu melhor caçador. Saíram em busca do javali, que entretanto se voltara a ocultar na mata. Toques de corno, tilintar de armas, mas nada, nunca mais o viram. Lencastre continuava a procurar o tal caçador. Bem, não apanharam o javali nem o caçador apareceu. Este encontrava-se numa audiência judicial em Alcácer do Sal, pois em Grândola não havia tribunal. E a verdade é que o príncipe, para evitar ficar desprevenido, pediu ao pai foral para Grândola de modo a obviar futuramente situações do estilo. E a 22 de Outubro de 1544, o foral foi passado. E essa foi a primeira etapa do desenvolvimento da Vila Morena.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SARAMAGO E CORTIÇA A CAMINHO DO GUINNESS

Desde finais de agosto, que está a ser construído no Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sôr, onde irá ficar exposto de forma permanente, o maior mosaico do mundo elaborado com rolhas de cortiça. A ideia surgiu por parte do albanês Saimir Strati, já detentor de sete recordes do Guinness.
Esta obra, que surge em homenagem ao Festival Sete Sóis Sete Luas e à sua relação especial com o Prémio Nobel José Saramago, está a ganhar forma com a "ajuda" de cerca de 300 mil rolhas de cortiça, e irá ocupar    uma área total de 108 metros quadrados. Serão 24 metros de comprimento por 4,5 metros de altura, que a organização espera     que possa colocar a cidade de Ponte de Sôr, José Saramago e a cortiça no Guinness.
                                 

A apresentação deste mosaico está agendada para o dia 27 de setembro, com a presença de um juiz da instituição britânica Guinness World Records, para a certificação oficial do recorde Mundial. Esta iniciativa conta com o apoio do Festival Sete Sóis Sete Luas, de várias empresas transformadoras de cortiça, sediadas no concelçho de ponte de Sôr, e da Entidade Regional de Turismo Alentejo que se associa a este projeto no âmbito da candidatura do montado a Património da Humanidade.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

HELEN KELLER



Quando uma porta da felicidade se fecha,outra se abre. 
Muitas vezes ficamos tanto tempo olhando para a aporta fechada que não vemos a que se abriu.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

NUDISMO NA CIDADE

Desde o mês de abril é possível e legal andar sem roupa em Munique. Há seis zonas onde as pessoas podem estar nuas sem medo de serem detidas pela polícia. A nudez é uma prática informal na Alemanha há quase um século, mas só agora é que a autarquia avançou para a legalização.
A cidade de Munique aprovou uma lei que instituiu seis zonas de nudismo: Flaucher, Brudermuhlbrucke, Mittlere-Isar-Straße, Eisbach, Schwabinger Bucht e Feldmonchinger See.
Com esta decisão, a autarquia ‘tapou’ um vazio legal que se prolongava desde o ano passado, quando expirou uma lei regional da Baviera que proibia o nudismo para apanhar banhos de sol em locais públicos da cidade. 
Era uma lei que não tinha grande aplicação prática: num dos maiores parques de Munique, o “Jardim dos Ingleses”, o nudismo era uma prática realizada por muitas pessoas desde os anos 60 do século passado.
“Nestas seis áreas, localizadas em zonas arborizadas, existe um certo grau de privacidade sem que estejam isoladas ou escondidas por vedações. Um destes locais fica a menos de dez minutos, a pé, da principal praça de Munique e abrange uma linha de água muito procurada por turistas”, salienta o site Atlantic Cities.
Para além de tomar banhos de sol, as pessoas podem passear ou fazer piqueniques em qualquer uma destas seis áreas de ‘nudismo legal’.
A imprensa alemã salienta ainda que os germânicos têm uma reputação, em algumas zonas balneares da Europa, de serem “obsessivos” pelo nudismo e pelos banhos de sol.
“Ao permitir os banhos de sol a nudistas nestas seis áreas, Munique está a admitir, de várias formas, que esta prática tem sido corrente ao longo dos anos”, salientou o mesmo site.
Na Alemanha, o nudismo é permitido nas praias desde 1920.
“O que os alemães fazem é manter uma certa tradição cultural de escapar à pressão e ao artificialismo da vida nas cidades para regressar a algo supostamente mais natural. Tirar as roupas em público é como remover uma máscara pesada, regressar à honestidade e não promover o exibicionismo”, sustenta o Atlantic Cities.
No Mail Online, um colunista apresenta uma opinião convergente: “sempre que o sol espreita, os habitantes de munique, de todas as idades, feitios e tamanhos, tentar apanhar alguns raios tal como a natureza os fez. É considerada a melhor ‘escapadinha’ após o almoço e o melhor convívio entre amigos”.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

PLUMERÍA















A Plumeria é uma arvore da América Tropical que atinge cerca de 4 a 8 m de altura.Tem caules grossos de casca lisa, acinzentada. Os ramos de aspecto suculento segregam uma seiva leitosa, quando cortados ou podados.Tem folhas verde-escuras, com cerca de 30 cm de comprimento que nascem na ponta dos ramos e caem no Inverno/Primavera nos países não tropicais.


Do Verão até o Outono as fores da pluméria podem ser apreciadas, reunidas em grandes inflorescências terminais, nas cores vermelha, creme, branco ou rosa, exalando um delicado perfume semelhante ao do jasmim.



A pluméria requer sol pleno e para viver fora do clima tropical deve ser recolhida ou ficar abrigada durante o Inverno.No Algarve pode ficar perfeitamente no exterior.No jardim público de Tavira vivem umas há anos. Em Lisboa conheço uma rapariga que tem uma num vaso do terraço abrigado e dá flores (rosa com centro amarelo) maravilhosas. Não tolera solos demasiado encharcados nem geadas. Multiplica-s por sementes ou estacas.ARANDA DO F
Livro da autoria do moçambicano Mia Couto, publicado em 1996. Provável alegoria à passagem do tempo e à morte sob a 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

27 CANECAS DE CERVEJA



O alemão Oliver Struempfel estabeleceu um novo recorde do Guinness ao carregar 27 canecas de um litro de cerveja durante 40 metros. A "proeza" foi alcançada em Abensberg (Alemanha) e, segundo a organização do concurso, as canecas pesavam 62 quilos.

domingo, 7 de setembro de 2014

FAJÃS DE SÃO JORGE CANDIDATAS A RESERVA DA BIOSFERA DA UNESCO



O Governo Regional dos Açores vai candidatar as Fajãs da Ilha de São Jorge a Reserva da Biosfera junto da UNESCO, depois das ilhas Graciosa, Flores e Corvo terem já conquistado esse estatuto.
São Jorge possui cerca de 80 Fajãs. É por isso que é conhecida como a "Ilha das Fajãs".
A Fajã é o nome dada a um terreno plano, situado à beira-mar e normalmente cultivável, que resulta do desprendimento de materiais das encostas.
Estas plataformas costeiras são muito comuns nos Açores, onde aparecem em quase todas as ilhas, mas é em São Jorge que existem em maior número. São considerados locais de grande tradição como tanto de vocação agrícola como de lazer, onde existem piscinas naturais, casas de veraneio e trilhos pedestres percorridos por locais e visitantes.

DN -7.9.2014-


sábado, 30 de agosto de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXIX - NISA

A SAFRA DA MOURA

A Safra da Moura fica entre Tolosa e a Ribeira do Sor, junto à Estrada Nacional nº 118, no concelho de Nisa. E chama-se assim a um conjunto de enormes penedos graníticos, entre os quais existe uma gruta onde, ainda hoje, há vestígios de ali se terem acendido fogueiras. Os séculos desbobinaram-se desde aqueles tempos, mas uma capa fuliginosa no interior ainda não se dissipou.
Saibam quantos que durante a Reconquista Cristã, abrigou-se ali um casal de mouros. Não fugia dos cristãos, era apenas um caso de objecção de consciência Ele, que fora um grande cavaleiro das hostes de Alá, abandonou os seus e, levando consigo a bela e bondosa esposa, meteu-se naquela gruta. Mas deixou uma carta ao seu rei:
««Conheceis-me bastante bem para concluírdes que não é o medo da luta que me toma desertor. Nunca receei o combate frente ao inimigo. As minhas armas nunca se baixaram quando o perigo e a morte mais se avizinhavam. Mas, pensei longamente nas razões invocadas para sustentam este guerra, sem nunca ter encontrado uma única razão que a justificasse. Sempre ouvi fundamentar esta terrível contenda na incompatibilidade religiosa entre Cruz e o Crescente. Semelhante justificação não passa de uma falsidade, com o fim de encobrir os desejos expansionistas dos soberanos que tiranicamente nos governam.»»
Furioso, o rei mouro ofereceu muito dinheiro pela denúncia do casal, mas as populações, que sabiam bem onde estavam os fugitivos, nunca aos denunciou. A moura era a bondade em pessoa e ajudava-os muito com as suas riquezas pessoais, de que se fizera acompanhar. Mais fechado era o marido, mas raramente aparecia.
Ora, certa vez, uma pobre e velha viúva viu-se na necessidade de esmolar junto da moura. Foi à Safra da Moura, mas encontrou-se com ele e não com ela. Muito triste e a medo, lamentou-se e pediu. O cavaleiro escutou-a e trouxe-lhe uma cesta com carvões. A pobre, desesperada, maldizendo a sua sorte, regressou a casa. Pelo caminho, como a cesta lhe pesasse, foi deitando fora os carvões. Ao chegar a casa, como só lhe restasse um, atirou-o para a lareira, esmagando-o. E qual não foi o seu espanto ao ver aparecer uma moeda de ouro!

E logo saiu a velha de casa, seguindo pelo mesmo caminho para apanhar os carvões que deitara fora. Mas não encontrou nenhum. Porém, junto à Safra, lá estava o mouro sorrindo-lhe. Ele disse-lhe:
««Bem percebi que não confiavas em mim, boa mulher! E segui-te, recolhendo todo o carvão que tinha dentro as moedas de ouro. Toma, leva-o contigo e alivia a tua pobreza. Mas vais fazer-me um favor: não julgues as pessoas pela sua aparência. Ficas a saber que para a minha mulher vos poder ajudar a todos, eu é que trabalho preparando os alimentos e os remédios.»»
Não se calou a velha e assim se ficou a saber que o mouro era tão bondoso como a esposa. E retribuíram-lhes com carinho a generosidade deles.

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domingo, 10 de agosto de 2014

BOUGAINVILLEA


Bougainvillea é um género botânico da família Nyctaginaceae, de espécies geralmente designadas como buganvílias. Nativas da América do Sul, essas angiospermas recebem vários nomes populares, como primavera, três-marias, sempre-lustrosa, santa-rita, ceboleiro, roseiro, roseta, riso, pataguinha, pau-de-roseira e flor-de-papel. Também são encontradas em diversas cores como: Branca, Roxa, Rosa Claro, Pink, Vermelha, Amarela, Laranja, e diversas outras, simples ou com duas cores. O maior exemplar conhecido de Bougainvillea do mundo está localizado à beira do lago Guanabara no Município de Lambari no Sul de Minas Gerais, de tão grande virou árvore frondosa de 18 metros de altura. Arbusto óptimo para bonsai.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

LENDAS DE PORTUGAL - LXVIII - TORRES NOVAS

MARIA E MANUEL

O padre Augusto Durão, na sua monografia de Torres Novas (1942), arquiva uma curiosa lenda sobre o que ele chama de primórdios cristãos da atribulada cidadela. Vamos dar-lhe a palavra:

Havia, por esses conturbados tempos, nas viçosas margens do Almonda, uma formosa moura, convertida a fé cristã que fazia apostolado entre os da sua gente.
Com ela tratava repetidas vezes, mas furtivamente, assuntos da fé, um esforçado cavaleiro cristão, de nome Manuel, que na esbelta moçárabe encontrava valiosa cooperadora do seu proselitismo.
Ao fim de cada entrevista, dos lábios de Maria - assim se chamava a conversa - saía invariavelmente, por despedida, a famosa palavra do Mestre: "Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça..."
Ao que o Manuel respondia, completando a frase:
"Porque deles é o reino dos céus."
Assim andavam enamorados no mesmo ideal cristão, que viviam ao calor inebriante duma fé alta e depuravam nas ásperas lutas com os inimigos da Cruz.
Certo dia, Maria confidenciou a Manuel que fizera a Deus o voto da sua vida para que as Torres Novas voltassem a abrir ao culto dos cristãos, as portas das suas ermidas.
E o nobre cavaleiro assegurou-lhe que mais fazia ela pela causa cristã oferecendo a Deus, generosamente, a vida, do que ele arriscando-a em duros combates.
Despediram-se,  e por muito tempo não tornaram a encontrar-se.
Rodaram anos. Repelidos definitivamente os árabes, reconstrói D. Sancho I o castelo, povoa de cristãos a vila e reabre ao culto as capelinhas da fortaleza.
Maria foi das primeiras pessoas a galgar a encosta íngreme do castelo. Arrebatada de mística emoção, na ânsia de dar graças a Deus, entra jubilosa na primeira torre que encontra.
Celebrava-se missa. Maria aproximou-se do altar e reconhece Manuel no celebrante que descia a dar-lhe a comunhão. A alegria sufoca-a, comunga com dificuldade.

"Torres Novas" murmura baixinho, "Vigiai... para que não tornem a derrubá-las."
E o sacerdote, amparando-a com suavidade, responde com a voz embargada em lágrimas:
"Nem derrubar nem envelhecer.. quanto mais velhas, mais novas serão nas almas, pujantes de vida cristã, para glorificação de Portugal."
E Maria finava-se nessa hora, nos braços do sacerdote-cavaleiro.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

CASA DO SAL E DA CULTURA - CASTRO MARIM


Mesmo à beira do Rio Guadiana, a paisagem que envolve a vila de Castro Marim é toda feita de sal. Dos sapais emergem as salinas que desde há muito são a imagem de marca do concelho e uma importante fonte natural de riqueza.
Em homenagem à história do comércio do sal e com o objectivo de valorizar a actividade salineira e a biodiversidade das salinas, foi inaugurada em junho a "Casa do Sal".
Localizado no antigo edifício da Balalaica, este novo equipamento foi apresentado pelo município como casa cultura, "um espaço que se pretende dinâmico e próximo da comunidade". Idealizada há vários anos, só agora foi possível concluir esta obra.
Ainda em fase experimental, sem horários bem definidos, conforme  indicou uma responsável da autarquia, a "Casa do Sal" está aberto ao público, com entrada gratuita, e organiza-se em três valências:
um espaço de merchandising, associado ao sal de Castro Marim, uma área de exposições e um espaço multimédia, que integrará uma rede de circuitos de visita à Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Dica da Semana - 24.7.2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

CHARLES SPENCER CHAPLIN


A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

BOTÕES-DE-OURO




Unxia kubitzkii, com nome popular botão-de-ouro é uma planta florífera perene, herbácea e erecta, nativa do Brasil.

Características

Possui de 30 cm a meio metro de altura, suas flores têm uso decorativo. As folhas são simples, de cantos serrilhados, pecíolos curtos e de cor amarelados. As flores são pequenas, agrupadas em capítulos também pequenos, na cor amarelo-ouro que saem em hastes axilares solitárias. Sua floração dá-se durante todo o ano.